Upside Down - Seddie
43 Capitulo 43 - Pillow talk
Notas iniciais
PoV Geral
A luz fraca do abajur iluminava o quarto com um brilho amarelado e reconfortante. Sam estava esparramada na cama, o celular largado ao lado, e Freddie andava de um lado para o outro, inquieto. Lá fora, Seattle dormia sob o céu encoberto — e com ela, aparentemente, também Melanie.
— Você acha mesmo que é seguro ela dormir lá? — Freddie perguntou pela terceira vez em menos de uma hora.
Sam soltou uma risada abafada e ergueu uma sobrancelha.
— Você quer que eu diga o quê? Que Brad é um maníaco secreto e a Melanie vai ser vendida no mercado negro em plena madrugada?
— Sam... eu tô falando sério.
— Eu também. — Ela se sentou, os cabelos bagunçados caindo nos ombros. — Escuta, Freddie, eu sei que você se importa. E eu acho bonitinho, de verdade. Mas Mel é minha irmã, não sua. Se tem alguém aqui que tem licença pra surtar, sou eu.
Freddie parou de andar e olhou pra ela.
— É só que... ela é tão frágil, Sam. Já teve problemas de saúde esse ano. E Brad...
— Brad é seu amigo. — Interveio Sam. Você mesmo disse que o cara é legal. Qual é, agora ele virou suspeito só porque tá namorando minha irmã?
Freddie suspirou e passou a mão pelos cabelos.
— É diferente. Não sei explicar. Ela tá na nossa cidade, na nossa responsabilidade...
— Nossa? — Sam cruzou os braços. — Amor, deixa eu te lembrar de uma coisa: Melanie é minha irmã. Eu cresci com ela, cuidei dela em noites com febre, empurrei remédio goela abaixo e levei no hospital mais vezes do que eu consigo contar. E eu confio nela. Se ela achou que podia passar a noite com o namorado, quem sou eu pra achar que sei mais do que ela sobre o que tá fazendo?
Freddie abaixou a cabeça, sentando-se ao pé da cama.
— Ok. Eu entendi. É só que...
— Você quer proteger tudo que me importa — completou Sam, com um meio sorriso. — Eu sei. E isso é fofo. Mas às vezes, o jeito de proteger é confiar também. Principalmente nos nossos amigos.
Freddie assentiu devagar. Sam tinha razão — como quase sempre, ainda que fosse difícil admitir.
— Promete que se ela mandar uma mensagem dizendo que tá viva, você vai parar de me olhar com cara de pai neurótico?
— Prometo — ele respondeu, rindo.
— Ótimo. Agora vem deitar. E, por favor, para de andar feito um velho ansioso. Isso não é sexy.
Ele deitou ao lado dela, mais calmo. Sam se ajeitou sob o edredom e sussurrou:
— Obrigada por se importar com ela. Mas ela é mais forte do que parece, sabe?
Freddie sorriu.
— Igual a irmã.
E assim, com a tempestade lá fora e a paz voltando aos poucos, os dois adormeceram — entre provocações, preocupações e a certeza de que, no fim das contas, confiança também era uma forma de amor.
oOo
O som de notificações no celular despertou Freddie antes do despertador. Ainda meio grogue, ele tateou pela cabeceira até encontrar o aparelho. Sam ainda dormia, a respiração lenta e profunda.
Na tela, uma mensagem de Melanie no grupo "Só os Sensatos" — nome que ela mesma tinha dado ao grupo entre ela, Sam e Freddie, com a justificativa de que Carly jamais seria adicionada ali.
Melanie: Bom dia! Sobrevivi. E Brad faz panquecas melhores que a Sam.
Melanie: PPS: Sam, roubei sua escova de dente. A minha caiu na privada. Beijos.
Freddie soltou um riso nasal. Sam, ainda virada de costas, grunhiu algo incompreensível.
— Sua irmã sobreviveu — disse ele, cutucando levemente a cintura dela.
Sam se virou com um olho semiaberto.
— Eu disse. Ela é resistente. E um pouco nojenta. Ela roubou minha escova?
— Sim. E aparentemente, Brad sabe fazer panquecas melhores que você.
— Mentira descarada. Eu boto bacon caramelizado nas minhas. — Ela bocejou. — E outra: se ela se deu ao trabalho de te mandar relatório médico detalhado, parabéns. Você oficialmente virou a tia preocupada da família.
— Engraçadíssima.
— Você que pediu.
Enquanto Sam se espreguiçava, Freddie olhou novamente para as mensagens e, por impulso, digitou:
Freddie: Obrigado por avisar.
Freddie: PS: Panquecas, sério? Isso foi golpe baixo.
Sam se virou para ele, os olhos já mais despertos.
— Viu como ela lida bem com você? Não precisa ficar andando em ovos com a Mel. Ela sabe que você é cheio de cuidados e paranoias. E mesmo assim gosta de você. Tipo eu.
— Eu não sou paranoico — disse ele, ofendido de leve.
— Claro que não. Você só quase ligou pro hospital ontem à meia-noite porque ela demorou cinco minutos a mais pra responder. Totalmente normal.
Freddie riu. Sam se levantou e pegou o celular.
— Quer saber? Agora eu fiquei com fome. Panquecas?
— Aceito o desafio.
— Então vamos ver se você bate o Brad. E se não bater... bem, talvez Melanie tenha razão.
Ela piscou para ele, maliciosa, e saiu do quarto com passos leves. Freddie ficou para trás por um momento, sorrindo sozinho, antes de seguir.
A manhã começava com cheiro de café, provocações e tranquilidade — e, talvez, com uma pitada a mais de aprendizado sobre como o amor, às vezes, é confiar que tudo vai ficar bem... mesmo quando não está sob nosso controle direto.
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