Vale do Ninguém
4 Capitulo 03 - Klaus Albuquerque
Apenas depois de ter dormido mais ou menos umas oito horas, que percebo que meu corpo realmente precisava dormir. Mais como quando peguei no sono era mais ou menos três horas da tarde agora deve ser umas dez ou onze horas da noite.
E como é tarde, acho que Melissa já foi – para seu turno que começa as sete – e acho que Derek e seus irmãos já devem estar dormindo. Com esse pensamento saio do quarto e vou para a cozinha em total silêncio.
Pego um copo d’agua e sento em uma bancada de mármore que estava vazia, e por um instante tive a sensação de estar em casa em uma das milhares noites de insônia que me perturbam a alguns anos.
—Onde vai Derek? – Pergunto, quando vejo Derek saindo pela porta da cozinha com duas maletas ou algo do tipo.
Mais aí veio a lembrança da noite em que ele encontro eu e Bekah, ele havia falado que havíamos sofrido um acidente de carro para sua mãe, mesmo isso sendo verdade eu ache estranho tal atitude.
— Porque falou que havíamos sofrido um acidente?
Ele virou espantado por ter alguém acordado, mais ao mesmo tempo surpreso por eu estar descendo de cima do balcão da cozinha dele. Porem logo se tocou da pergunta e respondeu com outra pergunta.
— Por que, não era para mentir? – Ele deu uma pausa – Eu vi que vocês ficaram meio apreensivos somente com minha presença, imaginei que vocês não queriam pessoas bisbilhotando atrás da verdade – Falou em um tom um pouco sério, porem ao mesmo tempo descontraído.
— Fez o certo... — falo meio pensativo — Então porque incluir dois desconhecidos?
— Sei lá, apenas fui com a cara de vocês! – Derek fala enquanto coloca os malotes para fora – Desculpa por não ficar fazendo companhia, mas se você quiser me fazer companhia lá fora fique à vontade.
Ele sai, e eu não respondo. Mas depois de pensar um pouco, e perceber que se eu voltasse para o quarto, com certeza não conseguiria dormir.
— Quer saber? Vou com você! – Falei animado e em alto bom som, para que ele voltasse e me ajudasse a descer a pequena escada da porta da cozinha.
Ele apenas me ajuda a descer, depois vou atrás dele meio mancando, pois, minha perna ainda é afetada por um pequeno incidente no hospital, na noite em que fomos achados. E eu meio que quebrei a perna, tentando chutar alguns guardas e equipamentos.
Fui atrás de Derek, até a frente da garagem, onde vejo um alvo já pendurado com duas adagas fincadas. Ele deixou os malotes a uma certa distância, logo em seguida Derek tira um arco e uma besta de dentro dos malotes, e depois ele tira as adagas do alvo.
— Então? A quanto tempo prática tiro ao alvo? – Pergunto a Derek enquanto sento nos malotes que agora então empilhados.
— Para falar a verdade Nicklaus... – Ele começa, mas eu o interrompo, pois odeio que me chamem de Nicklaus, assim trazendo umas velhas lembranças de meu pai.
— Pode me chamar de Klaus!
— Tá, Klaus! Voltando, eu só tenho esse arco e a besta a algumas horas e nuca atirei com eles. – Ele falando assim, me surpreende ele ter equipamentos de alta qualidade e não saber nada sobre como manuseá-los.
Vou até onde ele largou as adagas, volto para o lado de Derek e apontando para o arco pergunto:
— Posso tentar?
Ele concorda com a cabeça, e assim me passando o arco. Ao pegá-lo, os deixo em uma mão, enquanto lanço as duas adagas, que acertaram o centro do alvo, que até que é grande. Em seguida lanço umas cinco flechas com o arco, e mais umas cinco com a besta, que como previsto acertaram o contorno do centro vermelho.
Assim que terminei, Derek vai até o alvo para tirar as flechas e adagas. E ao voltar ele está surpreendido.
— Como fez isso? – Pergunta surpreso e eu apenas para ele – Com quem você aprendeu a fazer isso?
— Com meu pai, Richard Albuquerque!
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