Víctimas Del Pecado
41 Dulce - 20
Dulce
Com um pressentimento horrível eu continuei correndo por sorte finalmente passei por algum lugar que pudesse me ajudar, a alguns metros havia um prédio de uns quatro andares, composto por vidros espelhados. Sem deixar suspeitas, eu poderia me livrar desse pressentimento ruim.
Não demorou para eu chegar ao prédio e deixei de correr, parei num lugar estrategicamente pensado, respirei profundamente para recuperar o fôlego e logo me levantei fazendo um alongamento como um disfarce e por fim olhei.
No final da rua que havia acabado de passar correndo estava uma pessoa estranha, usava um moletom, óculos escuros, calça moletom. Eu não me lembro de conhecer esse homem, só poderia ser pelo porte físico, assim como eu ele estava parado, disfarçando. Confirmei o que eu pressentia, estava sendo seguida.
Eu voltei a correr depois de mudar de música no meu iPod, voltando a aparentar que não percebi está sendo seguida. Uma distração estratégica de fato.
Além do meu pressentimento eu só notei ser seguida quando eu passei por lugares que refletiam o caminho que eu deixava atrás, e esse vulto sempre estava atrás de mim. Só consegui confirmar agora parando e olhando melhor, o que será que ele queria. Como forma de proteção eu já estava próxima do Hotel, mas decidi para em outro lugar antes, uma padaria no mesmo quarteirão do hotel.
Pelo o que pude comprovar olhando discretamente o homem que estava me seguindo passou pela padaria olhou que eu estava ali e seguiu em frente.
O que aquilo significava?
Mais um jogo do caçador?
:- Você madrugou hoje. – falaram comigo depois que tinha chegado o meu suco de abacaxi natural. Pude comprovar quem era.
:- Jack. Bom dia.
:- Bom dia Dulce. – ele sentou do meu lado, com um copo de café fumegando. – O que faz tão cedo acordada? Tão difícil te encontrar de pé por esse horário, ao menos quando sai à noite.
Ele se referia ao dia que tinha acabado de amanhecer realmente era bem difícil me encontrar de pé essa hora, ao menos que eu tivesse saído à noite e tivesse voltando esse horário, porém eu não estaria com as roupas que eu estava vestindo agora.
:- Resolvi sair da esteira e correr ao ar livre, ver a cidade não queria ficar num lugar fechado. – expliquei minha roupa de corrida, tênis esportivo, calça justa confortável e regata branca tudo fazendo jus a um rabo de cavalo.
:- Como eu disse, você madrugou hoje, geralmente malha mais tarde pouco antes de ir ao trabalho.
:- Tive insônia, não consegui dormir de nenhum jeito e fui correr para pensar um pouco. – expliquei. – Você pode me responder uma coisa?
:- Depende. – ele como sempre foi discreto.
:- Você é o único responsável por mim?
Ele estranhou aquela pergunta, provavelmente esperava as mesmas que eu fazia e ele sempre me enrolava para responder.
:- Sim. Eu sou o único por que sou o melhor nisso e também por que eu sei de certos acontecimentos.
Ele me respondeu e me fez ficar ainda mais pensativa, aquilo não poderia ser bom.
:- Por que diz isso?
:- Enquanto eu corria tinha um homem me seguindo. – revelei depois de terminar o meu suco.
Ele também não comentou nada por um momento enquanto calmamente tomou o seu café.
:- Talvez fosse errado dizer isso, mas essa regra talvez possa ser quebrada. – ele disse sem me olhar e assim continuou. – Faz algum tempo que percebi que não sou o único que está nessa, existem outras pessoas te seguindo e faz parte do meu trabalho descobrir quem são essas pessoas.
:- Então não é a primeira vez? — eu perguntei surpresa. Eu tinha que tomar mais cuidado.
:- Não.
:- Lamento te informar, mas daqui para frente, você vai ter mais trabalho comigo. – eu disse e agora sim ele me olhou. Só que era a minha vez de não olhar para ele.
:- Por que diz isso?
:- Por que eu vou tomar mais cuidado e vai ser mais difícil me pegar sem ser discreto.
E ele soltou um riso baixo antes de falar comigo novamente.
:- Você nunca foi um trabalho fácil Dulce, pelo contrário, quando não quer ser encontrada, você sabe sumir. Quando tudo isso acabar, quero que me ensine alguns truques seus.
:- Talvez eu possa ensinar algo se outra regra for quebrada.
:- Qual?
:- Me diz qual deles liberou para que eu soubesse de alguns fatos? — Notei que ele não me contaria mais uma vez, mas eu tinha que insistir.
:- Você é uma pessoa inteligente, eu sei que no fundo você sabe quem. – pela primeira vez ele me disse algo que tinha algum sentindo, em vez de ficar calado. E claro que tudo fez sentido, um pouco de decepção caiu sobre mim. Afinal de contas eu confesso que tinha um desejo que estivesse errada.
:- Por que ela faria algo assim? Eu não a entendo, mas não pode negar que ela está de certa forma “traindo” ele. Mesmo que seja comigo.
:- Não, você não pode negar que de certa forma, ela está te trazendo para o jogo.
:- Beeep! – eu fiz um barulho irritante com a boca. – Resposta errada. Eu já estou no jogo e mais atenta que nunca.
:- Pode ter razão, mas está sozinha dessa fase, ela está te ajudando de certa forma. E antes que me pergunte, desde que a conheci é assim gosta de jogar com os outros.
:- Isso não vai me fazer gostar dela. – reclamei irritada. – E eu já vou pra o hotel, até mais ver, Jack. É claro se você conseguir. – eu desafiei.
Ele apenas riu baixo mais uma vez naquela conversa e eu paguei meu suco e sai da padaria pensando na conversa que eu tive com Jack. Faz pouco tempo eu peguei Jack me seguindo, literalmente me seguindo. Depois de encurralar ele, descobri que ele estava fazendo aquilo a mando de seu chefe.
Ou seja, Alfonso. Sim, mais uma vez ele estava me vigiando. O que deixava tudo muito curioso e interessante, Alfonso cada vez mais estava me mostrando que eu ainda era importante para ele, ou pelo menos significante.
O que me deixou curiosa foi Jack vez ou outra liberar alguma informação, das coisas que Poncho e Maite andam fazendo do por que andam tanto tempo junto, nada tão claro, mas alguma pista para que eu puder deduzir o que eles estão fazendo. E o que me surpreendeu foi descobrir que ela quem pediu para que Jack fizesse isso.
Por que talvez no fundo eu quisesse que Poncho tivesse pedido isso, para de uma forma abstrata ser meu parceiro novamente, no entanto quem está fazendo isso é Maite. Parece ser uma forma dela bizarra de me deixar informada nesse jogo, bom agradecer é o que eu não vou fazer.
Cheguei ao hotel sem maiores problemas, digo com relação ao cara que me seguia antes. Tenho que descobrir quem ele é.
Eu pensei em ir direto ao meu quarto finalmente tirar essa roupa e poder dormir, algo que não fiz a noite inteira. Mas, Joana a arrumadeira e mulher de Bonifácio me chamou a atenção.
:- Olá senhora, pode me fazer um favor? — ela falou com uma voz calma que se ela pedisse para dar uma estrelinha ali na recepção eu fazia, por que era uma pessoa muito amável. Me lembrava a minha avó quando eu era pequena.
:- Claro Joana.
:- Bonifácio e eu vamos ter uma semana de folga e vamos viajar para ficar com os nossos netos lá nos Estados Unidos. Nossa semana de folga começa hoje assim que o expediente acabar.
Ela me contou, mas eu não entendi aonde eu entrava nessa história toda.
:- Entendo, mas no que eu posso te ajudar?
:- Bonifácio está trabalhando aqui no bar do hotel, mas essa hora normalmente deveria está fechado, por que os hospedes estão dormindo, afinal ontem não foi dia de festa. Porém, para trocar de turno e fechar para o bar abrir novamente daqui algumas horas para os hospedes, todos eles precisam sair do bar, a senhora conhece a política do hotel. Eu queria que me ajudasse a tirar Bonifácio de lá.
:- Entendi quer que eu convença os últimos hospedes a saírem para Bonifácio sair do turno dele e finalmente começar a folga de vocês. – ela dei um sorriso fechado para ela. – Eu vou lá.
:- Obrigada senhora.
Quando ela tinha agradecido eu já estava a caminho do bar do hotel, para falar a verdade eu estranhei esse pedido de Joana, mas como ela nunca me pediu nada e sabe que eu gosto dela, não vejo problema em ajudar.
Só entendi o motivo dela ter me chamado quando eu cheguei no bar.
Ele estava vazio, os poucos funcionários eram três um bar man, um garçom novo e o senhor Bonifácio e havia apenas um hóspede ali bebendo.
Poncho.
Eu parei na porta e pensei rápido, em algo que o fizesse sair dali. Depois disso eu caminhei violentamente até onde ele estava sentado e antes que ele bebesse o último gole de conhaque eu abaixei o seu copo e deixou-o com o gostinho na boca. Ele obviamente me encarou irritado por atrapalhá-lo.
:- Você deveria ter vergonha nessa sua cara e admitir, sabia? — eu falei forçando uma irritação o deixando surpreso, por minha atitude. E simplesmente sem mais nem menos eu sai sem falar mais nada.
:- Dulce, o que te passa? — Escutei ele falar atrás de mim. Deu para escutar o barulho da cadeira que ele antes estava sentado ser arrastada e os passos pesados atrás de mim.
Diminui minha velocidade e vi Joana me observando de longe, pisquei para ela mostrando que deu certo e fiz o caminho ao contrário dos quartos, fui para uma sala que ficava próximo a recepção. E ele é claro me seguiu, assim que eu entrei senti meu braço ser puxado com violência e me fez virar de frente a ele.
∵Nosso jogo é perigoso menina, nós somos fogo, nós somos fogo e gasolina∵
:- Que te passa? Fala aquelas coisas e vai embora, assim sem mais nem menos. – ele me encarou severo e irritado.
Mais uma vez tive que pensar rápido, Jack tinha que me desculpar, mas eu o usaria.
:- Eu descobri o que você fez. Deveria sentir vergonha.
:- O que eu fiz, do que está falando?
:- O seu amiguinho lá fora, te diz algo?
Ele não entendeu no começo, mas depois quem sabe do álcool sair o efeito e deixar o cérebro dele funcionar melhor, se deu conta do que eu me referia. Eu até tive um pesar, por está jogando minha carta na manga fora.
:- Dulce... – ele engoliu saliva e passou a mão no cabelo e o meu pesar foi totalmente embora, vê-lo assim constrangido não tinha preço.
:- O quê? Me conta eu realmente estou muito curiosa para saber qual é sua explicação. – eu fui irônica em minha fala e também na forma que eu cruzei os braços.
E para a minha alegria ele não soube o que falar.
:- Deveria aproveitar essa oportunidade para fazer algo que vai contra os seus princípios. – resolvi provocar ainda mais não saberia quando eu ficaria num momento como esse, por cima.
:- O que seria?
Sorrindo eu me aproximei dele, perto, bem perto e sussurrando em seu rosto provocativa, eu falei.
:- Que eu sou importante para você. – consegui desestabilizar a pose durona que ele entrou aqui, eu tinha ganhando e era melhor sair agora que estava por cima, dito isso sai do seu campo de visão e fui caminhando para a saída.
Uma das características que eu mais admirava em Poncho era o fato dele não se deixar por vencido, era como antes, eu o provocava e ele retribuía. Por mais que fosse verdade que eu tinha ganhado a minha partida, eu não deixaria passar em branco esse sentimento de superioridade ao ver Poncho ser pego no pulo. E ele mesmo culpado também não deixaria por menos.
É claro que ele foi atrás de mim.
Mais uma vez eu fui puxada com violência sequer consegui sair da sala, ele além de me puxar para ficar em sua frente novamente e me encurralou na parede com os seus braços.
:- Está louca? Andou bebendo uma hora dessas?
:- Ha – Ha – eu forcei uma risada — Não fui eu que estava no bar do hotel essa hora, Poncho, olha a minha roupa. Bêbada é algo que eu não estou.
Ele seguiu o que eu disse, me olhou de cima a baixo e aquilo não foi bom. Eu podia até adivinhar os pensamentos dele e isso não poderia acontecer, eu não poderia deixa-lo ele virar o jogo.
:- Quer saber a verdade?
:- Que verdade?
:- Eu coloquei sim alguém para te seguir por que você é uma cega que não consegue enxergar que existe algo muito grande e perigoso que está nos cercando.
:- Você não deve ter dormido. – eu fingi uma preocupação e com uma mão eu toquei em sua testa. – Tem agora problema de memória, Poncho? — ele obviamente ficou confuso. – Esquece que eu fiquei presa durante anos, que eu sou intimidada pelo caçador desde que coloquei os pés fora da prisão, que estou numa vingança... – fiz questão de olhar bem para ele ao falar vingança. – Eu tive uma sobrinha sequestrada, minha família estava em perigo e você acha que eu não estou ciente do perigo que me cerca, Alfonso?
Ele ficou sério e não falou nada e nem fez questão de me responder.
:- Não sou uma mulher indefesa, não preciso ser protegida.
:- E quem disse que eu estou protegendo você? — ele estava irritado.
:- Você deveria cuidar do seu orgulho.
:- Você que é presunçosa demais. – ele devolveu. – Já parou para pensar que existe um motivo para eu fazer isso, algo maior que o seu umbigo claro. Que em vez de querer proteger você assim como diz, estou querendo pegar essas pessoas que estão atrás de você.
Eu pensei nessa possibilidade, mas eu tinha que encontrar algo para tirá-lo do bar e quando o vi caindo na minha provocação não consegui resistir a ideia de ver ele todo irritado. Ele sempre soube que eu era uma excelente jogadora e já que eu abaixei uma carta na manga, por que não abaixar outra?
:- Hum. Talvez esteja certo, deve existir outras pessoas que você está interessado em pegar.
:- O que foi? Você não assumiria algo assim tão facilmente.
:- Mais uma vez você tem razão, tinha me esquecido o quanto você é esperto, Poncho. – voltei com minha arma a boa e velha ironia. – Então, me explica uma coisa, já que você não está me vigiando, como diz... O que eu devo pensar de você que tenta instalar câmeras na minha sala para me filmar? Ou de você que vez ou outra me segue de carro quando eu estou saindo com alguém. Acha que eu não reconheço você? Como eu devo chamar isso, Alfonso?
Meu Deus! Juro que estou pensando na possibilidade de antes de dormir tomar algum champanhe, eu tinha que comemorar. Ele estava totalmente constrangido na minha frente de novo, tanto que estava bem mais irritado. Eu tinha ganhado a minha semana por aquilo.
:- Droga! – ele exclamou socando a parede. – Aonde você quer chegar Dulce?
Tinha que admitir a minha memória também falhava ás vezes, tinha me esquecido do quanto Poncho ficava atraente irritado, ainda mais vendo ele de tão perto como eu estava.
Eu já tinha ganhado, estava feliz e resolvi ser mais audaciosa do que eu estava sendo. Afinal o que eu poderia perder?
:- Apenas quero que admita que ainda é louco por mim. – eu falei sussurrando e sorrindo.
Para ele foi à gota d’água. Não foi a minha intenção pensada desde o começo tudo isso, uma coisa foi levando à outra e eu acabei provocando o lado mais impulsivo dele, que me surpreendeu.
Poderia ter gritado comigo, saído da sala, até me machucado como quando apertou o meu braço, mas ele apenas me beijou.
Sem mais nem menos, assinando ali a sua confissão que ainda é louco por mim. Eu fiquei sem reação a primeiro instante até fechar o olhos e colocar as mãos em seu rosto querendo aquele beijo tanto quanto ele.
Assim que eu fiz isso ele com a sua forma possessiva se apossou da minha cintura e me pressionou com todo o seu corpo sob o meu de uma forma que apenas ele conseguia fazer que deixava qualquer uma caída aos pés dele, inclusive eu. Logo suas mãos entraram em ação e uma foi parar em meu pescoço e outra em minhas costas me empurrando para ficar colada a ele.
Ele me provocou da forma que pode e quando eu pensei que conseguiria não derreter em seus braços, eu estava enganada, era como usar gelo contra o fogo. Eu não era forte o suficiente. E por isso eu acabei com o beijo puxando os seus lábios com os meus, causando um estalo.
:- Alfonso você tem que fazer uma seleção melhor das putas com que você anda. – eu me esforcei para falar, por que estava sem ar. Assim como eu ele também tinha dificuldade de respirar sabe-se lá quanto tempo nós nos beijamos. – Olha só para você apenas com um beijo já ficou assim aceso.
Tinha que desviar as atenções de alguma forma e tudo que ele fez foi rir um riso safado e baixo naquele momento eu me lembrei de um passado recente, quando estávamos juntos.
:- Ah sim? — ele continuou com o sorriso e depois que eu reafirmei o que tinha insinuado, ele inclinou a cabeça e se reaproximou mordendo os meus lábios de um jeito enlouquecedor. – Eu não sou o único aceso aqui. – falou abaixando o olhar propositalmente para o meu decote sustentado pela minha regata branca.
Ficamos nos encarando desafiadores esperando para ver o que o outro faria ou diria.
Ele então voltou a se encostar em mim. E eu fui domada por uma espécie de instinto ou até mesmo desejo, apoiei minhas mãos na cintura dele já ansiando o que ele instigava, voltar a me beijar.
E foi o que ele fez, usou a língua para me dar um beijo mais molhado, rápido. Assim logo encontrou um dos meus braços e assoprou um deles, voltando a me olhar com o sorriso safado.
:- Com tão pouco você já fica assim quente. Olha só, eu só assoprei e você está assim arrepiada. – eu só me dei conta dessa sensação de incomodo quando ele falou, e olhei o meu braço ainda apoiado nele, sim arrepiado.
:- Acontece que ao contrário de você eu sei quando tenho que ceder ou não. Pelo menos arrisco. – a cara de convencido dele veio logo e prontamente tratei de quebrá-la. – Por que eu sinto a sua falta. Sinto falta do seu corpo, sinto falta de nós dois. Do que sentimos quando estamos juntos, esse arrepio. – Tirei uma das minhas mãos e passei por um de seus braços fazendo um rastro com as minhas unhas e assim como eu ele também ficou arrepiado. Como negar essa conexão que tínhamos?
Ele fechou a cara depois de ficar surpreso pelo o que eu disse.
:- Se estamos assim foi por que você quis. – ele voltou a ser o grosseiro de sempre de distanciando de mim.
:- Estamos por que você também se envolveu com quem não devia. O proibido é melhor não é? Tem um gosto melhor? Quando estipulamos que não deveríamos nos envolver nada além da vingança, com Eugênio e Angelique, não vimos ali um desafio imposto? Diga Poncho, eles são tão sedutores com aquele jeito sonso de ser que nos enganaram tanto quando nós a eles. Se nós dois separamos o casalzinho, eles também nos separaram.
Ele não falava nada apenas me olhava quase sombrio deveria estar pensando nas minhas palavras.
:- Por mais que queira negar hoje assim como antes eu fazia, nós somos muito semelhantes nesse aspecto, quando somos desafiados mesmo que em silêncio, nós vamos até o fim para superar esse desafio sem importar as consequências.
:- Você foi muito mais além do que eu. – ele disse me encarando.
:- E você não? Nunca foi menos amante do proibido, do perigoso do que eu. E quer saber, essa conversa aqui já me cansou. Eu só quero te deixar um aviso, peça para os seus homens ficarem mais ligados, porque vai ser difícil me pegar agora que eu sei que eles estão me seguindo.
Deixei o meu recado e sai daquela sala antes de tomar o meu rumo para o meu quarto de uma olhada em direção do bar, comprovei que estava fechado, pelo menos Poncho não voltaria lá para beber. Cumpri com o favor que me disponibilizei.
Eu sai de lá por que sabia que se continuasse ali poderia falar coisas que não covinha ao Poncho saber, não era hora para falar de bobagens, estávamos no meu de uma guerra. Além do que ainda estava sentindo os efeitos da erupção que houve no meu interior, eu me sentia quente pelas palavras faladas; pelas sensações do beijo, do corpo, da presença que ele ainda me causava.
De como o meu corpo correspondia ao dele com gestos e palavras suas, tão facilmente. Eu cheguei ao elevador e nem sinal dele vir atrás, era até bom. Apertei o número do meu andar e desviei o olhar logo para o botão que poderia levar a cobertura, lugar dele.
Como eu era tola. Não adianta negar que durante todo esse tempo que ficamos afastados, ele ainda mexia comigo, de uma forma que não sei explicar por que eu nunca senti isso antes. Era agonizante, vezes eu odiava ele e outras eu o desejava feito louca, como agora, era tudo muito intenso. Vezes nos batíamos de frente e outras nos complementávamos como se fôssemos peças únicas feitas exclusivamente uma para outra.
A única coisa que eu tinha certeza com relação a Alfonso, é que somos do mesmo elemento.
Fogo.
E que a cada encontro nosso era como se fosse um verdadeiro incêndio.
∵Eu sou o gás e você é fagulha, eu sou o fogo e você é a gasolina, eu sou a pólvora e você a mina. Nosso jogo é perigoso menina, nós somos fogo, nós somos fogo, nós somos fogo e gasolina∵
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