Vainglory
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Capítulo bem Percabeth pra vocês! Aproveitem!
PS. Linguagem usada pelo Luke no fim do capítulo é meio grosseira. Peço perdão novamente, mas foi preciso.
herdeiro
her.dei.ro
sm (lat hereditariu)1. Pessoa que herda, ou tem direito de suceder na possessão da totalidade dos bens, ou parte deles, após a morte do proprietário;2. Todo aquele que sucede na totalidade da herança ou em parte dela, sem determinação do valor e do objeto;4. O que herda por parentesco ou consangüinidade certas particularidades físicas ou morais.
– Tem certeza, doutor? – a serva perguntou ao médico que terminara de examinar Annabeth, cobrindo-a novamente com os mantos grossos.
– Absoluta. – ele respondeu, colocando o monóculo no olho esquerdo e abrindo sua maleta de couro marrom, agarrando três frascos com as mãos enrugadas e manchadas do tempo e entregaram-nos a aia. – dê duas colheres do conteúdo azul pela manhã, duas do conteúdo ameixa pela tarde e três do conteúdo vermelho pela noite. – fazendo uma pequena reverência, desejou um bom dia e saiu, anunciando que caso precisassem, o chamassem novamente. A serva, por sua vez, pôs-se a correr em direção a torre dos empregados com os frascos nas mãos, enquanto a jovem Annabeth dormia tranquilamente com um sorriso nos lábios rosados, provavelmente num sonho pacífico.
~~~~
A serva entrou suando na sala de reuniões da Casa do Tridente, fazendo uma reverência a Nico, Tyson, Luke e Perseu, os olhos arregalados de medo e sono – afinal, eram quatro e meia da manhã, aproximadamente, mas não havia tempo para parar na Casa do Tridente, ainda mais em tamanha situação tão delicada, com os concorrentes ao trono hospedados no enorme local, Perseu não permitia que ninguém dormisse (com exceção, talvez, de sua adorável esposa). Perseu apoiou o rosto na mão, curioso; havia dado ordens para que não os interrompesse de forma alguma já que finalmente tinha os dados na mão e seu concorrente maior era Tyson, que tinha o apoio do povo. Por outro lado, Perseu já havia conseguido o exército e o dinheiro.
Fez que sim para a serva, que se aproximou da cadeira de ferro dele e agachou-se para sussurrar em seu ouvido.
– O médico que chamamos para a Senhorita Annabeth acabou de sair, senhor. – ela anunciou num suspiro, e o coração de Perseu acelerou, mas ele não deixou transparecer. Fez que sim novamente.
– Ela ainda está dormindo? – perguntou de volta, preocupado, e sentiu os olhares críticos e ciumentos de Luke nos dele, mesmo que ninguém pudesse realmente escutar nada do que a serva estivesse falando com exceção do próprio Perseu.
– Sim – respondeu a serva.
– Qual foi o resultado? – Perseu perguntou, parcialmente irritado pela falta de detalhes da serva. Havia ordenado que chamassem o médico durante a madrugada, pois a saúde de Annabeth tinha estado constantemente comprometida nas últimas oito semanas.
– Senhorita Annabeth está esperando um bebê, senhor. – as palavras saíram da boca da aia quase num tom de felicidade.
Perseu não mais queria impedir si mesmo de demonstrar os seus sentimentos, portanto, sorriu, levantando-se e apoiando as mãos na enorme mesa de granito negra, olhando para cada um de seus convidados.
– Com licença, senhores. Os deixarei agora com o meu Chefe do Departamento de Estratégia, voltarei em não mais do que algumas horas. – ele anunciou orgulhosamente, estalando o dedo para que chamassem Quíron, o seu estrategista.
– E qual seria o motivo dessa interrupção, posso perguntar, Jackson? – Luke retrucou pensativamente, e Perseu mordeu os cantos de sua boca, tentando parecer o mais cordial possível quando lhe respondeu.
– Acabei de ser informado de que eu e minha esposa teremos um filho. – ele disse quase orgulhosamente e explodindo em êxtase. – Novamente, com licença.
Praticamente flutuou para fora da sala, extremamente feliz para perceber que havia arrumado mais um problema para os seus concorrentes: um herdeiro.
~~~
Annabeth encontrou-se ainda mais cercada de almofadas, travesseiros e cobertas quando abriu os olhos pela manhã. A pouca luz entrando da janela indicava que não passava das seis, e ela imediatamente quis voltar à ilusão, porém, quando olhou para o lado esquerdo, procurando pelo marido, surpreendentemente encontrou o par de olhos verdes encarando-a. Seu coração encheu-se de alegria, visto que ele tinha passado as últimas madrugadas em reuniões e ela o via cada vez menos. Com toda a pressão de que havia agora uma grande possibilidade de que em dentro de um ano ela fosse rainha, ela havia passado mal nas últimas semanas, botando para fora tudo que comia no desjejum e com febres altas além de cansaço extremo. Sabia que sua saúde comprometida tirava a concentração do marido e também tinha conhecimento do fato de que um médico viria vê-la durante a madrugada, mas ela dormia tão pesadamente que na certa, não havia nem percebido e nem escutado o diagnóstico. Perguntou-se se seria ruim, mas caso fosse, Perseu não teria um sorriso gigantesco em seus lábios agora, teria?
– Bom dia – ele disse, por fim, beijando sua bochecha.
– Bom dia — Annabeth respondeu ainda desconfiada. – Pensei que você estivesse em reunião e. Oh! O médico... O que foi que ele disse? – perguntou, apreensiva, segurando as mãos dele nas dela.
Perseu hesitou por um instante.
– Você está esperando um bebê, querida. – Ele informou calmamente.
O queixo de Annabeth abriu-se em confusão por um instante, sua mão caindo em sua barriga ainda lisa por um instante, antes de virar-se para ele com choque nas feições; seu pai e as suas aias de Casa da Coruja haviam doutrinado-a desde pequena para preparar-se para aquele momento, mas as informações não foram de grande ajuda. Ela engoliu em seco, dividida num misto de felicidade, medo, excitação e cansaço inexplicáveis. Balançou a cabeça, piscou algumas vezes e olhou hesitante para ele novamente. Sabia que, se eles não houvessem se casado por obrigação, estariam se beijando loucamente, e ele estaria suspirando em seu ouvido o quanto a amava, mas nada acontecia como ela queria ultimamente e teria certeza de que cedo ou tarde um criado entraria para interromper ou fazer a cama.
– Eu... – ela hesitou.
– Não se preocupe, o médico deixou as vitaminas que você haverá de sorver para que fique tudo bem, e quanto à sua náusea constante, fui informado de que é bom ótimo sinal. Já estou providenciando a carruagem para levá-la até Casa da Coruja como prometi, e daqui a pouco já vão fazer suas malas...
– Senhor – ela o interrompeu antes que pudesse continuar. Piscou para ele com os seus melhores olhos de pedinte, que nunca haviam falhado em ninguém, nem mesmo em seu duro pai. – Beije-me.
Sabia que nada era como ela queria, mas quando os lábios dele encontraram os seus, ela também soube, pela milésima vez, que tinha ao seu lado o mais cordial dos senhores, e que mesmo que não estivesse presente cem por cento do tempo, ele seria o melhor pai para o filho ou filha que ela estava carregando em seu ventre quente.
– N-Não quero ir pra Casa da Coruja – Annabeth gaguejou quando ele quebrou o beijo doce. – Não quero ficar longe de ti, especialmente agora.
Perseu deu um sorriso triste em resposta.
– Por mais que eu quisesse mantê-la aqui, agora, mais do que nunca, terei que mandar você para longe, querida. Não confio em nenhum desses homens daqui e não posso arriscar perder você ou o nosso bebê. – ele disse, amargo. – Sabe o que acontece quando um aspirante a rei tem um herdeiro, não sabe, querida?
– Sei. – ela respondeu inquieta, temendo momentaneamente pela vida de seu marido e filho, já que pouco se importava com a sua. Annabeth também não confiava em nenhum dos homens. Nico, com o olhar duro, negro e sempre macabro, a assustava. Tyson, o de um olho só, apesar de muito cordial e simpático com ela, deveria esconder algo na manga, sua intuição lhe dizia. E por último, Luke, que já havia praticamente a ameaçado de ciúme desde que chegara; sabia que ele era tão ambicioso quanto qualquer cavalheiro e que se tivesse que tirar a vida de um bebê ainda não nascido, o mataria em seu bel-prazer.
Os dois ficaram em silêncio por breves minutos quando ele quebrou a tensão. Não mais conseguia esconder nada em seu íntimo, ainda mais algo que Annabeth deveria saber há tempos, provavelmente desde meses atrás quando se conheceram, ou ao menos desde a noite que se casaram.
– Eu amo você.
Foi simples, rápido, e doeu em seu estômago.
– Eu amo você, também. – a resposta veio quase como um suspiro, mas ambos conseguiram ouvi-la muitíssimo bem. Nem um dos dois acreditava nas palavras do outro ou no que haviam acabado de confessar, mas ainda assim, seus lábios estavam tão próximos que era impossível não sentir desejo naquele exato momento.
~~~~
Quando foram forçados a se despedir, Annabeth chorou por no mínimo dez minutos na saída de carruagens da Casa do Tridente. Havia pedido ao marido que não fosse feita cerimônia quando partisse, portanto, só havia os dois, alguns criados, a carruagem repleta dos cavalos brancos, o cocheiro e sua aia, Zola, que a acompanharia da viagem até que fosse seguro voltar para Casa do Tridente, quando o bebê houvesse nascido.
– Com licença, senhorita, temos de partir agora se quisermos chegar na hora marcada com o senhor seu pai. – o cocheiro interrompeu.
Annabeth deu um longo suspiro enquanto segurava-se no ombro do marido, arrependendo-se de ter decidido usar uma roupa leve para a viagem, já que uma brisa fria já batia contra o seu corpo. Encolheu-se no vestido sem mangas marfim enquanto se abraçavam.
– Até logo – ela murmurou, fungando, apesar de saber que demoraria seis meses até que se vissem novamente, no mínimo. – Percy. – ela disse, com uma risada. Havia inventado o apelido infantil para o marido e desde então não parava de usá-lo.
– Até logo – Ele respondeu com um sorriso, dando-lhe um beijo na bochecha. – Se cuida, criaturinha.
~~~
Haviam passado apenas três horas desde que Annabeth partira quando outra reunião fora iniciada. Conversaram sobre distribuição de alimento por horas até que Perseu teve que induzir uma pausa para descanso. Detestava admitir, mas lhe doía a ideia de ir para a cama sem a esposa naquela noite. Ela faria muito mais falta do que ele pensava.
Nico e Tyson se levantaram, dizendo suas boas noites e saindo pela porta imensa de granito preta. Luke permaneceu enquanto Perseu arrumava os últimos folhetos de papiro em cima da mesa. Sabia que o cretino tinha algo para dizer, mas não se atreveu a dizer mais nada.
– Noite difícil, é? – ele perguntou, por fim.
– É. – Perseu respondeu, engolindo em seco. – Mas o que os olhos não vêem, o coração não sente.
Luke deu de ombros.
– Acho que se pode colocar assim de certa forma. – disse, e cortou direto ao ponto. – Jackson, tem se concentrado muito em descobrir e pesquisar quem aqui é o dono da população e dos exércitos. Tyson e Nico são fortes, sim, mas eles não têm o que um de nós tem.
– Que quer dizer? – Perseu franziu o cenho, confuso.
– Você tem um herdeiro, carne e sangue. – Luke diz. – Isso vai seduzir a população. Está fazendo um bom trabalho em usar a garota como saco de porra.
Perseu fechou o punho por cima da mesa com força, mas não fez barulho. Qualquer palavra depreciativa que saísse da boca de quaisquer seres humanos sobre sua esposa teria de ser esquecida ou ele iria à loucura, mas a ideia de espancar Castellan não lhe parecia ruim. Sedado pela raiva, deixou que ele continuasse a falar.
– Posso não ter um herdeiro. – Luke murmurou. – Mas eu sou o dono das estradas.
Notas finais
POR FAVOR, deixem reviews. Quero saber suas opiniões. Se segurem aí, que a montanha russa está prestes a dar uma volta doida nessa história.
Fale com o autor