Upside Down - Seddie

52 Capitulo 52 - Family


A luz que entrava pela janela da sala era suave, como se o dia também estivesse tentando não invadir demais. Sam despertou no sofá, enrolada na manta que Freddie cuidadosamente colocara sobre ela durante a madrugada. O som baixo da cafeteira funcionando na cozinha denunciava sua presença.

— Bom dia, dorminhoca — ele disse ao vê-la abrir os olhos, com um sorriso gentil, o tipo que ela conhecia bem. Aquele que ele usava para dizer: “eu tô aqui”, mesmo sem palavras.

Sam sentou-se devagar, ajeitando o cabelo bagunçado, com um suspiro fundo.

— Que horas são?

— Pouco depois das nove. Fiz café. E panquecas. — Ele se aproximou, entregando-lhe a caneca já do jeitinho que ela gostava. — Não sabia se você ia querer comer, mas... achei que valia tentar.

Ela sorriu com os olhos ainda marejados. Não pelo cansaço, mas pelo gesto. Pela constância dele. Mesmo nos dias em que ela mesma mal conseguia permanecer inteira, Freddie continuava lá — firme, tranquilo, paciente.

— Eu sempre vou querer comer, Benson. — murmurou, encostando-se a ele, que se sentou ao seu lado no sofá.

Ficaram assim por alguns minutos. A televisão ligada em volume baixo, um noticiário qualquer, ignorado. Apenas a presença dele, a respiração constante, o calor do corpo, eram o que importavam.

Sam tomou um gole do café, depois pegou o celular que estava no braço do sofá. Uma notificação: chamada perdida de Melanie.

Ligou de volta.

— Ei, Sam — a voz da irmã soou do outro lado, quente, afetuosa, e um pouco emocionada. — Eu só queria ouvir sua voz. Saber como você tá.

Sam apertou o celular contra a orelha, enquanto Freddie apertava levemente sua mão, como quem dizia “vai com calma”.

— Tô... me remontando, eu acho. — Ela soltou um riso baixo. — Engraçado como as coisas mudam, né? Você sempre foi a que eu precisava amparar. Agora é você quem tá segurando minha barra.

Melanie riu também, com doçura.

— Os papéis mudam, mas o amor continua o mesmo. Você já me salvou tantas vezes, Sam. Tá na hora de eu retribuir um pouco disso. E eu sei que você é forte, mas também sei que até as mais fortes precisam de colo às vezes.

Sam sentiu os olhos arderem. Freddie a olhou com carinho e afastou um fio de cabelo do rosto dela.

— Eu tenho colo — disse Sam, encarando Freddie e segurando a mão dele com mais força. — Aqui comigo. Todos os dias.

Houve um silêncio cheio de emoção do outro lado da linha.

— Então segura firme nisso. Porque é raro. E porque você merece.

A ligação terminou com promessas de um encontro em breve, e uma sensação nova no peito de Sam. Um calor. Um recomeço silencioso.

Ela desligou e se virou para Freddie, que a observava com aquele olhar só dele.

— Você sabe que não precisa carregar tudo sozinha, né? — ele disse. — Eu tô aqui. Tô sempre aqui.

Sam se inclinou, abraçando-o forte. Pela primeira vez em dias, sem culpa, sem vergonha, sem peso.

— Eu sei. E você é a única razão pela qual eu ainda tô inteira.

Freddie beijou o topo da cabeça dela.

— E vou continuar sendo. Até quando você quiser.

Ela sorriu. Ainda havia muito a curar, muito a enfrentar — Missy, os olhares, a reconstrução de sua confiança em si mesma. Mas ali, nos braços de Freddie, ela sabia: não estava sozinha.

E era assim que se começava a respirar de novo.

oOo

A tarde começava a se despedir com uma luz dourada quando Sam bateu na porta do apartamento de Carly. A ansiedade misturava-se à expectativa, mas o receio deu lugar a um sorriso ao ouvir a voz amiga chamando:

— Sam! Entra logo, estamos todos te esperando.

Ao entrar, foi recebida por abraços calorosos. Carly, com aquele sorriso largo que sempre a fazia sentir acolhida, foi a primeira a puxá-la para um abraço apertado.

— Você não sabe como estávamos com saudades.

Logo, Gibby, Nevel, Cat e Robbie surgiram, cada um com palavras e gestos que faziam Sam se sentir parte novamente, com o coração menos pesado.

Nevel, com um olhar firme e confiante, aproximou-se dela e falou baixo, quase para que só Sam ouvisse:

— Freddie me pediu pra ajudar a lidar com esses vídeos e rumores. Estou rastreando tudo e tomando as providências para acabar com essa porcaria.

Sam sentiu um alívio profundo. Saber que não estava sozinha na batalha contra as mentiras deu-lhe forças renovadas.

Cat sorriu, segurando sua mão com gentileza.

— Você é forte, Sam. E a gente vai estar sempre aqui pra você, sem julgamentos, só amor.

A noite seguiu entre risadas, conversas sinceras e aquele conforto que só a amizade verdadeira oferece. Sam sabia que ainda tinha um caminho a percorrer, mas com aquela rede de apoio, nada parecia impossível.

E pela primeira vez em muito tempo, ela se permitiu acreditar que poderia recomeçar — cercada por quem realmente importava.