Vítimas Das Circunstâncias
7 Louco
06/02/2016
Sábado
00:16
Marcelo
Mike, Fernanda e Lucas estavam mantendo as pessoas longe do corpo, Guilherme e Gustavo levaram o Mateus até o carro e decididos que não podíamos ir embora até a polícia chegar, Ana ainda estava chorando ao lado do irmão e eu estava sentado na calçada sem saber o que fazer ou como me sentir. Meu telefone tocou. Era o Giovane.
— Alô?
— Cara, o que aconteceu? Todos estão bem?
— Estão, como você sabe que aconteceu alguma coisa?
— Tem vídeos e fotos de vocês em todas redes sociais, na verdade desde o primeiro dia tem, mas hoje tem muito mais.
— Espera, como assim desde o primeiro dia?
— Achei que você sabia, quando descobriram que estávamos ligados ao assassino várias pessoas tiram fotos, gravam vídeos ou fazem “snap” do nosso dia a dia.
— Eu não sabia disso, mas não importa. Acabou.
— Você não acredita nisso, acredita?
— O que isso quer dizer?
— Nos filmes o primeiro assassino nunca é o certo, ou se é tem sempre o segundo e normalmente é agora que o banho de sangue começa. Pensa comigo, até agora ele foi calculista, matou duas pessoas e não foi pego e ainda deu um jeito de te colocar nas duas cenas do crie, para mim não faz sentido ele ser pego assim de surpresa.
— Faz sentido...
— Posso estar errado, vamos ter que esperar e descobrir. Só uma dica: desconfie principalmente de todos que não estão na festa, mas também desconfie de quem está aí.
— Tenho que ir, o Detetive Kauan Chegou.
— Até.
O Detetive foi primeiro ao corpo, Ana não protestou quando ele colocou a máscara em um saco plástico de perícia.
— Alguém ferido? — Ele perguntou se aproximando.
— Não, tirando a garota, claro.
— Como seus amigos estão?
— Vão ficar bem, eu espero.
— Talvez não tenha acabado, infelizmente é uma possibilidade que precisamos colocar na mesa.
— Eu sei, só queria fazer alguma coisa para ter certeza.
— Vá para casa e espere uma ligação — Ele riu.
— Ótimo momento de humor.
— Vou resolver isso aqui, fique com seus amigos hoje.
— Ok.
Convidei todos para dormirem em casa, Ana disse que não, mas a convenci de ir dormir pelo menos na casa de uma das meninas, Mike e Fernanda acharam que ia ser muito esquisito dormir na minha casa sem me conhecer direito. Acabamos só eu, Lucas, Mateus, Gustavo e Guilherme.
08:16
Entrei na sala de jantar, todos estavam sentados nas cadeiras com o pescoço sangrando. No final da mesa o assassino estava sentado com a máscara suja de sangue. Acordei, provavelmente gritando já que Lucas entrou correndo no quarto.
— Tudo bem?
— Só um pesadelo, volte a dormir.
— Gostaria, mas seu amigo não para de fazer barulho com as garrafas.
— Quem?
— Mateus.
Fui até a cozinha, nem olhei para a sala de jantar, ele estava sentado no chão com várias garrafas de cerveja e outras bebidas espalhadas perto dele.
— Um pouco cedo para beber, não acha?
— Já sou maior de dezoito então cale a boca — Ele tentou levantar e não conseguiu.
— Não precisa ser ignorante.
— O que está acontecendo? — Guilherme entrou na cozinha.
— O que está acontecendo — Mateus conseguiu se levantar dessa vez — É que por causa do Marcelo eu quase morri ontem, e até agora não escutei um pedido de desculpas desse desgraçado.
— Eu não coloquei todos nessa situação de propósito, quer saber, não vou discutir com você bêbado uma hora dessa da manhã.
— Lá vai ele fugindo do problema mais uma vez!
Me virei com a intenção de dar um soco nele, mas Lucas me segurou, Mateus também veio na minha direção quando viu que eu queria brigar e Guilherme entrou no meio e o segurou.
— Eu espero que tenha mais um lá fora e que ele te mate! — Mateus Gritou.
— Vamos sair daqui — Guilherme saiu puxando ele pelo braço.
— Ele está bêbado — Lucas falou.
— Eu sei, é que isso não tira a razão dele sobre eu ser o culpado disso tudo.
— Outra vez essa coisa de sua culpa, já ficou claro que esse é o jogo de quem está atrás da máscara.
— Eu sei, preciso fazer alguma coisa que me distraia.
— Falando em distração, que tal uma entrevista com o jornal local?
— Oi?
— Eles mandaram um e-mail perguntando se a gente poderia dar uma entrevista sobre o máscara de porcelana. E eu já falei que íamos, eles pagam bem e já que está temporariamente desempregado.
— Não sei...
— Vai ser divertido
— Tenho que fazer alguma que tire minha cabeça de tudo isso.
— Isso!
— Vou ver se o Gustavo ainda está na sala.
Ele não estava então mandei uma mensagem.
“Foi embora com os dois? Responda ou vou até sua casa. ”
“Sai mais cedo, precisava processar tudo o que aconteceu ontem. “
14:54
O estúdio de gravação era no centro da cidade, Lucas falou que tínhamos um local reservado no estacionamento, que era subterrâneo.
— Serio? — Falei enquanto procurávamos a vaga,
— Ele já pegou o Vinicius em um estacionamento, se estiver a solta não acho que vai repetir os sequestros.
Meu celular tocou com uma mensagem, estendi o braço para pegar, mas hesitei.
— Não vai ser o assassino, temos que acreditar que acabou.
— Estou tentando. — A mensagem era do Detetive.
“ Alguma ligação? “
“ Não. “
Coloquei no bolso.
— Vamos acabar com isso. — Abri a porta.
Pensamos em ir de elevador, mas o corredor estava cheio de pessoas e pensei naquilo que Giovane me disse.
— Vamos de escada.
— É no decimo andar.
— Não importa.
— Não é tarde para tentar ser saudável?
— Quero evitar os celulares.
— Qual é a sua com celulares desde ontem?
— Giovane me falou que pessoas estavam postando sobre a gente nas redes sociais talvez é assim que ele encontra a gente.
— Primeiro: Você falou no presente, o certo é ele achava a gente, segundo: achei que você sabia das fotos, meu número de seguidores subiu igual um foguete nos últimos dias.
— Não sabia e nem considerei essa opção.
— Chegamos.
O andar foi reformado para ter o cenário, o lugar de maquiagem e uma pequena recepção que era só uma garota em uma mesa com um computador.
— Boa tarde. — Tentei chamar a atenção da garota.
— Boa tarde, o que deseja- — Ela finalmente olhou na nossa direção — Ah! Venham por aqui.
— Somos famosos! — Lucas sussurrou.
— Quieto.
— Vamos primeiro na maquiagem para ver se vocês precisam de algum retoque. A senhora Rebeca já está chegando.
— Tudo bem.
A outra garota da maquiagem falou que precisávamos de só um tipo de pó por causa da iluminação e logo depois começou uma conversa com Lucas que não tive paciência para acompanhar, quinze minutos depois uma mulher alta, loira com uma presença marcante entrou no andar, ignorou a garota da recepção e veio na minha direção.
— Muito bom te conhecer — Ela estendeu o braço para um aperto de mão.
— Prazer é meu — Apertei a mão dela.
— Você deve ser Lucas. — Ela tinha um sorriso no rosto que não consegui descobrir se era falso ou ela estava realmente contente em nos ter no programa.
— Vamos começar?
— Vamos.
15:30
Rebeca
— Boa noite, estamos aqui hoje com dois dos alvos do assassino de porcelana que aterrorizou nossa cidade.
— Boa noite. — Os dois responderam como os instrui.
— Marcelo, o alvo principal era você, certo?
— Sim.
— Como foi ser o responsável por tudo isso. — Ele mudou a expressão calma para terror. Ótimo.
— Bem, muitas pessoas acham que eu sou o responsável ou o culpado, mas vamos lembrar que não era eu que corria por aí com uma faca.
— Entendo. — Ele é bom — Graças a Deus tudo acabou ontem com um tiro disparado por uma pessoa que não estava na lista, como se sente?
— Para falar a verdade, Mike, que atirou, ele estava na lista só que entrou um pouco depois.
— Como assim um pouco depois?
— O assassino tinha essa coisa — Lucas entrou na conversa — Se você falasse com Marcelo existia a chance de acabar entrando na lista, comigo foi assim.
— Então por estar fazendo essa entrevista posso acabar sendo um alvo?
— Não, já que ele está morto.
— Marcelo, você acha que acabou? — Ele respirou fundo antes de responder.
— Sendo sincero. Não, mas quero muito que esteja errado.
— Interessante, vamos supor que ele assista essa reportagem, tem alguma coisa que gostaria de falar?
— Tenho. Se estiver assistindo pare de jogos e venha direto até mim. Vamos terminar isso, ninguém mais precisa morrer.
Depois as perguntas eram a de praxe para qualquer entrevista e os dois sempre davam respostas vagas, tirando a primeira parte não consegui mais nada bom, mas não ia desistir.
17:00
Lucas
Rebeca nos avisou que a entrevista ia ao ar na segunda-feira e até lá não poderíamos falar para ninguém, ela também deu o número para Marcelo, tentei fazer uma piada com isso, mas ele não estava no clima. Quando chegamos na casa dele fui dar uma olhada no meu e-mail e tinha convite de outros programas e até alguns de rádio, uns pediam exclusivamente pela presença do Marcelo e outro pediam só o máximo de pessoas na mira possível, peguei o celular dele para ver os números dos outros e perguntar se eles estavam dispostos. Quando me dei conta uma hora e meia tinha se passado e Marcelo estava dormindo na sala, perto do telefone fixo. Fui até o quarto pegar uma coberta para ele.
12:00
Ana
Revirei o quarto do meu irmão, tirei o colchão, joguei todas as roupas no corredor, olhei todas as gavetas e não achei nada que ligasse ele com as mortes, o computador dele não tinha senha olhei todas as conversas e também não tinha nada. Peguei meu celular e liguei para o Maldito Detetive.
— Alô.
— Olhei em todo canto e não achei nada, eu sei que o que todo mundo quer é que tudo acabe, mas não faz sentido.
— Calma.
— Não, ele era meu irmão e se ele matou trinta e duas pessoas ele mereceu o que aconteceu ontem, só não faz sentido ele não deixar nenhuma pista, os assassinos não têm um lugar sinistro com a foto dos seus alvos?
— Seu irmão não ia fazer o covil no quarto dele, faria?
— Acho que não.
— Já colocamos pessoas para rastrear todas as transações de cartões dele, os lugares do GPS entre outras coisas, então se ele alugou algum lugar ou se visitou um lugar desconhecido muitas vezes nós vamos descobrir, e assim que soubermos de alguma coisa eu te ligo, até lá relaxe.
— Fácil falar. — Desliguei e comecei a chorar no quarto bagunçado naquela casa agora vazia.
13/02/2016
Sábado
11:27
Lucas
Ficamos a semana inteira com entrevistas marcadas no período da tarde, Marcelo não poderia ir a noite porque tinha voltado para a faculdade, os outros sempre passavam ali como se a amizade não tivesse esfriado nos últimos anos. Kauan ainda estava na cidade já que oficialmente a investigação não tinha terminado, Marcelo ficou um pouco distante a semana inteira e o mais esquisito: ele ainda não ligou para a mãe. Decidi que era hora de conversar sério com ele.
— Se estiver nu, se cubra — Falei abrindo a porta do quarto.
— Oi — Ele estava sentado na cama com uma pilha de livros.
— Não é cedo para provas?
— Tenho que ler o que perdi na primeira semana, parece que os professores não aliviam mesmo que você seja caçado por um doido de máscara.
— Maldita faculdade, mas falando sério, está tudo bem?
— Está.
— Isso aqui é um lugar seguro, o que falar não vai sair daqui. Pode confiar em mim.
— Acho que estou ficando doido, desde sábado fico esperando o celular tocar e toda vez que isso acontece fico um pouco decepcionado por não ser o assassino.
— Não é aquela coisa de culpa de sobrevivente?
— Não é outra coisa, Mateus desde o dia que quase foi morto não para de beber, ficar perto dele na faculdade é quase insuportável, isso quando ele aparece.
— Quer dizer que é melhor ter um assassino a solta colocando seus amigos em perigo do que todos estarem seguros, já se passou uma semana, por que ele esperaria todo esse tempo?
— Bom, da última vez ele esperou quatro anos até eu entrar na faculdade.
— Eu sei o que vai curar esse sentimento de perseguição.
— O que?
— Transar com aquela jornalista, Rebeca.
— Não seja idiota.
— Ela deu o número dela e não foi à toa, não vai machucar sair com ela.
— Ela está esperando uma entrevista.
— Perto o suficiente, liga e marca alguma coisa ou eu ligo.
— Depois, me deixa estudar.
— Até duas Horas. — Sai do quarto.
12:28
Kauan
Os cartões não mostraram nada demais, nenhum gasto regular por mês e nem uma retirada mensal, o carro também não foi em lugares estranhos, o lugar mais visitado era o cemitério onde a mãe de Daniel estava enterrada, ele estava completamente limpo e isso era ruim, muito ruim.
19:22
Marcelo
Liguei para Rebeca e combinamos de nos encontrar as oito, seis e meia recebi um e-mail de um dos professores perguntando se podia passar na faculdade só para pegar uns livros da matéria dele, achei um pouco estranho, mas falei que ia, a sala dele era no terceiro andar do bloco, estacionei na frente, era estranho aquele lugar tão vazio, enquanto subia as escadas meu celular vibrou com uma mensagem, provavelmente Receba respondendo a mensagem que mandei falando que ia chegar atrasado, como vibrou uma segunda vez resolvi olhar, duas novas mensagens, uma dela e outra de número desconhecido.
“ Acho que está atrasado nessa aula. “
Corri até a sala do professor, na porta da sala já senti o cheiro inconfundível de sangue, abri e ele estava caído, sangrando, mas ainda vivo.
— Me ajude. — Ele tentou dizer.
— Vou ligar para ambulância. — Meu celular estava sem sinal — Vou ter que sair para conseguir ligar, já volto.
Desci correndo, pulando de dois em dois degraus, quando cheguei na porta do prédio ela estava trancada, merda, meu celular vibrou. Era ele.
— Desgraçado.
— Sentiu minha falta? — Ele disse com aquela maldita voz.
— Por quê esperou todo esse tempo?
— Achei que seria bonito recomeçar no mesmo dia que vocês mataram o pobre Daniel e acharam que tinha acabado.
— Espera, você não chamou ele de parceiro.
— Se ele não era meu parceiro não vejo motivo para chamar. — Ele riu.
— Está mentindo.
— Talvez, agora vamos ao que interessa. Todas as portas de saída estão trancadas, se decidir deixar o professor morrer te falo onde encontrar uma chave que abre uma porta, se decidir que vai ajudar o professor vai ter que achar a chave sozinho e claro vou te matar.
— Achei que eu deveria ser o último a morrer.
— Não foi você que disse na entrevista que devia ir atrás de você e acabar com tudo? E então como vai ser?
19:30
Kauan
Policial Ferreira entrou na minha sala sem nem bater, ele segurava um celular, era um vídeo que mostrava do ângulo de uma câmera corporal pessoas sendo esfaqueadas, cortadas entre outras coisas, percebi que era sobre nosso assassino, depois o vídeo mostrava a morte de Felipe e Neto e no fim a tela ficava preta e aparecia a mensagem escrito “ Ainda não acabei com eles”
— Ligue para todos, quero eles aqui. — Falei.
— Já ligamos, mas Marcelo nem responde o celular.
— Droga.
19:43
Lucas
Após ver o vídeo tentei ligar, mas caia direto na caixa, não sabia em qual restaurante ele ia se encontrar com a Rebeca e nem se ele já tinha visto o vídeo, os outros mandaram mensagens perguntando se sabia onde ele estava e o que fazer sobre isso, fui até a casa da Ana, o portão estava aberto então fui entrando, ela estava na sala sentada na frente do computador assistindo o vídeo em loop presumi.
— Ana — Ela se assustou — Eu sei que você não gosta de mim, mas o Marcelo estava em um lugar não muito bom na cabeça dele e se ele ver esse vídeo vai surtar, preciso que me leve até ele.
— Esse vídeo é a prova que não foi o Daniel, certo?
— Desculpa, mas esse vídeo só prova que não foi ele sozinho.
— Já é o suficiente, vamos procurar ele.
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