Upside Down - Seddie
26 Capitulo 26 - Close enough
Notas iniciais
O dia seguinte foi interessante. Carly havia exigido que tivessem um almoço juntas, Carly parecia gostar muito dela, ela quase se sentiu culpada por ter ir embora na primeira oportunidade deixando tudo para trás. Mas isso era novo para ela, ter uma outra amiga que não fosse Melanie. Freddie havia decidido trabalhar durante a semana em home office, para melhorar o relacionamento de amigos segundo ele, mas Sam o sentia como um predador faminto apenas esperando para dar o bote, ele sempre tão estranhamente controlado nem parecia com ele mesmo, mas ela tentava não pensar nisso, ela também estava tendo dificuldade para se controlar e era apenas o segundo dia. Tudo que ela queria era pular no colo dele e fazer o que eles tanto queriam até caírem de exaustão. Mas eles tinham um trato Freddie não ficou nada feliz com a notícia de que almoçaria sozinho, ela quase riu da birra que ele fez, cruzando os braços e fazendo bico, mas logo ela saiu, por que se não daria ouvidos aos seus desejos e o beijaria no mínimo.
Ela foi com uma calça jeans, uma camiseta e uma jaqueta de couro que ela acabou tirando depois já que fazia calor naquela tarde em L.A. Freddie nem se incomodou em ceder o motorista, na verdade ele que havia oferecido. Quando ela chegou ao local precisou tirar os óculos escuros para procurar Carly que estava sentada na mesa distraída mexendo no celular.
Porém ao ver a ex loira deu um grito estridente assustando todos do restaurante.
— Meu Deus Sam! O que houve com seu cabelo? — Carly perguntou se levantando e abraçando a amiga, nesse ponto Sam já havia se acostumado pois Carly gostava de abraços.
— Tá tão ruim assim Carly? — Sam perguntou insegura.
— Não! Não é isso! Está incrível eu só não esperava... — Carly disse rindo dando uma boa olhada na amiga. — Mas você mudou Sam e não foi só o cabelo...
Sam deu um longo suspiro em resposta.
— Pode começar a falar, eu estava em casa folheando uma revista entediada, com dois dias de vácuos seus quando Freddie chegou lá em casa com os olhos vermelhos e com cara de maluco... E bom, ele não disse muita coisa. Só me perguntou de notícias suas, e eu realmente não sabia de nada. Que bela amiga você é hein Sam. — Carly disse cruzando os braços irritada. — Mas ai eu obriguei ele a me dizer, e quando eu ouvi nome da Missy liguei uma coisa à outra e bom tive que brigar com ele, mais uma vez ele deixou aquela mulher atrapalhar a vida dele.
— É ela atrapalhou mesmo Carly, eu estava na piscina tentando seduzir ele, e ela entrou lá como se fosse dona de tudo, me expulsando e dizendo que ia chamar a polícia... Foi muito humilhante. — Sam disse ignorando toda vontade de chorar, ela não ia chorar ali, na frente de Carly nem de um monte de gente.
Carly segurou sua mão em apoio. — Eu posso imaginar amiga... Mas pelo menos você não estava sei lá... Pelada.
Sam abaixou a cabeça sentindo-se culpada, ela quase riu.
Carly botou a mão na boca arregalando os olhos. — Você estava pelada? Que horror amiga!
—Eu tava e tive que sair nua da piscina e correr por aquela casa enorme até o quarto ainda pelada. — Sam disse com pesar.
— E o Freddie? Eu avisei tanto esse idiota, ele deveria ter te contado! No seu lugar eu também teria fugido. — Carly disse genuinamente irritada.
— Obrigada por entender Carly. — Sam disse grata. — Espero que o Nevel também entenda. Aliás você acha que meu cabelo vai ser um problema? Só depois que a Melanie pintou que lembrei que não podia por causa do contrato...
— Imagina, ele mesmo teria pago para você fugir se soubesse o que rolou e não esquenta com o cabelo, você está linda, ele que lute! — Carly disse fazendo pouco caso.
Carly então fez sinal chamando o garçom para que pedissem. Depois de pedirem Carly ficou fazendo rodeios enquanto esperavam fazendo perguntas da viagem. Mas não se aguentou por muito tempo.
— E como vocês estão agora? Fico feliz que você voltou de verdade, mas o que te fez mudar de ideia? — Carly perguntou.
— Bom, ele propôs que eu morasse com ele, mas como amigos... — Sam disse.
— Como amigos? E como é que isso vai funcionar? — Carly perguntou levantando a sobrancelha prendendo o riso.
— Ah amigos normal, pelo menos até ele concluir o divórcio... — Sam respondeu meio vaga pois não sabia muito bem como isso iria funcionar, ela não queria ser amiga dele, disso ela sabia.
— Humm... — Carly disse tomando um gole de refrigerante diet em seguida.
Sam revirou os olhos.
— Humm o que Carly? Você acha que eu pedi por essa droga? Mas ele quer que eu confie nele, e tem o prazo máximo de seis meses do divórcio. — Sam soltou irritada.
Ela se arrependeu por ter sido tão rígida, mas não poderia dar margem para ser enganada de novo nem por ele nem por ninguém.
— Sam...Você está com medo, mas agora que você sabe de tudo e vendo o esforço do Freddie e o desespero dele ao ter te perdido, posso arriscar que você não tem nada a temer. Talvez vocês estejam apenas perdendo tempo. — Ela disse dando de ombros.
Sam refletiu um pouco. — Você está dizendo isso por que não é com você e é amiga dele Carly. — Acusou Sam.
— Acredite, eu nunca passei a mão na cabeça dele nem de nenhum dos meus amigos, e eu sou sua amiga também, não estou dizendo isso só por ele… Mas eu to vendo o jeito que você fala dele. E como isso de amigos funcionaria? Eu sou capaz de sentir a tensão sexual de vocês daqui, se você quer um conselho meu? Não se prive de fazer o que você tem vontade.
— Ele me mostrou os papeis do divórcio, e ele assinou. — Sam disse ponderando.
— O que mais você quer? A partir do momento em que ele assina não depende mais só dele. Ele já fez o que podia, eu só estou dizendo que ao invés de esperar o divórcio sair como amigos, vocês podem esperar como um casal, fazendo o que vocês tem vontade. — Carly disse animada ela não conseguia esconder a felicidade por Freddie finalmente ter dado o primeiro passo para a liberdade.
Sam respirou fundo.
— Você não precisa dar pra ele na hora que sair daqui, mas vão com calma, de modo natural, esperar seis meses reprimindo o que vocês sentem pode ser horrível para ambos, sem contar que isso pode afastar vocês. — Carly disse por fim.
A última frase alarmou Sam. Ela não queria se afastar dele nem ele. E por mais que tenha parecido uma boa ideia no começo bom, Carly tinha razão, mas ela iria pensar melhor a respeito.
O resto do almoço transcorreu bem, o assunto ficou mais leve depois da conversa das duas, Sam sentiu-se como se estivesse tirando um peso enorme das costas. Ela sempre se sentia bem depois de conversar com a morena, Carly era como uma outra irmã, claro que Melanie era insubstituível, mas ela estaria perdida sem Carly.
Será que era possível ser amiga de um homem que ela desejava tão desesperadamente? Vez ou outra durante o almoço esse questionamento voltava. Elas resolveram ir as compras parecia um ritual entre elas, e Sam teve uma surpresa adorável quando viu o carro de Freddie parado na loja em que ela estava com Carly, e mais surpresa ainda ao vê-lo dirigindo. Ele havia ido busca-lá Carly havia dito onde estavam, mas Freddie avisou queria fazer uma surpresa. Sam adorou, quase o beijou quando viu... Quase, ele estava se esforçando, ficando em casa com ela e indo busca-la nos lugares, isso só tornava o seu dilema mais difícil. Freddie parecia genuinamente feliz e ele a levou para jantar, outra surpresa, mas apesar das atitudes românticas ele não flertou com ela nem nada do tipo, mesmo que a luz baixa do restaurante e seus sorrisos tenham lhe passado a mensagem completamente diferente, Freddie falou do seu dia, e de seu trabalho e ela adorava isso. Quando chegaram ele apenas a abraçou beijando sua cabeça e indo para a direção oposta a dela, bom disso ela não gostou. Tomou seu banho, passando tempo demais na banheira pensando, escovou seus dentes e já fez todo o seu ritual, mas não estava pronta para ir para a cama. Seu corpo estava incomodado demais, só conseguia pensar que esse novo acordo com o qual havia concordado nunca iria funcionar.
Depois de se virar na cama por uma hora, decidiu ir atrás de Freddie. Sam sabia que o fato de ir até o quarto dele no meio da noite vai definir como passaremos os próximos meses, mas eu não ligo. Precisava vê-lo, falar com ele, entender no que estava se metendo. Andando na ponta dos pés pelo corredor como se fosse uma intrusa e batendo delicadamente à porta de seu quarto. Nenhuma resposta.
Talvez ele já esteja dormindo.
Sam entra no quarto e procura pelo cômodo escuro. A cama estava bagunçada, mas não viu nenhum movimento.
— Freddie? — Sam sussurra.
Nada.
Ela se aproxima e se ajoelha na ponta do colchão. Agora que seus olhos se acostumaram à escuridão, conseguia ver que ele não estava ali. O quarto estava silencioso e vazio.
Uma pontada de decepção, acompanhada de curiosidade, surge dentro dela.
Então Sam sai do quarto a procura dele.
Com o cair da noite, a casa é uma escuridão total, a não ser pelo pequeno caminho de luzes estrategicamente instaladas pelos corredores. É luz suficiente para que ela consiga enxergar enquanto descia pelas escadas em direção ao escritório de Freddie. Mas antes passa pela sala íntima para confirmar que ele não estava lá.
Talvez ele também não estivesse conseguindo dormir e tenha se levantado para trabalhar. Seus cobertores estavam espalhados pela cama, como se tivesse travado uma batalha com eles. Seu chute é que ele tenha tentado dormir, assim como ela, e acabou desistindo.
A porta do escritório está aberta e um abajur traz uma leve claridade para a sala. Sam ouve um barulho e sente um frio na barriga.
Ao entrar pela porta nem se choca com a imagem de Freddie de pijama trabalhando, ele digitava incessantemente olhando vidrado para a tela do computador. Ele nem a percebe parada ali na porta até que ela bata duas vezes.
Ele ergueu as sobrancelhas sorrindo ao vê-la, seu cabelo estava despenteado e seu topete milimetricamente arrumado estava em sua testa, e Sam adorava vê-lo desse jeito.
— O que você faz fora da cama? — Perguntou ele se espreguiçando um pouco.
— Acho que a pergunta certa é: por que você não está na cama? — Sam pergunta de volta.
— Insônia. — Ele respondeu. — Tem sido comum desde que você foi embora.
Sam sente seu coração desmoronar, mas ela iria conversar com ele antes de fazer o que ela tinha vontade, que era pular no colo dele ali mesmo.
— Precisamos conversar... — Sam diz ainda parada na porta.
Freddie então faz um gesto para que ela se aproxime e sente, talvez em uma das cadeiras em frente a mesa dele. Mas Sam se aproxima empurra o teclado e senta na mesa mesmo em frente a ele. Freddie olha surpreso e curioso ao mesmo tempo.
— Tudo bem, você tem minha atenção. — Diz ele tentando ficar sério.
Sam se aproxima mais olhando para ele.
— Tenha cuidado, Sammy. Você está brincando com fogo, me tentando, fazendo com que eu queira algo que não posso ter.
— Quem disse que não pode? — Sam respondeu na lata.
Ele levanta uma de suas sobrancelhas, observando-me de perto.
— Você mudou de ideia em relação a isso tudo? Porque quero transar com você aqui e agora, tão intensamente que você vai passar o dia todo amanhã sentindo como se meu pau ainda estivesse dentro de você. — Freddie disse sem nem titubear.
Sam nem demonstrou espanto, era exatamente isso que ela queria e ele verbalizar isso de um modo tão cru na verdade a excitou.
— Eu sei, mas eu queria conversar primeiro. — Sam disse tentando controlar o tremor em sua voz.
Freddie se mexeu desconfortável na cadeira.
— Pode falar, eu vou te ouvir. — Ele diz com a voz rouca.
— Por que você nunca transou comigo? — Sam pergunta. Ela queria tirar algumas coisas do caminho primeiro.
— Por que eu não queria por que estava pagando por isso, quando a gente transar quero que seja por que a gente tá com vontade. — Ele disse.
— Mas naquele dia em que a Missy apareceu, nós íamos transar.
Sam havia visto o olhar decidido dele e sabia que ele ia finalmente se render.
— Porque eu sabia, naquele momento, que você queria. Mesmo que não tivesse existido o leilão, o acordo. Você queria.
Sam observa seus olhos, sem discordar nem um pouco dele. E ela ainda queria.
— Por que você sugeriu que fôssemos apenas amigos? — Pergunta.
Ele respira fundo e solta o ar devagar.
— Confiança Sam. De ambas as partes, a gente já conversou sobre isso.
Sam sentiu vontade de revirar os olhos.
— Você ainda quer continuar sendo só meu amigo? — Ela perguntou.
— Primeiro dia e você já quer desistir? Achei que fosse só eu. — Freddie disse rindo.
Sam respirou fundo olhando para ele.
— Tenho medo, Freddie. Disso tudo. De meus sentimentos por você, de me machucar, de entregar minha virgindade. Tenho medo de você não resolver sua situação com a Missy. Mas acredito em você. — Ela disse pela primeira vez se mostrando vulnerável daquela forma para alguém.
Aquilo pegou Freddie de surpresa. Ele também tinha alguns receios e seus próprios problemas com confiança, mas não deixaria que isso atrapalhasse a única coisa boa que havia acontecido com ele em muito tempo. Com Sam ele pensava que as coisas dariam certo, que alguém realmente sentia algo por ele, e que apesar deles terem começado isso tudo de um modo pouco convencional, isso não significava que fosse menos verdadeiro.
— Eu também tenho medo. — Admitiu ele. Eles não sabiam, mas ali naquele momento expondo suas vulnerabilidades, eles estavam fortalecendo laços e trabalhando a confiança um no outro. E pela primeira vez em muito tempo ele não sentia o espectro de Missy influenciando suas decisões. — Mas quero ter você inteira, Sam.
— Mas você disse amigos. — Ela provocou, de leve, entrando no delicioso jogo verbal tão comum nas preliminares.
— Dane-se essa história de amigos. Eu quero transar com você. — Freddie disse.
Sam pode perceber seus olhos mais escuros do que o normal, ela amava quando ficavam daquela cor.
— Eu também quero isso — Diz ela. — Mais do que tudo.
— Você tem certeza disso?
Sam balança a cabeça, confirmando olhando nos olhos dele.
— Tinha um cara que conheci em um bar na França, ele era atraente e gentil e...
— Você teve vontade de transar com ele, Sam?
Seu lado possessivo a fez sentir quente e excitada.
— Só escuta — Pede ela.
— Eu poderia ter dormido com ele e, na verdade, Mel me incentivou a fazer isso. Ela disse que o fato de eu ainda ser virgem era uma escolha minha, e que eu poderia acabar com aquilo de uma vez por todas.
— Eu não duvido disso, você é linda. — Freddie disse parecendo um pouco nervoso. — Mas você não transou com ele?
Sam balançou sua cabeça negando.
— Eu sabia que tinha que ser com você. Eu quero que seja com você. — Ele fica em pé a puxa para junto dele. Seu peito estava encostado no dele e ele passa os braços em volta de sua cintura, esmagando-a. Sam fica sem fôlego e continua ali, em pé, sem se mover, deixando que ele a segure para manter-se vivo.
Eles ficam de mãos dadas e nenhum deles diz uma palavra. É um sentimento íntimo e familiar.
Ele é normalmente tão seguro, tão exigente, que este seu lado vulnerável é totalmente inesperado.
Eles continuam se olhando e parece que estavam pensando a mesma coisa.
Estamos dando um grande passo como casal, se expondo um para o outro. Ele, aprendendo a confiar de novo, e ela, deixando a cautela de lado e envolvendo-se completamente. Sam pensou que seria uma boba em acreditar que poderia simplesmente se afastar dele.
Abaixando a cabeça, ele a beija suavemente, Freddie queria fazer isso desde quando ela chegou novamente a sua casa, ele não sabia como havia conseguido beijá-la suavemente. Sam fecha seus olhos devagar e abre os lábios, aceitando seu beijo. Sua língua acaricia a dela, o que era algo completamente familiar entre eles, o encaixe perfeito, até o gosto. O que começou calmo rapidamente evoluiu para beijos fortes e famintos e quando o ar faltou Sam se afastou sem fôlego.
— Você disse que faz dois anos. É bastante tempo. — Brincou Sam.
Freddie riu meio nervoso.
Ele engole em seco. Freddie solta suas mãos e passa suas mãos em seus braços até chegar ao seu rosto.
Sam tenta ignorar o arrepio que toma conta de seu corpo, mas era inevitável. Ela queria satisfazer todos os seus desejos e aliviar a tensão entre eles mais do que precisava do ar para respirar e sabia que Freddie se sentia da mesma forma.
— Você tem certeza disso? Porque depois que eu estiver dentro de você, não vou mais conseguir parar. — Freddie avisa.
— Tenho certeza. — Finalmente havia chegado o ponto em que eles não poderiam mais voltar atrás.
— Quando começamos? — Pergunta ela.
— Agora.
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