Vainglory
9 Capítulo 9
carnificina
car.ni.fi.ci.na
sf (lat carnificina)1.Matança, mortandade, morticínio;2.Extermínio; massacre; 3.Ato desumano.
Não era nem cinco da manhã quando o sol nasceu no horizonte de Casa do Tridente, irradiando por suas paredes de pedra cinza e fazendo o enorme castelo e sua fortaleza brilharem. Os criados já estavam acordados há tempos, os cozinheiros preparando o vasto café da manhã para Perseu e Annabeth, composto de todos os tipos de bolos e tortas gelados, o próprio pó de café preto vindo do Oeste do reino, leite fresco recém tirado das vacas do próprio local e frutas climatizadas e cortadas, além de incontáveis ovos fritos acompanhados de torradas na manteiga e bacon. Em seus aposentos, os próprios Perseu e Annabeth dormiam tranquilamente, e no quarto ao lado, o precioso Zachary, que nem havia completado um mês de vida, encontrava-se descansando de olhos abertos, encarando as paredes pintadas de azul marinho de seu quarto e o móbile de planetas pairando por cima de seu berço. O bebê mal chorava, era conhecido como um verdadeiro anjo mandado pelos deuses por ser calmo e quieto. Até mesmo quando sentia algum incômodo, não cessava em parar de resmungar quando suas vontades eram atendidas. Enquanto isso, em seu quarto simples na torre dos funcionários, Silena arrumava sua cama, preparada para um novo dia de trabalho. A partir daquela noite, ela dormiria no quarto do pequeno Zachary, e, decidida – ainda que cheia de medo – ela iria, ao dar-lhe o leite com sua mamadeira de vidro, envenenar o pequeno corpo do bebê e finalmente dar um passo à frente na conquista dos remédios que seu filho, Peter Beauregard (Beckendorf, por direito) sobrevivesse. Sabia que não havia dignidade nenhuma em seus atos, mas o mínimo que poderia fazer para aliviar o sofrimento de Annabeth e Zachary seria ter a piedade de sacrificar a mulher primeiramente e esperar mais alguns dias para envenenar o bebê não deixar suspeitas, mas as ordens de seu mestre Luke haviam sido claras: mataria a criança numa noite fresca de verão, enfraquecendo os corações de ambos Annabeth e Percy; quando a jovem já estivesse mais conformada e dormente com relação à morte do filho, em seu estado mais frágil o possível, Silena sugeriria a cavalgada, e quando parassem para um descanso breve, o punhal seria enfiado contra o peito de Annabeth, arrancando-lhe a sangue frio o coração que seria depositado dentro da caixa de música vermelha de Luke e entregada a ele pessoalmente; então, finalmente, seria liberada para deixar Casa do Tridente com os remédios que o filho precisava, voltaria para o Leste aonde sua mãe, uma pobre camponesa, fazia o possível com os pouquíssimos que ganhava para manter Peter vivo. Silena planejava em criar o filho sozinha, pois bem sabia que sua beleza já fora levada pela gravidez e pelos maus tratos apesar de sua pouca idade, e nenhum homem, mesmo que muito pobre, iria querer tomá-la como esposa, e mesmo que o fizesse, sabia que nenhum ser humano vivo conseguiria amá-la como Charles um dia o fez.
Com as mãos trêmulas, Silena prendeu os cabelos num laço de fita vermelho simples, vestindo seu uniforme de ama de leite e dirigindo-se ao subsolo da torre Sul, onde ficavam os empregados. Nos fundos da torre onde todos os funcionários de Casa do Tridente moravam, fora construída uma bela capela de mármore verde para que os servos pudessem rezar aos seus deuses em paz, já que a capela oficial de Casa do Tridente era dez vezes maior e seu uso era apenas permitido aos nobres que lá viviam, além de Perseu e Annabeth, certamente. Quando lá chegou, respirou o ar úmido de debaixo da terra e sentiu-se intimidada pelas paredes do mármore verde mar, a mesma cor dos olhos de Perseu e do pequeno Zachary. Esperou para que o cozinheiro que lá se encontrava terminasse suas preces antes que se ajoelhasse ao pequeno templo, quebrando-se em lágrimas assim que o fez. Palavra alguma saiu de sua boca, mas ela conseguiu ter a força para riscar um fósforo e acender uma das pequenas velas cor de creme que ficavam numa pequena caixa ao canto para a disposição dos servos. Posicionou a vela perto das muitas outras que ainda queimavam, voltando ao seu choro silencioso enquanto encarava o semblante dos deuses do Olimpo estampados no mármore... De repente, parecia que todos estavam julgando-a, mesmo sendo de pedra: até o vivaz e belo Apolo, até mesmo a bela e gentil Afrodite. Todos, sem exceção; olhou para o seu próprio colo, evitando os olhos de rocha que a avaliavam e começou sua prece mental e silenciosa.
Oh, meus deuses, não peço que me perdoem, pois sou tão mísera que mal consigo justificar a gravidade de meus atos... Nadarei nas águas venenosas do Mundo Inferior pelo resto da eternidade, ah, irei, mas que o meu último desejo seja em paz... Que proteja a alma pura do pequeno Zachary, o menino do qual tirarei a infância, o leito, o dinheiro, e a vida. Zelo pela senhorita Annabeth, tão jovem, tão responsável, tão cega de amores... Que ela descanse com seu filho perto de vós, ó deuses, e que cada um de meus atos pecadores sejam multiplicados por um bilhão, pagarei por eles em nome de meu filho.
Com um longo suspiro, levantou-se, porém, quando estava próxima da porta, olhou por trás de seu ombro, e sua vela cor de creme pareceu tão pequena perto das dos outros empregados que sabia que nem em vida, nem em morte, teria paz.
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O chamado chegou cedo, e a jovem ruiva deixou escapar um grunhido de insatisfação quando vieram buscá-la. Pediu por um momento para arrumar suas coisas e encarou às outras prostitutas-servas dormindo ao chão contra o tapete macio do grande salão do Sultão Oslo. Por um lado, sentia-se feliz por estar deixando as terríveis condições em que se encontrava: todo o reino sabia que morar no Oeste, sobre os olhos do Sultão, era o pior castigo de qualquer mulher, e que as que eram sortudas o suficiente como ela deveriam ser eternamente gratas, porém, a história e o passado da garota de dezenove anos eram sombrios, e ela pensava que antes estar no escuro e saber encontrar as paredes para apoiar-se do que cegada pela luz de um sol que nunca havia visto.
A carta chegara há duas semanas atrás de Casa do Tridente; um homem poderoso, o chefe da Casa do Elmo, Luke Castellan, precisava de uma esposa que pudesse dar-lhe filhos assim que possível, e o homem exigia a melhor prostituta que o Sultão tivesse, e que fosse fértil. Pagaria uma quantidade enorme de dinheiro, mas ainda assim, o Sultão riu sobre o semblante da carta, já que dinheiro não lhe faltava, e suas prostitutas e a gigantesca tenda sobre a que morava eram o que mais lhe importava. Uma semana depois, outra carta foi recebida do mesmo Luke, triplicando sua oferta anterior e ainda oferecendo benefícios políticos para o Sultão para que o mesmo se beneficiasse muito quando Luke fosse rei. A notícia de que um dos aspirantes a rei estava procurando por uma prostituta fértil para desposar enquanto morava em Casa do Tridente espalharam-se entre as garotas da tenda do Sultão, e eventualmente, as palavras curiosas chegaram aos ouvidos de Rachel, eventualmente. A mulher agora de dezenove anos fora encontrada na beira de um rio próximo a tenda do rico Sultão quando ela tinha pouco mais que um ano, e até que atingiu a puberdade sempre fora a serva favorita do homem; desde então, Rachel não era só cortejada pelo rico como também possuída. Já havia engravidado do velho e gordo homem mais de três vezes: não se conhecia a mãe de Rachel, mas quando uma mulher tinha cabelos vermelhos, elas vinham das terras do nordeste, vulgo as Terras da Fertilidade, aonde toda menina nascida tinha o útero próprio para carregar uma criança atrás da outra; contudo, o Sultão nunca quis filhos, ainda mais de uma prostituta, ainda que fosse sua favorita, então abortos foram realizados, mas mesmo assim, Rachel era muito jovem e todos residentes da tenda sabiam que se o Sultão aceitasse a oferta de Luke, ela conseguiria dar filhos ao importante homem da política num piscar de olhos.
O Sultão por fim aceitou a oferta de Luke, e na última noite de Rachel na tenda, ele a possuíra desde que o sol raiara; a ruiva sentia-se estuprada, as carnes de dentro ardendo e contorcendo-se, mas estava acostumada. Pegou sua pequena trouxa de roupas, ignorando o que lhe diziam sobre os belíssimos vestidos que ganharia de Luke, pulou na carruagem e passou a madrugada acordada, esperando pelo longo caminho que havia até a Casa do Tridente. Quando chegou, engasgou-se na própria saliva a quão belo e enorme era o castelo, e foi muitíssimo bem recebida. Uma dupla de criadas gêmeas, vestidas de azul claro e surpreendentemente bem cuidadas, levaram-na até os aposentos de Luke, um quarto na torre Oeste, onde os nobres ficavam hospedados. Por mais pecadora que fosse Rachel não estava nem um pouco interessada em Luke, mas sim em Perseu, ah, o famoso Perseu Jackson. O reino todo falava dele, e como ele era uma verdadeira imagem pulsante de um deus, muito belo para ser real, e o quão gentil e amoroso ele era com todos a sua volta... Contudo, a pobre moça mal sabia que, assim que adormecesse esperando pelo seu mestre que estava em reunião, quando este chegasse, ela não viraria esposa nenhuma... Seria sim trancafiada e usada... Usada como a verdadeira prostituta que era.
Verdade fosse revelada: Luke Castellan não precisava de uma esposa. Precisava de um filho.
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Annabeth acordara no meio da madrugada, incomodada pelo silêncio. Sorriu timidamente ao ver Perseu roncando baixinho, e pressionou seus lábios rosados e macios contra os dele antes de se levantar e vestir o robe de seda branca, soltando os cabelos longos e encaracolados sobre ele e seguindo silenciosamente até o quarto de Zachary do outro lado do enorme corredor. Sorriu quando abriu a porta sem fazer barulho algum, admirando o quarto do pequeno por um momento. O aposento tinha formato de círculo, e as paredes de gesso foram pintadas de um tom de azul marinho e enfeitada de estrelas amarelas, pintadas cuidadosamente pelos pintores mais talentosos do reino. No meio do quarto, o berço de panos dourados era complementado por um pequeno móbile de planetas que pairava sobre o bebê; na verdade, o móbile fora uma sugestão dela... Apesar de ser um bebê muito novo e quieto, Zachary era curioso, e seus pequeninos olhos sempre se moviam pelo local em que se encontrava, sempre procurando por algo novo. Assim que o móbile do Sistema Solar fora instalado, ele mexia as mãozinhas e os bracinhos, tentando alcançá-los, e pequenos barulhinhos e suspiros de bebê saiam de sua boca do esforço e da curiosidade.
A jovem mãe de apenas dezoito anos soltou um suspiro ao ver que o bebê estava dormindo, sua cabecinha virada para a esquerda e suas mãos minúsculas e macias descansando ao lado dela. Annabeth sorriu, acariciando a barriga do bebê gentilmente e agachando-se para dar um beijo doce contra sua bochecha, admirando a criança e acariciando o cabelo preto, fino e macio entre seus dedos.
– Mamãe te ama, sabia? – Ela suspirou com um risinho, presa em suas carícias para notar Silena, vestida em seu uniforme, que entrava pela porta segurando a mamadeira de vidro com um pequeno vidrinho com o veneno comum mais usado: a Flor Púrpura.
Annabeth olhou para Silena, saindo do transe momentâneo e espantando o olhar de seu filho para a empregada, o vidro do veneno quase néon passando despercebido nas mãos trêmulas da serva que quase tremia.
– Oh! Silena querida – Ela sorriu de orelha a orelha inocentemente. – O pequeno Zachary está dormindo, não acho que vá querer a mamadeira. Se ele tivesse chorado de fome, eu mesma o teria amamentado. – Conversou animadamente, ainda que em sussurros para não acordar o pequeno. – Cá entre nós, você é ótima, querida, e eu não escolheria outra pessoa para ser a ama de leite do meu querido, mas eu acho essa coisa de ama de leite uma baboseira, não é mesmo?! Fui eu quem carregou o, eu quem deveria –
Annabeth interrompeu-se, franzindo o cenho quando notou o vidrinho de líquido brilhante nas mãos de Silena. Sim, Annabeth confessava que muitas vezes ela era inocente, mas, diabos, o reino todo sabia que ela era a moça mais inteligente de sua idade e de seu sexo. Mordeu o lábio inferior, suas suspeitas apenas aumentando quando Silena quase chorava. Annabeth, por sua vez, colocou-se na frente do berço, protegendo Zachary com seu corpo esguio.
– Não. – Annabeth sussurrou. – Por favor, não... Mate-me, mate-me se quiser, mas, por favor, o deixe em paz... – Ela chorou com um pequeno soluço quando o brilho do veneno tornou-se muito forte para que fosse ignorado.
Notas finais
Desculpem a demora pra postar, mas sabem como é né, fim de ano, festas, champagne e etc ;)
Hehe
Alguns avisos importantes:
*Não há meio-sangues nessa fic, mas os personagens acreditam nos deuses do Olimpo
*Se quiserem procurar meu nome/fics no Nyah!, meu nome de usuário é "imagine" com letra MINÚSCULA. Aparentemente alguém mudou o nome da conta pra Imagine, mas mesmo assim, se você digitar Imagine depois do fanfiction.com.br, vai aparecer minha conta. Vai entender. De qualquer forma, n posso expressar o quão p da vida eu fiquei quando vi que essa certa pessoa tinha mudado o nome da conta dela, mas né, hehe, vai dar na minha página do mesmo jeito.
Desculpa se estou irritando vocês com isso, mas é que eu nunca mudei o nome dessa conta e "imagine" é o meu bebê, ok? Nem acreditei quando vi que esse nome tava disponível. Enfim, fiquem de olho aí, sou marca registrada.
Beijos, feliz ano novo! ;)
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