Várias Fics

18 Fic A Magia Mora Aqui - Parte Oito


Notas iniciais
Antepenúltimo capítulo, pessoal!

Saí correndo e me joguei nos braços dele. É, eu estava sonhando, literalmente. Eu não acreditava. MAX ESTAVA VIVO!

Nos abraçamos por muitos minutos, creio eu. Nossos corpos, colados um no outro. Eu me agarrei a aqueles cabelos negros, e ele, nos meus loiros. Quando decidimos nos soltar, nos entreolhamos, maravilhados.

-Você está...?

Max mal perguntou, por que eu interrompi, beijando sua boca. Ele ficou surpreso, claro, mas retribuiu o beijo. Estávamos sem ar, por isso o interrompemos. Eu o abracei denovo.

-É uma brincadeira, né? -perguntei para Gerald -Você está fazendo isso com a minha mente, é, é isso!

E eu começei a chorar. Max me abraçou mais profundamente, tentando me acalmar. Estava quase conseguindo. Ele lançou um olhar interrogativo a Gerald e me levou para outro cômodo da casa. O quarto, acho.

Mas era o quarto dele.

Max me ajudou a tirar a minha jaqueta e secou as minhas lágrimas . Tudo isso em silêncio.

-É... Você mesmo? -perguntei.

-Sim. Você conseguiu, Lily, você me trouxe de volta -disse Max sorrindo, o que me acalmou.

-E como é...?

-Difícil. O Mundo de Baixo é horrível. Eu lhe devo minha vida por ter feito isso, apesar de ter desobedecido um pedido meu.

Ele piscou para mim e me aninhou em seus braços. Pedido? Não era nem ordem. Era isso que eu admirava em Max. Ele não agia como meu guardião, mas como meu amigo.

-Espere... Preciso tomar um banho, e ...

Não terminei a frase, mas o meu estômago sim, dando um belo ronco. Max riu da minha cara.

Eu saí do quarto, gargalhando com ele, e fui para o meu. Alison estava arrumando o guarda roupa.

-O que...?

-Calminha, calminha. Estou só dando um trato nas suas roupas. Vai tomar banho?

Fiz que sim com a cabeça.

-Gosta de usar vestidos?

-Mais ou menos.

-Então vá tomar banho -disse Alison, sorrindo -Eu arrumo uma roupa para você.

Eu saí do quarto, meio atordoada. Na hora do banho, lavei e enxaguei meu cabelo umas três vezes, e esfreguei todo o meu corpo. Esfreguei tanto, que ele ficou vermelho. Sorte minha que havia um roupão feminino lá. Saí sorrindo em direção ao quarto. Quando cheguei lá, apreciei a escolha de Alison: um vestido branco simples, sem manga e sem renda. Sem muitos decotes. Ia até o joelho. Perfeito.

Me vesti rapidamente e penteei meu cabelo. Na hora de sair pela porta, trombei com Max. Não perdi a oportunidade; o abracei denovo.

-O seu cheiro é maravilhoso -disse Max, cheirando meu cabelo e o meu pescoço. Eu sorri ao toque dele.

-O jantar está pronto? -perguntei.

-Claro, me acompanhe -disse ele, estendendo a mão. Agradecida, eu a segurei, e partimos, sorrindo, para a sala da cozinha. Na mesa estavam Raymond, Alison e Gerald. Eu me sentei ao lado de Max.

-Lily, nos conte como foi a missão -pediu Raymond, gentilmente.

-Ge-aald e A-isso nõ te faaram? -perguntei, de boca cheia, mas com o maior nível de dignidade possível.

Max lançou um olhar de Silêncio para Raymond, e começaram a comer. Eu estava quase no fim do segundo prato, assim como Gerald.

-Pouca comida na viajem, huh? -perguntou Alison.

-Gerald pegava o máximo que conseguia, mas ainda era pouco -afirmei.

-Quem sabe se o clima não fosse tão turbulento, eu poderia pegar mais alguma coisa -resmungou ele. Eu ignorei.

-Conseguiu? -perguntou Raymond.

-O que?

-Libertar Calisto da terra, oras!

-Sim, sim. Depois da tentativa de ressuscitar Max, fracassada até então, eu fui até a área da casinha da árvore e disse, que ele poderia voltar para lá. Só não entendo por que ele estava 'preso' aqui na terra.

Gerald bufou.

-De alguma maneira que não podemos explicar, ao perder uma das asas, Calisto ficou, digamos, mais conectado ao mundo mortal -explicou Alison, olhando feio para Gerald.

-Nos diga, como vocês foram capturados por Euríades quando eu...morri? -perguntou Max.

-Estávamos em um beco, Gerald e eu... -começei. E fui explicando tudo, detalhadamente. De vez em quando parava para dar uns goles no delicioso suco de laranja que era servido.

Quando Gerald começava a contar a história, eu logo o interrompia. É claro, não contei a parte dos beijos ali.

-E depois que eu saí? -perguntou Alison, interessada.

Como Gerald estava grunhindo e resmungando demais, aproveitei para falar:

-Gerald, já que está quieto, por que não conta a parte em que eu bati em você?

Max ergueu as sombrancelhas. Alison tamborilou os dedos na mesa, e Raymond deu uma tossida, que mais parecia um riso disfarçado.

-Ah, qual é, Lily. Você lutou bem, mas eu também mereço créditos. E não esqueçamos de parabenizar o seu guardião pelo ótimo trabalho -ele acenou para Max.

Alison e Raymond haviam voltado a comer. Max estava olhando a comida do seu prato. Já eu, quando ouvi a palavra guardião, me enchi de raiva. Peguei a primeira faca afiada que encontrei e enfiei na mesa, no lugar onde segundos atrás estava a mão de Gerald. Alison deixou o garfo cair no prato. Raymond olhava assustado para mim. Max tentava me impedir de saltar em cima de Gerald, que arfava. Ele havia empurrado até a cadeira para trás. Eu disse, com a voz cheia de raiva:

-Já falei que NÃO é para se referir a Max com essa palavra!

Enfurecida, chutei a minha cadeira para o lado e saí de lá. Fui para a varanda, aquela onde -eu me lembrava como se fosse hoje- ataquei Max com o vento. Estar lá me acalmava, como sempre.

-Tudo bem?

Eu me sobressaltei. Max estava na varanda também. Andava devagar, despreocupado. Fiquei olhando ele chegar ao meu lado. Não falei nada até que ele estralasse os dedos na frente do meu rosto.

-O que? Ah! Tudo...ótimo -respondi.

-O que houve lá na mesa? Por que se irritou quando Gerald falou 'guardião'?

-Por que eu acho que você não é meu guardião. Não gosto dessa palavra.

-Não sou seu guardião? -Max perguntou, rindo. E acrescentou, se aproximando -Eu sou o que seu, exatamente?

Eu estava prestes a responder quando Alison apareceu lá, séria.

-O que houve? -perguntei.

-Chegou uma carta, p...p...pra nós -gaguejou ela, entregando para Max um envelope branco com a escrita dourada.

-O que é? -perguntei.

-Uma c... -Max parou a frase ao meio. Então arregalou os olhos, assim como Alison. Eu tomei o envelope das suas mãos e o abri. Escritas douradas estavam por toda parte, mas consegui identificar alguma coisa:

-"O Conselho dos Anjos convoca Maxsuel Hamlet, Lily Jordens, Alison Swimm, e Gerald Strack para uma audiência no dia 24 de janeiro desse mesmo ano, para prestarem esclarecimento sobre o 'outro lado'. Não chegarem atrasados (depois das 19:00). Assinado: O Conselho." O que isso quer dizer?

-Lily, Calisto nos convocou para ir até o céu -disse Alison.

-Isso é ruim?

Olhei para Max. Seu rosto estava preocupado.

-Não podemos saber.

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Alison saiu da varanda, apressada, levando a carta consigo. Eu encarei Max novamente. E ele me encarou, de volta.

-Podemos ir dormir? -perguntei.

-Claro -Max abriu um sorriso amistoso, passou o braço pelas minhas costas e me acompanhou até o seu quarto.

Ele abriu a porta lentamente. Eu entrei primeiro e caminhei até a escrivaninha do quarto, que estava cheia de coisas, como sempre. Peguei a metade da foto que eu havia rasgado. Mal notei Max chegar por trás de mim.

-Por que a rasgou? Não gostou dessa foto?

-Não! É que... -falei, me virando, mas ele me silenciou.

-Não precisa de explicações -sorriu.

A sua proximidade era tanta, o seu perfume tão intoxicante, que eu quase fiquei sem palavras. Quase.

-Eu..pensei que havia fracassado em...em te trazer de volta, eu havia ficado com tanta raiva de mim, eu não sei o que houve...

Eu ia tentando falar, e Max tentando me silenciar, mas eu consegui dizer essa frase, sem ser interrompida:

-Eu não sei o que seria da minha vida sem você.

Max quase parou de respirar e ficou imóvel, assim como eu. Aproveitei e continuei:

-Fiquei assustada quando você partiu. Você não sabe o quanto doeu ver você ser morto pelas mãos de Euríades. Eu poderia viver muitas vidas e ser castigada, mas nenhuma dor se resumiu a aquilo que senti naquela hora. Como já disse, eu não te vejo como um guardião. Nem como amigo. Eu...

Ele interrompeu a frase e o espaço entre nós, e me beijou. O seu beijo era calmo e bom, não agressivo, como o de Gerald. Nós nos abraçamos, e com os minutos, nos entrelaçamos. Suas mãos agarravam minha cintura e as minhas, passeavam pelo seu cabelo e pescoço.

-Foi desde aquele dia no armário -começou Max.

-Desde aquele dia -sorri.

-Como não havia percebido antes como você era tão especial? -perguntou ele, me fazendo rir.

Deitamos juntos na cama, sorrindo como sempre, mas antes Max tirou sua jaqueta.

-Agora me diga, que história foi aquela de dar uma surra no Gerald? -sussurrou Max no meu ouvido.

Eu expliquei detalhadamente, o que Gerald havia feito, satisfeita, e contei cada movimento meu e dele. No final, Max pareceu surpreso.

-Uau! Como você havia aprendido a lutar tão bem assim?

-Pra ser sincera? Não sei. Mas só de estar perto dele eu tenho vontade de quebrar tudo.

Max deu de ombros e me ajudou a deitar melhor na cama. Dormimos de conchinha naquela noite. Como a boca de Max estava perto da minha orelha, demorei mais para dormir. Não tive pesadelos.

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-Então querem dizer que nós quatro fomos convocados para ir até o Conselho? -perguntou Gerald, incrédulo.

-Por que estariamos mentindo? -retrucou Max, gentilmente. Gerald se calou.

Havíamos tomado café mais tarde nesse dia e estávamos todos aninhados perto da lareira, discutindo sobre a carta.

-A questão é: devemos ir até lá mesmo? -indagou Alison.

-Se fomos convocados, creio que deveríamos -respondi.

Ficamos em silêncio.

Passados alguns minutos, estávamos sem assunto. Max pegou um livro para lê-lo para mim. Alison ficou na sala e apreciou a leitura. Raymond foi para a cama, para se deitar, e Gerald, para fora.

-Devemos nos aprontar para ir, certo? -perguntei, as cinco e meia da tarde. Todos assentiram.

-Alison, você teria mais um vestido desses para mim? Só que um pouco mais 'colado' na cintura -perguntei.

-Claro! Vá para o banho que lhe arrumo um desses rapidinho.

Tomei banho rapidamente, e não lavei o cabelo. Fui até o quarto, e encontrei um vestido mais colado na parte da cintura, um pouco...decotado demais. O coloquei. Era macio igual o outro, e ia até o joelho. Calçei um par de sapatilhas branca, como o vestido. Mal me vesti, e Alison apareceu.

-Desculpe pelo decote grande. Foi apenas esse vestido que encontrei, colado na cintura.

-Não tem problema -falei -É lindo!

-Obrigada -agradeceu Alison — Posso fazer uma trança no seu cabelo?

-Claro! -falei.

Habil e rapidamente, ela trançou o meu cabelo, antes penteando um pouco, e amarrou o fim da trança com cabelo mesmo.

-Vamos para baixo? -perguntou.

-Claro -respondi.

Descemos as escadas até o primeiro andar, na sala. Max estava encostado na janela, olhando para fora. Raymond e Gerald não se encontravam lá.

-Vou deixar vocês sozinhos -sussurrou Alison no meu ouvido. Eu sorri para ela.

Eu observei um pouco Max. Ele estava vestindo a jaqueta negra de sempre, que já era marca registrada. Não estava vestindo a calça preta de sempre, mas jeans escuros e um par de All Star, preto. Seu cabelo estava mais bagunçado que nunca. Eu ri um pouco quandi vi a cena; talvez alto demais, pois ele se virou. Eu parei de rir e fitei seu rosto.

Ele abriu um imenso sorriso para mim, e estendeu os braços. Caminhei, hesitante, na sua direção. Depois me deixei correr até ele. Ele me abraçou imensamente, e beijou meu cabelo. Eu fiquei na ponta dos pés e beijei sua boca, por um instante. Depois nos encaramos por uns minutos, e eu acariciei seu cabelo, e ele, as minhas costas.

-Onde está Gerald? -perguntei.

-Lá fora -disse Max, olhando para a janela de novo.

Eu olhei para fora, também. Gerald estava tirando a neve do caminho com uma pá, furiosamente.

-Por que ele está fazendo isso? -indaguei.

-Ele está...meio estranho depois que vocês voltaram. Como se algo tivesse sido alterado nele depois da viajem...

-Eu vou até lá -falei, decidida.

-Não -advertiu Max -Fique aqui. Por favor?

Eu não pude resistir a cara fofa dele. Fiquei lá. Mas abri uma fresta da janela, e com um pouquinho do poder da minha mente, movi com facilidade a neve que Gerald não conseguia remover. Depois fechei rapidamente a janela e saí de perto dela.

-Falta muito tempo para nós irmos? -perguntei.

-Não. Apenas mais meia hora -respondeu Max.

-Mais uma pergunta: COMO vamos para lá?

-Anjos vêm nos buscar -disse Gerald em voz alta, entrando na sala e tirando as botas de neve.

-Anjos?

-Isso mesmo, pessoas como Alison. Eles vêm, nos buscam, rodopiamos até o céu, dentro de redemoinhos brancos, na velocidade máxima, etc etc... -disse Gerald.

Eu me assustei. Estava de olhos arregalados. Max disse:

-Não assuste Lily. Não é bem assim que vamos.

-Tanto faz -disse Gerald, satisfeito, saindo da sala para o banho.

Meia hora depois, Alison, eu, Max e Gerald estávamos reunidos no círculo de neve que Gerald removera mais cedo. Raymond estava fora dele.

-Tomem cuidado com o que falarem lá -instruia ele — Calisto está de volta faz pouco tempo, e não sabemos como ele pode estar governando agora.

Rapidamente, um por um saiu do círculo para apertar a mão dele. Na hora de Max, Raymond o puxou para um abraço. Eu pude o ouvir sussurrar "Cuide-se".

Trovões soaram acima de nós. Com movimentos rápidos, quatro anjos desceram do céu. Não nos cumprimentaram, já foram agarrando nossos braços. Um deles, meio alto, pálido, cabelos cinza-prateado, agarrou o meu.

-Não -rosnou Max -Ela vem comigo.

-Você não é um de nós -disse o anjo.

-Não importa. Dê um jeito, mas vou com Lily -concluiu Max.

O anjo lançou um olhar perfurante para Max, mas nos deixou ir juntos. Eu entrelaçei as minhas mãos nas de Max e o anjo agarrou nossos braços. Rodopiando rapidamente, fomos até o Céu, até o lar de Calisto.

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Aparecemos em um saguão enorme, feito de mármore branco, e enfeitado com várias estátuas de anjos nele. Seus olhos brancos pareciam nos seguir. Eu me encolhi um pouco. Max passou seu braço direito pelas minhas costas para me confortar.

-Não tenha medo -sussurrou.

O anjo que estava do nosso lado olhou de cara feia para nós, e nos mandou seguir em frente. Paramos na frente de uma porta enorme, feita de um tipo de madeira branca.

"Entrem!" gritou uma voz lá dentro.

O nosso grupo, escoltado pelos 4 anjos que vieram nos buscar, entrou na sala. Era mais ampla ainda que aquele saguão de entrada. O teto era redondo, e realmente imenso. Parece que se abria para o nada. Haviam três tronos dispostos na sala, um grande, praticamente feito de pérolas, no centro, um um pouquinho melhor na esquerda e um literalmente pequeno na direita.

No trono do centro, estava sentado um jovem, com mais ou menos 27 anos, magro, cabelos loiros bagunçados e olhos cinza claros. Estava sem camisa, exibindo seus belos músculos. Suas asas branco peroladas pendiam atrás do seu corpo belo. Usava apenas uma calça folgada, branca.

A sua esquerda, estava sentada uma bela mulher ruiva. Seus cabelos eram cacheados e sedosos e seus olhos eram tão verdes quanto os meus. Suas asas não estavam aparecendo, mas eu jurava que era um anjo.

A direita do trono principal, estava Sentado um garoto muito jovem. Parecia ter a minha idade. Tinha cabelos cor de laranja, olhos verdes e suas asas não estavam aparecendo, também.

-Sejam bem vindos -disse o anjo do centro, se levantando. Suas asas se voltaram para dentro do seu corpo.

Alison se ajoelhou diante dele. O resto de nós estava de pé. Eu senti um bolo na minha barriga quando ele me olhou, e me forçei a ajoelhar no chão. Max foi depois de mim. Por último, Gerald. Virando a minha cabeça um pouco para a direita, vi que ele estava fazendo caretas. Ele estava sofrendo. Claro, um demônio no céu, o que mais ele sentiria?

-Oh, por favor, se levantem -disse o jovem, entusiasmado.

Assim fizemos. Ele estudou o rosto de cada um de nós e disse:

-Repetindo: sejam bem-vindos. Sintam-se em casa. Agora, vamos aos negócios.

Ele bateu palma e a mulher e o menino saíram de lá. Calisto se sentou no trono central e acenou para que os anjos que comporam a nossa escolta saíssem dali. Assuntos particulares.

-Me perdoe senhor -disse Alison -Mas, por que fomos chamados?

-Precisamos conversar sobre a guerra que está por vir -respondeu Calisto.

-Por onde podemos começar? -perguntei.

-Vejo que conseguiu ressuscitar o seu amigo, Max -disse ele.

-Sim -eu engoli em seco.

-E disse que ele teria algumas habilidades que me interessariam -reforçou Calisto.

Eu fiz que sim com a cabeça.

-Alison, há mais como você lá embaixo, na terra?

-Sim, senhor -respondeu Alison.

-Vá, outra hora, e os contate. Preciso da maioria deles do nosso lado. Entendeu?

Alison fez que sim com a cabeça.

-Gerald, procure achar o máximo de informações possível sobre o outro lado, mas sem ser capturado. Não se preocupe com os anjos do nosso lado, eles sabem de você, OK?

-S...sim, senhor -balbuciou Gerald.

-Max, se encarregue de treinar Lily. Preciso dos dois fortes para a batalha.

Max e eu assentimos.

-Por fim, o que acham de dormir aqui hoje?

Nos entreolhamos.

-Como...?

-Ah, por favor, façam apenas isso...

-Mas senhor -começei -Precisamos ir para casa.

-Quando acordarem estarão em suas camas, ok?

Não tivemos outra escolha: concordamos.

-Anjos, levem-os para seus quartos. Lily, venha comigo.

Olhei hesitante, mas para Max.

-Vá -sibilou ele.

Segui Calisto para fora da sala. Ele me levou até uma varanda, que se abria para o nada. Por sorte havia uma grade de proteção lá. Mesmo assim, fiquei um pouco longe da borda.

-Eu...sempre venho aqui quando preciso pensar em algo- disse Calisto, me encarando.

Demorei uns segundos para processar sua fala.

-Deve estar se perguntando por que a trouxe aqui -falou, olhando para o nada.

-Sim, s...senhor -disse eu.

Ele riu baixinho, um riso confortante, e levantou os braços, meio como se estivesse se espreguiçando, e eu vi suas asas saírem do seu corpo. Eram mais peroladas do que as de Alison.

Ai meu Deus, eu estou tendo uma queda pelo senhor dos Anjos. Não! Isso é proibido, pensei.

Ele se virou para mim, e eu vi a coisa mais linda da minha vida. Ele estava todo envolto por uma leve aura dourada. Pegou as minhas mãos, as segurou e disse:

-Obrigada por ter me trazido de volta. Sou grato a você. Preciso da ajuda de vocês, de todos. Assim, venceremos Euríades e a paz será restaurada ao mundo.

-Farei o que for possível para ajudá-lo, senhor -falei.

Ele sorriu para mim, mas foi um sorriso curto, pois um outro anjo entrou na varanda. Ele tomou minha mão e me levou até o meu quarto. Quando eu estava longe de Calisto, virei a cabeça na sua direção e peguei ele acenando para mim. Eu sorri.

O anjo me levou até o meu quarto, em silêncio. Me deitei na cama, já com saudades de Max, e adormeci.