Vainglory

23 Epílogo


Notas iniciais
Último capítulo da fic.. Ainda difícil de acreditar. Lá embaixo, conversamos mais, galera. E é claro, aproveitem.

A visita do Rei Charles Beckendorf à parte Oeste de seu reino foi breve como planejara.

A decisão de fazer súbita jornada até o local viera após que recebera notícias de um informante que possuía na área: o pagava para que comunicasse por meio de cartas quaisquer novidades na vida de Silena Beauregard, que trabalhava nas propriedades do Sultão Oslo como garota de programa para os seus convidados, ao menos até a última quinzena; dois nobres hospedados nas dependências do Sultão, bêbados de vinho de verão, haviam se envolvido em uma briga estúpida de socos e gritos. Antes que pudessem ser apartados pelos seguranças, algumas prostitutas assustadas tentaram interromper ambos os homens -- um deles segurava uma faca -- e fora com essa lâmina que acidentalmente um dos duques matara Silena. Desta forma, assim que Charles recebera a correspondência do agora inútil informante, visitara o cemitério próximo à mansão do Sultão, que tinha as terras dedicadas a enterrar servos e suas meninas da noite.

Encontrar a pequena lápide não foi difícil: Logo localizou o túmulo simples. Havia pedido privacidade, portanto, os guardas reais o aguardavam às portas do cemitério. Charles sabia que podia demorar o quanto quisesse, porém, tudo o que queria fazer era prestar suas simpatias e ir embora. Mas sempre fora muito mais do que isso, não era? Repousou os olhos sobre o leito de morte, e, por mais que almejasse evitar as palavras cravadas em pedra de mármore barato, elas sempre estariam lá, e hora ou outra, ele teria de olhar. Precisava, se um dia, ao menos, quisesse possuir um pouco de paz de espírito.

Silena Ellen Beauregard e Peter Charles Beauregard -- "Que as datas de suas mortes nesta pedra não sejam gravadas para que a existência de ambas as almas sejam eternizadas na Terra."

Charles esperava sentir mais dor, mas a este ponto, já se sentia dormente; sofrera mais do que pensaria poder sofrer quando soubera da morte do filho que nunca conhecera: Segundo outros de seus informantes, o menino de apenas um ano de idade havia morrido de uma infecção geral que eventualmente o deixou cego, e, finalmente, acarretou seu prematuro falecimento. O Rei sabia que, mesmo que em outras circunstâncias, se Silena houvesse lhe apresentado Peter, ele não poderia nem casar-se com ela (por ser uma moça pobre) e nem assumir Peter como herdeiro legítimo, já que era bastardo e gerado fora de uma relação matrimonial. Ainda assim, se os dois estivessem vivos, ele poderia visitá-los. Todos os reis da Europa tinham filhos bastardos e, quando podiam, participavam de seus cotidianos, e Charles gostaria de ter podê-lo feito. Amara Silena nos poucos momentos que passaram juntos, e desde que soubera de sua morte, um vazio havia instalado em seu coração, e ele se perguntava se um dia ele seria preenchido.

Logo precisaria se casar, pelo bem do reino. Os conselheiros já faziam longas listas de possíveis pretendentes, mas ele não queria pensar nisso. No momento, estava com Silena e Peter, e o silêncio e calma eram apreciados.

No entanto, uma voz vinda de trás dele o interrompeu de seus pensamentos.

- Ela o amava. — Quando se virou para olhar, Charles encontrou a figura de uma mulher alta, bonita, de longos cachos pretos e olhos azuis elétricos que se destacavam de sua pele pálida. — Silena. O amava, muito.

- Eu, ou a criança? — Charles questionou, encarando a lápide novamente por um breve segundo antes de olhar para a mulher novamente. A julgar pelo seu corpo escultural e a maneira quase promíscua com que vestia um vestido de pano transparente, também parecia ser uma das prostitutas do Sultão.

- Os dois. — A moça respondeu, agachando-se para colocar uma única rosa amarela ao lado do túmulo. — Ela sempre soube que Vossa Majestade não havia morrido. Dizia que sentia em seu coração.

- Quem é você? — Charles mais uma vez rebateu com uma pergunta. A mulher parada ao seu lado estava sendo extremamente educada, além de ser a que mais parecia possuir respostas, mas ele sentia-se quase irritado pela sua presença.

- Meu nome é Thalia Grace, Vossa Alteza. — Respondeu pacientemente. — Eu e Silena nos tornamos muito próximas nos longos meses que passou após a morte de Peter. E eu estava lá quando ela morreu, também. — Fez que sim rapidamente, e Charles tinha certeza que ela também segurava lágrimas. A raiva inexplicável que sentira dentro de si desapareceu, e, por um instante, quase agradecera Thalia por ter sido amiga de Silena quando ela precisou de alguém.

Os dois encararam a lápide por tempo suficiente até que Charles quebrou o silêncio. Não conseguia chorar, já havia derramado lágrimas como um covarde que nunca visitara Silena, mesmo depois da morte de Peter; poderia ter socorrido ela de sua vida miserável no Oeste, trazido ela de volta para o castelo, podia ter evitado sua partida... Mas já era tarde. Agora, tinha de fazer o que era certo para o reino, e também, para honrar Silena e Peter. Sabia que a moça ia querer que ele tomasse a decisão correta, mesmo em momentos de desespero.

- Junte suas coisas, Thalia Grace. — Ele fez que sim. — Você irá para o palácio. Darei a você no mínimo um emprego decente. Nenhuma mulher, especialmente minha Silena, deveria ter vendido seu corpo a homens vis como estes, e não deixarei que isto aconteça contigo, que obviamente lhe serviu de companhia.

- O-Obrigada, Vossa Alteza. — Thalia gaguejou, certamente surpresa, e fez uma reverência. Charles podia ver seus joelhos e mãos magras tremendo, e colocou a mão sobre a cabeça da serva. — Obrigada.

- Aposto que tem muito que me contar. — Charles acrescentou com um sorriso quase amigável. — Então, partiremos logo. Também tenho providências a tomar.

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- Mamãe, cadê o Papai? — a criança de cabelos loiros encaracolados perguntou inocentemente, olhando para a mãe com seus enormes olhos cinza.

Annabeth suspirou, ainda penteando o cabelo da menina de quatro anos calmamente com um pequeno sorriso.

- Aqui. — Ela sorriu, pressionando o dedo contra o colar de conchas que a menina usava, mas a garotinha apenas bufou, cruzando os braços contra o vestido verde que usava.

- Mamãe, por favor. Fale-me a verdade. — Insistiu, soltando um pequeno gemido de insatisfação quando Annabeth teve de fazer um pequeno esforço para desembaraçar um nó.

- Está bem, está bem. — Annabeth soltou uma pequena risada, pressionando os lábios sobre o topo da cabeça da criança uma vez que terminou o longo serviço de pentear os cabelos dourados, idênticos aos dela. — Ele voltará de viagem logo. Provavelmente, esta noite. E se ele voltar, sei que vai vir lhe dar um beijo, mesmo que esteja dormindo, está bem?

Antes que a infanta pudesse responder, houveram três batidas na porta do quarto.

- Com licença, Vossa Alteza, Princesa Elena. — a voz de uma serva tímida chamou. — O jantar está pronto. Príncipe Zachary e Princesa Claire já se encontram à mesa... Peço perdão se interrompi algo.

- Oh, não por isso, não é mesmo, Elena? Já estamos descendo. — Annabeth sorriu, rindo quando Elena saltou do pufe em que estava sentada de imediato. A garotinha tinha o apetite de Perseu, e mesmo sendo magra como Annabeth e Claire, parecia sempre querer comida.

Durante o jantar, Annabeth pôs-se a admirar os filhos com amor estampado em sua face: Zachary ainda era uma imagem perfeita de Perseu; agora com onze anos, o menino já tinha um físico perfeito, a pele levemente bronzeada e o corpo musculoso, as feições lindíssimas do pai, além de ser astuto em Estratégia, e, obviamente, o herdeiro perfeito. Enchia ambos os pais e todo o reino de orgulho, por ser bem humorado e extrovertido, era a alma de qualquer festa. Claire, por outro lado, nos seus oito anos, ainda tinha os cabelos negros de Perseu e encaracolados como os de Annabeth, a pele branca como a neve, além dos brilhantes olhos cinza; Era uma menina extremamente inteligente, e era apaixonada por música e por persuadir conhecimentos, ainda que tímida. Annabeth conteve uma risadinha ao observar Elena: a garotinha tomava sua sopa tentando segurar a boa postura, mas se empolgava pela fome e logo recebia um olhar divertido dos irmãos. Elena, sua pequena Elena, havia sido uma total e completa surpresa, assim como Claire, e todos veneravam a garotinha que tinha a aparência idêntica à de Annabeth, com seus cabelos dourados e encaracolados, os olhos cinza curiosos, contudo, tinha a personalidade também brincalhona de Perseu e conseguia fazer qualquer um rir.

Numa situação simples como um jantar, Annabeth gostava de exercer o que fazia, pensando sobre sua agridoce vida. Ela e seu adorado Perseu haviam superado todos os obstáculos, incluindo a morte, e ainda assim, a vida dos dois virara de cabeça para baixo mais uma vez: Após Perseu ter sido resgatado a tempo da ferida de espada nas costas, e logo posteriormente à sua completa cura, Casa do Tridente recebera a notícia de que Charles Beckendorf renunciara o trono e que sua última exigência como o Rei fosse que Perseu assumisse o seu lugar. Como não estava em posição para contestar, Perseu aceitou a tarefa com apreensão, assim como Annabeth: tinham medo do poder, pois o poder já havia tentado muitíssimas vezes separá-los. Demorou a que se acostumassem à vida no palácio: era tudo muito grande, muito luxuoso; mas logo, Perseu provou ser o Rei que o povo precisava há séculos, e todos aclamavam seu reinado e suas medidas. Annabeth agora sabia que a Velha Vidente, de tanto tempo atrás, havia acertado mais uma vez quando dissera que Perseu "seria o próximo..."; não o próximo a morrer, mas sim, o próximo a assumir uma função que nasceu para cumprir, e que o fazia excelentemente bem.

Deu boa noite para os três filhos mais tarde e retirou-se, suspirando feliz quando deitou-se em seu enorme leito. Todas as noites, Annabeth Jackson dormia com um grande sorriso no rosto, seu peito não mais irradiando dor, mas sim amor e felicidade. Era a mãe orgulhosa de três maravilhosas crianças, e esposa e rainha de um excelente pai e marido.

Antes que pudesse dormir, escutou as portas do quarto abrindo-se e fechando-se, sorrindo um sorriso mais largo quando a sombra aproximou-se dela. Estava escuro, mas seu coração batia forte, e ela saberia quem era mesmo há milhas de distância. Logo, o homem deslizou para cima dela e a beijou com entusiasmo; depois de tantos anos juntos (com a ainda muitos por vir, se os deuses quisessem) ele ainda fazia ela se sentir como uma adolescente boba e apaixonada.

- Eu não sou a única que queria seus beijos esta noite, meu Rei. Elena me importunou o dia todo. Foi dizer-lhe boa noite? — Annabeth brincou com um pequeno risinho que se reproduzira nos lábios de Perseu.

- Disse boa noite até para Zachary, luz de minha vida, não que ele tenha apreciado ter sido acordado de seus sonhos pré-adolescentes. — Ambos riram novamente, e antes que pudessem pensar em parar, Annabeth pressionou seus lábios contra os dele novamente.

- Meninos. — Annabeth revirou os olhos, brincalhona. — Estou cercada de dois deles, e pergunto aos deuses como os aguento. — Piscou para o marido.

- Neste caso, deveríamos tentar fazer outro menino, esta noite. Então seriam três contra três. Uma briga justa.

- E se nascer outra menina, o que vai fazer? — Annabeth mordeu o lábio inferior, tentando segurar outra risada. Deuses, Perseu sempre sabia como fazê-la gargalhar tão facilmente.

- Amá-la incondicionalmente, assim como amo suas irmãs, e sua mãe. — Perseu respondeu com um sorriso amoroso, e Annabeth quis dar-lhe um tapa por fazer seu coração derreter-se como manteiga tão facilmente em poucos segundos.

- Então, estou de acordo. — Sorriu. — Só não fique zangado quando perder.

Segurou a mão grande do marido e a entrelaçou na sua, trazendo-a até os seus lábios para pressionar um longo beijo sobre a pele quente. Nos olhos de Perseu, ainda via o medo, via todo o sofrimento pelo qual ambos haviam chorado, viu as incertezas, via suas inseguranças, quase como um espelho verde. Quando o marido abaixou-se para beijar-lhe as clavículas expostas e murmurou as mesmas palavras de amor, no entanto, Annabeth sabia que não precisava olhar no fundo de seus olhos para enxergar o que sempre vira: seu amanhã, tão transparente quanto as águas de Casa de Coruja no dia em que havia partido para juntar-se a ele em Casa do Tridente, tantos anos atrás.

Via seu futuro, uma montanha que nem os deuses conseguiriam mover, e era assim que colocava seus fantasmas e monstros internos para dormir: quando, todos os dias, visualizava a mão de Perseu sempre enroscada com a sua.

Suspirou.

Notas finais
Estou sem palavras, absolutamente sem palavras.
Faz mais de um ano que comecei essa fic, e tô pasma. Não queria que acabasse. Por mim, continuaria com Vainglory pra sempre, e cá estou, botando fim nela... Mas esse fim é apenas categórico! Essa história sempre estará comigo, e VOCÊS também!
MUITO, muito obrigada por TODOS que recomendaram, mandaram reviews, mensagens privadas, até me perseguiram no Facebook, e principalmente, acompanharam até o tão esperado final. Escrever é o que eu mais amo fazer e VOCÊS fazem dessa experiência ainda mais maravilhosa. Sério, não consigo agradecer vocês o suficiente.
Antes que perguntem, não farei uma continuação. Gostei muito da maneira que a fic acabou, portanto quero que ela fique eternizada do jeitinho que está. LOGO LOGO vem outra fic, vai se chamar 'Daylight', e obviamente, Percabeth. Fiquem de olho, sei que vocês vão amar.
Novamente, MUITO, MUITO obrigada! Fico feliz que vocês tenham amado Vainglory tanto quanto eu!
NOS VEMOS NA PRÓXIMA, HEIN? :) VOCÊS SÃO O MÁXIMO!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!