Vainglory

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Avisos no final.

matador
ma.ta.dor
adj (matar+dor2) 1. Que causa ou que causou a morte;2. Irresistível, sedutor.sm1Aquele que mata ou matou.2Indivíduo enfadonho, impertinente, importuno

- Será que você pode me explicar que diabos está acontecendo? – Nico rugiu, cutucando o peito duro do homem de exército no mínimo três palmos mais alto que ele e imediatamente se afastando, xingando em mais duas línguas antes de sentar-se em sua poltrona, exausto. Esfregou o rosto nas mãos enquanto esperava por uma resposta, e, quando abriu os olhos novamente, encarou o soldado com frieza. – E então? Pode se explicar ou vou ter que mandar você embora, seu imprestável?

O soldado-guarda engoliu em seco e fez que sim, arrancando um lenço azul marinho do rosto para limpar o suor de seus poros. Limpou a garganta antes de virar-se para Nico, seu patrão, ainda tremendo de nervosismo e de medo, mas antes que pudesse falar qualquer palavra do discurso que havia preparado, Nico levantou uma de suas mãos como se o colocasse em pausa e falou.

- Esta tarde, fui comunicado de que os funcionários e conselheiros de Casa do Tridente, ou seja, essa maldita fortaleza onde estamos hospedados, querem que Perseu Jackson case de novo. – Nico murmurou. – Sabe quem é Perseu Jackson, sabe, seu idiota?! – levantou-se de supetão e jogou uma taça de prata de vinho cheia em seu peito, esparramando o líquido roxo pelo chão de pedra do cômodo. O soldado moveu um passo para trás, ainda tremendo quando Nico sentou-se novamente. – Perseu Jackson é, no momento, a porra do homem mais poderoso do reino, e eu pensei que tivesse deixado claro que a porra da nossa única missão aqui era ajudar aquele bastardo.

Nico voltou então para a posição anterior, esfregando o rosto nas mãos pequenas. Deu um grande suspiro, o silêncio do incompetente soldado o deixando cada vez mais indignado e irritado. O plano, até agora, estava indo perfeitamente bem, até que, é claro, alguém da própria dinastia dos Jackson tinha que estragar tudo. E era pra isso que ele estava ali, pelo amor dos deuses, para evitar que isso acontecesse. E, Zeus, ele se detestava tanto no momento, porque ele nunca quis ser Rei. Só havia levado seu exército até Casa do Tridente para fingir estar na disputa quando, na verdade, tinha uma aliança extensa e benéfica com os sátiros e as criaturas mágicas, e enquanto eles estavam fazendo seu trabalho muito bem, ele estava perto de ter ferrado um dos planos mais bem traçados existentes. E não, ele não podia deixar isso acontecer. Teria que consertar tudo rápida e agilmente, ou seu objetivo estaria perdido: ter certeza de que Casa do Tridente tivesse o exército mais forte do reino e que, no fim de toda aquela loucura, Perseu ainda tivesse o herdeiro, a esposa e a Casa magnífica.

- S-Senhor. – O soldado finalmente gaguejou, e limpou mais uma vez o rosto gordo com o lenço azul. – Acredito que... Quíron saiba o verdadeiro motivo de nossa estadia aqui. Nenhum dos criados de Casa do Tridente nos avisou, senhor, juro... Os conselheiros foram discretos na decisão de propor outro casamento para Perseu.

- Quíron? – Nico murmurou, incrédulo. – Aquele vagabundo sabe muito bem o que estamos fazendo aqui, e se não fosse pelo meu exército, a preciosa Annabeth estaria morta, ouviu, MORTA. E é assim que ele retribui? Sem ao menos nos avisar que podemos jogar a menina do penhasco, porque o garanhão Jackson vai se casar com outra?!

O soldado não respondeu. A única coisa que passava pela cabeça do homem era como ele tinha seis crianças para alimentar, e que se perdesse o emprego por causa de um motivo que nem havia sido sua culpa, ele e a família passariam fome e possivelmente teriam que vender todas as posses para sobreviver. Mentalmente, fez uma prece aos deuses para que Nico fosse misericordioso. Era um bom chefe, ah, se era; muito inteligente, muito, e especialista em guerra apesar de muito novo. Mas deuses, oh deuses, quando ficava nervoso... Parecia Zeus em seu pior dia de tempestade, um verdadeiro furacão.

- E o que deseja fazer, senhor? – o humilde homem perguntou então, sabendo que mimá-lo era a única maneira de ao menos tentar reparar o erro era ao menos parecer interessado no próximo plano que o jovem fosse traçar.

O rosto de Nico suavizou-se, e ele demorou a responder novamente. Quando o fez, seus olhos negros estavam cheios de intriga, mas também possuíam um brilho de determinação que nunca o deixava desde seus tempos de menina.

- Mande uma mensagem aos sátiros. – Nico murmurou. – Avise-os para adiantar a porcaria do plano. Se Annabeth Chase é a única que pode salvar Charles, que seja feito logo, antes que o idiota do Castellan passe a perna em Perseu. Não podemos deixar que isso aconteça, de maneira alguma, nem que eu tenha que botar sonífero na bebida daqueles malditos, até que retornem com a moça.

- Mas e com relação ao novo casamento? Certamente vai começar a ser arranjado logo –

- Mate-as. – Nico murmurou. – Mate qualquer garota que visite com pretextos de ser apresentada a Perseu em termos de casamento. Com veneno, com espadas, um punhal, eu não ligo. Só seja discreto.

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A caixa de música vermelha, enfeitada de rubis e revestida internamente de veludo, foi colocada no topo da mesa de trabalho de Luke Castellan em seus aposentos de convidado em Casa do Tridente. Rachel nunca havia gostado de vermelho, provavelmente porque era a cor de seus cabelos que a fizeram ser possuída por um homem vil sua vida toda. De qualquer forma, um criado havia chegado pela manhã, depositado a caixa na mesa sem olhar para ela e saído. Rachel, no entanto, sabia que havia uma carta amarrada junto à caixa de música, mas não podia imaginar de quem fosse. Pelos últimos quatro meses, seu dever ali foi servir de saco de porra para Luke Castellan. Sabia que o homem de poder queria engravidá-la, e depois de tantas semanas de sofrimento, havia funcionado: ela agora carregava seu bebê fazia cinco quinzenas. Os empregados e nobres de Casa do Tridente não sabiam de sua existência, e possivelmente não saberiam até que Luke se decidisse se iria tê-la como esposa ou não.

Acariciou a pequena barriga, hesitante.

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- Não respire. – Annabeth sussurrou para o sátiro Yan, que estava ajoelhado do seu lado. – Eles podem ouvir.

Os arbustos eram altos, mas não tão altos. Estavam nos bosques do Leste, e, afinal, um encontro errado, na hora errada, com uma criatura errada podia colocar todo o plano e a estratégia em perigo. Annabeth respirou fundo, sentindo o corte cicatrizado sobre seu osso entre os seios latejar como num mártir. Aumentou seu aperto sobre o arco em sua mão direita, a esquerda já silenciosamente indo por trás de suas costas para agarrar uma flecha. Seus movimentos foram interceptados quando os sátiros e ela conseguiram escutar o barulho das patas do bicho o levando para longe. Ao mesmo tempo, todos se levantaram de dentre as plantas, e ela deu um suspiro de alívio. Tudo que não precisavam era de mais carne – mais peso – para levarem na longa jornada até perto dos mares do Leste, aonde resgatariam Charles como heróis ou morreriam como impostores.

Já fazia três semanas desde que partiram da Vila dos Sátiros com armas, comida, água e outros mantimentos, mas, principalmente, com determinação. Na maior parte do tempo, Annabeth tinha raiva, muita raiva, e era só esse sentimento que fazia com que ela ficasse ainda mais disposta a ajudar os malditos sátiros. A cada passo que davam, ela sentia o familiar cheiro de Casa do Tridente, e estava mais perto dos braços do marido e do aconchego do filho. Evitava pensar em Percy e em Zachary, apenas porque doía demasiado, e honestamente, ela já possuía muita dor no peito e mais um pouco dela e Annabeth não aguentaria. Em seu íntimo, não lhe agradava a ideia de estar sendo movida por nervosismo, mas ela tinha seus próprios motivos: tudo que ela amava havia sido arrancado dela por motivos políticos, coisa que nunca gostara. Na verdade, antes de se casar com Perseu, detestava tanto a ideia de um casamento arranjado que considerou fugir de casa quando o senhor seu pai a comunicou que ela havia sido a escolhida do herdeiro de Casa do Tridente. Irônico era que lá era o único lugar que ela queria estar no momento.

Mas estavam chegando mais perto, ela sabia... Cada dia mais perto.

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Quíron trotou silenciosamente até os fundos do castelo que sediava a Casa do Tridente. Para se tratar de um assunto secreto como aquele, ele precisava ser discreto, coisa que não era fácil para um centauro; de uma forma ou de outra, os seus mensageiros e ajudantes não poderiam esperar, ou essa espera seria fatal.

Depois de passar pelas oliveiras, o cheiro das azeitonas carregadas e gordas fazendo seu nariz incomodar-se, não demorou a que entrasse no pequeno esconderijo entre as árvores, ocultado pelas folhas e frutos; todos se silenciaram quando ele apareceu ao sopé da casa. Alguns até ajeitaram a postura.

- Caros amigos – Quíron começou. – Agradeço por terem se voluntariado. Essa missão levará tempo, e se não formos cuidadosos, iremos presos e até condenados a morte. Peço que, se, algum de vocês senhores mudou de ideia, por favor, saia agora.

Como esperava, ninguém se mexeu. Eram espertos demais; sabiam que, se saíssem Quíron mesmo teria certeza de que eles seriam mortos para que ninguém soubesse do plano. Ao menos o fato de que nenhum deles havia mudado de ideia significava que eles eram homens e indivíduos honestos, confiáveis. Se não fossem, a lâmina de uma espada iria fazê-los corretos, ao menos.

- Bom, como já sabem, Perseu ainda está hesitante sobre casar-se com outra moça, como eu previ. – Ele disse, sério, encarando os olhos de cada um dos homens. – De qualquer forma, Nico Di Ângelo ainda tem os sátiros mantendo Annabeth em segurança e sobre custódia, e sabemos muito bem o que querem fazer. Não posso permitir. Por isso que, na manhã da próxima quinzena, partirão em direção ao Leste. Encontrem os sátiros e matem-nos, ou não, não me importo. Mas assassinem a garota, e pelo amor dos deuses, tragam o corpo dela. Esta é a única maneira do garoto ver que precisa desposar outra moça.

Notas finais
Olá, meninas.
Gostaria de avisar que fiz esse capítulo pequeno propositalmente. Não recebi muitos reviews no ultimo capítulo e fiquei magoada, honestamente, principalmente porque foi um capítulo MUITO importante. Eu detestaria ter que deletar a fic.
Espero que tenham gostado desse.