Upside Down - Seddie
48 Capitulo 48- Life changes
Notas iniciais
A mansão de Freddie, emoldurada pelo céu cor-de-rosa do entardecer e pelo som suave das ondas quebrando na praia logo adiante, exalava um ar de festa íntima. As janelas abertas deixavam entrar a brisa salgada do mar e o perfume das flores recém-arrumadas por toda a sala principal. Na mesa longa do jantar, velas delicadas se misturavam a taças altas e pratos refinados — tudo preparado para homenagear Sam.
Freddie, impecável mesmo de camisa dobrada nos cotovelos e sorriso orgulhoso no rosto, supervisionava os últimos detalhes. Mas foi Sam quem apareceu por trás dele e passou os braços pela cintura do namorado, sorrindo contra suas costas.
— Tá bonito. — ela disse.
— Você merece bonito. Depois da noite que teve... ainda não tô convencido de que você não era uma miragem na passarela.
Sam riu, soltando um suspiro leve enquanto ele se virava para puxá-la para perto.
— Só espero que ninguém derrame vinho no meu tapete novo hoje.
— Duas taças, uma toalha limpa e o Nevel não muito bêbado. Já estou acima da média.
A campainha soou, e Freddie foi abrir a porta. Carly entrou animada, acompanhada de Gibby — que já segurava uma garrafa de vinho e parecia pronto para rir a noite toda.
— Onde está a estrela da noite? — Carly anunciou, procurando Sam com os olhos até encontrá-la no centro da sala.
— Aqui. E tentando manter os pés no chão — respondeu Sam, recebendo um abraço caloroso da amiga.
— Você queimou aquela passarela — disse Gibby, erguendo a garrafa como se brindasse de longe. — Ainda bem que não deixaram você encerrar com um discurso. Você ia fazer metade das modelos chorarem.
— O que seria lindo — acrescentou Nevel, entrando logo atrás com seu blazer de veludo vinho, equilibrando dois livros que ninguém havia pedido. — Mas impraticável para os patrocinadores.
Cat e Robbie chegaram por último. Ela estava com um vestido cor de lavanda simples, o cabelo ruivo preso num rabo solto, e ele, com um blazer torto e uma expressão que misturava timidez e empolgação. Quando seus olhos se cruzaram ao entrarem, algo breve e contido passou entre eles — como um segredo que ainda não sabia que era segredo.
Sam notou a entrada deles, mas sua atenção foi puxada de volta quando Freddie lhe entregou a primeira taça de vinho da noite.
oOo
A mesa se encheu rapidamente com risos, conversas cruzadas e histórias relembradas. Carly liderava os comentários sobre o desfile com entusiasmo, enquanto Gibby tentava contar como havia se perdido nos bastidores tentando achar um banheiro e acabou conversando com uma socialite sem perceber.
Nevel, claro, monopolizava momentos para filosofar sobre “a relevância de quebrar padrões através da estética subversiva performada por Sam”.
— Não é só que você desfilou — disse ele, gesticulando com os dedos longos. — É que você fez isso sendo exatamente quem é. Foi ofensivo pra quem ainda se esforça demais.
Sam riu, pegando mais um pedaço de pão da travessa.
— Eu só andei. Não sou profissional.
— Bom agora meio que é. — rebateu Carly.
Mais ao canto da mesa, Cat e Robbie dividiam discretamente um pedaço de cheesecake de maracujá. Ela passou a colher para ele com um sorriso tímido, e ele riu de alguma coisa que ela sussurrou. Nenhum dos dois parecia perceber que estavam mais próximos do que antes — os ombros quase encostando, os olhos demorando tempo demais nos gestos um do outro.
Certa hora, Cat esticou a mão para alcançar algo e tocou sem querer na mão de Robbie. Eles se entreolharam por meio segundo. E não recuaram.
oOo
Quando a noite caiu por completo, e os convidados foram se dispersando pela varanda, Carly se juntou a Sam para observar o mar do alto.
— Você sabe que hoje mudou tudo, né?
— Mudou?
— As pessoas te olham diferente agora. Mas o mais importante é que você também tá se vendo diferente. E eu tô muito feliz por isso.
Sam sorriu, recostando a cabeça no ombro da amiga.
— Eu ainda tô tentando entender o que vem depois.
— Vem o que você quiser construir. E pelo que eu vejo... você já tem tudo que precisa.
Lá dentro, Freddie ria de algo com Gibby e Nevel, o rosto iluminado pela luz da sala, mas os olhos sempre atentos a ela.
E ali fora, sob o céu escuro e o som do mar, Sam se permitiu acreditar: talvez o mundo não fosse tão hostil quando se tinha os amigos certos à mesa.
oOo
Mais tarde, quando a sala se acalmou e restavam apenas as taças vazias, louças empilhadas e risos abafados ecoando das últimas conversas, Sam recolheu os sapatos e caminhou descalça até a varanda. A brisa estava mais fria agora, mas não o suficiente para espantar a sensação boa que ela carregava no peito.
Freddie a encontrou assim, de costas para ele, com os braços apoiados no parapeito e o vestido balançando suavemente ao vento.
— Fugindo da própria festa? — ele perguntou, baixo, como se não quisesse quebrar o encanto.
— Só… guardando um pouco disso aqui. — Sam respondeu sem se virar, olhando o mar escuro que se confundia com o céu.
Freddie se aproximou e ficou ao lado dela, em silêncio por um tempo. O som das ondas preenchia as pausas que eles não precisavam preencher com palavras.
— Eu queria que você soubesse... que mesmo se ninguém tivesse aparecido hoje, mesmo se as luzes tivessem falhado e o som cortado no meio da sua entrada... eu ainda teria te achado a mulher mais incrível da noite.
Sam sorriu de lado, finalmente virando o rosto para ele.
— E eu queria que você soubesse que, por mais difícil que tenha sido chegar até aqui, foi mais fácil com você segurando a minha mão.
Freddie não respondeu com palavras. Apenas estendeu a mão para ela novamente. Sam a aceitou.
Ele a puxou devagar, com a delicadeza de quem sabia exatamente o valor daquele momento. Sam foi sem resistência, o corpo colando ao dele como se já soubesse o caminho. E ali, entre o som ritmado das ondas e as luzes suaves da sala acesa atrás deles, ele a beijou.
Não foi um beijo apressado. Foi um beijo de chegada. De pouso seguro.
Quando se separaram, Sam encostou a testa na dele e fechou os olhos.
— Acha que isso assusta menos agora? — ela sussurrou.
— Um pouco. — ele respondeu, sorrindo. — Mas só porque você ainda me tira o fôlego.
Ela riu, baixinho.
— Que brega, Benson.
— Mas é verdade.
— Pior ainda.
Ambos riram, e o som leve daquele momento pareceu selar algo entre eles — um tipo de paz, de promessa, de entendimento silencioso.
oOo
Lá dentro, Cat e Robbie ainda estavam no sofá, agora mais próximos, os ombros de fato colados, os dedos enlaçados sem qualquer disfarce. Carly os observava de longe com um sorriso cúmplice. Gibby dormia em um canto com um guardanapo sobre o rosto, e Nevel folheava um dos livros que ele mesmo trouxera, fingindo não notar que ninguém o estava ouvindo há horas.
Carly se levantou e apagou algumas luzes, dando início ao fim da noite.
Quando Sam e Freddie entraram de volta, mãos entrelaçadas e olhares cúmplices, ninguém disse nada. Mas todos notaram.
Porque naquela noite, sem discursos formais nem poses forçadas, cada um ali havia encontrado alguma coisa valiosa — seja um começo, uma continuação ou uma possibilidade.
E no centro disso tudo, Sam descobria que ser o centro das atenções não era tão assustador... quando se estava cercada de quem fazia questão de vê-la inteira.
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