Vítima.

12 E Vem a Festa.


Marcela conseguiu entrar na festa de Ângela Machado, pois ela tinha informações privilegiadas que ela precisava dar a ela, mas antes ela daria uma circulada, ela sabia que tanta gente que se odeia reunida, alguma coisa aconteceria. Estar na mansão de Ângela naquela noite era o mesmo que nadar em águas rasas repletas de tubarões. A informação era importante e poderia salvar a vida de Ângela, mas para Marcela, nada era mais importante que sua carreira.

Carolina foi tomada pelo ódio quando viu Laura entrando na festa, Fabrício notou que Carolina iria investir contra Laura e que isso não terminaria bem, porém Laura fez questão de provocá-la, foi cumprimentar a todos perto de Carolina, então pela primeira vez na noite, Carolina saiu de perto de Laura para evitar uma briga ali no meio. Só que ela acabou indo parar no pior lugar que poderia. Ela entrou em uma antessala que havia e então viu de canto de olho seu pai e Maria de Fátima se beijando, porém os dois se largaram no exato momento em que ela entrou. Carolina ficou chocada e colocou as mãos sobre a cabeça.

— des.. desculpem, eu já estou de saída – disse Carolina virando-se em direção a porta.

— meu Deus e agora Fátima? — disse Arnaldo demonstrando estar assustado – não era pra ser desse jeito.

— deixa que eu vou falar com ela – Fátima ficou com ódio – como pudemos fazer uma burrice dessa também? Droga!

Fátima saiu da sala e olhou pelo salão, tentando achar Carolina que havia sumido no meio da multidão e ela entrou atrás de Carolina, que havia ido ao bar pedir mais um drink.

Carolina estava segurando uma taça de dry martini quando esbarrou em Laura pela segunda vez. Já estava um pouco alta e chocada, ficou tomada pelo ódio mais uma vez, ela olhou bem no fundo dos olhos de Laura deixando claro seu descontentamento em vê-la, então Renato a pegou pelo braço e disse em seu ouvido “não vale a pena amiga, não aqui”. Renato que insistiu em ir na festa, mesmo depois de todos os lamentáveis eventos no aparthotel, e levou Carolina para longe de Laura para evitar uma possível briga. Carolina saiu de perto pela segunda vez e Laura abriu aquele sorriso de deboche que Carolina tanto odiava. Ela tomou mais um gole de seu drink.

“O que houve Laura?” perguntou Branca ao cruzar com Laura, que apenas respondeu “essa garota é louca, não aceita o fato de o Fabrício ainda me amar” e deu uma gargalhada, Branca segurou a garota pelo braço e disse “hoje não Laura, você tem meu apoio, mas hoje não. Essa garota além de barraqueira está bêbada.”. Por mais que Laura insistisse nessa história de amor de Fabrício por ela, ela sabia que seu filho não amava Laura, mas ela usaria Laura para separar Fabrício de Carolina. Laura então voltou a gargalhar e saiu “no que depender de mim sogrinha, essa noite vai ser inesquecível”. Laura saiu gargalhando. Branca acendeu um cigarro e do meio da multidão fitou a porta “isso não pode estar acontecendo!”. A raiva tomou conta de seu corpo do ver Letícia entrando na sala. “Hoje essa piranha me paga”, e ir em direção a Letícia. Quando ela chegou perto, pegou Letícia pelo braço e a levou para uma sala antessala onde não havia ninguém.

— o que você quer aqui sua maldita?

— Branquinha minha amiga, eu vim me divertir ué, nunca fui de perder uma boa noitada! Lembra-se do presente que eu te dei na última das minhas noitadas com você?

O corpo de Branca congelou, ela sabia que aquele pesadelo nunca acabaria, ou ela contaria seu segredo ou ela seria refém de Letícia para o resto da vida, ou pior: ela teria que matar Letícia, o que ela vinha pensando em fazer desde a tarde em sua sala quando ela viu o revólver dentro de seu cofre.

— eu já te dei dinheiro e tudo o que pude fazer por você, mas agora eu não posso mais fazer nada! Você sabe que não tenho como reacender sua carreira você está…

— cala a boca dondoca de merda! — Letícia tinha mudanças muito bruscas de humor, o que sempre assustou Branca, e Branca notou marcas em seu braço que mostravam o uso de heroína. Letícia estava sob o efeito da droga naquele momento – se me chamar de velha eu acabo com a tua vida aqui mesmo! Você vai se arrepender de ter virado as costas pra mim depois de tudo o que eu fiz por você!

Letícia virou-se e saiu, deixando Branca falando sozinha.

Maria de Fátima ficou assustada ao ouvir Branca dizer aquilo enquanto ia em direção a Letícia. “De quem será que essa maluca tá falando?” ela disse a Arnaldo. Ela pegou uma bebida e entregou para Rubens e deu um sorriso discreto em direção a ele “vou circular pra ninguém desconfiar” Rubens sorriu em retorno e foram cada um para um lado, Fátima então encontrou Carolina e foi em sua direção.

— Carol, posso falar com você um instante?

— Primeiro que Carol é pra íntimos, pra você é Carolina, dona Carolina de preferência, e segundo que some da minha frente ou agora mesmo eu chamo a minha mãe e acabo com a tua farsa, sua nojenta! Minha mãe confia em você e você faz uma cachorrada dessas com ela?

— mas Carolina, sua mãe também não é tão inocente assim, você não sabe que…

Carolina segurou Fátima pelo braço e apontou em sua cara.

— lava essa tua boca e pensa bem antes de falar alguma coisa da minha mãe ou eu esfrego a tua cara no asfalto sua cadela! A amante aqui é você, desaparece da minha frente! — ela empurrou e perto dali, Marcela viu a cena e pegou seu celular do bolso.

Antenor foi em direção a Letícia e segurou seu braço com força “suma daqui, para o seu próprio bem, Branca está de péssimo humor hoje”, Letícia soltou o braço em um movimento brusco e vociferou em direção a ele “quem tem medo da sua mulher aqui é você, não eu” e saiu andando em meio a multidão. “Quem é aquela mulher?” Perguntou Fabrício ao pai?” “um desafeto de sua mãe” disse Antenor ao filho “mas e sua mulher, a Carolina, está muito brava por Laura ter aparecido?” “sim, ela está borbulhando de raiva” disse Fabrício “por falar nisso, vou atrás dela” disse ele dando um tapinha nas costas do pai e entrando no meio da multidão.

No andar de cima, Ângela havia acabado de chegar em seu quarto, pois o garçom havia lhe dado um bilhete em que alguém pedia para vê-la, pois era muito importante. Quando ela chegou, deparou-se com Marcela, a jornalista de fofocas que ela tanto detestava.

— posso saber a que devo a desonra da sua visita? — Ângela estava um pouco bêbada.

— Ângela, olha só, é muito importante que você preste bem atenção no que vou te dizer, sua vida corre risco! Eu vim te alertar que…

— corre risco mesmo – ela deu mais um gole em seu uísque – daí você vem aqui e me salva né usa cadela oportunista! Vai fazer o que? Tentar arrancar alguma coisa de mim pra colocar naquele teu jornalzinho de merda que se torcer escorre sangue? Suma daqui! Se eu soubesse que essa merda de bilhete era seu, eu nem me dava ao trabalho de subir aqui, some da minha frente!

— Ângela, eu vim aqui te dar uma informação importante e você me chama de cadela oportunista? — Marcela pegou sua bolsa e foi em direção a porta e virou-se para Ângela – espero sinceramente que você me renda muitas vendas de jornal, porque se for verdade o que eu sei, você vai ser o furo da noite – então ela saiu do quarto de Ângela.

Ângela ela então tomou o último gole do uísque em seu copo, secou as lágrimas e disse a si mesma “filho da puta nenhum vai estragar minha noite”. Ela ainda estava muito mals com toda a situação entre ela, Renato e Ricardo, pois ela gostava demais deles, mas então ela se olhou no espelho que havia em seu quarto e arrumou seu vestido que estava um pouco amarrotado sob sua perna. Ela estava um trapo, havia chorado bastante, mas como dona do evento ela não deixaria ninguém notar. Ela decidiu descer e divertir-se como nunca antes, porém no corredor ela deparou-se com Branca no corredor.

— pode se saber o que você está fazendo em uma área da minha casa a qual você não foi convidada? — Ângela estava farta de incomodações.

— você acha que eu não sei que foi você? — Branca tinha ódio no olhar – a mais de vinte anos que eu estou reunindo forças pra te enfrentar e agora eu tenho forças, sua maldita! Eu sei que foi você quem arruinou a minha sessão de fotos, eu sei que foi você quem me dopou naquela noite sua infeliz!

— e você acha que eu não sei que foi você quem matou a Guilhermina, minha querida?

— o que? — Branca ficou congelada – nunca mais repita um absurdo desses!

— você sabe que não socorrer uma pessoa a beira da morte pode até ser considerado assassinato nesse país, eu posso te destruir, eu faço toda a mídia inteira desse país se virar contra você.

— você é louca? — Branca havia ficado mais preocupada do que o normal perto de Ângela, ela não fazia ideia que Ângela sabia de alguma coisa – isso foi a mais de vinte anos, mesmo que você conseguisse criar um caso com isso, a lei está do meu lado, eu não estava dirigindo aquele maldito carro, ela morreu em um acidente, sua cadela imunda!

— a lei nesse país não chega nem perto de gente como nós querida, eu vou te destruir do único modo que se destrói gente rica nesse país – Ângela mudou a expressão de deboche para uma de ameça – eu vou fazer a mídia desse país ficar inteira contra você. Eu te demito da revista, eu garanto que você nunca mais vai arrumar nada e farei questão de te ver tento que penhorar os dentes e as unhas pra ter um pão no fim do dia pra comer. — Ela aproximou-se de Branca olhou fundo em seus olhos – você nunca teve peito para me enfrentar, não pense que agora você é mulher pra isso.

— pois então se prepare sua desgraçada, eu vou te mostrar que eu sou muito mais mulher do que você pensa, sua imunda! — Branca virou-se e saiu, deixando Ângela para trás. Uma lágrima de ódio escorreu pelo seu rosto, e ela secou com tanta força que poderia ter arrancado um pedaço da pele do rosto.

Marcela estava com seu celular fotografando a tudo e todos, seu faro de jornalista lhe dizia que alguma coisa faria com que aquela festa fosse inesquecível e, evidentemente, alguma coisa seria captada por suas fotos. Ela postava fotos nas redes sociais e não havia bebido uma gota se quer de álcool para ficar sóbria, pois queria pegar tudo quando acontecesse. Ainda mais porque estava na festa Ricardo, o modelo preferido da revista e ela sabia de seus segredinhos sujos. “Esse ai vai me dar o furo da noite, tenho certeza”, e Ricardo estava em uma movimentação muito estranha durante a noite toda, como quem se esquiva de alguma coisa, fazendo o máximo possível para não ser notado, ele apenas conversava com algumas modelos com as quais ele havia trabalhado e com Renato. Maria de Fátima esbarrou em Marcela e desculpou-se “vadia, presta a tenção onde anda!” pensou Marcela que olhou para Fátima e sorriu. Fátima pensou “sai da minha frente monte de estrume!”, ela olhou para Marcela e retribuiu o sorriso desculpando-se, porém quando ela olhou para frente, congelou. Fátima viu Carlos em um canto da sala fumando um cigarro e olhando em direção a multidão, “o que ele está fazendo aqui?!” pensou apavorada. “Tudo bem querida?” perguntou Marcela, Fátima apenas respondeu “acho que esqueci o forno ligado antes de sair de casa” e saiu andando. “Essa piranha pensa que me engana” pensou Marcela, pois ela notou que o temor de Fátima foi ao olhar para Carlos. “Quem é aquele? Vou descobrir” falou Marcela ao começar a andar em direção a ele.

— Prazer, Marcela – disse Marcela sorrindo e oferecendo um drink para Carlos – uma rosto novo por aqui.

— é, eu sou novo aqui mesmo – Carlos achou que Marcela apenas queria sair com ele – prazer, Carlos.

— você é conhecido de alguém daqui ou é modelo novo da revista?

— sou conhecido da Fátima, secretária da granfina lá de cima – ao perceber que talvez estivesse falando demais, ele parou – vou dar uma circulada.

— me passe seu telefone – ela sorriu gentilmente para Carlos, ela sabia que sendo convidado da Fátima, boa coisa ele não queria ali.

Após o confronto com Branca e Marcela, ela havia voltado a seu quarto mais uma vez para se recompor, então ela decidiu mais uma vez voltar para a festa. Quando abriu a porta, a música estava altíssima, ela sorriu e pensou “amo essa música” ao ouvir This Is What You Came For na voz de Rihanna e andou em direção a escadaria que dava ao andar de baixo da mansão, onde a festa acontecia. Ela notou no corredor uma silhueta que se movimentou muito rápido atrás dela e virou-se para ver, porém por estar alterada por conta do álcool, ela não conseguiu distinguir nada e continuou andando. A poucos metros do topo da escadaria, Ângela é atingida por alguma coisa nas costas, algo perfurocortante lhe penetrou nas costas e ela deu um grito estridente de dor. No andar debaixo, Carolina começou a dar pela falta da mãe na festa, pois ela sempre socializava então ela foi em direção a escadaria que dava acesso ao segundo andar da casa para ver se encontraria a mãe, pois ela estava decidida a contar à mãe o que havia visto no começo da festa. Quando ela chegou ao fim da escadaria ela viu a silhueta da mãe começar a se apresentar no topo da mesma, então Ângela parou no topo de escada, olhou fixamente para a filha que também a olhou e notou algo estranho em seu olhar, então Carolina ficou apavorada, ela notou um filete de sangue escorrendo pela boca da mãe e então, no mesmo instante em que Carolina colocou a mão sobre a boca demonstrando seu choque, Ângela despencou escada abaixo e rolou até os pés de Carolina.

A música parou, Carolina gritou com toda sua força e estabeleceu-se uma pandemônio na casa, começou uma correria, uma gritaria.

Ângela Machado estava morta.

Marcela olhou em volta, tentando ver se reconhecia algum rosto conhecido, porém todos os principais personagens daquela noite, a exceção de Carolina, todos haviam sumido naquele instante, então ela foi andando em direção ao corpo de Ângela e notou que havia um furo profundo no meio de suas costas, mas não era feito por uma faca, ele havia sido feito por uma tesoura, Marcela sabia que havia sido uma tesoura porquê no exato momento em que ela viu o corpo sem vida de Ângela ela sabia que a informação que possuía estava correta, e nesse instante foi difícil para ela contar um sorriso que surgira em seus lábios. O Assassinato de Ângela Machado era o furo do ano e ela estava ali, diante dos fatos, ela sabia que esse seria o mais importante fato de sua carreira.