Using You

1 Michael Is Dead


Notas iniciais
Essa é a primeira história que eu posto aqui, então espero que gostem e também espero ter muitos reviews ;)

Boa Leitura

POV Dallas Meyer

– Obrigada. – agradeci ao homem que acabara de me servir mais uma dose de vodca e sorri sedutoramente.

Naquela noite, a casa da garota que fazia aniversário estava lotada. As pessoas a minha volta dançavam, beijavam, bebiam... Enfim, estavam se divertindo da maneira que queriam. Sem pais, sem professores, sem responsabilidades, parecia que todas elas haviam esquecido os problemas que as cercavam.

Levantei-me da cadeira acolchoada de vermelho que ficava em frente ao balcão e desfilei até Damien, um dos meus melhores amigos. Era incrível, por onde eu passava atraía olhares de homens e de mulheres, que me encaravam com desdém. Isso fazia eu me sentir bem, fazia eu me sentir bela, invejada e o melhor de todos, desejada.

– Você viu o Michael? – perguntei depois de cutucá-lo no ombro.

Michael Jones era meu noivo. Parecia um pouco precipitado ter aceitado seu pedido de casamento, afinal eu tinha apenas 20 anos, mas eu estava convicta de que o amava. Com ele, eu me sentia completa, segura e amada. Eu sabia que seus pais não nos apoiavam juntos, pois eles queriam alguém a altura deles no quesito de dinheiro e nisso eu não chegava nem aos pés daquela família.

– Não. – Damien respondeu e deu de ombros. – Ele deve estar por aí, bebendo como sempre.

Notei também, que minha melhor amiga não estava ali.

– E cadê a Ashley?

– Foi embora. Ela disse que não estava se sentindo muito bem. – Damien balançou os ombros novamente e virou o copo de bebida alcoólica que estava em sua mão, tomando o liquido de uma vez só. – Você sabe como ela é tímida e não gosta muito de festas.

– Uhum... – suspirei, ficando na ponta dos pés, mesmo sendo difícil com os enormes saltos e varri aquela parte da casa com os olhos, até encontrar meu noivo num canto mexendo no celular. – Já volto.

Caminhei até ele, observando o quanto estava bonito. Michael usava uma calça jeans preta com uma jaqueta da mesma cor e uma blusa regata por baixo, seu cabelo estava bagunçado de forma sexy. Sua cabeça estava baixa e seus dedos tocavam o celular sem parar, ele estava tão concentrado que nem notou minha presença.

– Por que você não larga isso e me dá um pouquinho de atenção? – perguntei manhosa, passando os braços ao redor de seu pescoço e só assim ele percebeu que eu estava ali e guardou o celular.

– Me desculpe. – disse e respirou fundo. Michael parecia agoniado. – Foi mal mesmo, amor.

– Tá acontecendo alguma coisa?

– Que tipo de coisa?

– Sei lá... Você parece tão distante. Tá tudo bem?

– Uhum! – murmurou olhando para o chão. Era mais do que obvio que estava acontecendo alguma coisa, mas naquele momento podia ser o que fosse e eu não ia me importar, só queria fazê-lo se sentir melhor.

– Então vem dançar comigo. – disse fazendo um biquinho fofo e consegui arrancar um meio sorriso de Michael. Entrelacei nossos dedos e o puxei para o local onde todos dançavam.

Não demorou muito para que nós nos soltássemos e começássemos a dançar. Eu me mexia sensualmente no ritmo da musica. As batidas dela faziam meu coração pulsar com força, a bebida já estava começando a deixar minha mente longe, fazendo com que todas as minhas preocupações fossem esquecidas e o gelo seco e a dança das luzes coloridas sobre todos nós deixava tudo mais louco.

Michael me virou para ele e juntou nossos corpos, acho que ele só queria esquecer o que estava acontecendo. Sorri, passando os braços pelo seu pescoço e grudei nossos lábios, que se encaixavam perfeitamente. Ele abriu espaço entre nossos lábios e eu pude sentir sua língua quente e macia adentrar minha boca, nós explorávamos a boca um do outro de forma selvagem, até a merda da falta de ar nos interromper.

Depois de recuperarmos o ar, nos beijamos novamente, só que dessa vez com mais desejo. Suas mãos percorreram meu corpo e parou em minha bunda, onde ele deu um leve aperto. Mordi seu lábio inferior e de novo nós fomos obrigados a parar, mas dessa vez não pela falta de ar e sim porque ele se afastou de mim.

– O que foi? – perguntei indignada e o vi retirar o celular do bolso. – Porra, Michael! Você não pode atender isso outra hora?

– E-eu preciso atender. – gaguejou. – É importante.

Naquele momento, a curiosidade tomou conta de mim. Por que ele não ficava sem esse celular nem por um segundo? Eu queria perguntar, mas não queria invadir sua privacidade. Eu não devia fazer isso... ou devia?

– Vou lá fora. Eu te amo, Dallas.

– Eu também, mas por que você tá falando isso agora?

Ele não respondeu, simplesmente saiu dali. Bufei revirando os olhos e me sentei de frente para o balcão de novo.

Os segundos que corriam pareciam horas, eles passavam lentamente. De repente, uma sensação ruim encheu meu peito, foi como se algo cruel fosse acontecer. A angustia foi tão grande, que me deu vontade de chorar, mas eu não o fiz.

Você está sendo boba, não tem nada acontecendo, pensei e soltei um suspiro.

Passaram-se cinco minutos. Depois dez. Depois quinze. Depois vinte. Depois trinta. Depois quarenta e cinco. E ele não voltou. Àquela altura, a preocupação possuiu minha mente e eu decidi ir procurá-lo.

Esbarrei em algumas pessoas procurando pela saída. Quando estava prestes a passar para o lado de fora, Damien me parou.

– Aonde você vai?

– Procurar o Michael. Ele saiu para atender uma ligação faz um tempão e não voltou. – tentei desviar dele com certo desespero, porém não conseguir.

– Eu acabei de entrar e não vi ele lá fora. – Damien deu de ombros, guardando um maço de cigarros no bolso da calça.

Eu sabia que ele só tentou me tranquilizar, mas eu fiquei mais apavorada ainda. Se Michael não estava lá fora, então onde estava?

– Ele disse que ia atender lá fora! Eu vou lá procurar.

– Espera, eu vou com você!

Ao ir para o lado de fora, senti uma lufada de ar frio envolver meu corpo, mas não me importei. Olhei aos redores e o fato de essa ser uma propriedade cercada por uma floresta não me ajudou a me acalmar. As luzes que cercavam a casa só iluminavam até certo ponto e a única coisa que servia para clarear o ambiente era a luz prateada da lua que se destacava no céu escuro.

Eu e Damien circulamos aquela casa duas vezes, sempre prestando atenção em todos os pontos, desde as paredes do lado de fora até onde nós podíamos enxergar da floresta e não encontramos Michael.

– Viu? Ele não tá aqui. – Damien disse e passou os braços pelos meus ombros. – Vem Dallas, vamos entrar.

– Mas... mas ele disse que ia estar aqui!

– Ele não tá, Dallas! A gente rodou isso aqui quinhentas vezes e não achamos ele. – ele me apertou em seus braços de forma confortante e eu suspirei. – Michael já deve estar lá dentro.

Damien devia estar certo. Dei meia volta para entrar de novo na casa, mas parei quando escutei um berro feminino desesperador vindo da floresta. Obviamente não era Michael, mas alguém podia estar precisando de ajuda.

Eu e Damien corremos na direção que o grito vinha – eu com certa dificuldade por causa do salto. Logo, fomos engolidos pela escuridão da floresta e escutamos gritos de novo, mas dessa vez eles vieram acompanhados de soluços. Graças à luz da lua, pude enxergar a silhueta de suas pessoas, uma de garota e outra de garoto, eles estavam abraçados.

Apressei o passo deixando Damien para trás e encontrei um menino e uma menina apenas de roupas intimas. A menina chorava com a cabeça enterrada no peito do garoto e o garoto olhava traumatizado sem piscar para o chão.

Segui seu olhar e subitamente meus olhos se alagaram. Cobri a boca com a mão me recusando a acreditar no que estavam vendo. Comecei a respirar de forma descompassada. Minhas pernas ficaram bambas a ponto de eu não conseguir ficar em pé, então simplesmente caí de joelhos ao lado... dele.

O corpo de Michael estava jogado no chão, uma poça de sangue molhando sua camisa e o chão ao seu redor e sua cabeça virada em um ângulo anormal. Nunca o vira com uma expressão como aquela, sua boca estava aberta e seus olhos arregalados, de maneira que ele parecia assustado.

Fiquei paralisada ao seu lado. Nada se passava em minha cabeça e só conseguia ficar olhando para seu corpo jogado no chão, sem mover um músculo.

De verdade? Parte de mim queria acreditar que Michael estava morto e parte se recusava a aceitar isso. Não! Isso não podia estar acontecendo. Sabia que enlouqueceria sem ele. Michael era a única pessoa que me fazia manter a cabeça no lugar. Ele me ajudava manter o equilíbrio quando eu estava prestes a cair.

De repente, todos os momentos que passamos juntos passaram em minha cabeça como um filme e eu senti uma pontada no peito. Não queria acreditar que nunca mais o veria sorrir como quando me pediu em casamento, que nunca mais poderia acordar ao seu lado depois de uma noite de amor, que nunca mais sentiria seus braços quentes me envolverem e nem seus beijos carinhosos, que nunca...Nunca mais poderia ouvi-lo dizer o quanto me amava.

– Michael... – minha voz saiu embargada por conta dos soluços.

– Meu Deus... – Damien se pronunciou.

Ainda chorando, abracei o corpo de Michael sem me importar se ficaria suja de sangue. Deitei a cabeça sobre seu peito e não escutei seu coração bater, então a realidade me acertou brutalmente.

Michael estava morto!

Notas finais
Espero que tenham gostado ;)
xoxo -@MyJayBieber