Vainglory

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Desculpem pela demora! Me explico lá embaixo!
PS. Esse capítulo é BEM importante!! Prestem atenção!!

poder
po.der
sm(de poder1)1. Faculdade, possibilidade;2. Faculdade de impor obediência; autoridade, mando;3. Império, soberania.


Fazia duas semanas que todos na Casa do Tridente e nas outras casas importantes do reino usavam preto.


O rei Charles Beckendorf morrera sem deixar nenhum herdeiro, ou, ao menos, fora declarado morto após meses e meses de buscas incansáveis e extremas por todo o reino; o jovem havia sumido no meio de uma noite de Verão para nunca mais ser visto, e, apesar de a população estar em choque e em tristeza pela perda de seu amado rei, a vida precisava continuar. Por ordem do ministro, os chefes das casas mais importantes ficariam hospedados na Casa do Tridente, já que, tirando a Cidade do Rei, era o maior castelo do reino. Ironicamente, os hóspedes recebidos eram rivais, já que todos eles tinham uma chance igual de conseguir o trono.


Nico di Ângelo, o chefe da Casa das Trevas, chegara primeiro. Veio sozinho, já que era novo e ainda não tinha uma esposa ou filhos. Perseu havia sido hospitaleiro, dando-lhe um quarto na torre do leste da Casa do Tridente, dedicada exclusivamente aos hóspedes mais importantes. Era assim que funcionava, basicamente. O Norte, a torre principal, era limitada a Perseu e Annabeth e os poucos criados em quem mais confiavam. O Sul e o Oeste, a hospedar os criados e suas famílias, e o Leste, aos hóspedes nobres, enfim.


O segundo dos três hóspedes a chegar fora Tyson Manwood, chefe da Casa de Ferro, que era antiga e havia surgido nos tempos dos deuses, bem antes mesmo da Casa do Tridente. O homem alto, que possuía apenas um olho – algo sobre a guerra, aparentemente – era simpático, mas reservado. Parecia ser inteligente e ter experiência em armas, portanto, era importantíssimo manter uma relação pacífica com ele.


O maior impacto para a Casa do Tridente fora receber o último hóspede, Luke Castellan. Ele era chefe da Casa do Elmo, e acima de tudo, arrogante e sedento por poder. Sua presença não só seria desagradável para Perseu, Nico e Tyson como também deixaria Annabeth Jackson desconfortável, visto que ele havia crescido com ela e lhe arrancado alguns beijos na adolescência. De qualquer maneira, Perseu foi cordial ao dar-lhe um quarto tão bom quanto os dos outros e tratá-lo com a mesma hospitalidade.


Naquela noite em particular, após o banquete para receber Luke oficialmente na Casa do Tridente, Annabeth estava falante. Sendo marido da adorável moça por três meses, Perseu sabia que ela era falante, mas algo naquela noite ultrapassava os limites. Normalmente, depois que se amavam, ela murmurava palavras sem sentido e dormia apoiada em seu peito nu, mas desta vez, quando ele fechava os olhos para adormecer, ela o cutucava e começava um novo falatório. Perseu agradecia aos deuses por aqueles momentos, já que havia passado madrugadas orando para que ela ao menos tentasse amá-lo tanto quando ele a amava. Parecia ter funcionado.


Ainda assim, ele tinha medo. Medo da previsão da velha vidente, que havia dito que ele era o próximo. A busca pelo poder havia mesmo começado, ele sendo forçado pelo ministro a receber os próprios inimigos em seu palácio denunciavam isso. Seria ele o próximo o quê? Rei? Morto? Apenas a velha sabia, e agora, ela havia partido para seu próximo destino. Temia pelo que não sabia, temia por Annabeth, temia por Casa do Tridente, seus amados criados, temia até pelos cavalos que pastavam em seus estábulos.


– No que está pensando? – a voz baixa de Annabeth puxou-o de seus pensamentos.


– Nada, nada – ele balançou a cabeça, cutucando o nariz pequeno de Annabeth carinhosamente. – só estou cansado.


Annabeth deu um suspiro cansado, ainda que desconfiado.


De uma maneira ou outra, adormeceram, ela em paz e ele imaginando quanto tempo demoraria para que a morte o levasse.


Nos dias que passaram, reuniões eram feitas para discussão estratégica, política, econômica e social. A última carta enviada pelo ministro descrevia piamente o que deveria ser feito: todos os assuntos deixados pelo rei Charles deveriam ser retomados imediatamente, e assim que resolvidos da melhor maneira possível, haveria um congresso para decisão popular em quem seria o próximo rei. Não fora feita uma assembléia daquelas desde muito tempo atrás, provavelmente décadas, no entanto, Perseu parecia ser o único a desconfiar que a democracia funcionasse: era óbvio que todos os candidatos ao poder tinham chances de esfaquear uns aos outros pelas costas, e só não o haviam feito por simples questão de cortesia, afinal, não se assassina um hospedeiro – Perseu, no caso – em seu próprio palácio.


As primeiras medidas tomadas com relação ao povo foi que era necessária a criação de algo para a distração de seu sofrimento. O Rei Charles morrera novo, amado e querido pelos seus súditos, e estes não estavam dispostos a esquecer da maneira que simplesmente havia desaparecido, sem deixar nenhum rastro ou maneira de ser encontrado, até mesmo pelas melhores tropas. Nico, sombrio e fazendo jus ao seu título de chefe da Casa das Trevas, sugeriu que fossem montadas cercas para brigas de galo nas maiores aldeias para distrair o povo, mas todos os outros concordavam que as próprias brigas de galo haviam sido proibidas há tempos. Tyson, por sua vez alegre e simpático, propusera uma caça ao tesouro monitorada pelas autoridades: o vencedor encontraria o tesouro e ganharia suplementos de alimento e armas para seu vilarejo pelo período de um ano. Luke não opinou. Perseu, por sua vez, que não se importava com futilidades e sua cabeça estava constantemente em política ou em campo de batalha, concordou, enviando uma carta ao parlamento, explicando como deveriam proceder. E começara a disputa: 1 a 0 para Tyson, que tinha matado um dos maiores obstáculos, o povo, que o amaria por planejar uma caça ao tesouro animada.


Terminado os problemas com as classes mais pobres, era preciso decidir o que fazer com os recentes furtos e roubos ocorridos nos vilarejos na Cidade do Rei. Como possuía corajosos homens e forças armadas inacreditavelmente fantásticas de escravos altos e bárbaros capturados no Oeste, Nico sugeriu que seus homens servissem de seguranças “particulares” aos nobres que lá viviam, enquanto os que sobrassem ajudariam a Guarda Real na proteção do castelo do rei, aonde no momento, vivia o ministro e os membros do parlamento. Para pagar por tamanho esforço, os impostos aumentariam tão pouco que ninguém sentiria no bolso. A disputa continuara: 1 a 1 para Tyson e Nico, enquanto Luke, arrogante, permanecia imóvel, e Perseu, indeciso. Ele se atreveria a perder em sua própria casa?


Como Perseu gostava de pensar, havia um velho ditado de sua ama de leite que basicamente resumia sua situação atual: azar no jogo, sorte no amor, e ele esperava que ele se tornasse realidade em breve.


Previsto, acontecera: fosse pela presença de Luke ou apenas o passar do tempo, Annabeth grudou-se nele que nem queijo com goiabada. Era como se, literalmente, precisasse estar perto dele o dia todo – ela só não se atrevia a interromper as reuniões, ainda – ou do contrário, ficaria completamente maluca, e ele não reclamaria, sendo que o sentimento era mútuo. Ela não agia de maneira vulgar, apenas como de uma adorável adolescente apaixonada, e certa forma, ela ainda era uma adolescente. Ele se esquecia que ela tinha dezessete anos, pois parecia ter a inteligência de alguém muito mais experiente.


Ainda assim, ele possuía apenas metade das duas coisas que precisava – amor e poder, e parte da última já estava escapulindo de suas mãos, e não sabia se Annabeth seria suficiente para cobrir o estrago quando invadissem o palácio com tropas e mandassem cortar a cabeça dos dois.


Eventualmente, Perseu também sabia que Luke e Annabeth teriam que fazer contato, mas ele certamente não esperava em encontrá-lo falando no jardim com ela. Enquanto sua esposa brincava com os cães na grama, ele se aproximou, e o rosto da jovem imediatamente ficou tenso. Porém, ela tentou sorrir. Para não ser visto, ele escondeu-se entre as cortinas da área de serviço, ignorando alguns funcionários em trânsito. Era possível ouvir o que eles falavam, apesar de que algumas palavras saíam “comidas”.


– Como você está? E o senhor seu pai? – o ouviu questionar, a voz neutra.


Annabeth fez que sim, mas Perseu não ouviu sua resposta.


–... Não quero que as coisas fiquem desagradáveis para nós dois... – Luke começou, mas Perseu não pegou o resto da frase. -... Pretendo respeitar a posição do senhor seu marido –


– Espero que o respeite. – Annabeth o interrompeu, e o peito de Perseu encheu-se de orgulho. Sabia, pela milésima vez, que tinha feito a escolha certa. As maiorias das garotas cairiam no encanto de um antigo amor se estivessem na posição dela. Enquanto acariciava o pelo de um dos dálmatas, veio uma resposta tardia de Luke, que se levantava da grama para partir.


– Então espero que eu seja respeitado também, por você – Luke murmurou, fazendo uma falsa reverência. – Se Casa do Tridente der azar, e os deuses lhe derem piedade, tomarei você como rainha.


Antes que pudesse pensar em partir com a espada para cima do desgraçado, Perseu engoliu o medo e a raiva, afastando-se para que não fosse visto.

Não poderia perder tudo, podia?


Entendia agora a tática do jogo: se perdesse o poder, perderia Annabeth, e não estava disposto a desistir de nenhum dos dois.


Notas finais
Olá minhas queridas meninas!!
Primeiramente, antes que me esqueça já que tenho Alzheimer, gostaria de agradecer à "Paparella" por recomendar a fic! Quase tive um ataque do coração quando li suas palavras queridas!! :)
Segundo, desculpem se por enquanto a história está confusa. Sei que essas brigas por poder não são fáceis de entender, mas se tiverem alguma pergunta, mandem por review e eu tentarei esclarecer da melhor maneira possível.
Terceiro, perdoem minha demora! Quem mora ou é do Rio de Janeiro provavelmente conhece uma escola chamada colégio Ph, e sim, eu estudo nessa escola que tira praticamente três quartos do meu tempo. To bem corrida no final do ano, mas prometo que atualizarei SE tiver reviews.
Beijos,
Ju