Vainglory

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Se você achava que estava tenso... leia o capítulo e fique mais tensa! Hahahah... Aproveitem, esse é grande e um dos meus favoritos.



exórdio
e.xór.dio
sm (lat exordiu) 1. Introdução a um discurso; preâmbulo;2. Maneira como alguma coisa é começada; princípio, começo.Antônimo (acepções 1 e 2):peroração.


Era exatamente cinco da tarde quando Annabeth entrou em trabalho de parto. Segundo os calendários, era dia 6 de Outubro, e ela sorriu quando foi informada da data, pensando ser um belho dia para dar a luz ao seu bebê. Ela estava deitada em sua cama, como o usual, a enorme barriga fazendo suas costas doerem enquanto Silena (que parecia extremamente distante ultimamente) lia a última carta de Percy, que havia chegado pela manhã, aonde ele informava que estava pedindo aos deuses para que o bebê chegasse em segurança, já que agora, todo o reino sabia que ela estava dias longe de finalmente entregar o herdeiro ao mundo. Sorrindo enquanto escutava as palavras doces do marido chegando aos seus ouvidos, de repente, sentiu um calor entre as pernas, acompanhado de uma sensação semelhante a urinar nas roupas de baixo. Quando colocou a mão no local encharcado, ela sabia que havia chegado a hora.


Os criados desesperaram-se, como Annabeth esperava. Depois de todos aqueles anos, ainda achavam que ela era uma criança inofensiva, e, além disso, um parto em Casa da Coruja significava mais um sábio juntando-se a família, e quando a caçula de Frederick, sua última filha, estava prestes a parir, os preparativos seriam os mesmos, e ainda feitos com mais carinho, já que todos amavam Annabeth tão imensamente que era impossível que demonstrassem o quanto a adoravam. Iniciou-se assim a preparação: os seguranças fecharam as portas do castelo, já que, na hora do parto, a mulher deveria ficar sozinha com as suas criadas prediletas ao pé do riacho de sua escolha, para que o bebê caísse diretamente do ventre na água gelada, para que fosse oficialmente abençoado por Atena, a deusa da sabedoria e consequentemente, da Casa da Coruja. Vestiram Annabeth em uma camisola leve e branca.


– Quero o riacho principal. O raso. – Annabeth escolheu, já que sempre havia sido o seu preferido. Histórias de suas aias contavam que, quando ela nasceu, sua mãe escolhera o Riacho Zarcão, o mais fundo deles, e que assim que o bebê Annabeth saíra do útero e caíra no lago, afundou-se até que as mãos desesperadas de criados a trouxessem de volta.


Assim, fora colocada uma colcha azul marinho na grama bem em frente ao riacho escolhido, lotada de almofadas bordadas. Annabeth foi levada pelas servas prediletas até a colcha, deitando-se nas almofadas ao mesmo tempo em que chegara a parteira idosa, a mesma que havia ajudado em seu próprio parto. Colocaram-na de pernas abertas para o riacho, os joelhos dobrados e a cabeça apoiada nos travesseiros coloridos. Frustrada, Annabeth procurou por Silena, mas não a encontrou. Desta forma, uma de suas mãos segurava a de Zola, sua criada favorita de Casa do Tridente, e a outra, a de Liza, sua favorita de Casa da Coruja. Assim que a parteira se preparou, medindo a temperatura do lago e empilhando os panos para que o bebê fosse lavado e secado no riacho antes mesmo de ser entregue à Annabeth pela primeira vez, todos seguraram a respiração para o momento mais esperado das últimas quinzenas: o bebê nascido ali, além de ser herdeiro da casa mais poderosa do reino, poderia ser herdeiro do trono e um dia, depois de Perseu, comandaria o mundo a sua volta.


Quando a parteira pediu para que Annabeth empurrasse, ela o fez, mas imediatamente soltou um gemido alto de insatisfação quando sentiu a dor terrível de que tanto falavam, mas, principalmente, quando se lembrou da previsão da velha vidente... Que a criatura seria vermelha... Seria seu bebê um natimorto? Não, não podia ser. Ela sabia que não era, mas empurrou o máximo que pode. Empurrou como se estivesse lutando por sua própria vida, pela do seu marido, pelo amor que sentia por ele. Pelo seu pai, que se encontrava agora em seu quarto escuro, quase morrendo de velhice e de tosse. Pela sua irmã Maura, que sofria com o machismo e a agressividade do seu marido. Pela sua sobrinha Keira, que cresceria vítima dos olhares de descontentamento do pai... Por tudo e por todos que conhecia, e como doía... Suava, chorava, como nunca havia chorado... Até que recebeu um choro tão alto quanto em retorno, logo silenciado pelas águas do riacho, quando, como previsto, o bebê saiu do ventre para as águas. O corpo pequeno do bebê caiu, parte do sangue e da placenta sendo levado pela correnteza enquanto rapidamente a parteira agarrou-o, envolvendo seu corpo minúsculo com os panos dourados de seda, secando a criatura em seus braços com um sorriso. A cabeça de Annabeth levantou-se das almofadas enquanto Liza enxugava sua testa e Zola desembaraçava seus longos cachos loiros. A moça sorriu, tentando ver o bebê que estava sendo limpo, mas não conseguiu nada.


– E... E então? – Annabeth perguntou, ainda sem fôlego, querendo desesperadamente segurar o filho ou filha em seus braços.


– É um menino. – anunciou a parteira, e todos os criados explodiram em comemorações e gritinhos, risadas de felicidade. O cordão umbilical foi cortado e o bebê finalmente parou de chorar, agora vestido em um traje de infanto azul escuro e foi entregue a Annabeth.


Annabeth finalmente pousou os olhos no filho, ainda sentada sobre a colcha azul e aos pés do lago, cercada dos criados, quando chorou ainda mais, não de medo, mas de felicidade. O bebê era pequeno, mal cabia em seus braços longos... Tão pequenino... Seus olhos eram enormes, por outro lado, de uma tonalidade verde profundíssima e belíssima, idêntica a de seu marido. Na cabeça frágil do bebê, crescia um tufo de cabelos pretos e lisos, deixando-o ainda mais parecido com o pai, que agora estava longe. Annabeth pressionou os lábios delicadamente contra a testa do filho, que parecia não conseguir tirar os olhos dela. Nunca desde sua noite de núpcias se sentira tão amada.


– Olá, querido. – ela sussurrou, não se importando em olhar para os criados a sua volta. – Você é igualzinho ao seu pai, sabia? – deu uma risadinha baixa, como se confessasse um segredo ao filho que ninguém mais soubesse. Annabeth chamou Liza com um aceno de cabeça. – Por favor, Liza... Avise meu querido pai sobre meu filho, mande uma carta à minha irmã... Quanto ao meu marido... Não revele na carta que é menino ou detalhes sobre a aparência, apenas.. Diga a ele que é um bebê saudável.


Annabeth sentiu-se boba quando pediu para que Percy basicamente morresse de curiosidade, mas ela queria ser a primeira a ver o olhar de surpresa e amor em seus olhos, e não as fibras do papel de uma carta ou os olhos cansados de um criado qualquer. Abraçou o filho mais perto, sorrindo de orelha a orelha quando o pequenino bocejou. Já o amava tanto... Ela nem sabia que era possível amar alguém tanto assim em tão pouco tempo. A sua volta, ouvia os comentários sobre o quão belo o bebê era, e de como ele já era lindíssimo, e como já era de se e esperar, visto que o pai era um verdadeiro deus e a mãe tinha a aparência semelhante a um anjo. Annabeth agradeceu os elogios, mas pediu por privacidade e que uma tenda fosse armada ao seu redor, decidindo passar a noite com o seu bebê ao pé do rio, aonde se sentia mais segura. A tenda de pano bege foi armada em volta dela, ela foi coberta com vários cobertores e do lado de fora, Zola e Liza dormiram numa tenda menor. Uma cesta de vinil branca foi afofada e coberta de panos confortáveis ao chão do lado de Annabeth, para que ela pudesse dormir ao lado de seu bebê tranquilamente. De madrugada, a moça alimentava o filho, que havia acordado com choros agudos. Zola despertara e se oferecera para alimentá-lo, mas Annabeth fez que não, querendo ficar sozinha, e a criada voltara a dormir. Enquanto o filho mamava e encarava a mãe com os olhos verdes de Percy, Annabeth soltou um bocejo.


– Você ainda precisa de um nome. – sussurrou baixinho, lembrando-se de Silena. – E você vai se chamar Zachary. Zachary Jackson... Zachary Frederick Jackson. – Ela anunciou, satisfeita, com um enorme sorriso.


~~~


Meu senhor,

Nosso amado e tão esperado bebê é saudável. Não revelarei seu nome, detalhes sobre sua aparência ou seu sexo. Quero que o senhor veja por si mesmo quando chegarmos na próxima semana o quão perfeita nossa criaturinha é e com quem ela se parece, está bem? Não fique zangado. Meu amor por você cresce a cada dia, e não consigo controlar minha ansiedade para vê-lo em breve.

Sempre sua,

Annabeth

Perseu releu a carta dezenas de vezes com lágrimas de felicidade ameaçando cair de seus olhos. Ele estava muito mais ansioso pela chegada de sua esposa agora que ela havia ocultado dele o sexo e o nome do bebê, mas não se importou. Fez com que Casa do Tridente ficasse sabendo, e muito bem, de que seu filho ou filha havia nascido, e que ele ou ela voltaria para casa com Annabeth em dentro de alguns dias.


Não demorou a que o dia chegasse, enfim. Perseu fez certeza de que uma festa de comemoração fosse preparada, na verdade, uma das maiores festas que Casa do Tridente já havia hospedado. Nico e Tyson estavam presentes entre os nobres e os servos, ansiosos para ver a chegada da amada Annabeth e do herdeiro, já tão adorado por todos, mesmo que pouco soubessem sobre ele, aliás, nem mesmo sabiam se era menino ou uma menina, afinal de contas. Luke Castellan, no entanto, e Thalia Grace, não estavam em nenhum lugar perto do enorme quintal, aonde ocorria a festa. Perto das sete da noite, a carruagem vinda de Casa da Coruja finalmente parou em frente ao castelo. O cocheiro ajudou as criadas de Annabeth saírem do veículo primeiro, e Zola fez certeza de que Silena, a moça que Annabeth quisera trazer, fosse imediatamente levada a torre dos empregados. Muito lentamente, carregando o pacote de felicidade em seus braços, Annabeth saiu da carruagem, usando um vestido verde e longo, seus cachos soltos correndo até metade de suas costas. Ela acenou com uma das mãos e sorriu quando todos irradiaram em gritos e aplausos; até mesmo mandava beijos, mas todos os gritos e comemorações pararam imediatamente uma vez que Perseu andou lentamente até a esposa, até que se aproximaram o suficiente para que ele olhasse para baixo. Não foram necessárias palavras: Annabeth entregou o bebê vestido de azul e enrolado num pano longo da mesma cor para que Perseu o segurasse.


– Ele se parece com você. – ela disse, finalmente, algumas lágrimas de saudade correndo pelas suas bochechas.


Percy segurou o bebê mais perto de seu peito, afagando uma de suas bochechas com a parte de trás dos dedos lentamente. Um sorriso aberto, seguido de uma gargalhada baixa, irrompeu de sua boca quando ele abraçou o filho mais perto, pressionando os lábios gentilmente contra a têmpora do bebê adormecido.


~~~~


– Um menino? – Luke urrou em raiva, o seu grito ecoando pelas paredes de seu quarto de hóspede em Casa do Tridente, empurrando a mesa de madeira em sua frente e fazendo alguns papiros caírem ao chão. Em completa revolta, ele chutou a estante de livros.


Thalia e Silena tremeram de medo em união, as duas encolhidas juntas ao canto do aposento, rezando mentalmente por suas vidas. Tecnicamente, Thalia não tinha nada a perder, mas a pobre Silena ainda se sentia culpada por não ter conseguido ter o sangue frio para matar Annabeth enquanto havia tempo. Agora, ela moraria em Casa do Tridente até o dia que Luke perdesse a cabeça (ela suspeitava que o dia fosse esse) e a sacrificasse de vez. Sabia que Thalia também havia falhado, e falhado ainda mais, pois não conseguiu nem ao mesmo despertar o desejo em um homem. Enquanto a pena de Thalia seria uma morte rápida, Silena suspeitava que a dela fosse milhões de vezes pior. Luke não a mataria: ele deixaria morrer o que mais amava, seu filho doente.


Luke aproximou-se das duas, o rosto fervendo de raiva. Agarrou Thalia pelas bochechas grotescamente, puxando-a e fazendo-a cair no chão de pedra dura. A moça encolheu-se contra a estante, as pernas tremendo e lágrimas de medo escorrendo pelas bochechas enquanto ela soluçava, e Silena tentava controlar os gritos.


– VOCÊ! – Luke gritou novamente, tascando um chute contra uma das costelas da moça. – Sua meretriz nojenta! – rosnou, suor frio correndo pelas suas têmporas, passando a mão pelos cabelos loiros e ralos e ainda respirando muito mal. Não se importava com a possibilidade de alguém escutar: estavam todos muito ocupados na festa de comemoração da chegada do herdeiro.


O homem suspirou, apoiando-se na janela e respirando o ar puro para tentar acalmar os nervos. Tudo parecia perdido, ah, sim, e ele não possuía outro plano para tirar Perseu Jackson de sua vista. Acabar com Tyson e Nico seria facílimo, mas quanto ao ridículo, mesquinho Perseu, seria um bilhão de vezes mais difícil... Ele acabara de dar ao público, que votaria para o seu candidato a rei, os dois maiores presentes que poderiam pedir: um herdeiro de berço rico e uma rainha fantástica, bela e gentil, coisa que graças a estupidez das duas servas, ele nunca teria. Não se atreveria a tomar qualquer mulher como sua esposa, e nunca nenhuma jovem poderia se igualar a Annabeth Jackson, tão bela, tão amada, tão perfeita.


– Um menino... – repetiu, enraivado, esfregando o rosto nas mãos. Como se não bastasse o poder que um herdeiro daria a Perseu, o tal herdeiro era um infanto... Não demoraria muito para que crescesse cercado de treinamentos para ser o próximo rei, e que fosse tão forte quanto o pai, tão inteligente quanto à mãe e tão belo e gentil quanto os dois. Doía admitir, mas Zachary era o herdeiro perfeito. Maldito fosse.


Num súbito de desesperou, virou-se, passando por Thalia e ignorando seus choros de dor e agonia. Virou-se para Silena, agarrando seu pulso magro e forçando-a a olhar para ele. Com um sorriso um tanto maldoso, Luke falou.


– Ainda há uma chance para você se redimir, serva. – ele disse, apertando sua mão contra ela. – A única coisa que tem que fazer é matar o herdeiro. É simples, usaremos um veneno caseiro. Tudo que você tem que fazer é amamentá-lo de um copo com a mistura, e estaremos livres dele. Então, você não terá mais desculpas. Annabeth não será mais uma mulher grávida, portanto, assassiná-la também será fácil.


Silena chorou mais forte à menção de matar o bebê e fez que não repetidas vezes; se não havia tido coragem para fazê-lo nem quando Annabeth nem parecia estar grávida, nunca tiraria a vida de uma criança inocente que nem havia completado um mês de vida... Um bebê tão lindo, o mais lindo que ela já havia visto em toda a sua vida, e tão, tão calmo... E por fim às respirações de Annabeth, depois de tudo que a senhorita havia feito por ela? Não, não conseguiria... E por outro lado, ainda assim, e seu filho? Por mais que sentisse extrema piedade pelo pequeno Zachary e por Annabeth, nada se comparava ao amor que sentia pelo seu Peter, o verdadeiro herdeiro ao trono de todo o reino.


– Shhhh, não se preocupe, queridinha. – Luke sussurrou, trazendo os seus lábios perto de uma das orelhas de Silena, fazendo com que o corpo da jovem arrepiar-se de medo por tamanha proximidade de um ser tão maldoso e vil. – Eu já comprei os remédios... Você não gostaria que o pequeno Peter pagasse o preço por sua mãe ser uma covarde, gostaria?


– NÃO! – Silena gritou em desespero, lágrimas de medo escorrendo pelo seu rosto enquanto ela se debatia contra Luke. – P-Por favor, não faça nada com ele... Mate-me, mate-me, mas não faça nada a Peter... Por favor, não... – ela repetia, implorando por misericórdia não a si mesma, mas ao seu filho já doente. Luke Castellan era um homem maluco, certamente, mas tinha certo poder e não hesitaria em assassinar Peter.


– Então tire a vida de Annabeth e Zachary Jackson essa noite. – Luke respondeu frio, apertando ainda mais seu pulso.


– Como? – Silena perguntou confusa. – Os guardas nunca deixariam que eu chegasse perto do quarto do menino, e a senhorita Annabeth dorme em seus aposentos com o senhor Perseu... Eu não teria nenhuma chance...


– Simples, sua mentecapta inútil. – Luke disse com uma risada maníaca, empurrando Silena contra a parede e girando seu corpo para apoiar-se contra a mesa de madeira, encarando a moça com um olhar maldoso. – Você é a serva favorita de Annabeth. Você, minha querida Silena, ainda possui leite em seus seios por ter dado a luz ao seu filho, portanto, poderá muito bem ser a ama de leite do bebê, e como segue a tradição, dormirá em seu quarto com ele. Com a porta fechada, os guardas nunca veriam você dando o veneno ao invés do alimento. Quanto à Annabeth, é ainda mais simples. Ela pode ser inteligente, mas sei que também é inocente como uma criança. Leve-a para uma cavalgada além dos bosques, e assim que pararem para um descanso, mate-a. –Luke explicou com arrogância, caminhando até uma das gavetas de seu armário e tirando de lá uma caixa de música de rubis vermelhos e amarelos, abrindo-a, o som da doce melodia inundando o quarto. O homem pareceu imerso em lembranças, mas quando a música acabou, ele saiu do transe temporário. – Leve esta caixa com o punhal. Quero o coração dela. Se não o tive em amor, e nunca o terei, o possuirei na carne, eu mesmo.


Notas finais
THUMBS UP pra você que pegou a ideia da Branca de Neve no final. ;) Minha amiga que leu antes, não entendeu.
Avisei que ia ficar tenso, E ESTOU DE FÉRIAS! (as aulas no Rio demoram séculos pra acabar) Então postarei mais.
Beijos,
Ju.
REVIEW!