Vainglory

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Olá, meninas! Capítulo bem fofinho e cheio de explicações pra vocês que estavam meio confusas... Aproveitem :3

júbilo
jú.bi.lo
sm (lat jubilu)1 Grande alegria ou contentamento.2 Regozijo.

A festa de recepção para Perseu e Annabeth só aconteceu dois meses após a chegada do casal em Casa do Tridente. De maneira ou outra, todos os criados e até mesmo os nobres que lá residiam estavam demasiado felizes que ambos estavam seguros e em perfeito estado de saúde. Algumas das escravas até choraram quando o corpo de Annabeth foi carregado com amor pelo marido até o aposento dos dois, já que por tantos meses pensaram que a mais bela moça havia sido cruelmente assassinada ou raptada, e desde que se casara com Perseu, sempre fora demasiado amada e adorada por todos, pela sua gentileza e amor próspero.

Por outro lado – um lado que os criados pouco percebiam, Annabeth encontrava-se arrasada, não apenas por ter sido mantida prisioneira (ainda que bem cuidada) por seis meses para depois apenas ver a imagem de seu pai como o maior dos traidores. Durante as suas primeiras noites de volta em Casa do Tridente, ela parecia não conseguir se situar, perguntando ao marido onde estavam dezenas de vezes até que percebia que as paredes que a cercavam eram as de seus aposentos. Nas semanas seguintes, Annabeth acordara durante as noites gritando por socorro, chamando o nome do marido até que este a consolasse, e ela voltasse a dormir. Após ser examinada pelo médico de Casa do Tridente, este garantiu a Perseu que os terrores noturnos passariam dentro de algumas quinzenas, e que era importante ser paciente. Quanto a Perseu, este não se importou: tinha a esposa novamente segura em seus braços e não precisava de mais nada. Eventualmente, a donzela melhorou, e situou-se: voltara a ser a mais inteligente das damas, doce e paciente Annabeth com que Percy havia se casado, apesar de que, pelo que ele percebera mais cuidadosa. Só quis ver Zachary quando teve certeza que estava em sua melhor sanidade, e quando adentrou o quarto circular e enfeitado de estrelas do bebê de seis meses que ainda dormia tranquilamente em seu berço enfeitado pelo móbile de planetas, derramou-se em choro. Havia crescido tanto, e estava ainda mais bonito; parecia, literalmente, lágrimas dos deuses que haviam os presenteado com tamanha beleza e felicidade em uma criança, e, ainda assim, se parecia ainda mais com o pai, com a mesma pele levemente azeitonada, os olhos verdes e os cabelos negros como a noite.

Daquele dia para frente, Perseu triplicou a segurança em Casa do Tridente, fazendo com que os novos seguranças passassem por uma interrogação antes de serem empregados; sabia que a culpa do sequestro era de Luke Castellan, mas o vagabundo covarde já havia fugido quando descobriu que Perseu voltava para casa. Dito e feito, Perseu enviou um terço de suas tropas atrás de Castellan, tendo certeza de que com as pistas que os criados lhe haviam fornecido, um dia seria capaz de capturá-lo e fazê-lo pagar milhares de vezes pela dor que havia causado a quem Perseu mais amava. Tomadas as providências, Perseu nomeou Nico Di Ângelo seu conselheiro de Guerra oficial, já que estava cético com relação a Quíron depois que o centauro teve a audácia de sugerir que Perseu se casasse novamente na ausência de Annabeth. Mandou-o embora gentilmente, lhe dando um pouco de dinheiro para que vivesse bem até que arrumasse outro serviço, apesar de que o olhar de repulsão no rosto cansado de Quíron o deu calafrios ruins, mas procurou não se importar. Afinal de contas, Nico merecia a posição que lhe fora dada, pois fora ele que subornara os centauros para manter Annabeth segura, e, finalmente, fora ele que revelara o verdadeiro paradeiro da esposa a ele, e tremenda gratidão só podia ser expressa – ainda que parcialmente – quando Percy colocou os enormes exércitos de Casa do Tridente nas mãos do jovem, que, apesar de novo, ainda venerava “brincar” com balas. De forma ou outra, exigiu uma explicação de Nico, já que ainda não compreendera porque mantiveram a esposa na companhia dos sátiros já que no fim do plano, não precisaram dela: o resgate de Charles fora feito com sucesso sem o auxílio de Annabeth, que logo após ver o pai, desmaiara nos braços de Percy.

- Precisávamos de uma garantia. – Nico explicara. – Se nossas forças armadas não fossem o suficiente para deter Chase, iríamos ter Annabeth como refém, e ameaça-lo, fazê-lo entregar Charles em troca de Annabeth. Frederick pode ser presunçoso, mas quando o assunto é suas filhas, não há coisa que lhe importe mais.

Dessa forma, o tempo passou. Diversas comemorações foram dadas por noites e noites seguidas e o reino esbanjava em alegria pela volta de seu Rei Charles e pelo fim das brigas políticas que tanto afligiam o povo. Em Casa do Tridente, não foi diferente: quando Percy não estava ocupado com seus próprios negócios muitas vezes se juntava à Annabeth e aos nobres que faziam diversas comemorações no enorme quintal dos fundos. Quanto Annabeth, esta já estava em perfeito estado de saúde: quando não estava ocupada amando o marido, cuidava de seu amado Zachary, que a cada dia tinha o sorriso mais parecido com o seu. O aniversário de um ano do pequeno já se aproximava, contudo, parecia surreal para os pais que já fizesse essa quantia de tempo que Annabeth pariu o amado herdeiro de Casa do Tridente.

Pela primeira vez no que parecia muito tempo, enfim, Annabeth e Percy realmente conseguiram a paz que mereciam.

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A recuperação do Rei Charles Beckendorf também foi lenta e dura como o maior osso na carcaça de um animal. Quando fora levado pelos guardas, sátiros e centauros de volta ao palácio tremia de medo e ansiedade, afinal, não sabia que seus novos raptores o sequestraram da venda de escravos para salvá-lo. Era difícil para que sua mente mesmo formulasse qualquer tipo de raciocínio: estava certo de que já fazia mais de um ano que havia sido raptado e preso, mantido em cativeiro. A raiva há muito tempo havia passado, e, logo depois, a tristeza e preocupação logo seguiram. Ainda se perguntava quem teria tomado seu reino... Algum chefe de uma grande casa? Perseu Jackson, por exemplo? Ou até mesmo o sujo e ambicioso Luke Castellan? Só lhe restava se perguntar... Na realidade, o reino era tudo que possuía, já que ainda não havia se casado, ou tido filhos – afinal, Charles ainda não sabia da existência de Peter.

Acima de tudo, Charles não conseguia compreender, por mais que passasse horas torturando-se com a questão, o porquê de seu sequestro. Não havia reinado por muito tempo, apenas seis curtos meses, e, de acordo com seus conselheiros e as pesquisas entre o povo, ele estava fazendo um trabalho ainda melhor do que o de seu pai. Estava certo de que num reino poderoso havia sempre os que desejavam a conspiração, porém, seus sequestradores deveriam estar no mais alto desespero por dinheiro ou por poder, a julgar pela maneira que ele fora sequestrado... A última coisa que se lembrava de era de caminhar pelos arredores de seu jardim particular, carregando um livro em mãos, quando um pano com uma substância de cheiro insuportavelmente forte fora pressionado contra seu nariz, e ele desmaiara. Surpreendia-se com as habilidades de seu sequestrador, já que, a seu ver, era impossível passar pela segurança rigorosa de seus portões... O que, mais uma vez, o levava a pensar que seu raptor era um de seus bons amigos nobres, ou até mesmo um de seus funcionários.

Por todo caminho do Mercado Negro até o palácio, Charles adormecera num sono por medo e apreensão. Quando acordou, surpreendeu-se ao encontrar-se acomodado dentre lençóis confortabilíssimos e o familiar colchão macio debaixo de suas costas. Suspirou em alívio e permitiu que seus dedos fracos corressem contra a superfície macia, quase como se não acreditasse que podia ser verdade. Forçou-se a abrir mais os olhos, ainda demasiado surpreso ao se acostumar com a visão de seus enormes aposentos, e como nada havia mudado em sua ausência. Estava ciente de que em alguns instantes um de seus criados entraria com uma vasta bandeja de um enorme café da manhã, coisa que certamente precisava: em seu cativeiro, era alimentado de batatas cruas, e, quando estavam piedosos, de água mal tratada para a língua seca. Charles costumava ser musculoso e forte, sempre admirado pelo seu físico; agora, estava anoréxico, raquítico: Mal conseguia mexer a cabeça para observar o quarto.

Dito e feito, uma criada entrara com uma enorme bandeja de prata lotada dos mais diversos alimentos: ovos e bacon fritos, bolo gelado de cereja, café quente, chá de camomila, torradas com manteiga e leite de cabra. Charles a dispensou quase que com pressa e devorou a comida como se não houvesse amanhã, comendo até a última migalha e bebendo até a última gota. Tocou o sino para que a criada levasse a bandeja embora, e, depois de ser auxiliado para se trocar – sentia-se estranho nas roupas bem bordadas e caras – recebeu uma visita de Nico di Ângelo, que agora fora nomeado Chefe das Forças Armadas de Casa do Tridente por Perseu Jackson. Charles, ainda enfermo e fraco em seu leito, bebericava de um chá quando o moço-homem entrara, e tentou oferecer um sorriso cordial. Sempre gostara de Jackson, sendo ele o mais honesto dentre todos os homens de poder que Charles conhecia.

Por horas conversaram como bons amigos, e Nico explicara como o reino lidou com a ausência de Charles desde o dia de seu desaparecimento até o dia em que retornara. Charles pareceu satisfeito, afinal, ninguém havia assumido o trono de fato, e estava feliz que poderia, lentamente, voltar a ser o líder que sempre fora por direito. Governar sempre fora sua paixão, e, saber que depois de tanta tragédia ele seria capaz de voltar a sua tão amada tarefa era de certa forma, confortante. Ainda havia muita estrada para andar, mas ele o faria com orgulho.

- Não sei lhe dizer sobre a criada, no entanto. – Nico adicionou subitamente.

- A criada? – Charles questionou, levantando uma sobrancelha.

- Silena, o nome dela, certo? Silena... Silena Beauregard. – Nico disse com a voz lenta depois de refletir um pouco consigo mesmo, e, de imediato, Charles congelou.

Silena Beauregard, ah, sim, é claro que se lembrava dela. Como não? Assim que assumira o trono, fora informado de que novas criadas haviam sido contratadas, e, quando conhecera a moça que lavaria suas cortinas e suas roupas, apaixonara-se cada dia mais por ela. Era tímida e bela, contudo, ainda assim era uma criada, e, todas as vezes em que pensava se aproximar mais dela, seus conselheiros reais o lembravam que, agora que era rei, teria de arranjar uma esposa, uma rainha, e, que de preferência, lhe desse herdeiros. Um dia, no entanto, a atração foi demasiada para que Charles pudesse suportar, e a relação entre os dois tornara-se física. Depois daquela ocasião, Charles possuíra Silena em todas as situações possíveis, em completo e puro sigilo, por isso, estava surpreso quando Nico mencionara a moça.

- Como...? – Charles questionou em voz baixa, quase envergonhado.

- Eu tenho ouvidos, Vossa Majestade. – Nico disse, apontando para suas orelhas e balançando a cabeça lentamente. – E não só aqui.

Charles pretendia retrucar e mandar di Ângelo aprender seu lugar naquele local, mas sempre soube que nunca poderia esconder Silena ou o que sentia por ela por muito tempo, e agora o momento de confronto havia enfim chegado, e ele precisava saber mais sobre o que Nico tinha para lhe dizer.

- Certo. – Charles fez que sim. – Qual foi a última notícia que teve dela?

- Bom... – Nico limpou a garganta, encarando um ponto fixo na parede antes de se dirigir a Charles novamente. – A última notícia que recebi não foi propriamente dela, mas acredito que o assunto seja de seu interesse, de forma ou outra.

- Prossiga.

- Um bebê chamado Peter morreu na última quinzena num vilarejo persa no Sul, onde há registros de Silena estar se refugiando já faz alguns meses. – Nico murmurou rápido demais, quase como se tivesse medo de suas próprias palavras. – E seus sobrenomes eram Beckendorf e em ausência deste, Beauregard.

Notas finais
Pelo amor de Zeus, esse NÃO É o fim da fic. Sei que é meio estranho que o capítulo foi calminho o que é um milagre pra mim e pra Vainglory, mas ainda tem coisa pra acontecer.
Então, palpites, reviews? Sorvete?
Beijos,
Ju