Upside Down - Seddie

47 Capitulo 47- I always Win


Notas iniciais
Oi gente, passando para deixar mais um capitulo e dizer que todos os capitulos finais de Upside down já estão escritos, serão 60 ao todo e sim estamos em clima de despedida oficialmente, espero fechar essa história e ciclo do jeito correto.

O salão do hotel de luxo em Beverly Hills fervilhava de vozes agudas, saltos estalando no piso espelhado e flashes de celulares captando cada segundo. Araras com vestidos milionários, manequins cobertos por tecidos finos e maquiadores apressados davam o tom dos bastidores do desfile beneficente.

Sam entrou no espaço com os ombros erguidos, os cabelos presos num coque improvisado e a expressão de quem não estava ali para se provar — mas para lembrar quem ela era. Freddie caminhava a seu lado, discreto, mas firme, como uma muralha só visível a quem ameaçasse cruzar a linha.

Alguns olhares a seguiram assim que passou pelo tapete neutro que levava aos camarins. Eram rápidos, avaliadores, outros demorados demais. Modelos de pernas longas e postura ensaiada cochichavam em grupos, como se o simples fato de Sam estar ali, com menos centímetros de altura e mais autenticidade no olhar, fosse uma afronta ao ecossistema elitista daquele mundo.

— Aquela ali é a “namorada do Benson”? — sussurrou uma, enquanto ajustava um vestido em seu corpo ossudo diante do espelho.

— Ex-modelo de catálogo, né? E agora vai fechar o desfile? — comentou outra, revirando os olhos.

Freddie escutou, mas manteve o semblante neutro. Sam, porém, sorriu com um canto da boca — o tipo de sorriso que não pedia aprovação.

— Ignora — disse ele, num tom baixo. — Inveja fala mais alto que bom senso.

— Deixa elas falarem. Vou entrar naquela passarela como quem não precisa caber em padrão nenhum. E ainda vou sorrir.

Ela foi chamada para a primeira prova de figurino. Carly já estava por perto, coordenando tudo como se fosse a dona do evento — e em parte, era mesmo. Tinha se aliado ao estilista principal para garantir que Sam usasse um vestido ousado, moderno e absolutamente icônico. Nada que pedisse desculpas por ser quem era.

Nevel apareceu momentos depois com uma prancheta em mãos e a elegância debochada de sempre.

— Sam! Sua entrada foi a mais esperada da semana. Metade dos patrocinadores quer te entrevistar antes mesmo do evento.

— E a outra metade quer saber se foi golpe de marketing — comentou Carly, com ironia.

Sam riu, passando as mãos pelo vestido novo, ainda ajustado com alfinetes.

— Se for golpe, funcionou. E eu sou o plot twist.

Mas nem tudo era brilho e ensaio.

Quando voltou do provador, Sam avistou uma figura que não esperava encontrar tão cedo. Missy.

Vestida de branco — sempre dramática, sempre exagerada —, Missy estava encostada em uma das colunas laterais com um copo de espumante na mão, como se tivesse sido convidada oficialmente. Os olhos encontraram os de Sam com o entusiasmo silencioso de quem preparava algo.

Freddie notou na hora. Endureceu ao lado da namorada.

— O que ela tá fazendo aqui?

— Provavelmente plantando veneno — murmurou Sam. — Mas não se preocupa. Eu não vou dar palco.

Missy, claro, não precisava de muito para começar.

Ela se aproximou com o sorriso mais falso de Los Angeles colado no rosto e a voz melosa como veneno em seda.

— Que surpresa... você aqui. Achei que modelos de catálogo só ficavam nas revistas, não na passarela.

Sam não recuou um centímetro.

— Pois é. A vida é cheia de surpresas. Algumas pessoas evoluem. Outras só reaparecem onde não foram chamadas.

— Ah, querida, eu só vim desejar boa sorte. Vai ser difícil manter o foco com tanta gente de verdade desfilando ao seu redor, né?

Freddie deu um passo à frente, mas Sam segurou sua mão com firmeza, sem desviar os olhos de Missy.

— Fica tranquila, Missy. Eu não preciso fingir ser algo que não sou. Diferente de você, que vive de lembrança e fantasia. Hoje, eu tô aqui por mérito. E você? Só tá aqui pra assistir.

Missy apertou o copo com mais força, mas manteve o sorrisinho venenoso.

— Só espero que você não tropece. Seria um espetáculo.

— Pode ficar esperando sentada. E se quiser mesmo espetáculo... vai precisar de mais do que isso — respondeu Sam, já virando as costas, com Freddie a acompanhando logo atrás.

oOo

Minutos depois, já no camarim, Freddie envolveu Sam com os braços enquanto ela inspirava fundo diante do espelho.

— Você foi perfeita.

— Eu sei. Mas... foi mais difícil do que eu pensei.

— É por isso que significa tanto.

Ela o olhou pelo reflexo, os olhos firmes, mas levemente marejados.

— Obrigada por estar aqui.

— Sempre. No ensaio, no desfile, na vida inteira.

Sam sorriu. Não porque precisava parecer forte, mas porque sabia que era. Com ele, com Carly, com quem a escolhia de verdade.

E com Missy assistindo da plateia... a vitória já estava garantida.

oOo

O salão principal do hotel estava transformado. Lustres gigantes pendiam do teto abobadado, lançando reflexos dourados sobre a longa passarela espelhada que se estendia até o fim da sala. Câmeras, jornalistas e convidados estavam posicionados com seus olhares voltados para o centro. O desfile beneficente era o evento da temporada, e o nome de Sam figurava discretamente no programa como "apresentação final". Só isso já era suficiente para atiçar a curiosidade da elite.

Nos bastidores, Sam sentia o frio habitual na barriga, mas havia algo diferente daquela vez: ela não sentia medo.

— Você está pronta? — Carly perguntou, ajustando os ombros do vestido preto profundo com corte geométrico que parecia esculpido para o corpo dela.

— Eu nunca estive tão pronta pra qualquer coisa na vida — respondeu Sam, o olhar firme no espelho.

Freddie, parado ao fundo, vestindo um terno cinza escuro impecável, a observava como se ela fosse a única luz naquele lugar. Ele não dizia nada, mas seu olhar dizia tudo.

Ela caminhou até ele, já sentindo os saltos pressionarem os pés.

— Quando eu pisar lá, tudo vai mudar — disse ela, mais para si do que para ele.

Freddie pegou sua mão, e seus olhos se encontraram.

— Não. Tudo já mudou. Agora o mundo só vai ver.

Sam segurou o ar por um segundo, então soltou. Caminhou até a cortina preta e esperou sua vez.

A música mudou. A iluminação centralizou-se. O apresentador anunciou a última entrada: “Uma mulher que representa o novo conceito de elegância, força e originalidade... Sam.”

A cortina se abriu, e o salão silenciou.

Sam entrou.

Não marchava, não tentava copiar poses de modelos. Ela simplesmente caminhava — como quem sempre soube onde pertencia, mesmo quando disseram o contrário. Ela era puro impacto. Os olhares grudaram nela. O vestido fluía ao redor das pernas como fumaça, e os flashes estouravam como trovões em um céu admirado.

No canto da primeira fila, Missy a observava com um sorriso congelado e um olhar que misturava incredulidade e raiva mal contida. Sam viu. Sorriu. E continuou andando.

Quando chegou ao final da passarela, parou, girou devagar, e ergueu o queixo — não com arrogância, mas com orgulho.

A ovação foi imediata.

Freddie aplaudia de pé, os olhos marejados. Carly tinha as mãos no peito. Nevel sussurrava algo sobre “renascimento estético”. Missy ficou imóvel, como uma estátua abandonada no tempo.

oOo

Horas depois, já de volta à mansão em Malibu, Sam entrou descalça pela varanda, rindo ao largar os saltos no tapete da sala.

— Se mais alguém elogiar meu andar, eu vou começar a cobrar royalties.

Freddie fechou a porta atrás dela, mas em vez de rir, apenas a observava. Sam, ainda no vestido preto do desfile, parecia mais letal do que nunca — poderosa, viva, incendiada.

— Você destruiu tudo — ele disse, se aproximando. — A passarela, a dúvida, a Missy... Eu nem consigo descrever.

Sam se virou devagar, os olhos escurecidos pelo desejo, a tensão da noite ainda viva em sua pele.

— Então não descreve — ela sussurrou, puxando-o pela gravata. — Mostra.

Ele a puxou pela cintura e a beijou com fome. Os corpos se encaixaram como se fossem imãs há muito separados. Sam o guiou para o quarto, os pés ainda descalços pisando o piso frio da casa iluminada apenas pela luz suave da varanda. Quando chegaram à cama, Freddie tirou o paletó e a gravata, mas foi Sam quem desfez os botões da camisa dele com dedos ágeis.

— Desde o segundo que eu entrei naquela passarela, eu sabia que queria terminar essa noite com você assim — ela murmurou, arranhando levemente seu peito exposto.

Freddie a deitou com cuidado, mas o olhar dele não tinha mais delicadeza: tinha urgência.

O vestido escorregou por seus ombros, revelando a pele dourada pelos flashes do evento, agora iluminada apenas pela lua. Os beijos começaram lentos, mas rapidamente cederam espaço à intensidade que sempre explodia quando estavam sozinhos. Ele percorreu cada centímetro dela como se fosse território sagrado, e ela o puxava com força, pedindo mais, exigindo tudo.

O quarto se encheu de sons abafados, suspiros e gemidos baixos, promessas ditas entre beijos e olhares.

Eles se amaram como dois que sabem que têm o mundo contra, mas um ao outro por inteiro.

Quando enfim o silêncio se instalou, o corpo dela repousava sobre o dele, o peito ainda acelerado, a respiração quente em seu pescoço.

— A passarela queimou — sussurrou Sam.

— Você era o fogo — respondeu Freddie, puxando-a para um último beijo antes que a noite os cobrisse por completo.

Notas finais
Por hoje é só beijos