Várias Fics

19 Fic A Magia Mora Aqui - Parte Nove


Notas iniciais
Penúltimo!

Eu senti uma súbita leveza tomar conta do meu corpo, como se eu estivesse flutuando. Coloquei as mãos para baixo, tantando tatear o ar, mas senti os tecidos da cama em que estava dormindo. Era incrivelmente parecida com a minha.

Eu não estava sonhando, mas mesmo assim não conseguia dormir. Imagens assustadoras sobre guerra e sangue, e essac coisas começaram a voar pela minha cabeça. Eu meio que gritava, gemia, sussurrava coisas sem sentido, para ver se alguém chegava e me socorria. E foi isso que aconteceu.

Um par de mãos me abraçou, seu dono se deitando na cama ao meu lado, me deixando descansar minha cabeça no seu peito, me protegendo de uma maneira que só ele era capaz. Como eu não conseguiria amar um Max assim?

Quando abri os olhos, suas mãos ainda estavam me segurando.

-Bom dia, princesa -falou ele.

-Bom dia -disse eu, dando um beijo na sua bochecha.

-Vamos levantar? -perguntou.

Eu assenti, e nos levantamos. Quase levei um susto. Estávamos no meu quarto.

-Então voltamos mesmo para casa -sussurrei.

-Você sentiu? -perguntou Max.

Eu assenti com a cabeça.

Eu olhei para as minhas roupas. Ainda estava vestindo o vestido da noite anterior, e a minha trança ainda estava perfeita. Olhei para Max. Ele havia troçado os jeans pela calça negra de sempre.

Saímos do quarto e fomos para baixo. Eu me dirigi até a sala e procurei um livro nas estantes. Max chegou por trás de mim.

-Não quer o café da manhã? -sussurrou no meu ouvido.

-Não estou com fome. Preciso achar um livro.

Eu estava com a sensação de que estávamos sendo observados. Mas não liguei. Max e eu estávamos juntos, certo? Qual era o problema?

-Eu vou arranjar algo para comer. Já volto.

Max disse isso e saiu da sala. Eu achei o livro certo e estava quase o puxando da prateleira, quando percebi um movimento, e vi uma cabeleira marrom sair da sala, em direção a neve, que derretia. Eu o segui.

-Onde está indo? -perguntei.

Ele estava com uma mochila na mão, quase saindo dos limites da casa. Ele se virou e lançou um olhar profundo na minha direção.

-Quam se importa com isso? -perguntou.

-Gerald, o que houve? -perguntei, me aproximando — Desde que chegamos, você vive distante, e estranho. O que houve? -insisti.

-Você ainda pergunta? -disse ele, largando a mochila no chão.

-Quero ouvir da sua boca isso -repliquei.

Ele avançou mais e me prendeu contra a parede.

-Você sabe que eu gosto de você. Mas sempre há algo no caminho. Max -cuspiu ele.

-Eu...

-Por favor, não venha com palavras consoladoras, Lily. Você é persuasiva, eu sei.

-Se você vai embora, como fica a guerra? Você ainda estará do nosso lado?

-Não me decidi sobre isso -respondeu ele, me largando.

-Você não pode ir para lá! Eles vão te matar!

-QUEM se importa se eu sair do lado bom?

-Você sabe, Gerald. Eu. Todo mundo.

Vendo que ele encarava qualquer coisa, menos eu, completei:

-Alison.

Finalmente. Eu havia convencido ele. Não falando nada, ele ajuntou a mochila do chão, passou por mim e entrou dentro de casa.

Eu sorri abertamente para o nada. Eu havia conseguido.

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Já era quase de tardezinha. Max havia passado o dia todo me dando instruções sobre como ter uma boa luta, e eu havia captado tudo. Agora, iríamos para a aula prática. Decidimos ir para o lado de fora, jã que havia pouca neve. Eu troquei o vestido por uma calça preta leve e uma blusa branca de manga comprida. Peguei um elástico que mantinha guardado e fiz um coque no meu cabelo. No caminho para fora, me encontrei com Gerald. Ele me acompanhou até onde Max estava. Hoje, ele estava sem a jaqueta preta, e Gerald também.

-Por onde começamos? -perguntei.

-Primeiramente, vou adicionar um detalhe que esqueci. Você tem que saber o ponto fraco da pessoa com que está lutando -disse Max.

Gerald olhou para mim e ergueu uma das sombrancelhas. Max pigarreou, e eu perguntei, estralando os dedos:

-Como posso saber?

-Olhe bastante para ela durante a luta. Você pode saber, enquanto desenvolve seus golpes. Depois, se descobrir, o domínio é fácil.

Dessa vez, olhei satisfeita para Gerald, que por vez, olhou em volta, assobiando levemente. Ele viu algo se movendo por entre as árvores e foi até lá.

-Já volto -falou.

-Quer dar o primeiro golpe? -perguntou Max.

Dei de ombros.

-Precisa de ajuda, né? -riu Max.

Juntei as sombrancelhas.

Ele chegou mais perto, só que de um jeito esquisito. Eu sabia, era a sua posição de ataque. Eu o observei, por um momento. Ele resolveu ir para trás, e eu fiz isso também. Vi um sorriso cruzar seus lábios.

Resolvemos atacar.

Corremos rapidamente um na direção do outro. Pelo canto do olho, dava para ver Gerald e Alison, nos observando. Raymond também saiu porta afora, para ver o momento da nossa colisão.

Eu movi meu braço direito na direção de Max, e ele o segurou, perto dele.

-Pode ser ofensiva, mostre para mim o que tem -disse no meu ouvido.

Eu tentei soltar o meu braço, mas mal consegui. Convoquei uma lufada de vento para me ajudar. Funcionou um pouco; Max se desconcentrou e afrouxou o aperto no meu braço. Eu aproveitei para me soltar, e desferi um chute nas suas costas. Max caiu no chão, mas logo se levantou, a acariciando.

-Precisa de remédio? -falei, quase exibindo um sorriso maníaco.

Max esfregou uma mão na outra, e avançou novamente, mas dessa vez, ele moveu sua mão na minha direção, só que fui mais rápida. Segurei sua mão com toda força, e recebi um calafrio, que gelava a minha espinha, e ia se espalhando por todo o meu corpo. Me soltei de Max. Ele sorriu para mim, agora.

Eu, sem pensar, com o rosto calmo, dei um soco no seu estômago. Max havia virado de costas para transferir um golpe em mim, meio que uma rasteira, ou algo parecido, mas eu me lembrei do que ele disse. "Observe. Se conseguir, terá um domínio fácil".

Suas costas.

Eu estralei os dedos, e vi um vento gelado indo na direção dele. Com tudo, o fiz cair de costas no chão. Mas Max não estava disposto a desistir. Se levantou, respirando depressa, e levantou a mão na minha direção. Dela, saiu um jato de neve -não, de gelo*. E estava vindo até mim. Entendi a mensagem de Max. Eu podia usar fogo e o derreter. Mas optei por fazer outra coisa. O meu cabelo já estava todo solto. Devagar, levemente, com a ajuda dos ventos que eu manipulava, 'derreti' um pouco o gelo, e o fiz entrar de mim, começando pelo coração. Estava funcionando. Eu estava congelando, mas ainda tinha pleno poder sobre mim. Os meus sentidos estavam ótimos. Gelo começou a se formar fora do meu corpo. Parei de me mexer para ver. Max parou e avançou na minha direção, lentamente. Ele estava muito perto. Quase me tocando. Hora certa, sorri, por entre o gelo para ele, e reuni a maioria de vento e coisas explosivas perto de mim.

E todo o gelo explodiu, mandando Max para longe. Dessa vez ele demorou mais para levantar, mas o fez. Formou uma bola de neve na mão. Eu formei uma bola de fogo na minha.

-Tem certeza que quer fazer isso? -perguntou Max.

-Com todo o prazer -respondi.

Começamos a 'Guerra' de dois elementos., até que em um momentos paramos.

-Ah, quer saber? Isso não é treino de verdade -interferiu Gerald.

-Quer tomar outra surra? -perguntei.

Gerald empurrou Max para o lado, esfregou uma mão na outra, e disse:

-Pegue leve, novinha.

Eu me irritei. Corri na direção dele, fazendo uma careta quando estava chegando perto. Ele fez um semicírculo com a mão direita em pleno ar, na direção do meu rosto. Eu me abaixei na hora certa, mas caí de joelhos. Ele se abaixou, pegou as minhas duas mãos e me segurou firme.

-Achou mesmo que ia me pegar desta vez?

-Com...certeza! -gritei, chutando seu estômago com força. Ele soltou meus pulsos e cambaleou. Eu cheguei de levinho, por trás dele, o fiz se ajoelhar no chão, e agarrei seus cabelos, de leve.

-Quer continuar? -perguntei, respirando rapidamente.

-Claro que sim, milady -disse ele, tateando o ar até achar as minhas mãos, e as achou.

Ele, de algum jeito, me vez 'voar' por cima da cabeça dele, e cair na sua frente, no chão. Eu me dobrei de dor. Mas não havia acabado. Com um grande esforço, me levantei, e dessa vez, o mandei para longe mais fortemente. Peguei uma das suas mãos e a torci para trás, ouvindo um Crack! pequeno. Gerald gemeu de dor. Segurei o seu outro braço e quase fiz o mesmo. Segurei os dois juntos, nas costas dele, e o fiz ficar de joelhos. Com a força da mente, eu fiz elas ficarem bem amarradas, juntas. Me posicionei na frente dele, me agachando, e agarrei seu cabelo, o forçando a me encarar.

-Nunca -falei — Nunca mais tente uma luta comigo.

Eu fiz a amarra invisível se soltar, e soltei o cabelo dele. Mas senti pena também, e o ajudei a se levantar.

-Tudo bem? -perguntei.

-Tudo sim. Nunca mais...mecho...com...você -sorriu Gerald.

Eu pisquei para ele. Gerald foi para junto de Alison, e Max veio até mim e passou seu braço direito pelas minhas costas.

-Boa luta? -perguntei.

-Depois do que vi hoje? Acho que nem preciso treinar você mais -disse Max sorrindo. Eu sorri também.

Entramos juntos na casa. Eu fui tomar banho antes, e depois ele. Entramos em casa, e lemos um pouco mais as táticas de luta enquanto esperávamos o jantar. Gerald entrou na sala, vestido para viajem. Eu levantei do sofá rapidamente.

-Para onde vai? -perguntei.

-Vou sair. Obedecer as ordens de Calisto. Precisamos de informações, certo?

Dei de ombros.

-Cadê Alison?

-Já está vindo. Ela sai depois de mim.

Já estava na hora de ele partir. Não podíamos atrasá-lo mais. Max se adiantou, e apertou a mão de Gerald.

-Se cuide -foi o que disse.

Gerald se virou para mim, mas eu acenei para a porta, e o segui indo para fora. Estávamos muito perto um do outro. Eu respirei fundo.

-Boa viajem -falei.

Ele acenou com a cabeça, e estava quase se virando, quando eu acançei e o abracei. Foi verdadeiro, o abraço. Ele o retribuiu, acariciando meus cabelos.

-Se cuide -falei, o largando devagar.

Dessa vez, ele acenou com a mão para mim. Eu acenei de volta. Ele se virou, caminhou uns metros. Se virou de novo, para ver se eu estava lá, e estralou os dedos.

Sumiu dali.

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Haviam se passado vários dias desde que Alison e Gerald saíram de casa. Todos os dias, Max e eu reservávamos um tempo para a leitura, para as refeições, para cada um de nós, para os treinos, que eu estava ficando melhor a cada dia, e para nós dois. As vezes, apenas ficávamos deitados juntos na minha cama ou na dele, debaixo das cobertas, quietos. As outras, nos abraçávamos e nos beijávamos na varanda, no quintal enevoado, ou mesmo na sala. Eram os melhores da minha vida.

Mas um dia de manhã, começaram as trovoadas. O dia amanheceu com o céu preto. As nuvens tampavam o Sol. Tempestades e mais tempestades de neve caíam. Eu, Max e Raymond nos entreolhamos.

-A Guerra -dizemos todos juntos.

Não era o começo da batalha, mas a contagem regressiva para ela. Max discutia com Raymond, insistindo que deveríamos ir. Raymond sempre discordava, mas teve que ceder.

-Lily -me disse Max — Você precisa saber que para matar um demônio, matar mesmo, precisa atirar uma flecha no coração dele. Existem flechas especiais para isso, e arcos também. Alguns arcos não possuem flechas, mas você pode usá-los mesmo assim. Outro jeito, é arrancar suas asas, mas Isso é complicado.

-Certo, mas onde estão esses arcos?

-Nós, iniciantes, ainda não usamos. Devemos apenas incapacitar, ou deformar o demônio o máximo possível.

-Tá, mas por que me avisou sobre os arcos? -perguntei.

-Só para o caso de você topar com um deles -disse Max, dando uma piscadela.

Nos despedimos de Raymond, que ia atrás de mais pessoas do bem, e seguimos na direção da nuvem mais escura da tempestade, correndo.

-A luta vai ser aqui? -gritei para Max, pois o barulho do vento era alto demais.

-Sim! -gritou Max de volta.

-Os mortais não vão enxergar nada?

-Podemos dar um jeito neles depois. Precisamos ir, agora -advertiu Max.

Entrelaçei a mão dele na minha e corremos mais depressa na direção da nuvem negra. Quase gritei quando cheguei lá. A batalha havia começado. Penas estavam voando para todos os lados. Anjos e demônios nas suas verdadeiras formas, alguns em seus corpos 'humanos'. Haviam várias armas, como machados, e muitos arcos também. Tivemos que nos abaixar, por que uma flecha passou zumbindo pelas nossas cabeças. Eu aproxeitei o tempinho para pegar uma adaga muito conhecida da meia.

-Ainda tem ela? -perguntou Max.

-Nunca vou me desfazer dela -confessei, indo para a batalha — É especial.

Corri, ferindo vários demônios nos braços, cortando fora pedaços das suas asas, pernas, e muitas outras coisas. A neve estava manchada de vermelho. Estava tudo bem, até que a terra começou a tremer, e dela saiu os seres mais horríveis que eu já vira na minha vida toda.

Euríades e seu animalzinho.

Mas o céu não ia perder essa. As nuvens estralaram, e alguns seres 'caíram' no chão, e se levantaram. Eu abri um sorriso maníaco. Mais a frente, estava a estrutura esbelta de Calisto. A sua esquerda, a mulher ruiva e a direita, o garotinho, ambos eu vi quando fui até o Céu.Mais anjos chegaram juntos deles. Euríades e Calisto se olharam. Todos os seres ainda vivos estavam em silêncio ali.

-Vejo que recuperou a boa forma, depois de séculos na terra -disse Euríades a Calisto.

-Percebo que fizeram um bem a mim, mas não a você, amigo -retrucou Calisto.

-Sabe que trouxe companheiros demais -falou Euríades -Não tem problema; eu trago os meus de volta.

E mostrou seus dentes podres. Eu me afastei, devagar, para perto dos anjos que ali chegaram. A terra perto de Euríades tremeu, novamente, e dela, todos os outros demônios que havíamos matado retornaram. Eu me assustei, mas continuai andando. Andei até um par de asas meio acinzentadas. Estava na parte de trás dos anjos que chegaram com Calisto. Espera. Eu conhecia aquele corpo, aquelas asas. Minha boca se escancarou.

-Gerald? -perguntei.

Ele se virou, e liberou um dos seus sorrisos mais gentis já vistos por mim.

-É impressão minha, ou suas asas...?

-Depois te explico -prometeu ele -Como foi a batalha até aqui?

-Boa. Acho que melhor agora -acrescentei, apontendo para ele.

Mal percebi a hora em que atacaram. Era um mar de preto contra branco. Coisa mais esquisita nunca vi.

Algo me levou para a área do inimigo, e em segundos, eu estava cercada. Decidi fazer a mesma coisa que fiz com Max no primeiro dia de treino nosso.

Canalizei toda a neve e gelo possível para dentro de mim, começando pelo coração, e me senti mais gelada do que nunca. Reuni todo tipo de coisa explosiva que encontrei no ar, só que dessa vez canalisei o fogo também. Camadas e mais camadas de gases, neve e fogo se formavam por mim. Além do ar. Os demônios estavam se aproximando, curiosos, e muitos outros pararam de lutar para ver. Eles estavam muito perto... Eu estava quase sem ar.

Decidi explodir tudo. Eles foram todos para trás, muitos explodindo no caminho. A neve se tingiu completamente de vermelho, agora. Eu dei graças a Deus, pois havia eliminado boa parte dos seres maus, e por que a batalha havia recomeçado.

Voltei, avançando contra vários demônios que estavam deixando os anjos restantes em desvantagem. Estava a todo o vapor, quando um grito imenso cortou o ar.

Me virei a tempo de ver metade de uma das asas de Gerald ser arrancada por um machado, por um único golpe.