Upside Down - Seddie
44 Capítulo 44- That's why i love you
Notas iniciais
Pov Geral
O som do carro se afastando ainda ecoava quando Sam fechou a porta. Melanie entrou carregando uma mochila e um sorriso satisfeito. O moletom de Brad parecia dois números maior do que ela, e ainda assim, dava nela um ar confortável.
— Então? — perguntou Sam, de braços cruzados. — Ainda viva?
— Sobrevivi. E, admito: o cara é melhor com panquecas do que com piadas. Mas é fofo. — Disse Melanie suspirando.
Sam deu um sorrisinho curto e girou nos calcanhares, indo até a cozinha.
— Freddie fez café. — Serviu duas canecas. — E eu sei que você não dormiu de moletom coisa nenhuma, você está brilhando. — Disse sorrindo para a irmã cheia de conhecimento, ela ficava exatamente assim depois de fazer amor com Freddie.
Melanie riu e se jogou no sofá, puxando as pernas para cima.
— Você me conhece tão bem...
— Sim eu conheço, você é uma Puckett afinal de contas, mas foi bom pra você fico feliz por vocês.
— Falando em Puckett, cadê a mamãe? Não vejo ela desde a festa da piscina, a casa está até silenciosa. — Disse Mel olhando ao redor.
— Ela voltou para Seattle hoje cedinho com a Sra Benson, disse que tinha festas para ir, e que não queria atrapalhar nosso momento de irmãs. — Sam respondeu revirando os olhos.
— Coitada da Sra Benson... — Melanie refletiu, pensando na mãe de Freddie enfrentando algumas horas de vôo com a maluca de sua mãe.
— Falando nisso cadê o outro Benson? Vocês estão sempre grudados.
— Tá no escritório, reunião de trabalho.
— Vocês estão... bem, né?
Sam parou por um segundo, apenas observando o vapor saindo da caneca. Então foi até o sofá e entregou o café à irmã antes de se sentar ao lado dela.
— A gente tá bem. De verdade. Foi um caminho doido, né? Eu sendo... comprada num maldito leilão, aquela ex dele que parecia saída de um filme de terror psicológico... e a mãe dele que quase me fez fugir correndo.
— É. Eu lembro de você quase enlouquecendo quando a conheceu.
— Quase é gentil. Eu só não enlouqueci por que não ia dar esse gostinho a ela. Mas depois disso tudo, a gente meio que... construiu algo. Uma coisa sólida. Com base nas coisas erradas que a gente não quer repetir.
— Isso é meio bonito. E meio assustador vindo de você.
— É o que dizem.
As duas riram e beberam o café em silêncio por alguns segundos.
Melanie então olhou para a irmã com um olhar mais sério.
— Sabe, eu vi como ele ficou preocupado ontem. E você zoa ele — o que, ok, é sua marca registrada — mas no fundo... ele não tenta te controlar. Ele só... quer saber que tá tudo certo.
— É. Eu sei. E por mais que eu reclame, é bom ter alguém que segura a barra. Que não surta quando eu surto. Que aguenta meus silêncios e minhas ironias. — Sam olhou para frente, os olhos levemente distantes. — Ele é o primeiro cara que não tenta me "consertar". Só... ficar. Mesmo depois de conhecer cada pedaço quebrado.
— Você ama ele?
Sam não respondeu de imediato. Bebeu mais um gole do café e deixou a pergunta pairar no ar.
— Eu já tentei negar isso até pra mim. Mas agora? Agora é óbvio. Eu amo aquele idiota. E não porque ele me salvou, ou me deu uma vida confortável... mas porque ele me deixou ser eu mesma, até quando isso era difícil até pra mim.
Melanie sorriu, encostando a cabeça no ombro da irmã.
— Então relaxa. E começa a confiar mais. Em você. Nele. Em mim. Até no Brad, com sorte.
— Um passo de cada vez.
Sam ficou em silêncio por mais um momento. Depois completou:
— O passado sempre parece que vai bater na porta de novo, sabe? Às vezes eu acordo achando que tudo isso aqui vai escorrer pelos dedos. Que a ex dele vai voltar com um processo bizarro. Que a senhora Benson do nada vai voltar a me odiar. Que... sei lá. Mas aí eu olho pra ele e percebo: a gente já passou por tudo isso. E ainda estamos aqui. Ele e eu.
— É isso que importa.
As duas permaneceram assim: em silêncio, uma encostada na outra. Sam, pela primeira vez em muito tempo, se permitiu sentir aquela paz: a de amar alguém — e ser amada — sem precisar fingir força o tempo todo.
E do corredor, sem fazer barulho, Freddie escutava só o final da conversa, parado com uma caneca na mão e um sorriso discreto no rosto.
Ele não diria nada. Não agora. Mas saber que Sam o amava... com palavras dela, para a irmã, sem precisar de plateia... isso era tudo que ele precisava naquele momento.
oOo
Sam entrou descalça, os pés leves contra o chão frio, os cabelos ainda úmidos escorrendo em ondas rebeldes pelas costas. Vestia apenas uma camiseta velha do Freddie, larga, mas não o suficiente para esconder a curva do quadril ou o brilho despreocupado nos olhos. O tecido carregava o cheiro dele — e Sam gostava disso mais do que admitiria.
Freddie estava deitado, com um livro esquecido no colo e os olhos perdidos no teto. O jeito como ele olhava quando o pensamento estava distante. Quando o silêncio vinha carregado de memórias. Ou talvez de escuta.
Ela percebeu o que tinha acontecido antes mesmo de perguntar.
— Você ouviu.
Ele virou a cabeça na direção dela, o rosto sereno. Apenas assentiu. Não havia culpa. Nem pressa. Apenas a franqueza de quem não tem mais por que fugir.
— Eu devia ter voltado pro meu quarto, mas... quando ouvi você conversando com a Melanie... eu fiquei. Não queria invadir nada. Só... não consegui ir embora.
Sam não respondeu imediatamente. Andou até a cama devagar, sentando-se ao lado dele com as pernas cruzadas, os dedos brincando com a costura da colcha.
— É engraçado... eu falo pouco sobre o que sinto. Sempre fui assim. Até pra mim mesma, às vezes, eu invento desculpas, ironias, desvios. Mas com a Mel, às vezes escapa. É quase terapêutico.
Ela virou o rosto pra ele. Aquele olhar que parecia saber mais do que dizia.
— Eu amo você, Freddie. E não por causa do que você faz por mim. Ou do que você me deu. Mas porque você me viu inteira — até as partes que eu odiava. E decidiu ficar.
Freddie se sentou devagar, o livro caindo no chão sem que nenhum dos dois notasse.
— Eu nunca quis consertar você, Sam. Quis só... estar com você. E o resto, a gente foi descobrindo junto.
O ar entre eles parecia carregado de algo que vibrava, que crescia sem esforço. Uma energia lenta, porém intensa. Sam deslizou até ele, se ajoelhando entre suas pernas, os braços envolvendo o pescoço dele com um movimento natural, íntimo, decidido.
— Então acho que devemos continuar descobrindo. — disse ela, a voz baixa, firme, como um convite e uma promessa.
Freddie respondeu com um beijo. Não apressado. Não faminto. Mas profundo. Um beijo que falava de tudo o que eles construíram, tudo o que superaram. A boca dele encontrava a dela com respeito e desejo na mesma medida. As mãos exploravam seu corpo com familiaridade, mas também com reverência. Como se reconhecessem aquele caminho, mas ainda assim se surpreendessem com cada curva.
Ele a deitou devagar, os dedos escorregando pela lateral da coxa, pelo quadril, até subir por baixo da camiseta que era dele, mas que agora parecia feita para ela. O toque era quente, firme, mas paciente. Sam fechou os olhos, sentindo a pele se arrepiar sob os dedos dele. O modo como Freddie a tocava nunca era apenas físico — era como se, através da pele, ele estivesse dizendo: "Você está segura. Você é amada."
Ela puxou a camiseta por cima da cabeça e o encarou. Não havia hesitação nos olhos dele. Só desejo, admiração, e algo mais fundo — algo que dizia: "Eu pertenço a você, tanto quanto você a mim."
Freddie se livrou da própria camisa e se deitou sobre ela, encaixando os corpos com precisão. Sam arqueou as costas, os seios pressionando contra o peito dele, os lábios encontrando os dele com um novo ritmo — agora mais quente, mais urgente. Os quadris se moviam em sintonia, ainda cobertos pelas últimas peças de roupa, mas já exigindo mais.
Os dedos dele deslizaram pelas costelas dela, a palma da mão repousando sob o seio antes de apertar levemente, arrancando um suspiro rouco de Sam. Ela retribuiu com as unhas pelas costas dele, marcando o momento, o corpo dele, o vínculo que só crescia.
E então, finalmente, quando as roupas já estavam esquecidas ao lado da cama, ele entrou nela com cuidado e certeza. Os olhos fixos nos dela. Não houve pressa. Nem performance. Foi real. Profundo. Íntimo como uma confissão sem palavras. Os movimentos eram compassados, carregados de significado. Era sexo, sim. Mas também era lar.
Sam sussurrava o nome dele contra sua boca entre gemidos baixos. Freddie segurava firme sua cintura, como se cada estocada fosse também um pedido silencioso para que aquele momento nunca terminasse.
E quando o clímax veio — intenso, envolvente, com o corpo inteiro se contraindo sob a onda de prazer — não houve grito. Houve respiração presa. Olhos fechados. E depois abertos, um no outro.
Freddie deitou ao lado dela, puxando-a para cima de si, os dedos traçando linhas invisíveis nas costas dela. Sam repousou o rosto na curva do pescoço dele, os cabelos loiros espalhados pelo peito suado dele.
Ela ergueu o rosto e beijou a ponta do nariz dele.
— Agora dorme. Ou eu vou me apaixonar de novo.
Ele riu baixo. Beijou sua testa.
— Então fica acordada. Só mais um pouco.
E assim ficaram. Pele na pele. Alma na alma. Dois corpos marcados pelo passado, mas inteiros no presente.
Porque às vezes o amor mais verdadeiro não vem de um conto de fadas. Vem de quem sobreviveu à tempestade e ainda escolheu ficar.
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