Upside Down - Seddie
50 Capitulo 50 - Know your enemies
Notas iniciais
Os dias que se seguiram à revelação da notícia sobre o passado de Sam se arrastaram como uma tormenta silenciosa. Embora não fosse mais um segredo entre os mais próximos, ver seu nome atrelado a um leilão ilegal, mesmo com motivações nobres, espalhado em sites de fofoca e fóruns maldosos, a devastou de um jeito que ela não conseguia expressar.
Na manhã seguinte à publicação da notícia, Sam não conseguiu sair da cama.
Estava deitada de lado, os olhos fixos em um ponto indefinido da parede. O peito apertado, a respiração curta, as mãos trêmulas e o estômago embrulhado — como se o mundo estivesse afundando e ela estivesse sendo levada junto. Freddie entrou no quarto com um copo d’água, mas ao vê-la naquele estado, largou tudo na cômoda e se ajoelhou ao lado da cama.
— Sam? — sua voz foi baixa, quase temendo quebrá-la.
Ela não respondeu. Apenas fechou os olhos com força, tentando conter o pânico crescente.
— Sam, amor, você tá hiperventilando — ele disse, mais firme agora, reconhecendo os sinais. — Olha pra mim, por favor.
Ela balançou a cabeça negativamente, o peito subindo e descendo em um ritmo frenético. Freddie subiu na cama, se sentando com ela entre os braços, guiando sua respiração com calma.
— Respira comigo. Assim ó... inspira... segura... expira bem devagar. Você consegue, Sam. Tô aqui.
Foram longos minutos até que ela finalmente conseguisse olhar nos olhos dele com lágrimas pesadas nos cílios.
— Eles vão me destruir... — ela sussurrou. — Agora eles sabem.
Freddie a abraçou com força.
— Não vão. Eu não vou deixar.
Mais tarde naquele dia, ele ligou novamente para a Dra. Lea Walters. Pediu que ela receitasse algum tipo de calmante para Sam. Que só se acalmou mais após a medicação.
oOo
Enquanto isso, na mansão de Malibu, o clima estava tenso.
A Sra. Benson apareceu de surpresa, o rosto vermelho de indignação.
— Um leilão, Freddie? Um leilão ilegal?! É assim que você encontrou alguém pra namorar? Eu achei que ela tinha mudado, mas isso... isso é inaceitável!
Freddie, em pé no meio da sala, cruzou os braços com firmeza.
— Você não tem ideia do que ela passou. Sam estava desesperada. Ela fez o que achou que precisava fazer. E eu nunca a amei menos por isso. Aliás, foi por isso que eu comecei a amá-la.
— Você está se envolvendo com uma criminosa, Freddie!
— Ela não é uma criminosa! — ele gritou, com os olhos marejados. — Ela é alguém que passou por muita coisa sozinha. E você só prova, mais uma vez, que prefere julgar do que entender.
A Sra. Benson ficou em silêncio, surpresa com a intensidade do filho.
— Se você não pode respeitar a Sam... então é melhor não vir mais aqui — ele concluiu, a voz mais baixa agora, mas firme.
oOo
Na outra ponta da cidade, Missy estava deitada em sua cama de hotel, com o laptop no colo e um sorriso triunfante nos lábios.
— Olha só, Liam... ela foi leiloada. Como uma mercadoria. Você acha mesmo que Freddie vai continuar com ela depois disso?
Liam, mais cético, deu de ombros.
— Você está muito investida nisso.
— Porque essa garota sempre se achou melhor que eu — respondeu Missy, com os olhos faiscando. — E agora o mundo sabe quem ela realmente é. Eu só fiz justiça.
O telefone dela apitou com uma notificação: o post anônimo que “revelava” o passado de Sam já estava entre os mais comentados do dia.
Missy sorriu, satisfeita.
Mas mal sabia ela que, ao invés de isolar Sam, essa tempestade só serviria para aproximar ainda mais aqueles que realmente a amavam.
oOo
Freddie estacionou o carro diante do luxuoso prédio em West Hollywood com o maxilar travado e os nós dos dedos brancos ao redor do volante. Respirou fundo, sentindo o gosto amargo da raiva se misturar à frustração. Ainda podia ouvir os gritos da mãe ecoando no telefone, acusando, julgando, como se ele tivesse arrastado Sam para aquele mundo — quando tudo o que ele fez foi amá-la. E protegê-la. Ou pelo menos tentar.
Missy tinha ultrapassado todos os limites.
Ele atravessou o saguão com passos decididos, ignorando o porteiro que tentou perguntar se ele tinha horário marcado. Sabia muito bem onde encontrar Missy: coberta de sarcasmo e autoconfiança, no apartamento que dividia com o namorado, Liam — o tipo de homem que vestia ternos apertados demais e sorrisos falsos demais.
A porta se abriu após algumas batidas insistentes.
— Freddie? — Missy arqueou uma sobrancelha, fingindo surpresa. Estava impecável como sempre, num vestido de seda azul-marinho e taça de vinho em mãos. — Que surpresa... Quer entrar?
Ele entrou sem pedir permissão.
— Sabia que você era baixa, Missy. Mas nunca pensei que fosse tão podre.
Ela riu, girando a taça com leveza, como se ele fosse só mais uma das suas distrações.
— Eu só compartilhei uma verdade. Foi ela quem participou de um leilão. Ilegal, diga-se de passagem. Eu só... digamos... espalhei o perfume da informação no ar. — Seu sorriso cínico cresceu. — E olha só a comoção que causou. Sua mãe gritando, sua namorada desmoronando… que novela.
Freddie se aproximou com um olhar frio, mais calculado do que Missy estava acostumada a ver nele.
— Você brincou com a saúde mental da Sam. Você sabia o que isso podia causar. E ainda assim fez porque achou que ia ganhar alguma coisa.
Missy apoiou-se no encosto do sofá, sem perder a pose.
— Ganhar não. Desmascarar. Ninguém aqui é santo, Freddie. Você não sabia com quem ela lidava antes? Ela se vendeu. Literalmente. Num leilão. Pra pagar algo que ninguém pediu pra ela fazer. Acha isso nobre? Eu chamo de autoengano.
Freddie avançou um passo. — A irmã dela tem câncer, Missy. Ela fez o que pôde, enquanto você... Você vive nessa bolha podre, se alimentando da desgraça dos outros porque não tem nada verdadeiro pra chamar de seu.
Ela endureceu o maxilar por um segundo, mas disfarçou.
— Por que está tão bravo? Tem medo de que isso manche o seu nome? Seu império? Sua marca? — provocou, rindo. — Ou é porque, no fundo, também não sabia da verdade toda?
— Eu sabia. — A resposta foi firme. — Foi lá que nos conhecemos. E eu estava lá. O problema não é o passado dela, é o seu presente. É o que você é.
Missy ficou em silêncio por um momento, observando-o.
— Você está apaixonado por ela — disse, enfim, como se fosse uma revelação ridícula.
— Sou desde que a conheci. E se você encostar nela de novo, ou fizer mais uma tentativa de destruir a vida dela… eu juro, Missy, você vai conhecer um lado meu que não tem nada de polido.
O silêncio pairou. Liam apareceu na porta do corredor, vestindo apenas calças de moletom, franzindo o cenho com a tensão no ar.
— Está tudo bem aqui?
Freddie encarou Missy mais uma vez, agora com desprezo visível.
— Aproveita, Liam. Ela destrói as pessoas que não consegue ser.
E saiu.
O som da porta batendo ecoou como um ponto final — mas Missy não era do tipo que aceitava finais. Observando a taça de vinho em sua mão, ela murmurou, amarga:
— Ainda não acabou.
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