Useless
2 The Second Uselessness
Notas iniciais
–Hatsune!!- seu empresário invadiu seu quarto, esbravejando o nome da garota no meio de reclamações sobre a falta de tempo e dinheiro.
Lentamente, a jovem pôs-se sentada na cama, ainda não recuperada do estado de sonolência. As palavras do homem pareciam não chegar até ela, eram como zumbidos de mosquitos irritantes. Quem sabe isso acontecia por causa do sono e cansaço, ou porque ela sabia quais eram as ordens dele, ou então simplesmente porque ela não queria ouvir. A única coisa que importava agora era o que ela iria comer, seu estômago estava vazio, e assim como naqueles romances clichês em que o protagonista vai beber em um bar quando está triste, talvez comer um pouco fosse elevar o humor dela.
–Hatsune!!!- o grito dele livrou-a dos pensamentos e trouxe-a de volta para realidade.
–Desculpe, Mestre, eu estava distraída... Estou com fome.- tentando livrar a tensão, pôs-se a brincar com os dedos, numa pequena brincadeira onde os indicadores mediam forças empurrando-se.
–Ahhhh Você é tão fofinha, Miku-chan*!- com voz calma e animada, acariciou com a mão o topo da cabeça dela, emaranhando um pouco os cabelos.
Previsível como sempre. Qualquer gesto que ela fizesse, por mais simplório que fosse, diziam: “Que fofa!” “Não é uma gracinha?” e coisas assim, mesmo que não quisesse ser “fofa”. Como um animal domesticado, sempre recebendo carinhos e um bom cafuné.
–Bem, Miku-chan, agora você vai ter de aguentar um pouco a fome, pois temos uma seção de fotos e autógrafos. É bom que você esteja na entrada do primeiro andar em menos de 5 minutos, ouviu?- não a deixou responder, pois trancou a porta logo depois de sair do quarto.
Miku desabou novamente sobre a cama, o pensamento dos fãs, paparazzi e repórteres saltando em cima dela já a deixavam cansada e com preguiça de levantar-se do colchão. Ela não detestava os fãs, mas escapar de ser agarrada e coberta de perguntas e abraços não era seu passatempo favorito. Porém, o dever chamava-a, se não quisesse ser demitida e começar a cantar em bares, era melhor que levantasse da cama, abrisse a porta, caminhasse pelo longo corredor, entrasse no elevador e descesse para a entrada do andar. E foi isso que ela fez.
No final do corredor, colocou-se em frente à porta de metal e apertou o botão com a flecha virada para baixo, que se iluminou com o toque. Alguns segundos depois, o “ding-doll” foi ouvido, o elevador já havia chegado e a porta automaticamente se abriu. E lá estava “ele”, apoiado relaxado na aresta da parede, fitando a garota com o canto dos olhos.
Adentrou o elevador, a tecla do primeiro andar já havia sido acionada. Miku escorou-se na parede oposta, alterando o olhar para pontos aleatórios, a fim de passar o tempo. O espelho, os botões dos andares, os pés, qualquer coisa.
Enquanto ele analisava-a como se ela fosse uma forma de vida desconhecida. E isso não passou despercebido por ela.
–O que está olhando?- seu tom de voz era um pouco grosseiro e indelicado.
–Nada.
O silêncio dominou o local, e ele continuava a fita-la desafiador.
*Chan: nomeação destinada à íntimos, crianças, e garotas.
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