Upside Down - Seddie

51 Capitulo 51 - Our Strong bond


Pov geral


(Flashback on)

O verão estava em seu auge, e o sol refletia nas águas cristalinas da piscina pública, criando brilhos que pareciam pequenos diamantes dançando na superfície. Sam e Melanie, com oito anos, estavam empolgadas desde que acordaram. Pam não era a melhor das mães mas havia prometido um dia inteiro para se refrescarem em uma das muitas piscinas publicas de Seattle as meninas estavam animadas, e as duas não paravam de rir enquanto corriam pela área molhada.

— Sam, não corre na beira! — Melanie advertiu, com aquele tom que sempre usava quando sentia que a irmã estava prestes a aprontar.

— Ah, Mel, eu sei nadar! — Sam respondeu, rindo, antes de dar mais alguns passos rápidos.

Mas o piso escorregadio venceu sua confiança. Num segundo, Sam perdeu o equilíbrio e caiu direto na parte funda da piscina. O susto foi imediato. A água fria a envolveu, e o ar fugiu de seus pulmões em pequenas bolhas.

Melanie não hesitou. Mergulhou atrás da irmã, seus braços finos cortando a água com força inesperada para alguém tão pequena. Alcançou Sam, segurando-a pela cintura e puxando-a para a borda com esforço, enquanto o coração batia descompassado.

Quando as duas emergiram, tossindo, a mãe correu até ela, estava distraída flertando com com o salva vidas, mas Melanie continuava abraçada a Sam, como se ainda temesse soltá-la.

— Você tá bem? — perguntou, com a voz trêmula.

— Tô... eu só me assustei. — Sam respondeu, ainda ofegante, agarrando a irmã com força.

Melanie sorriu, um sorriso pequeno, mas cheio de alívio.

— Promete que vai tomar mais cuidado? Não quero que nada de ruim aconteça com você.

Sam assentiu, encostando a testa na da irmã, enquanto sentia o abraço apertado e quente, mesmo com ambas molhadas e tremendo. Era como se, naquele instante, nada no mundo pudesse separá-las.

(Flashback off)

Dias atuais...

O celular vibrou no criado-mudo com insistência. Sam, encolhida sob os lençóis, deixou os olhos correrem pela tela sem muito entusiasmo — mas congelou ao ver o nome que piscava:

Melanie ♡

Ela hesitou por um segundo, o coração apertado. Desde o escândalo do leilão, Sam se sentia despida. Vulnerável. Desconstruída. Ver o nome da irmã ali, chamando, parecia uma corda lançada no meio de um naufrágio.

Atendeu.

— Alô?

— Você não achou mesmo que eu ia ficar calada depois de tudo isso… né, Samantha?

A voz era a mesma de sempre — firme, familiar, calorosa — mas agora com uma força nova, quase maternal. Sam engoliu em seco.

— Desculpa... eu só... — sua voz falhou. — Eu não queria que você soubesse assim. Nem que isso voltasse pra você.

— Ei. Não faz isso. — A firmeza de Melanie atravessou o fone. — Não vai começar com esse papo de culpa agora. Se tem alguém aqui que precisa pedir desculpas, sou eu. Por anos, você segurou o mundo com uma mão enquanto carregava a minha dor com a outra. Agora é minha vez.

O silêncio de Sam era pesado, e Melanie continuou:

— Sabe... Eu sempre achei que você fosse invencível. Aquela garota que ninguém derrubava. Mas ver você desabando me fez entender algo que, talvez, eu tenha demorado demais pra enxergar: até as mais fortes precisam de colo. E eu quero ser esse colo, Sam. Como você sempre foi o meu.

Sam apertou os olhos, sentindo as lágrimas arderem. Lembranças pipocavam como flashes — as noites em claro ao lado da irmã durante a quimioterapia, os empregos dobrados, os medos escondidos sob piadas sarcásticas. E agora, Melanie, tão curada por fora quanto reconstruída por dentro, era quem a levantava.

— Eu tô tão... cansada, Mel. Todo mundo acha que eu sou forte o tempo todo. Mas eu só queria... respirar.

— Então respira. — A resposta foi suave. — Respira, Sam. Eu tô aqui. E você não precisa provar mais nada pra ninguém. Não pra mim. Não pro Freddie. Muito menos pra esses parasitas como a Missy.

Sam deu uma risada abafada pelo choro. Melanie estava furiosa, podia sentir.

— Você viu tudo?

— Eu vi. E tenho orgulho de você. E quase comprei uma passagem só pra ir arrancar aquele sorriso nojento da cara dela. Mas achei melhor ligar primeiro. — Ela suspirou, suavizando o tom. — Freddie te ama, Sam. Eu vejo nos olhos dele. E quer saber? Você merece isso. Você merece amor. Não castigo.

A voz da irmã vinha como um cobertor quente.

— Acha mesmo que eu vou sair dessa? — Sam murmurou.

— Acho que você já tá saindo. Devagar, como tudo que importa. Mas vai sair. E quando isso tudo passar, quando essa poeira abaixar, você vai olhar pra trás e ver que mesmo quando caiu... você nunca esteve sozinha.

Sam apertou o celular contra o rosto, como se quisesse abraçar a irmã dali mesmo.

— Eu te amo, Mel.

— Eu te amo mais, Sam. E se você esquecer disso, eu vou ligar de novo amanhã. E depois. E depois. Até você acreditar.

As duas ficaram em silêncio por alguns segundos, unidas por algo que nem a distância, nem o passado, nem a dor conseguiriam quebrar.

E pela primeira vez em dias, Sam respirou fundo. Pela primeira vez, sentiu que talvez, só talvez... ela fosse ficar bem.