Vainglory
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Se preparem porque vem surpresa por aí... tcham tcham tcham tchammmmmmm
abandono
a.ban.do.no
sm (deabandonar)1. Ação ou efeito de abandonar;2.Desamparo, desprezo;3. Desistência, renúncia.
O telegrama obviamente improvisado de Annabeth se encontrava no mesmo lugar da mesa de madeira de cerejeira de Percy havia três dias, desde quando chegara no bico de um falcão cinza. Quando o leu pela primeira vez, Percy pensou ser uma fraude, mas, após observar a caligrafia escrita em sangue, percebeu que era sim, a letra de sua amada. – coisa que ele temia, pois não havia como saber de quem era. O homem inundou-se em lágrimas ao imaginar as terríveis condições em que sua esposa se encontrava para ter de escrever numa folha de árvore e em sangue, e por um dia, disse aos empregados que não estava se sentindo bem e inundou-se em lágrimas. Quando parecia estar próximo de se recuperar do choque, ele olhava a carta em cima da mesa novamente e botava-se em desespero, perguntando-se se deveria obedecer as ordens de Annabeth na carta e parar de procurá-la ou insistir em fazer seus homens percorrerem todo o Reino em busca de sua amada esposa que poderia estar em perigo, ou sobre custódia, ou quem sabe até estar sendo feita refém. De uma maneira absurda, porém, ele continuou vivendo, dia após dia, apesar da dor insuportável em sua cabeça e em seu peito que só crescia.
Não mostrarei essa carta para ninguém, pensou consigo mesmo. Meu mártir já é muito grande para que o reino o sustente. Que os deuses protejam minha amada, aonde quer que ela esteja, e que ela saiba que meu coração jaz com ela, em vida e em morte.
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O veado morto tinha um cheiro insuportável de carniça, apesar de só terem se passado alguns minutos desde que Thalia o havia sacrificado. Os estômagos e intestinos do animal queimavam em uma fogueira ao lado do corpo basicamente vazio enquanto Silena agachava-se para vomitar numa árvore ali perto, incomodada pelo aroma desagradável. A floresta era muito densa e quieta no meio da noite, e as duas deram a sorte de encontrar um espaço circular sem árvore alguma para que pudessem realizar o serviço.
Thalia suspirou, encarando o órgão em suas mãos. O plano era simples: matar um animal, que de preferência tivesse um coração do tamanho igual ao de um humano adulto, e colocar na caixa de música. Depois de feito isto, Silena voltaria para Casa do Tridente discretamente com a ajuda de Thalia, que sempre soubera das táticas de ser arisca. Assim, a moça entregaria a caixa de música ao perverso Luke, conseguindo seu perdão e, quem sabe, os remédios milagrosos que tirariam a cegueira de Peter. Thalia pensava que o plano era o último recurso da pobre moça, mas concordara, já que Silena havia a ajudado muito desde que as duas se encontraram perto do vilarejo onde a jovem mãe morara. Sem ela, ela provavelmente estaria perdida na floresta, alimentando-se de carne e água contaminada, ficando mais esquelética a cada dia que passava e eventualmente, morrendo. Xingou baixinho enquanto agachou-se no pequeno riacho para lavar o músculo ainda quente e encharcado de sangue, agarrando um pequeno punhal roubado do bar para cortar os pedaços desajeitados das artérias de seus cantos, e depois mergulhando-o de volta na água com um longo suspiro. Com a boca, rasgou uma tira longa de seu vestido azul, enrolando o órgão no tecido lentamente, posicionando-o depois na caixa de música vermelha. Deu um pequeno soluço de alívio quando coube perfeitamente. Fechando a caixa revestida de rubis e de pedras preciosas, levantou-se e esperou por Silena que ainda apoiava-se no tronco da árvore.
- Está feito. – Thalia murmurou. – O tamanho é ideal, então suponho que ele não vá desconfiar.
Silena balançou a cabeça, andando até a caixa de música com os pés trêmulos, sentindo seu estômago e esôfago pulsando dentro de si. Agarrou a caixa com sua vida, apertando-a contra seu peito e oferecendo a Thalia um pequeno sorriso. Nunca teria a coragem de matar o veado e arrancá-lo as tripas como a morena havia feito, o que lhe fazia perguntar-se se o sátiro não houvesse salvado Annabeth, se ela conseguiria mesmo tirar o coração ainda pulsante da moça. Repeliu os pensamentos quando sentiu mais um espasmo vindo de dentro de si, o gosto de bile inundando a boca.
- Meu medo é que Annabeth volte. – Silena confessou, sentando-se ao lado de Thalia na grama macia, longe o suficiente do animal para que o cheiro não a incomodasse mais. – Se encontrarem ela, Luke cortará meu pescoço fora, ah, vai, e você sabe disso. Com o tanto de guardas que Perseu tem eu duvido muito que demore para que Annabeth esteja de volta...
- Acho que não. – Thalia fez que não. – As últimas notícias que vieram dos porta-bocas de Casa do Tridente dizem que Perseu já está perdendo as forças. Diz estar mais concentrado em cuidar do filho já que todos a sua volta parecem achar que Annabeth está morta.
- Mas e se ela não estiver? – Silena retrucou, desconfiada, esfregando o rosto cansado nas mãos ásperas de trabalho. – O sátiro, aquele maldito sátiro, não parecia querer matá-la. Parecia um herói e tanto, se você quer saber.
Thalia revirou os olhos. Apesar de madura para a idade, às vezes Silena podia ser tão cega quanto o filho. Se Silena pudesse ao menos ver as coisas da maneira que ela via... De qualquer forma, ninguém era perfeito, e ela ainda agradecia aos deuses por ter encontrado em Silena uma amiga leal; em troca, o mínimo que Thalia podia fazer era tentar botar um pouco de juízo na cabeça da moça.
- Se o sátiro quisesse ter devolvido Annabeth ao marido, já o tinha feito. – Thalia apontou com uma expressão cínica. – Já faz meses desde que toda aquela bagunça ocorreu, e Perseu está oferecendo muito dinheiro por qualquer pessoa que devolva sua esposa. Não acha que, se o sátiro fosse mesmo o tamanho herói que você diz que ele é, já não teria tomado as devidas providências para levar Annabeth ele mesmo até Perseu?
A morena engoliu em seco e fez que sim brevemente, mas ainda parecia hesitante.
- Bota juízo nessa tua cabeça, menina. – Thalia murmurou, cutucando o coro cabeludo de Silena algumas vezes. – Está tudo óbvio, aqui, debaixo do seu nariz. Annabeth Jackson está perdida, se não morta. E mesmo que ela venha a retornar, você já terá entregado o coração falso a Luke, e saído de Casa do Tridente. Já estará em casa, com Peter. E segura.
- Mas ele virá atrás de mim! – Silena protestou, em pânico, soltando um longo suspiro. – Vai me matar, matar minha mãe, matar meu P-Peter... – sua voz tremeu e seus olhos castanhos se encheram de lágrimas.
Thalia fez que não novamente, agarrando a mão da amiga e apertando-a forte.
- Não vou deixar que isso aconteça. – Prometeu, séria. – Depois que você receber os remédios, eu, você, sua mãe e Peter vamos embora. Juntarei minhas economias do bar, e com elas, compraremos uma pequena carroça. Usamos o cavalo que você roubou para puxá-la. Podemos ir para o Norte, para as terras do Sultão Oslo no Sudoeste. Lá, trabalharei como uma de suas serviçais, e vai ficar tudo bem.
Duas lágrimas caíram de cada olho de Silena, e ela rapidamente as piscou para longe. A garota parecia considerar o plano, e após alguns segundos, estava completamente segura de si. Não sabia o que faria se o plano desse errado, mas Thalia parecia ser – e era – mil vezes mais inteligente do que ela, portanto, iria confiar nela. Saberia que não seria fácil: o Sultão Oslo era arrogante e muitas vezes fazia de suas empregadas prostitutas, mas Silena não tinha medo: se tivesse que vender o corpo, venderia. E que assim fosse, pelo resto de sua vida, contanto que ela estivesse longe de Luke Castellan e de Annabeth Jackson pelo resto de sua vida. Envolveu Thalia num abraço apertado até que os pulmões das duas queimassem por ar, e quando se soltou dela, tinha um brilho de determinação em seus olhos que há muito tempo havia desaparecido; era quase juvenil, milagroso.
- Vamos pra Casa do Tridente. – disse. – tenho um pacote para entregar.
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Perseu andou até a sala de conferências lentamente. Não estava com paciências para reuniões desde que Annabeth havia desaparecido; para falar a mais honesta verdade, ele não estava com paciência para mais nada que não fosse o filho dos dois, Zachary, o último pedaço de Annabeth que ele possuía naquele momento, com a exceção dos vestidos de Annabeth que ainda cheiravam como ela, trazendo ainda mais dor a sua pobre alma que sofria a cada segundo que passava. Tyson, Nico e Luke estavam todos em seus quartos, adormecidos, enquanto ele se preparava para uma longa conversa com todos os seus conselheiros, e eram muitos. Aparentemente, os funcionários tinham algo a dizer, algo importante. Quando virou a esquina do corredor, encontrou Quíron, o centauro, seu conselheiro de batalha, esperando por ele. Cumprimentou-o com um aceno de cabeça.
- Sobre o que é a reunião? – Perseu murmurou, desinteressado.
- Assuntos de Estado. – Quíron respondeu imediatamente. – Do nosso estado. Casa do Tridente. É realmente importante, filho. – O centauro murmurou, e Perseu notou um brilho de vergonha e hesitação nos olhos do homem que era como um segundo pai para ele.
Minutos depois, a sala de conferência estava lotada com todos os conselheiros sentados em suas respectivas cadeiras. Perseu esfregava as têmporas, irritado, já que as vozes de vários conselheiros ecoavam enquanto gritavam uns com os outros. Apoiou seus punhos na mesa, acomodando-se em sua enorme cadeira de granito, e por fim, falou mais alto, sendo o líder que seu pai o havia ensinado ser mesmo em situações de bagunça.
- CHEGA! – rugiu como um leão da montanha, e imediatamente os conselheiros calaram-se, e com os rabos entre as pernas, voltaram a se sentar em seus devidos lugares. Satisfeito, Perseu limpou a garganta e fez que sim para que Quíron falasse, já que era ele quem conduziria a pauta da reunião naquela noite.
- Senhoras e senhores. – o centauro murmurou, olhando nos olhos de todos, permanecendo em pé em seus cascos no espaço ao lado de Perseu. – A reunião dessa noite é de extrema importância, como todos já estão cientes. Colocaremos a questão em aberto, pois a escolha da solução deste problema é inteiramente de Perseu, então mais uma vez peço seu juramento profissional e amigo.
Ainda envergonhados, e lentamente, os conselheiros fizeram que sim, um por um. Perseu se sentiu intimidado, já que todos os presentes sabiam do que se tratava o tão importante assunto, exceto ele.
- Perseu... – Quíron começou, e pôs se a andar lentamente em volta da sala, com os olhos lacrados nos dele. – Todos os presentes aqui sabem o quanto os últimos meses foram difíceis para você, e que, nós amávamos Annabeth tão profundamente quanto o senhor. Que os deuses a tenham, se seu destino foi mesmo tão terrível quanto acredito que tenha sido. – Quíron murmurou e Perseu sentiu adagas furando seu coração novamente, mas permaneceu-se forte. Outro ensinamento que seu pai havia lhe passado era que, numa sala de reuniões, não se demonstrava nenhuma emoção a não ser sua própria força, e sua força política, e não física, e ele se manteria aquilo no momento.
-... Mas... – Continuou Quíron. – Infelizmente, uma Casa, e, especialmente uma Casa tão forte quanto a Casa do Tridente, não gira apenas em torno do sentimento. Estamos em uma época delicada politicamente. Temos muito dinheiro, quase que eternos tesouros, e também possuímos o apoio do povo, graças aos deuses. Mas, em termos do político, ainda nos encontramos em conflito com Nico, Tyson e com Luke, principalmente. Portanto... Precisamos ter certeza de que nosso representante, nosso Perseu, tenha todo o apoio em volta dele que precisa.
Perseu balançou a cabeça em concordância, mas franziu o cenho logo após.
- O que isso quer dizer? – murmurou, cínico e desconfiado.
Quíron demorou a responder, mordendo em seu lábio inferior. Quando seus olhos azuis encontraram os verdes de Perseu, o moço sabia que o que estava para vir não seria de seu agrado.
- Perseu. – Quíron prosseguiu finalmente. – Você precisa se casar novamente.
Notas finais
GENTE, IMPORTANTE! Publiquei minha one-shot, aquela que prometi da ultima vez que postei... Dêem uma lida:
https://www.fanfiction.com.br/historia/202003/Wonderwall
Então, leiam. E deixem reviews, aqui e lá.
AVISO: Sei que os meus capítulos tem estado muito pequenos, e me desculpo. Voltei a fazer aula de violino e ja faço tenis 2 vezes por semana então eu realmente estou fazendo meu melhor.
Beijos!
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