Use My Heart For Both Of Us.
47 Helena.
Notas iniciais
O dia chegou tão rápido, quanto a noite que se foi. Depois da conversa com Rumpelstiltskin, Regina e Robin resolveram ir para casa, onde analisariam melhor a proposta do homem. O ladrão era totalmente contra induzir sua filha que nem nasceu, a usar magia. E embora, Regina soubesse que ele tinha razão, era uma oportunidade. Ela apenas fazeria uma vez e, se não houvesse complicações, seguiria em frente com esse plano. Eles ficaram de se encontrar no dia seguinte, na casa de Snow. Eles acharam mais seguro, caso algo não ocorresse como planejado. Doutora Megan foi chamada para estar presente, assim acompanharia a morena de perto nesse processo.
– Eu realmente sinto muito, Elise está irreconhecível. — Megan fala após medir a pressão de Regina. — Mas fico feliz que ainda confie em mim, mesmo eu já tenha sido amiga dela.
– Espero não me arrepender desse voto que te dei. Se eu descobrir que houve traição da sua parte, considere-se uma mulher morta. — Responde com uma postura seria.
– Está tudo pronto, vocês podem prosseguir. — A médica senta no sofá ao lado de Snow.
– Agora... É com vocês duas. — Gold diz.
– Como vou fazer isso? — Regina indaga preocupada.
– Se concentre.
– Amor, qualquer coisa, qualquer incômodo, me fale. — Robin estava receoso. Regina apenas assenti com a cabeça e fecha os olhos. Tentando fazer o que precisava, pouco tempo se passou mas, a falta de sons na casa, fez com que parecesse horas.
– Isso, você está conseguindo. — Rumple sussurra para si mesmo, após ver uma luz branca muito fraca sair das mãos da Rainha.
– Eu não... Não consigo. — Regina ficou pálida de repente, suando frio.
– Calma, respira fundo. — Robin encara Rumple com ódio. — Eu falei que isso não daria certo! Se minha filha correr risco...
– Pare com essas ameaças, Ladrão. — Rumple diz irritado.
– Levem ela para o quarto, vou examina-la — Megan ordena, enquanto o arqueiro a pegava no colo.
Enquanto isso, mais um dia de chuva forte começou.
– Ah, não acredito! — Marian atravessa a rua correndo, procurando um lugar para se proteger.
– Ainda bem que Ruby ficou com Roland. — Ryan comenta ao lado dela. — A única saída é irmos para a minha casa, que é a mais próxima daqui.
– Não, a minha casa é mais perto! — Afirma.
– Lógico que não! Demoraríamos mais.
– Mas eu nem sei onde você mora.
– Por isso mesmo! Enquanto discutimos, o tempo só piora. — Ryan estava com seu casaco molhado sobre a cabeça.
– Ok, vamos logo.
Eles andaram cerca de quase 10 minutos até chegarem no local. E a chuva não deu descanso, caia furiosamente do céu. Raios e relâmpagos se ajuntaram a tarde fria e ventosa.
– Você disse que era perto. — Marian reclama.
– Pare de falar um minuto e, entra! — Ele já estava impaciente. A personalidade provocativa dela o deixava fora do sério mas, isso só era um defeito... Defeito esse, que ele amava. Ryan não era diferente, sempre que tinha oportunidade, fazia o possível para irrita-la.
Assim que Marian entrou na casa, se surpreendeu. Não imaginaria que Ryan morava ali, num local tão belo. Era visível que ele era organizado e limpo, ao contrário da maioria dos homens. Ela ficou parada ali na casa, apenas prestando atenção em cada detalhe, sem notar que suas roupas molhavam o chão da casa. Quando acordou de seus devaneios, percebeu uma música tocando em algum lugar do ambiente e, Ryan a olhava receoso.
– Isso não foi planejado. — Ele quebra o breve momento de silêncio e, se direciona para desligar o som.
– Não, tudo bem. Eu até gosto dessa música! — Ela sorri e, não consegue conter sua vontade de canta-la.
– Não sabia que estava tão atualizada a ponto de saber cantar essas músicas.
– São quase nove meses que estou aqui... — Ela se encolhe, com uma jarrada de vento que entrou pela janela, que logo Ryan deu de fecha-la.
– Vou pegar toalhas, já venho. — Fala ele correndo e entrando em algum cômodo que, tudo indicava que era seu quarto. — Aqui está!
Ele a abre e cobre todo o corpo molhado de Marian, enquanto ela estava tremendo por conta da temperatura. Ela tira os sapatos, e caminha até o tapete perto da mesinha de centro. Encarando o rapaz a sua frente, percebeu o quão desconfortável estava. Porém, seu olhar não negava o desejo.
– Acho que você deve tirar essa roupa, pode pegar um resfriado. — Fala meio sem jeito, com receio dela pensar que estava a desrespeitando. De uma certa forma, sabia que ela já tinha reparado que ele estava tendo pensamentos ''inadequados''.
– Não acha que vou fazer isso na frente, acha? E aliás, não trouxe outra muda de roupa.
– Posso te emprestar uma camiseta minha, se quiser.
Marian se quer responde, e o vê saindo e voltando com a mesma nas mãos.
– Isso tudo é culpa sua!
– Minha?
– Sim. Se tivesse um carro, não passaríamos por isso.
– Não tenho esposa e muitos menos filhos, pra quê diabos iria querer um carro?
– Para se livrar de uma tempestade, por exemplo.
– Vou anotar na minha agenda, pode deixar. — Brinca.
– Ryan, pare de me olhar assim! — Verbaliza com vergonha e pega a camiseta.
– Assim como? — Ele se aproxima lentamente dela, não podia negar que não conseguia fingir ignora-la por muito tempo.
– Assim, tão... Disfarce pelo menos.
Sim, ela estava nervosa. E ficou ainda mais quando, sentiu as mãos dele em sua cintura. Juntando mais ainda seus corpos, seus olhares conectados. Ryan não sabia ao certo o que pensar, se prosseguia. As últimas investidas dele tinham sido falhas, até que desistiu. Mas hoje era diferente, fazia quase um minuto que eles estavam se encarando e ele ainda não tinha sido agredido pelo contato tão próximo, isso significava que ela queria mais... Ou talvez, ele estava viajando.
Tomando a coragem que faltava, Ryan encostou seus lábios nos dela. Calmamente, acariciou seus cabelos enquanto o beijo ficou mais intenso. Uma sensação boa tomou o coração de ambos, com toda certeza, eles se surpreenderam com o ato.
– Eu não quero fazer nada que você não queira. — Ryan separou seus lábios dos dela e disse. Ela não respondeu nada, apenas o puxou para um outro beijo novamente. Dando permissão para que ele continuasse, o que ela queria a muito tempo mas, o orgulho de se entregar falava alto.
___________
– Tem certeza que não está com dores? — Robin questiona pela milésima vez, sentando ao lado de Regina na cama.
Doutora Megan disse que o mal-estar, foi causado pelo esforço. Porém, com um bom descanso, se recuperaria logo e, que nada passou de um grande susto.
– Não se preocupe, só estou enjoada.
– Não faça mais isso comigo, posso parar no hospital de novo. — Fala arrancando uma risada da morena. — Eu não quero que nada aconteça com minhas meninas mas, você é cabeça dura.
– Desculpe, eu só queria que desse certo. Derrotaríamos Elise e, ela voltaria para urna.
– Eu entendo que quer ajuda-la mas, você está grávida de quase oito meses e meio. Não pode fazer esforços, nosso melhor plano agora, é mante-la aqui. — Ele acaricia o abdômen dela e, deposita um beijo. — Se quer ajudar, não procure a solução para tudo com magia. Nem tudo se resume à isso, ela sempre virá com um preço. Sempre. Tente fazer as coisas por você mesma, mesmo depois da gravidez, se sua magia retornar.
– Você sempre com os melhores conselhos.
Regina deixa uma lágrima cair e a limpa rapidamente. Ela sente o beijo quente de Robin em sua testa, levando uma mecha de seus cabelos para atrás da orelha.
– Eu te amo... — Ela sussurou o abraçando. — Muito, mais do que possa imaginar.
– Eu amo você e essa princesinha sem nome. — Sorri olhando para seu ventre.
– Sem nome porque você ainda não escolheu nenhum.
– Sabe, hoje quando vi suas mãos... Aquela magia branca.
– Magia de luz.
– Isso, luz. Eu não consegui deixar de pensar que ela possuía isso, que era capaz de tal coisa. É impressionante, porque nunca na minha família, alguém tinha poderes. Isso quer dizer que, nossa bebê é especial.
– Única!
– Não posso negar que estava cogitando Ally para ser seu nome mas, acho que não seria uma boa idéia. Pretendo falar muito dela para nossa filha e, creio que ela ficaria confusa.
– Com certeza ficaria. Não sei que ela herdará minha magia negra mas, farei o possível para que não pratique. Não quero que seu destino, seja o que o meu foi. Então, que nome pensou?
– Em um que representasse o que ela é.
– Robin, não me deixe curiosa. Pare de fazer mistério!
– Helena... Ela se chamará Helena.
– Cheia de Luz. — Regina diz visivelmente emocionada. — É lindo!
– Gostou mesmo? — Robin pergunta.
– Eu amei, você tem razão. Não posso depender da magia, preciso saber me defender. Elise não tocará um dedo na minha filha, porque eu protegerei minha família.
– Nós dois estaremos mais unidos do que nunca. — Ele segurou sua mão.
– Obrigado... Por tudo.
– Sua chorona. — Robin seca seu rosto.
– Eu sei que isso não tem nada a ver com esse assunto porém, estou com desejo.
– Desejo? — O ladrão faz careta. — Isso não me cheira boa coisa, desde que não me faça ir no Granny's no meio da noite, peça o que quiser!
– Sorvete.
– De chocolate. — Completa.
– Isso!
– Isso não é desejo, você todo santo dia pede sorvete.
– Por favor, Helena é que está pedindo.
– Virou chantagem? Duas contra um, isso não é justo.
– Vai logo!
– Ok mas, com uma condição. Você terá que dividir comigo.
– Pegue para você, folgado!
– Você está muito mandona, abusando de um pobre homem como eu. — Fala saindo do quarto.
No dia seguinte...
Depois de mais uma madrugada difícil para Regina, ela acordou com o sol raiando pelo janela. Percebeu que Robin não estava mais na cama mas, sua preguiça não permitiu que levantasse. Ultimamente, dores nas costas a incomodavam, sua barriga realmente estava enorme.
– Bom dia, trouxe seu café. — Robin aparece na porta com uma bandeja e um sorriso aquecedor.
– Isso não é justo, eu quem devia ter trazido o café da manhã na cama. — Ele se aproxima e a beija calmamente. — Bom dia.
– Eu já falei que me sinto ótimo e você, precisa se alimentar. Passou a noite se alimentando de sorvete.
– Obrigado mas, não vou querer.
– Como não?
– Se soubesse o quanto estou enjoada, me entenderia.
– Não é melhor irmos na médica, essa noite você quase não conseguiu dormir.
– Não se preocupe, estou bem. Aliás, daqui a pouco vou sair com a Tinker e aproveitar para levar o Henry à escola.
– Tome o suco, pelo menos.
– Ok.
– Conversei com David e, ele quer que eu volte a trabalhar.
– Mas já?
– Sim, só meio período. Conversamos ontem, espero que não se incomode.
– Não, tudo bem. — Diz saindo debaixo dos lençóis. — Agora, vou tomar um bom banho.
A rainha demora cerca de 10 minutos no banho, estava tão destraída que nem viu o tempo passar. Ela tinha pedido a Snow que tomasse conta da prefeitura, enquanto estava no estágio final da gestação. Por isso, não trabalhava mais.
Saiu do banheiro, vestiu algo leve e confortável. Quando desceu, Henry já estava à sua espera na sala. Sorri ao ver a mãe, não podia deixar de notar que estava linda.
O trajeto até a escola, foi recheado de conversas e brincadeiras. Henry contava para Regina sobre uma garota nova na escola que ele estava interessado e, ria da cara dela. Realmente, Regina estava acreditando nas palhaçadas do filho. Antes mesmo deles perceberem, já estavam no portão do colégio. Henry se despediu e saiu do carro. Quando viu que sua mãe já tinha ido, desviou o caminho e foi na direção oposta. Ele precisava ajudar a Rainha e sua irmã, precisava fazer alguma coisa.
– Henry, que surpresa!
– Olá avô. — Diz entrando em sua loja.
– Não o esperava aqui, você não tinha que estar na escola? — Gold estranha.
– Talvez.
– Tudo bem, sei que quer algo.
– Podemos conversar?
– Claro, acho que posso imaginar o assunto dessa conversa.
– Minha mãe.
– O que quer saber?
– Você precisa ajudar ela com essa tal de Elise.
– Sinto em dizer mas, eu não posso.
– Por que não? Você é o único com magia aqui, Emma não está em StoryBrooke.
– As trevas não tem poder para derrotar o tipo de Magia de Elise.
– E qual é o tipo? — Pergunta.
– Você é um garoto esperto. — Ele suspira, saindo de trás do balcão. — Elise... Ela roubou a magia de Ally quando morreu e tomou para si. A menina é poderosa, por causa do coração armagurado de Elise, a magia de luz se transformou na coisa mais negra que existe.
– E é por isso que só uma magia semelhante pode derrota-la, o bebê e Ally são iguais nos poderes. — Henry conclui pensativo. — Só minha irmã pode ajudar.
– Porém, Regina não conseguiu induzi-la à isso.
– Não tem outra maneira que nós dê mais tempo?
– Não.
– Como Ally morreu?
– Henry...
– Foi você, não foi?
– Não vamos levar essa conversa para outro lado.
– Responda!
– Sim, foi eu quem a matei. — Revela. — E acredite, não me orgulho disso.
– Uma criança...
– Foi um acidente.
– Não posso crer que você matou uma criança. — O menino estava incrédulo. — Você é capaz de me matar também?
– Não diga isso...
– Agora entendo porque meu pai fugiu, você é um monstro! — Fala com uma lágrima escorrendo pelo rosto e saindo correndo.
– Não, espere. — Gold o olha entristecido.
___________
– Pensei que quando me chamou para sair, seria num lugar mais aberto. — Tinker comenta fechando a porta da biblioteca.
– Se estiver achando ruim, pode ir embora. — Regina disse sem muita paciência.
– Estou vendo que hoje você acordou num mal humor adorável.
– Pare de me encher, não tenho uma boa noite de sono há tempos. — Suspira com uma das mãos nas costas. — E parece que hoje só piorou, fui dormir de madrugada.
– Helena dando trabalho e, acostume-se, ela nem nasceu ainda.
– Espera um minuto... Helena, quem te contou?
– Acho que não conhece o noivo que tem em casa. — A fada ri. — Ele contou para o David, David contou a Snow e, assim foi.
– Acho que isso é um vírus que me persegue.
– Ok. O que vamos fazer aqui? Praticar o ato da leitura?
– Muito engraçada. — Ela se senta. — Preciso achar algo que me ajude, qualquer coisa sobre Elise, Ally ou Arendelle. Queria ter algum meio de comunicação com Belle ou Emma, para saber como andam as coisas por lá. Eles estão se arriscando por mim mas, só temos poucas semanas até Helena nascer.
– Sua barriga está enorme, isso contribui para o fato de que ela não parece ser daquelas que gostam de esperar.
– A doutora Megan disse que embora falte menos de três semanas, ela pode nascer antes.
– Então, vamos ao trabalho.
Regina se levantou e junto com Tinker, começaram a procurar nos livros. A poeira fez com que ambas começassem a espirrar, parecia que Belle não limpava aquilo há anos.
– Preciso descobrir como e por quê Ally morreu, que diabos aconteceu com Elise. A urna que ela foi pressa, a importância da minha filha para ela.
– O livro...
– Que livro?
– Claro, o livro de histórias do Henry. Conta as histórias dos personagens encantados, talvez possamos encontrar tudo que precisamos.
– Pode ser mas, ela não é um...
– Se quer saber a história de Elise, por que não pergunta diretamente para quem a viveu? — A própria aparece ao lado da morena, numa nuvem de fumaça branca, as assustando.
– O que está fazendo aqui? — Tinker corre para perto de Regina, ficando na sua frente, como modo de proteção.
– Meu assunto não é com você, inseto. — Elise a lança para longe, fazendo-a perder a consciência.
– Ficou louca? — Regina grita. — Se eu pudesse, arrancava seu coração agora mesmo e, não pensaria duas vezes em transforma-lo em pó.
– Por que está tão brava, Regina? Isso não faz bem para... Helena.
– Sua maldita! — A prefeita iria avançar nela porém, para no meio do percurso.
– Eu admiro você, tem coragem para me enfrentar mesmo grávida.
– O que quer?
– Já te falei, contar a minha história.
– Então, conte.
– Não aqui, precisamos ir a um lugar.
– Não confio em você, querida.
– Na verdade, você não é tão difícil de conquistar. A Prefeita de StoryBrooke confiou em mim, coisa que a Rainha Má nunca o faria.
– O que quer dizer com isso? — Regina questiona confusa mas, com os olhos em fúria.
– Nada que faça importância. — A loira anda se aproximando dela. — Nós fomos amigas, não precisa temer.
– E eu me arrenpendo amargamente.
– Se quer saber tudo, tem que vir comigo. — Elise disse, Regina olhou para a amiga caía no chão. — Eu não machuquei, ela vai ficar bem.
– Eu...
– A escolha é sua.
– Tudo bem, aonde vai me levar?
– Aonde tudo terminou.
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