Vampire Love
8 Preciso de explicações
Notas iniciais
Acordei em meu quarto e ainda sonolenta pude ver um borrão em minha frente. Esfreguei os olhos e me sentei na cama. Olhei para cima e vi aquele garoto, com os olhos num tom de castanho perfeito olhando diretamente nos meus.
– O que aconteceu?
– Isso não importa agora. Você está bem? – ele me perguntou com a testa franzida, encarando-me, olhando-me diretamente nos olhos.
– É claro que importa! Que confusão toda foi essa? – eu perguntei me sentando melhor na cama e alterando o tom de voz. Eu estava confusa e precisava de informações.
– Você não precisa saber. Aliás, você não deve saber. – ele disse se levantando e virando-se para a janela, parecendo nervoso.
– É lógico que devo. Eu fui... atacada. E por uma mulher que eu nunca vi na vida! E ela me pediu um colar. Eu nem sei que colar é esse!
– Isso é bom.
– Bom? Eu quero explicações, eu mereço explicações. E explicações bem convincentes, de preferência. – eu disse me levantando da cama também e indo em direção à ele que estava quase imóvel, de costas para mim e virado para a janela.
– Olha, confia em mim. – ele disse virando tão rápido que me assustei e dei um passo para trás. – Você não vai querer saber e nem precisa. Você participar desta grande confusão e guerra não vai adiantar nada, pelo contrário, só vai piorar as coisas e você poderá correr grandes riscos.
– Ok, só que acontece que eu não posso ser acusada, muito menos atacada, por alguém que eu não conheço e sem motivo algum! E não adianta, quanto mais você fala, mais eu sei que preciso saber dessa história. – eu disse impaciente, querendo explicações.
– Tem certeza de que quer correr o risco? Se você não souber de nada, poderá seguir com a sua vida normalmente. Longe daqui, claro.
– Não, eu já disse que não vou ir embora daqui! Agora sente-se e comece a argumentar. – eu disse sentando e acenando para que ele sentasse em meu lado.
Ele não disse nada, apenas sentou-se com uma cara fechada. Pude sentir de leve um arrepio quando sua pele gelada encostou na minha de leve, mas foi um toque rápido demais para conseguir identificar o que fora aquilo.
– Você terá que ter tempo para digerir as informações, Eve. – ele disse me encarando, com o olhar fixo em meu rosto.
– Tempo eu tenho de sobra. A propósito, qual o seu nome? Você me perseguiu esse tempo todo e eu ainda não sei qual é o seu nome. – eu disse praticamente o forçando a me dizer tudo.
– A essa altura do campeonato você já deve saber, não? Ela não mencionou meu nome?
– Acho que ela falou de alguém enquanto me batia, mas não me lembro muito bem do nome...
– Me chamo Daniel. – ele disse me cortando, sendo um tanto direto.
– Bom, Daniel, acho bom você ter tempo para ficar aqui, pois eu quero que em explique o que foi tudo isso.
Quando eu tinha certeza de que ele ia me contar tudo, algo nos interrompe.
– Filha? Está aí? – meu pai pergunta batendo na porta.
Encaro ele e faço um sinal de positivo, para que ele não se mexa e me espere até eu contar qualquer mentira para meu pai e dizer que preciso ficar sozinha no momento.
– Oi, pai. – eu digo sorrindo.
– Está tudo bem? Tem alguém com você? – ele perguntou querendo olhar para dentro do meu quarto mas sendo barrado pelo meu corpo que eu fiz questão de posicionar bem na sua frente, atrapalhando sua visão.
– Está tudo ótimo. Eu estava falando com uma amiga no telefone mas já desliguei, não se preocupe. Agora, se não se importa, gostaria de ir dormir. Estou muito cansada.
– Ah, claro... Mas se precisar de algo, me chama. Você está muito esquisita... – ele disse parecendo desconfiado.
– Pode deixar. Boa noite. – eu disse sorrindo e fechando a porta devagar, dando-lhe um sinal de que quero ficar realmente sozinha.
Quando ele finalmente desiste e vai para seu quarto, que fica em frente ao meu, eu me viro para trás para procurar Daniel, mas ele simplesmente não está mais ali. No lugar onde estava só permaneceu uma rosa, com um pequeno bilhete.
“Não se preocupe, não estou fugindo de você. Eu prometo lhe explicar tudo quando for a hora certa. Enquanto isso, tome muito cuidado, por favor. Volto aqui amanhã de manhã para ver como está. Durma bem.”
Peguei a rosa e o bilhete e coloquei encima da cômoda. Apaguei as luzes e me deitei, apenas com o abajur aceso.
Como esse garoto pode ser tão... atrevido? Primeiro ele me manda ir embora sem motivo algum. Depois eu sou atacada por uma mulher querendo um colar que eu não faço a mínima idéia de onde esteja. E agora, ele me deixa aqui, com milhões de pensamentos esquisitos e perturbadores que não me deixam dormir, sem explicação nenhuma. Só pode ser uma brincadeira de muito mal gosto. Não há explicação melhor para tudo o que aconteceu a não ser isso. Uma grande brincadeira idiota! Mas não pode ser... mesmo que eu queira acreditar que seja só uma brincadeira idiota, eu ainda acho que tudo isso é realmente muito sério. Sinto que corro perigo. De alguma forma, aqueles olhos castanhos hipnotizantes conseguiram me dizer isso.
Interrompi meus pensamentos, determinada a dormir e deixar esse assunto um pouco de lado, pelo menos até o dia seguinte. Apaguei a luz do abajur e fechei os olhos, tentando dormir, torcendo para que o sono venha e eu durma profundamente e só acorde quando tudo isso passar.
Não consegui dormir direito, pois não conseguia esquecer a cena daquela mulher me batendo e me fazendo perguntas na qual eu não sei responder. Se ao menos eu soubesse de que colar que ela estava falando... E eu ainda não sei como eu acordei em minha cama ao lado daquele garoto, sem dor alguma e sem hematomas, como se nada tivesse acontecido.
Fico acordada em minha cama quando ainda é sete da manhã. Não consegui dormi a noite toda e ainda não tenho sono. Fecho os olhos por um instante e quando os abro novamente, levo um susto ao ver Daniel em pé, perto da janela.
– Bom dia, mal educado. – eu digo sentando-me na cama e fazendo um coque alto com meus belos e cuidados cabelos.
– Desculpe-me. Achei que já estivesse acordada. Quer dizer... eu sabia que estava acordada, então resolvi entrar.
– E entrou como? A porta estava trancada desde ontem e a janela fechada. Você é mágico ou o quê? – perguntei indignada com tanto mistério e muito mais confusa do que eu já estava. – Isso está me deixando cada vez mais maluca... – eu disse baixinho para mim mesma.
– Não sou exatamente mágico.
– Então é o quê? Uma fada madrinha? – eu ironizei, dando uma risada nervosa em seguida.
– Não. Ao contrário desses seres imagináveis, eu não vivo num conto de fadas ou então num mundo onde tudo é perfeito.
– Obviamente né? Esse mundo está cada vez pior!
– É algo... um pouco pior do que este mundo.
– Ok, agora eu não estou entendendo mais nada. O que está dizendo não faz sentido. Você está brincando comigo? – eu perguntei num tom agressivo e acusador, querendo respostas para minhas perguntas.
Ele se aproxima de mim e senta-se em meu lado tão rapidamente que mal consigo acompanhar seus passos.
– Não. Não estou brincando com você. Isso não é nenhum tipo de brincadeira, Eve. É muito mais sério do que você pensa.
– Então me conte tudo. Do contrário eu pensarei que tudo isso não passa de uma brincadeira idiota.
– A mulher que você viu ontem e que te atacou não é uma simples mulher. Ela é uma enviada de Drumon.
– Drumon? Quem é esse? E porque aquela mulher é enviada dele? Não estou entendendo... O que essas pessoas têm a ver comigo?
– Nada. Elas não têm nada a ver com você.
– Então por que aquela mulher veio me procurar?
– Porque eles não querem você. Eles querem o colar. – ele disse com uma expressão séria no rosto, demonstrando preocupação por trás de toda aquela seriedade.
– E que colar é este? O que eu tenho a ver com ele? Isso não faz sentido! – eu disse nervosa e me sentindo um tanto confusa.
– É uma longa história.
– Eu não me importo em ouvi-la. Tenho tempo de sombra.
– Primeiro você tem que saber de uma coisa importante, mas tem que prometer com a sua vida que não contará a ninguém, ou então nós vamos ser descobertos e isso não pode acontecer.
– Prometo. – eu disse séria e afim de realmente manter sigilo sobre o que ele me contar. Geralmente eu sou um túmulo de segredos. As pessoas me contam vários segredos e eu tenho que guardá-los comigo, ou seja, já estou acostumada com esse tipo de coisa.
– Talvez você já tenha reparado em meu jeito, no jeito daquela mulher... Eu sei que não és tola. A essa altura do campeonato você já deve saber o que somos.
Pensei bem no que ele me disse e liguei os fatos. Os vultos, sua rapidez ao se locomover, as sombras, seus olhos, sua pele gelada... Não pode ser. Isso não existe, é fora do comum!
– Não. Você não é um vampiro. Isso não existe! – eu disse me levantando e me sentindo uma boba.
– Existe mais até mais do que você imagina. – ele disse com a voz séria, se levantando e vindo em minha direção.
– Não é possível! É como as fadas madrinhas, como lobisomens e essas coisas do mundo sobrenatural. Não existe! Isso é mito!
– É claro que existe. – ele disse me encarando nos olhos. Logo pude perceber seus olhos mudarem da cor castanha perfeito para um vermelho tenebroso. Congelei e fiquei imóvel, seus olhos pareciam me hipnotizar.
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