Notas iniciais
Um pouco mais de ação nesse capítulo pra vocês. Espero que gostem e boa leitura!

Após o nosso proveitoso descanso, fomos para o refeitório saciar nossa fome, que invadira nosso estômago faz tempo.

– A comida está ótima, não? – perguntou Liza, sorrindo para mim.

– Sim, está... – eu respondi com poucas palavras. Não parava de pensar naquele garoto e todas as palavras que saíram de sua boca. Aquilo não era normal, alguma coisa realmente estava acontecendo, mas o que eu não entendo, é o que eu e meu querido pai temos a ver com isso.

– Você está diferente, Eve. – ela disse me encarando com uma expressão facial diferente de todas que já vi. Seus olhos por alguns instantes pareciam ficar mais escuros, como se uma grande sombra passara em sua frente, mas ignorei achando que fosse alucinação minha.

– Desculpe-me, só estava pensando em algumas coisas...

– Você vive pensando. Às vezes acho que você pensa demais.

Não respondi. Fiquei completamente imóvel e senti minha pele ficar gelada quando vi uma sombra atrás na janela. Era uma sombra diferente e sombria. Parecia uma mulher alta e com os cabelos ondulados pela forma da sombra atrás do vidro. Senti um arrepio na espinha e um medo incomum invadiu meu corpo, fazendo com que ele se retraísse.

– Você tá bem? – Elizabeth me perguntou me encarando seriamente.

– Estou. Não se preocupe, só estou com um pouco de frio.

O resto do dia passou rápido e logo anoiteceu. O resto da semana foi normal e eu pude comemorar internamente por não ter me aparecido nada estranho novamente. Dei graças por aquele garoto não me incomodar e nem me perseguir mais e por eu não ter visto sombras de novo. O fim de semana chegou, fazendo com que eu ficasse um pouco feliz de ver meu pai e sair daquela escola para aproveitar minha nova casa e livrar-me de aulas e pensamentos estranhos.

Saí da escola sexta de tardezinha. A inspetora nos recomendou que fôssemos no sábado de manhã, mas preferi sair daquele lugar o quanto antes, sem me importar com o temporal que vinha pela frente. Despedi-me rapidamente de Elizabeth e segui o caminho para casa o mais rápido que pude. Cheguei antes da chuva e tranquei a porta. Não pude deixar de perceber que tudo estava muito silencioso. Me aproximei da cozinha e vi que havia velas acesas encima da mesa. Chamei pelo meu pai, mas ninguém respondeu. Provavelmente ele devia estar no trabalho. Mas quem ascendeu às velas? Me aproximei da mesa e vi que não havia só as velas, havia também uma carta com poucas palavras, uma rosa e pequenas gotas de sangue ao lado. Quem poderia ter escrito-a? Por que havia sangue ali? E com que intenção alguém escreveria uma carta para mim?

Afastei-me rapidamente da mesa, hesitando olhar a carta, com medo. Pensei que aquele garoto tinha me deixado em paz. Só podia ser coisa dele.

Pego a carta decidida a rasgá-la, certa de que aquilo era uma brincadeira de muito mau gosto e que só podia ser coisa daquele estranho que ficou me seguindo no colégio. Quando a carta já está em minhas mãos, sinto algo tão sinistro que meu corpo se arrepia todo e minhas mãos não conseguem rasgar o papel, de alguma forma inacreditável. Decido ler a pequena carta então, já que não consigo rasgá-la, ao menos lerei. A caligrafia do remetente era perfeita, nenhuma falha sequer em nenhum lugar. Não pude deixar de notar que o papel estava com um cheiro bom, com cheiro de rosa que acabara de pegar de uma roseira.

“Eu sei que nosso encontro não foi dos melhores, mas tudo o que eu disse não era brincadeira e eu não sou o idiota que você pensa que sou. Eu estava falando sério, mais sério do que você pensa. Peço que saia da casa e se possível da cidade o quanto antes. Vocês correm perigo. É só isso que posso dizer. E mandei este aviso em forma de carta porque se eu fosse avisá-la pela terceira vez pessoalmente, tenho certeza de que não daria a mínima. Espero que tenha lido e siga o meu conselho. Não me procure afim de me fazer milhões de perguntas. A única coisa que deve fazer agora é pegar suas coisas e ir embora.”

Fiquei paralisada ao ler aquilo. Como ele poderia me ameaçar até em minha própria casa? Isso é um absurdo!

Estava reclamando em pensamentos quando uma espécie de vulto passa atrás de mim tão rápido que a folha com as pequenas e ameaçadoras palavras caem lentamente e pousam sobre o chão. Viro-me rapidamente para trás com cautela e receio, mas não vejo nada além da minha bela sala de estar. O vulto passa várias vezes atrás de mim e eu fico sem reação, desesperada para que aquilo pare e vá embora. Estava começando realmente a ficar com muito medo e mais desesperada do que eu já estava. Depois de várias passadas de vultos aterrorizantes que me davam calafrios cada vez que passavam perto do meu corpo, finalmente posso descobrir o que era aquilo. Viro-me para a cozinha e vejo encostada na bancada uma moça de cabelos pretos ondulados e olhos verdes, sedutora e que me dava arrepios só de olhá-la.

– Não se preocupe, não pretendo te machucá-la... Eve. É seu nome, não? – ela disse com uma voz perversa, como se estivesse jogando algum tipo de jogo e tinha as cartas na manga.

– Quem é você? – Eu disse me afastando para trás devagar, com medo.

– Você não vai querer saber e é melhor assim.

Continuo me afastando dela devagar para não fazê-la notar que eu estou tentando me distanciar e assim fugir dali, de toda aquela confusão.

– Onde pensa que vai? – ela perguntou com a sombracelha erguida e com uma cara nada boa.

Fiquei imóvel, e senti minha pele gelar. Senti um arrepio na espinha quando seus olhos encontraram o meu e pude perceber a maldade no fundo de seu olhar.

– Eu quero o colar. Onde está? – ela perguntou sendo direta e aumentando o tom de voz, e dando passos curtos para chegar até a mim.

– E-eu não sei do que está falando. – eu respondi confusa não sabendo de verdade do que ela estava falando.

– É lógico que sabe, afinal, você mora aqui, não? Deve ser uma das amiguinhas do Daniel. Aquele garoto metido e insuportável.

Continuei parada onde estava, sem saber o que responder.

– Não quer me falar? Confie em mim, Eve. Se você me disser onde está o colar, tudo ficará mais fácil e você pode continuar com a sua vida normalmente daqui em diante, eu prometo. – ela disse me encarando com um sorriso perverso.

– Mas eu não sei de que colar você está falando! – eu gritei. Estava desesperada e querendo mais do que tudo que ela fosse embora dali e me deixasse em paz. Eu não sabia do que ela estava falando.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa ou então dar mais um passo para trás, sinto um vulto correr pela cozinha e logo depois meu corpo ser jogado contra a parede, me fazendo sentir dor.

– Tem certeza de que não vai me falar onde está o maldito colar? Se eu fosse você eu diria, ou então essa conversa e você não vão durar muito. – ela disse com uma expressão feroz no rosto e com a mão no meu pescoço apertando-o cada vez mais.

– V-você está... me machucando. – eu tentei dizer, embora não tenha saído muito as palavras, devido à força com que ela apertava meu pescoço, fazendo com que eu perca a respiração.

– Insolente! – ela disse tirando a mão do meu pescoço e me jogando com força no chão. – Nem para um simples favor vocês humanos servem! – ela disse gritando, parecendo estar furiosa por não ter conseguido o que queria. – Então, já que você não quer ter a boa vontade de me dizer onde está o maldito colar, vou me livrar de você para que não me atrapalhe mais. Afinal, é como aquela frase idiota: “Quem não ajuda, não atrapalha.” E você, só está me atrapalhando, sua imbecil! – ela disse me pegando com força pelo braço e me jogando novamente no chão, fazendo com que eu sentisse meus braços baterem fortemente no chão e sentir muita dor.

Enquanto ela me insultava de vários nomes e me batia como se eu fosse algum objeto inútil, a porta se abriu violentamente e eu não vi mais nada. Eu apaguei completamente.

Notas finais
Eaí, curiosos para saber quem é essa mulher misteriosa e perversa? Curiosos para saber o que aconteceu com Eve? Deixem reviews, hihi s2