Useless
1 The First Uselessness
Dizem que tudo na vida é insubstituível. Isso quer dizer que o futuro dela nunca iria mudar?
Era uma bela rapariga. Uma prima-dona*. Sua voz, inocente, mas tão quente e acolhedora ao mesmo tempo, capaz de passar sentimentos às pessoas através de suas canções. Alegria, amor, raiva, medo,... Tristeza.
Tão solitária... Mas o que ela podia fazer se não tinha um bem muito valioso, que chamamos de amigos?
Não que ela vivesse sozinha no mundo. Ela tinha fãs e admiradores em qualquer canto, tinha uma boa relação com assistentes e colegas, e era cercada de pessoas cultas e boas para conversar. Porém, ela só tinha alguns bons momentos com essas pessoas, algumas risadas e só. Eram somente conhecidos e não conseguiam se aproximar. Talvez fosse por causa dela, ela simplesmente não se sentia à vontade para desabafar e contar seus problemas, tristezas, incertezas, felicidades, e mostrar seu verdadeiro “eu”.
Seu jeito era tão adorável para os olhares dos outros, todavia, o que ela mais queria mesmo era desaparecer, não sempre, às vezes E se desaparecesse, não haveria problema, pois ela ERA substituível. Afinal, ela era só mais uma artista entre muitos outros, e se um some ou sai da moda, logo outro surge, graças à mídia que controla as mentes.
O nome dela?
Hatsune Miku. O primeiro som do futuro. Talvez fosse um futuro maravilhoso para as pessoas, mas não para ela. Seria sempre assim.
Será que aquilo realmente era vida? Somente sorrir, dançar, apertar mãos, fingir estar em um relacionamento estável com um qualquer, dar algumas risadas, e claro, cantar. Única coisa que ela gostava era cantar. Cantar. Cantar! Mostrar seus sentimentos através da música! Embalar a mente das pessoas com o som! Cantar!!
O que eu narrava mesmo?
Ah! Vida! Era isso!! Sim!! Estar em um corpo sólido, a fim de trazer novas sensações à alma com as ações nossas e das outras pessoas. Bem, a princípio, a vida era para ser constituída de coisas felizes. No momento que estamos tristes, estamos mortos. E para isso que serve as pessoas. Para nos fazer viver e para nos matar.
Sobre a vida dela? Ela vivia ou era morta? É, talvez ela fosse considerada morta. Por mais que ela tropeçasse e caísse na tristeza e arrependimento, ninguém notaria, porque não existe valor naqueles que chamamos de pessoas. Pelo menos era isso que ela pensava.
Deitada sobre a cama, fitando sem interesse o teto branco, com os braços cruzados apoiando a cabeça, e os longuíssimos e lisos cabelos esverdeados espalhados sobre o colchão. O dia estava mais desinteressante que o normal. Não estava com ânimo suficiente para cantar e ou para se levantar, e muito menos para ver qualquer ser vivo.
É incrível pensar que ela só tinha 16 anos. Não se envolvia em escândalos, não comprometia sua imagem, era educada com todos (até com os paparazzi), e parecia não envelhecer nunca, sempre com aquela beleza delicada de boneca de porcelana. Seu interior parecia ser tão frágil tanto quanto porcelana também.
As pálpebras estavam começando a ficar pesadas devido à monotonia. Não seria mal deixar-se ser embalada pelo sono, e cair na realidade do sonho, onde havia um mundo diferente dos dias que nunca se repetiam. Ela não se importaria em ter uma vida ordinária, contanto que ela tivesse felicidade em todos eles.
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