Vainglory
22 Capítulo 22
Notas iniciais
apogeu
a.po.geu
sm. (gr apógeion) 1. Ponto na órbita de corpo celeste, agora comumente da Lua ou de um satélite artificial, em que é máxima a sua distância do centro da Terra; 2. O mais alto grau, o ponto culminante; acme, auge.
O tamanho da besta não se comparava a quantidade do pesar no coração de Perseu.
Pela graça e bondade dos deuses, logo após que sua amada Annabeth havia partido, ele conseguira colocar Zachary num local seguro: As servas que ainda se encontravam no local haviam fugido para o galpão de emergências dentro do castelo, um porão cuja entrada ficava nas cozinhas. Encontrou Zola dentre as que escapuliam para dentro, e entregando-lhe o filho, sabendo que era a serva em que Annabeth mais confiava, nem precisou suplicar-lhe antes que a mulher de pele escura entrasse com o menino assustado dentro do porão. Zachary sempre havia sido corajoso, apesar de sua pouca idade, característica que herdara do pai, mas, agora, chamava pela mãe e pela irmã, sua ingênua mente de criança compreendendo que ambas estavam em perigo, não importava o quão longe fugissem, sempre haveria certo risco.
O porão estando dentro do castelo, Perseu conseguiu relaxar por poucos segundos ao pensar que ao menos o filho estava a salvo: o dragão não parecia interessado em destruir as propriedades, apenas farejava a vegetação, soltava grunhidos de insatisfação quando não encontrava o quê (ou quem) procurava e quiemava árvores e arbustos com seu bafo quente; felizmente, Annabeth era sábia e Perseu sabia que ela havia fugido na direção contrária à do dragão, longe do alcance de suas chamas e de sua vista. Agora todos os convidados já também haviam fugido com o uso dos cavalos do grande estábulo ou estavam escondidos dentro do porão, junto com as servas, criados e Zachary.
Desde que se entendia por gente, Perseu Jackson nunca gostara da insegurança: a maneira que ela garantia medo e ao mesmo tempo esperança, que garantia sucesso e ainda fracasso, que garantia o amor e o ódio, que garantia a beleza e a feiura, a riqueza e a pobreza. No momento, sentia-se tão inseguro que seus órgãos internos pareciam derreter-se contra sua caixa torácica, o zumbido forte do pessimismo quase bloqueando sua audição. Estava com medo, oh sim, os deuses sabiam que estava, e não por si mesmo: se houvesse de morrer protegendo aqueles que amava, morreria, e abraçaria o seu destino de bom grado. Temia por Zachary, seu belo, forte e já inteligente filho, seu herdeiro, a primeira demonstração sólida de seu amor pela esposa, que havia segurado quando era apenas um recém-nascido não maior que suas mãos, cuja vida mal havia começado e já havia a chance de que se acabasse. Temia pelo bebê no ventre de Annabeth que ameaçava nascer, a menina que tanto insistiu que teriam, Claire, sua menina, sua princesa que talvez nem pudesse conhecer, sua filha, com quem havia sonhado durante os longos meses de gestação, havia a mimado mesmo antes que saísse da barriga da mãe, e talvez nem pudesse ver seu precioso rosto, escutar sua preciosa risada e descobrir se era parecida com ele ou com a esposa...
E sim, Annabeth, temia mais por sua Annabeth, seu maior orgulho, sua joia mais preciosa... Amou-a no momento que viu seus olhos cinza pela primeira vez, amou-a mesmo quando ela não o amou, mesmo quando ela pensava que o casamento dos dois era apenas assunto de Estado... Deuses, e com o passar dos anos, só a amava mais, amava seu belíssimo rosto, seu escultural corpo, sua inteligência, sua amabilidade, sua gentileza... A maneira que ela acariciava os cabelos dele antes de dormirem, a maneira com que gemia quando faziam amor... Nunca havia compreendido como poderia amar tanto uma mulher, amar cada detalhe, cada defeito e cada qualidade de seu ser que agora, estava distante, sozinha, abandonada na floresta para parir o sangue de seu sangue, e este era o único motivo pelo qual ele lutaria: não desistiria até o seu último suspiro, que seria gasto defendendo Annabeth, Zachary e Claire, o maior motivo pelo qual ele podia seguramente exclamar que era o homem mais feliz que já havia pisado no mundo.
Agora, só havia ele e o animal em campo de batalha, e, pela primeira vez desde moleque, o homem não tinha certeza se escaparia, independente do quanto lutasse, independente de suas inúmeras habilidades com a espada. Agora, tinha o objeto cortante em mãos e olhava para o rosto monstruoso e asqueroso do animal, olhava em seus olhos cor de laranja que pareciam o estudar igualmente.
– Vamos, sua besta covarde! — ele grunhiu para o animal, apunhalando a espada brilhante mais alto. — Me queria, me achou, e cá estou! Ataque! — Exigiu, a adrenalina em seu sangue bloqueando quaisquer outro pensamento que não fosse matar a ameaça que havia colocado em jogo a sobrevivência de si mesmo e de sua amada família, o que mais desejava proteger, seus mais precioso tesouro.
– Ele não vai lhe obedecer, moço do tridente. — Uma voz sarcástica, quase nojenta e estranhamente familiar o respondeu, vindo de cima do animal. Enfim, surgindo entre os espinhos que coroavam a cabeça do dragão, aparecera o único homem que daria sua própria vida para anular a felicidade de Perseu a qualquer custo: Luke Castellan, o maldito, o porco imundo que havia feito incontáveis esforços para tirar a vida das pessoas mais importantes de sua vida... O filho da puta que havia tentado assassinar Zachary quando era apenas um recém-nascido em seu inocente e puro sono, e, além de tudo, feito uma tentativa frustrada de sequestrar e por fim à vida de Annabeth, também. Palavras não poderiam possivelmente explicar o quanto Perseu gostaria de arrancar-lhe a cabeça ele mesmo, e o quando desejava seu sofrimento: desde o retorno de Annabeth à Casa do Tridente quase três anos atrás, após o seu sequestro, as maiores e melhores tropas haviam procurado por Castellan em cada canto que pudessem e não o haviam encontrado: Perseu estava irado de cólera ao pensar que todo aquele tempo que finalmente julgou que sua família estava livre de sua ameaça ele estava escondido, zombando dele.
– Castellan. — Perseu quis dizer firmemente, porém, sua voz falhou. As mãos tremiam de raiva; queria atacar, mas sabia que não era prudente. O dragão não era muito grande, mas era esguio, rápido e cuspidor de fogo, o que era suficiente para matá-lo, se não fosse esperto. — Esperou tanto tempo por este momento, porque não me matas? Assim pode acabar com meu sofrimento, e colocar seu bicho para descansar.
A risada de Luke foi curta, quase como se pensasse que qualquer segundo desperdiçado com outra coisa que não fosse em uma tentativa de matá-lo fosse ridículo; de qualquer forma, o dragão continuava imóvel, obedecendo as ordens de seu dono, que ainda gozava do desespero de Perseu ao sentar perto da coroa de ossos na cabeça do animal.
– Oh, não. — Luke balançou a cabeça, os calcanhares cutucando o pescoço do dragão para que este abaixasse a cabeça, permitindo que Luke descesse; sem que o homem precisasse dizer uma palavra, a besta colocou-se em posição de descanso, os olhos laranja brilhantes parecendo estranhamente calmos. — Acha que esperei todo este tempo para que um animal o matasse, assim tão facilmente? Julgas-me covarde, Jackson? — Enquanto falava, Luke apunhalou a espada dourada, andando calmamente entre os escombros do que havia sido uma comemoração há menos de uma hora atrás.
– Sim, julgo-lhe o maior dos covardes. — Perseu respondeu, relaxando os braços. Também tinha a espada em mãos, caso ele tentasse um ataque surpresa, mas Luke estava a uma distância segura dele. — Trouxe este animal apenas para apavorar meus convidados, meus servos e criados, e, ainda, minha família. Julgo-lhe covarde por ordenar que uma pobre serva matasse meu recém-nascido filho, julgo-lhe covarde por almejar tanto o coração de minha mulher que o desejava em carne... E nem teve o mínimo de garra para tentar consegui-lo você mesmo.. Patético, se me pergunta. — Soltou uma pequena risada, vendo o rosto de Luke se contorcer de raiva. — Portanto, sim. És o maior covarde que conheço. Devo parabenizá-lo?
O rosto já irritado e repleto de ódio de Luke havia apenas piorado quando Perseu terminou de falar; quase bufava como um touro nervoso, pronto para derrubar qualquer adversário, mas Perseu era mais inteligente: havia estudado as técnicas de batalha por anos e anos durante sua infância e adolescência, e conhecia o tipo de lutador que Luke era: se quisesse matá-lo a sangue frio, já teria o feito. Queria provocá-lo para então fazer uso de sua espada.
– Covarde ou não, serei eu que enfiarei a espada em Perseu Jackson... Covarde ou não, fui eu que botei fim à sua família... Ou pelo menos acredito que sim. Não vejo sua esposa prenha ou seu filho em nenhum lugar... Já se incomodou a procurá-los? — Luke perguntou com desdém, bebendo o vinho tinto de uma taça que milagrosamente estava intacta em cima de uma das mesas parcialmente queimadas.
Perseu gostaria de rir, afinal, pouco Castellan sabia que Annabeth estava há milhas e milhas de distância, e tampouco tinha conhecimento do porão para emergências dentro do castelo. De qualquer forma, precisava blefar: Se Luke descobrisse que os dois ainda estavam vivos, poderia mandar o dragão atrás de Annabeth, ou até mesmo que botasse fogo na parte do castelo que ainda estava intacta e que protegia a entrada do alçapão em que Zachary se encontrava com as criadas.
– Então mate-me, Castellan. Como já disse antes, mate-me, e acabe com o meu sofrimento. Prove a mim que sabe derrotar um oponente, sem dragões, sem veneno.. Apenas com o uso de uma lâmina. Mande-me para junto de minha esposa e filho, que se não estiverem mortos, estão sofrendo, queimados pela chama de sua besta. E, quando der meu último suspiro, que tu saibas que mesmo covarde, me derrotaste. — Perseu blefou, orgulhoso de seu talento como ator: Quem o conhecia bem sabia que se Annabeth ou Zachary realmente estivessem mortos ou queimados, à beira de se entregar aos braços de Hades, ele não estaria nem em condições de apunhalar uma espada, quanto mais de falar.
De forma ou outra, o que importava era que o orgulho de Luke era maior do que sua preocupação com a honestidade de Perseu: Assim que lhe foi lançado o desafio, ambos os oponentes ajustaram suas posições, aproximando-se um dos outros até que estavam em distância o suficiente para começar a batalha. Perseu deu um grande suspiro, procurando se concentrar no seu principal objetivo: Lutava por Annabeth, por Zachary, por Claire e pelos filhos que um dia ainda viriam a ter.
Antes que Luke pudesse pensar em qualquer tática, Perseu fez o primeiro movimento, pegando o oponente de surpresa, que não esperava que fosse tão rápido em começar o ataque, por isso hesitou; ainda assim, as espadas se chocaram num alto estalo. Os movimentos de Luke eram precisos, porém, lentos, e Perseu sabia que havia encontrado sua fraqueza. Ambos se moviam com leveza, mas apenas Perseu tinha experiência o bastante com a lâmina para disparar movimentos que ele esperava que eventualmente fossem fatais. Surpreendentemente, o dragão continuava em posição de descanso, observando a cena com indiferença, e Luke cumpria sua palavra quando prometera que ele seria o único a matá-lo, contudo, mover-se em volta dos escombros da destruição feita pelo animal não era tarefa fácil, e ocasionalmente ambos adversários tropeçavam em alguma tora de madeira ou de pedra quente. Perseu estava cansado, muito cansado: parecia que fazia horas desde que haviam começado a lutar, e sua cabeça doía com o desespero de terminar a luta. Apesar da pouca velocidade em combate de Luke, ele tinha força física para bloquear os golpes de Perseu. Era uma luta justa, cada qual com sua habilidade igualmente potente, o que estendia a duração do combate.
A dor pulsante na cabeça de Perseu aumentou, assim como o calor em seu corpo: a parte da floresta que ainda pegava fogo irradiava uma fumaça de odor insuportável em volta do castelo, e logo sabia que estava prestes a desmaiar. A única coisa que o forçava a abrir os olhos parcialmente fechados e continuar fazendo uso da espada era o fato de que Annabeth e os filhos contavam com sua proteção, contavam com o seu desempenho em sua última luta. De súbito, o corpo enrijeceu-se com uma energia que antes ali não estava presente, fazendo com que seu tronco tomasse um impulso para frente, fazendo com que Luke tropeçasse sobre uma das toras de madeira e caísse de costas, ao encontro do gramado. Pretendia levantar-se, mas Perseu foi mais rápido, pressionando a sola do pé contra o peito de seu oponente, e a ponta da espada contra sua garganta.
Finalmente, o dragão começou a bufar, uma fumaça com cheiro de enxofre saindo de suas narinas diante da visão de seu mestre submisso à espada de outro homem. Perseu esperava que ele atacasse, e pensava ter de fazer tudo muito rapidamente se quisesse escapar das chamas do dragão: Se cortasse o pescoço de Luke, morreria tostado pelas chamas do animal, mas, ainda assim, teria colocado fim ao homem que ameaçava sua família. Deveria sacrificar-se? Ou deveria deixar que Luke levantasse, esperando uma situação mais vantajosa em batalha para matá-lo?
– Focus, quieto. — A voz de Luke transparecia seu medo, e Perseu franziu o cenho, desconfiado. O dragão obedeceu. Enfim, Castellan virou-se para olhá-lo novamente, um desafio ainda brilhante em seus olhos. — Vamos, Jackson. Foi mais rápido do que eu. Acabe logo com isso.
Perseu fez que não, um sorriso perverso brincando em seus lábios.
– Fácil demais, não acha? — Indagou, movendo a espada para a região do tórax aonde se encontrava o fígado do adversário. — Sou apenas um homem, Castellan, um homem dos deuses, portanto, não é meu dever julgar se deves morrer ou não. Quem faz o julgamento final não sou eu, e sim os que nos regem sobre o Olimpo, portanto, deixarei que eles cumpram seu dever, enquanto cumpro o meu. — Declarou, enfim, pressionando a espada contra a pele de Luke, fazendo com que este soltasse um esganiçado grito de dor quando a lâmina penetrou em seu fígado. — E o meu dever é proteger minha família de ratos imundos como você.
Satisfeito, Perseu removeu a lâmina de dentro de seu adversário, permitindo-se sorrir enquanto este se contorcia de dor. O golpe que havia proferido não era suficiente para matá-lo de imediato, mas sim, garantir que possuísse uma morte lenta e dolorosa, como merecia morrer. Queria amputar também seus braços e suas pernas, cortar fora suas orelhas e fazê-lo urrar, mas, como havia dito, seu dever fora cumprido, e a morte logo viria buscá-lo.
No entanto, Perseu não esperava pela reação do dragão: ao invés de bufar e preparar-se para o ataque, Focus curvou seu longo pescoço em um sinal de respeito, um sinal que dragões reservavam aos seus mestres, não aos que botavam fim à vida destes. Após limpar a lâmina da espada, Perseu aproximou-se do animal, atônito. A besta não era uma fera, afinal de contas, e sim, o fantoche de um homem louco e sedento por sangue, treinada para matar; contudo, permanecia em seu sangue a característica mais conhecida dos dragões: respeito pelo adversário, quando este ganhava uma batalha. Os antigos costumavam dizer que o oponente mais honesto e justo era um glorioso dragão.
– Vamos, Focus. — Perseu sorriu, dando duas batidinhas nas escamas avermelhadas do animal. — Está livre, agora.
Perseu observou o animal levantando voo; antes que pudesse admirar o dragão cruzar o céu da noite com clareza, no entanto, não teve tempo de contemplar a bela visão: sentiu uma dor aguda e terrível espalhar-se pelo meio de suas costas, e logo seu corpo foi de encontro ao chão. A sensação era insuportável, ardida, e Perseu conheceria aquele desconforto de qualquer lugar: havia sido atingido por uma espada, rapidamente removida, antes que o seu corpo caísse.
– Deuses. — Uma voz familiar suspirou, frustrada, enquanto Perseu revirava os olhos para procurar desesperadamente quem havia lhe ferido. Enfim, o homem entrou em seu campo de visão: Nico di Ângelo, com o cabelo e olhos escuros. — Não deveria ter deixado aquele dragão partir, Jackson. Poderia ter salvado sua pele.
Os olhos verdes de Perseu se arregalaram; Nico ainda limpava a lâmina de sua própria espada quando finalmente se tocou do que havia acontecido. Acima dele se encontrava o homem em que havia confiado com suas tropas, o homem que estava encarregado de encontrar Luke Castellan, o homem que havia jurado fidelidade a ele... E, agora, o homem que havia lhe traído, que havia, literalmente, lhe enfiado a espada nas costas, enquanto zombava de sua falta de precaução.
– Por quê? — Perseu conseguiu forçar para fora de sua boca, sentindo o sangue quente lhe vazando e encharcando a grama. — Diga-me, por que...
– Por quê? Oras, por que sim. — Nico deu de ombros, enfiando sua espada prateada na terra ao lado de Perseu antes que calmamente olhasse para o céu. A raiva inundava cada músculo de Perseu; deuses, queria enforcar aquele filho da puta, que tão facilmente o enganara. No fundo, sabia que nunca deveria confiar totalmente em um homem de outra casa, no entanto... Nico havia lhe contado o paradeiro de Annabeth quando fora sequestrada... Se pretendia traí-lo, porque ajudá-lo? — Somos todos homens do poder, Jackson. Querendo ou não, você era o mais limpo e puro entre nós, e, agora, com o Rei Charles de volta ao poder, um homem como eu tem outras preocupações. O irônico é que quem me ofereceu a maior quantia de dinheiro foi Quíron, que costumava estar em meu posto agora, e, deuses, não pude recusar. Desculpe, Jackson. Com você fora do caminho, vão botar seu filho Zachary como uma imagem de um representante, e como não tem idade, adivinhe só quem será seu conselheiro? Quer dizer, Quíron morreu a umas duas semanas de uma cólera inesperada, mas eu posso muito bem fazer o serviço. — Soltou uma pequena risada, balançando a cabeça. — Não se preocupe, só queríamos você fora do caminho. Sua esposa e seus filhos terão uma vida plena, como você queria que tivessem. Ah... E só posso lhe agradecer por ter matado Castellan. Estava do nosso lado, mas nunca concordamos muito com suas ideias.
Após a explicação completa de Nico, Perseu sentiu o ódio ainda mais borbulhante dentro de si: havia sido enganado tanto por Di Ângelo como por Quíron, que por anos havia sido o conselheiro de guerra do senhor seu pai. Além de tudo, agora enfim Perseu entendia por que Luke nunca havia sido encontrado pelas tropas de Casa do Tridente: Nico havia ordenado há muito tempo que não o procurassem mais. "Mantenha seus amigos perto, e seus inimigos mais perto..."; a frase ecoou pela mente do homem ensanguentado ao chão. Ao menos, ele manteria Zachary, Annabeth e Claire vivos, as pessoas que mais amava... Mas não podia morrer daquela maneira. Deuses, não. Conhecendo agora o caráter de Nico, nunca admitiria ter traído Perseu, e inventaria uma história ridícula de como ele havia morrido em combate com Luke... Sua esposa nunca saberia a verdade... Seus filhos viveriam cercados pelo traidor... O lobo que até então se fantasiara de ovelha...
Com os olhos grudados no céu escuro, no entanto, viu mais uma vez o corpo esguio e brilhante de Focus atravessá-lo. Pensou em gritar, urrar ou assoviar, mas as forças dentro de si mal eram suficientes para que ele mantivesse seus olhos abertos.
– Que diabos... — Escutou Nico questionar, e, assim que virou a cabeça de lado para descobrir de onde vinha seu tamanho espanto, Perseu testemunhou o dragão Focus dando um rápido rasante e abocanhando Nico como uma deliciosa refeição, engolindo-o antes que pudesse alçar voo, grunhindo feliz e satisfeito. Os deuses eram irônicos, afinal de contas, e a fidelidade de um dragão tardava, mas não falhava.
Perseu pôs-se a sorrir, mesmo que agora já sentisse a vida lhe escapando: o sangue levava as últimas moléculas de seu ser, e ele mandava uma prece silenciosa aos deuses e a Focus, por ao menos terem eliminado o homem que pretendia envenenar o que sobrara da família Jackson, e isto seria o suficiente. Mandou um pensamento feliz a Zachary, seu corajoso menino, sabendo que ele seria um fantástico herdeiro. Pensou em Claire, a filha que provavelmente não teria a chance de conhecer... Devia ser belíssima, assim como sua mãe... E deuses, Annabeth, por fim, pensou em Annabeth, e esperou que a corrente de amor que irradiava de seu ser fosse suficiente para alcançá-la.
E, por fim, por mais que parecesse inútil, rezou para que os que lhe regiam sobre o Olimpo o deixassem viver.
Notas finais
Bom, depois desse capítulo temos mais um, e depois do próximo, o Epílogo! Não se preocupem, logo que essa fic acabar, vou postar outra, e eu tenho CERTEZA que vocês vão amar. Mas até lá, ainda temos dois capítulos pela frente!
Mereço reviews?? :(
Adios!
PS. FELIZ NATAL, ANO NOVO E ETC ETC! E APROVEITEM O FIM DO MUNDO! ;)
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