Víctimas Del Pecado
12 Dulce - 5
Dulce
Afundei minha cabeça na água confortante da piscina tentando clarear minhas ideias.
Aquele era um jogo e tanto e constantemente precisava rever minhas estratégias, e adiantar algumas jogadas, só que tinha alguns acontecimentos estranhos que eu precisava descobrir o que eram.
Ontem Poncho chegou muito estranho na agência, estava calado demais, pensativo demais e bebendo um conhaque atrás do outro, ele estava inquieto. Quando fui conversar com ele não me contou nada do que lhe afligia. Eu o deixei quieto, por que ele era louco tinha atitudes assim ás vezes, não dessa forma como estava ontem, mas havia. Acontecia isso quando se passava vários anos na prisão.
Porém, na volta do hotel prestei mais atenção em suas atitudes, dessa vez ele não voltou no caminho escutando música e conversando comigo sobre os assuntos da agência, eu era a única que falava ele apenas respondia o que eu perguntava, se limitava a isso. Até deixar de brincar comigo ele deixou, me provocar, tentando me levar para cama. Ele não fez nenhuma insinuação, nada, e isso era estranho.
Quando chegamos no hotel ele foi direto para seu quarto e segundo pude comprovar com a arrumadeira, ele estava bebendo loucamente em seu quarto. Até considerei a possibilidade de deixar de sair aquela noite para saber o que estava havendo com ele, mas deixei essa ideia de lado.
Fui numa festa que acontecia mesmo no hotel, conheci alguns hospedes, dancei com alguns, bebi com outros e só fui para cama com um empresário que estava de passagem, o fato dele se parecer fisicamente com Eugênio era um detalhe que eu deveria esquecer.
Logo quando acordei e deixei o quarto do hospede antes que ele despertasse, fui para meu quarto tomar um banho, me preparei já que não iria para a Agência hoje pegaria uma piscina, quando passei no quarto de Poncho, ele não estava lá.
Passei uma parte da manhã e começo da tarde como agora na piscina e segundo o que me informaram Poncho ainda não voltou, mas o que será que aconteceu com ele?
:- Senhorita aqui está seu suco. – Olhei para o garçom com o meu pedido.
:- Pode deixá-lo na mesa, Bonifácio, — sai da piscina logo pegando uma toalha para tirar o excesso da água com cloro e me deitei na cadeira de sol. – algum sinal de Poncho? – Perguntei para o senhor que me entregou o suco.
:- Não senhorita, de manhã ele ainda ficou um tempo na academia, mas logo saiu de carro. – ele me respondeu sempre gentil.
:- Ok, obrigada se vir ele diga que estou a sua procura, sim.
:- Claro, senhorita, desfrute do suco qualquer coisa me chame. – ele fez uma espécie de reverência e saiu, me fazendo soltar um riso.
Bonifácio era um dos garçons mais velhos desse hotel um dos poucos homens dessa piscina eu não me olhava com segundas intenções, era casado com Joana, que trabalhava como arrumadeira também no hotel, achava bonita a relação dos dois casados há anos e trabalhando no mesmo lugar.
Não era tão estranho morar em um hotel, ás vezes era melhor porque nenhum dia era igual ao outro, descobrir depois por Poncho que ele não pagava nenhuma diária. Um dos donos do hotel usou os serviços de Poncho como administrador e salvou da falência, agora ele e eu moramos aqui e não pagamos por nada era uma troca de favor.
Senti um olhar sobre mim. Aquele que te deixa incomodada, e comecei a procurar de onde vinha, não achei na piscina, nem nas cadeiras de sol próximas de mim. Olhei para a entrada da piscina, onde tinha um acesso à quadra de tênis e vi o cara parecido com Eugênio me encarando de longe. Joguei um sorriso para ele que me devolveu um acesso.
Antes que ele pudesse tomar qualquer atitude, um grupo de rapazes vestido como ele, o puxaram em direção a quadra de tênis.
Eu ri. Olhei para a bandeja que Bonifácio deixou e estranhei que próximo aos guardanapos tinha um bilhete.
Só podia ser ele, agora era frequente entregas de bilhetes assim, antes várias pessoas pediam para os garçons nos entregar, tanto Poncho como eu, claro que é para despistar, só que agora era comum aparecer bilhetes assim de surpresa. Isso mostra que esse caçador está muito mais perto do que esperávamos.
Abri o bilhete e já me irritei antes de começar a ler.
Como anda a sua confiança em seu parceiro? Nunca considerou a possibilidade de que ele possa ser o verdadeiro assassino. Que eu quem estou escrevendo, na realidade, seja o próprio Alfonso.
Caçador.
Parece que o sarcasmo surgiu no vocabulário do caçador e como isso era irritante, era uma forma não só de provocar como também de desestabilizar. Claro que não era Poncho o caçador, apesar da forma estranha como estava agindo de ontem para hoje.
Caçador não seria tolo de revelar sua identidade, porque ele agia as escuras, não gostava de ser o centro das atenções nesse sentido, gostava de manipular, de usar máscaras. Era bipolar, por que sabia que se aparecesse nós o pegaríamos só que alguma coisa me dizia que nós já o conhecemos e ele deve está mais perto do que esperamos.
Estava fervilhando com essas peças do jogo, então voltei para a piscina, lá pelo menos a água fria entraria em contraste com minhas dúvidas sobre o mistério do Caçador. Talvez ele morasse no hotel? Ou trabalhasse na mesma Agencia que Poncho e eu? Ou talvez na minha antiga faculdade?
Antes que eu pensasse mais sobre a dupla personalidade de Caçador, senti duas mãos rondando minha cintura firme e segura do que faziam. O cheiro era dele.
:- Onde você estava? – Perguntei sem conseguir evitar fechar meus olhos, enquanto ele apertou seu corpo junto ao seu. Estava apenas de sunga.
:- Eu precisava sair desse lugar fechado. – A voz dele continuava estranha assim como ontem.
Com custo eu consegui virar para ficar de frente a ele, que sem me deixar pensar, se aproximou e agora me prensava entre seu corpo e a borda da piscina. Podia ver que ele ainda estava estranho, mas o amarelo estava ali nos seus olhos.
:- O que está acontecendo com você? – Me contive quando ele tocou lateral da minha cintura e subiu bem próximo a lateral da parte de cima do meu biquíni, ele estava fogo.
:- Segredo. – disse sério e com a outra mão pegou um punhado de água da piscina e derrubou no meu decote esmagado pelo seu peito, confesso que foi difícil respirar. – Todos têm os seus segredos. Você tem o seu. E eu o meu.
Juro que contestaria essa história de segredo, mas ele grudou a boca no meu pescoço e começou a distribuir beijos e mordidas tão intensas que me deixava desnorteada, especialmente quando suas mãos tentavam tocar meus seios. E minha cabeça se dividiu do lado racional e do lado passional. Meu lado racional me dizia que eu não deveria me importar com ele, tanto faz os segredos que ele guardava, por que eu também tinha os meus. Só que será que esse segredo impede algo de nossa vingança?
Suspirei profundamente quando alguns dedos dele fora para debaixo do meu biquíni.
:- O que você está fazendo? – perguntei num tom que consegui manter controlado, apesar das sensações que sentia. Apesar do quão acesa ele me colocava.
Já tivemos amaços fortes, mas não assim só de biquíni e sunga como estávamos agora que o atrito de nossos corpos estava mais intenso.
:- Nada! – Falou cínico e me prensou mais com seu corpo. E eu começava a sentir o que meu corpo causava nele também. – Sabe no que eu estou pensando agora? – disse voltando a jogar água no meu corpo, mas especificamente meu pescoço onde ele antes dava dose de beijos e mordidas.
Me olhava como se quisesse me devorar.
:- No que? – eu decidi entrar no jogo, esquecendo o bilhete do caçador, do quão estranho ele estava, dos seus segredos e até dos olhares tortos que recebíamos de algumas pessoas que frequentavam a piscina. Muitos desses olhares de pessoas que nós já tivemos. Inveja é foda, literalmente.
Comecei a deslizar minhas unhas em suas costas, vezes fortes para que marcasse, vezes de leve só para provocá-lo assim como ele fazia comigo.
:- Se eu beijar você agora, vai me dar um tapa ou vai me morder? – aproximou a sua boca do meu queixo e falava olhando nos meus olhos, ele tinha um sorriso torto e safado nos lábios, por que independente do que eu fizesse não o afastaria. Não na frente de todas essas pessoas.
:- Porque você não testa e ver por si mesmo? – sei que o provoquei, mas eu estava disposta a encarar as consequências.
E antes de encurtar totalmente a distância entre nós dois, ele sorriu torto, me beijou ou eu o beijei. Tanto faz, eu só estava concentrada nas sensações perigosas que sentia com ele, com seu corpo e principalmente com o que ele fazia. Se eu pudesse presenciar nosso beijo e nos reprovaria com certeza, estávamos certos do que fazíamos, mas beirávamos ao desespero, tornando tudo selvagem.
Porém, como eu não estou presenciando e sim sentindo e melhor fazendo. Dane-se quem pensasse seja lá o que for sobre esse beijo. Dane-se todo mundo. Ele encerrou o beijo antes do real final por que poderíamos ir mais longe, ficamos tão próximos que respirávamos ofegantes e juntos.
Olhando nos olhos do outro.
:- Eu estou com fome. – ele falou num fôlego enquanto sentia eu subir minhas mãos para o seu cabelo e apertar com gosto.
:- Fome? – perguntei só que desviei por um momento para o seu braço que me cercava. Ele estava arrepiado?
:- Isso. De sexo. – Falou baixo, num sussurro para que só eu escutasse, e logo sorriu pra mim. Aquele era o Poncho que eu conhecia.
:- Se você olhar ao seu redor existem vários olhares femininos desejosos sobre você, pode ter qualquer uma dessas mulheres num estralar de dedos, ainda mais depois da cena que nós protagonizamos. – falei divertida observando esses olhares.
:- Eu não sou o único, você também pode ter quem você quiser daqui.
:- Isso é verdade! – Sorri para ele confiante, vendo o cara com quem passei a noite ontem sair da quadra de tênis e me ver com Poncho, sorri para ele e mandei um beijo.
:- Você poderia facilitar as coisas! – voltei a olhar Poncho, voltando a puxar seu cabelo só por divertimento.
:- Se fosse fácil você não me queria tanto, aposto que se tivéssemos transado nas suas primeiras investidas, você não estaria comigo agora.
:- Já disse que com você é diferente! Tenho uma ideia, — por um momento fez uma cara feliz na minha frente. – por que não vamos para meu quarto, fazemos o que eu tanto desejo e se quiser pode pensar que sou um desses caras que você sai de vez em quando.
Eu ri dele parando com o penteado estranho que fazia em seu cabelo.
:- Não viaja! Isso não vai rolar, “esses caras” – fiz menção de aspas – são diferentes de você, temos algo maior que nos une e até posso confessar a você uma coisa – me aproximei de seu rosto olhando propositalmente da sua boca para seus olhos, e escorregando as mãos dessa vez com certeza, quando cheguei em sua bunda a apertei. – eu não conseguiria pensar em outro cara, enquanto estivesse com você.
O sorriso presunçoso que ele abriu foi impagável. Eu senti falta desse Poncho, só que isso não confessaria a ele.
:- Eu não acredito nisso! – uma voz masculina nos interrompeu e olhamos em direção dessa voz. – Vocês são Dulce e Alfredo? – o cara fez uma expressão confusa.
:- Errado! – Poncho respondeu grosseiro provavelmente irritado por aquele cara além de errar seu nome, nos interromper.
:- Não são? Eu tenho quase certeza! Poxa vida, vocês estudavam na mesma faculdade que eu e até tínhamos uma aula juntos, eu fazia DP e tal. Tem que ser vocês.
Agora ele começando a dar as informações, a face dele não me era estranha, eu o conhecia de algum lugar realmente.
:- Apesar de esta ausente, lembro de quando voltei já tinha acontecido aquele escândalo e vocês... — ele parou de falar empolgado e forçou a garganta. – Enfim, eu lembro que vocês eram amigos de Angelique e Eugênio. – sorriu para nós dois.
:- Rodrigo Nehme! – Poncho soltou e olhei para ele tinha uma expressão séria, talvez por ter escutado essa fase ruim da faculdade e os nomes de nossos ex-amigos. Entretanto ele sempre foi muito bom fisionomista, tinha uma memória impecável.
:- Isso! – O tal Rodrigo ficou feliz por ter sido reconhecido.
E agora buscando na minha memória me lembrei dele, estava diferente fisicamente, com um corpo mais másculo, o cabelo totalmente diferente dos cachos que usava, até a sobrancelha volumosa e grossa foi diminuída. Enfim, ele evoluiu muito desde a última vez em anos que o vi. Diria até pegável.
:- Agora eu me lembro de você, fazia adaptação conosco, mas também você faltava muito por isso não me lembrei antes. – sorri fingindo uma simpatia.
:- Nem me fale ainda fiquei meses na faculdade por conta das minhas faltas. – ele sentou perto da boda da piscina de onde estávamos, e conforme falava já notei que ele era do tipo de pessoa que não podíamos dar asas por que se darmos a mão, ele vai querer o braço inteiro.
Tudo bem que nos tempos da faculdade como ele mesmo disse, quando ele freqüentava as aulas, até saímos juntos para algumas baladas, mas isso não dava o direito dele de anos e anos depois conversar conosco como se fossemos amigos.
:- E vocês estão juntos?! – Ele sorriu para nós, indicando a forma grudada como estávamos como sempre quem de longe nos vicemos parecia que Poncho e eu éramos um casal.
:- Sim! – Poncho me abraçou mais pela cintura, mostrando para o outro homem que aquela mulher tinha dono. Só mostrando. Isso era tão patético que eu podia revirar os olhos se não fosse engraçado. – Destino caprichoso esse, sempre pegando suas peças, — eu estranhei a cordialidade repentina de Poncho – estamos aqui conversando e você não me contou o por que de está volta a cidade natal? Você morava fora, não é?
:- Sim, mais eu voltei por um motivo especial. – ele sorriu confuso parecia se dar conta de algo. – Mas, vocês não estão sabendo?
:- Não, do que? – eu perguntei.
:- Eu voltei por que terá uma reunião de reencontro da nossa antiga sala universitária, lá na faculdade. Eu pensei que vocês estivessem convidados. – ele estranhou.
:- E que parece que as pessoas têm medo da gente. Nem imagino por que! – Poncho comentou e me segurei para não rir, deixando um Rodrigo sem graça, claro que não seriamos convidados.
:- Não sei, acho que não tem nada de mal você passarem por lá afinal, passado é passado. – ele comentou tentando ser gentil. Um toque de celular nos interrompeu. – Lamento, não poder ficar mais tempo conversando, eu tenho que ir agora.
Nos despedimos brevemente e anotei mentalmente sobre ficar de olho nesse cara, ele era estranho. Muito estranho. Teria que fazer pesquisas sobre ele.
:- Vamos? — Poncho falou comigo e eu balancei minha cabeça voltando para realidade.
:- O que?
:- Vamos. Temos que sair visitar algumas lojas, fazer algumas compras, roupas e essas coisas todas. Você precisa me ajudar a comprar e você precisa de um cara para carregar suas sacolas. Afinal te contas temos que comprar roupas para um reencontro de faculdade.
Trocamos sorrisos sarcásticos.
Esse reencontro seria no mínimo divertido.
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