Upside Down

13 XIII — Aware


Notas iniciais
Olha a sumida, cinco meses (não me orgulho nem um pouco disso) cá estou eu, postando o novo capítulo, olhem eu tenho uma parcela de culpa sim, até porque eu deveria ter postado faz muito tempo, porém a Annie (e eu não sei se ela está lendo isso, oi nojenta!) ficou sem tempo de betar e não me entregou o capítulo até agora, vejam só. Ai, na semana retrasada eu mesma ia betar e postar, mas ai roubaram meu celular. O que me fez ficar bem triste. Porém, me desculpem meus amores. Eu nem sei se tem mais alguém lendo aqui, mas se estiver, eu devo um imenso perdão á você. Além disso, eu não respondi todos os comentários, se me lembro, respondi apenas á alguns. Porém, hoje uma luz caiu sob a minha cabeça e disse: "VOCÊ VAI POSTAR HOJE MESMO" então, cá estou eu sem responder os comentários (Que vou responder hoje e por essa semana) E queria avisar que o próximo será postado ainda essa semana pra tentar compensar essa demora gigantesca. Enfim, estou aqui pra informar que UD fez 1 ano e 4 meses dia 10 de fevereiro. Acreditem, essa é a maior fict e por mais tempo que eu já me mantive, na maior parte das vezes elas eram excluidas muito antes disso. Obrigada á quem está aqui lendo e me aturando á mais de um ano, saiba que sou eternamente grata á ti, meu amor. Até mesmo os fantasminhas. Quem é novo, seja bem vindo! Ou então quem me acompanha á um tempo, você tem um lugar no meu core e eu vou sempre lembrar de todos vocês. Vocês são o motivo para eu não apertar o botão de "excluir história". Por isso, obrigada. Tá, e agora, eu vim aqui demonstrar meu imenso MUITO OBRIGADA á linda e perfeita Lady Jées, que fez uma recomendação linda para mim, você já leu? Então leia. As palavras dela me deram uma dose de carinho á mais por todos vocês. Muito obrigada sua linda, você é maravilhosa *-* Enfim, leiam esse capítulo sim. E se você tá ai ainda e não desistiu de mim, peço que não desista e continue aqui, comigo. Boa leitura e ah! Eu amo vocês XD Vou deixar uma pequena explicação do que significa o título, já que sempre tivemos títulos em português. Então, aqui vai (Porque eu amo essa expressão com todas as minhas forças): Aware significa “o gosto agridoce de um momento rápido e evanescente de beleza transcendente”. Provém do japonês, e não possui uma tradução em uma palavra em nosso vocabulário português do Brasil. (Lindo não é? :3) Edição: Ok

“A vida nos faz ter uma falsa ilusão de que estamos no controle. Mas isso não acontece. Estamos sempre sujeitos ao que estava escrito, ao que tinha que acontecer.” — Autoria própria

XIII — Aware

Uma dor de cabeça me atingiu em cheio, levei ás mãos até minha têmpora na tentativa de conter uma tontura que me ocorreu.

Onde nos encontrávamos, não existiam mais cabanas. Eram apenas destroços. A minha e das meninas inclusive, eram apenas destroços irreconhecíveis. Apertei Maya que estava em meus braços. Ela ainda estava imóvel. Mas de alguma forma eu sabia que ela ia melhorar. Que aquilo era temporário.

Mas não pude conter as lágrimas em meus olhos. Era tão... Estranho.

Juvia parecia estar possuída. Depois de destruir toda a cabana, meu quarto, sala e os quartos das garotas... Ela lutava com algumas pessoas.

Meu pai estava no chão. Eu queria correr em sua direção, não sei se estava respirando. Mesmo com minha visão, não consigo ver ao certo de seu peito está se mexendo e isso me causa um pânico crescente.

Sting chegou correndo assim como todos, depois que vimos que o fogo de Natsu não funcionava de jeito nenhum, Sting surgiu. Completamente recuperado do episódio.

Eu estava agradecida. Estava agradecida á todos ali. Mira passou a mão em minhas costas enquanto eu vi Juvia ser coberta por uma densa nuvem negra, era a magia de Mavis. A luz pareceu ter explodido em diversos cacos pelo chão. Ela disse que eu não deveria lutar, se não poderia me descontrolar e que eu não sirvo muito para o combate, na verdade.

Apertei Maya em meus braços. Wendy estava fazendo com que ventos envolvessem seus cabelos e então uma rajada ia na direção de sua irmã. Isso que eu não estava entendendo, porque ela estava defendendo eu e Natsu e atacando a própria irmã?

Olhei na direção de Natsu. Ele estava se movendo com rapidez enquanto estava envolvido pelo fogo, apesar de não afetar Juvia, eu estava admirando sua persistência, Lisanna estava ao lado de Mira, Erza estava tentando segurar Juvia, mas ela se desfazia e então voltava á forma normal em outro lugar.

Respirei fundo, aquilo era um pandemônio. Eu via as pessoas lutando por algo que eu nem sabia direito o que era. Haviam alguns lobos, conseguia escutar os rosnados. Mas eu não sabia quem era quem. Só conseguia saber que nenhum deles era o Rogue, porque ele estava desmaiado num canto.

Me virei para lá, e ele continuava imóvel só que agora, molhado.

Porque ninguém o tirou daqui mesmo?

Ah é, uma louca assassina apareceu do nada.

Virei-me para a barulhada novamente enquanto observei as chamas explodindo e em seguida sendo conduzidas por ele.

Se Natsu se machucar me machucará também. Estou assustada, por que diabos Juvia quer me matar? Tremi no abraço de Mira assim que escutei um trovão. Seguido de outro. Laxus estava tentando acertar, mas parecia que Juvia estava virando água e seu corpo estava absorvendo magias.

Isso quando ela não se desfazia e aparecia em alguma distância dali. O mais estranho de tudo: Ela sorria o tempo todo.

Quando olhei para frente, eu fiquei sem ar. Mira batia com toda numa bolha de água que estava á minha volta. Fechei os olhos com força, minha marca ardeu e eu vi Natsu no chão. Não sei se eram minhas lágrimas ou então a água estava aquecendo?

Eu sentia minha garganta ser tomada por água e minhas narinas inflarem procurando por ar. Apertei minhas mãos tentando liberar minha própria magia, mas me parecia inútil. Ela também era resistente á minha luz.

Vi uma luz negra cobrir a bolha e em seguida a água ser eletrizada por raios. Senti meus músculos ficarem moles e eu estava quase cedendo á escuridão.

E então a bolha estourou. Puxei o ar com toda força para meus pulmões, tossi saia água de minha boca. Estava ajoelhada no chão quando senti a mão dela em meu pescoço. Minha cabeça parecia explodir enquanto ficava ainda mais sem ar.

— Não adianta lutar, Lucy. Eu nasci para isso. — Me debati com mais força. Tentei concentrar em minhas asas, mas não conseguia. Não consigo nem pensar direito enquanto olhava os olhos azuis escuros tomados por um negro amedrontador, enquanto ela me olhava quase que sem vida.

— Pa... Para. — Fechei meus olhos com força, vi que havia várias coisas tentando a atingir, mas nada preciso que fizesse-a me soltar. Minha visão estava ficando desfocalizada. — Por... Por favor. — Ela apenas ignorou, Natsu estava caído no chão. Concentre-se Lucy. Eu dizia para mim mesma.

Mas sabia que não ia adiantar. Era inútil lutar. Senti meus olhos escorrerem lágrimas quentes.

Fechei-os e quando abri novamente o aperto de Juvia tinha diminuído. E tinha uma mão apertando o pescoço dela agora. E então Juvia me soltou. Caí imóvel no chão.

Tossi desesperadamente á procura de ar. Meus pulmões protestaram conforme o ar queimava.

Foquei meus olhos e a única coisa que eu conseguia ver era um homem muito alto, com cabelo loiro e olhos gentis antes de sentir um cansaço me abater e eu fechar os olhos.

[...]

Minhas pálpebras se abriram de modo rápido e assustado, havia desmaiado. Ainda estava deitada no chão. Meus músculos doíam. Gemi de dor e notei que Mavis estava ao meu lado.

— Cadê o Natsu? — Mavis me apertou contra seu corpo antes de responder. Quase ri pelo fato dele ser a primeira coisa que me veio á cabeça.

— Ele está bem. — Foi a única coisa que ela disse. Foquei minha visão e tinha um homem olhando para Juvia.

— Quem é ele? — Mavis olhou para o lado e então acariciou minha cabeça.

— Seu pai tem que conversar com você. — Apenas suspirei. Olhei para o lado e Maya ainda estava deitada, pus sua cabeça em meu colo. Lisanna ainda tentava curar ela.

— Cadê a Wendy? — Chorei.

— Estou aqui. — Ela apareceu do nada e se aproximou de Maya. — Não encoste muito nela. — Era impressão minha ou sua voz estava mais madura?

— Como você...? — Ela me ignorou e colocou as mãos sobre Maya. Lisanna encarava um brilho rosa saindo das mãos dela.

— Espera... Você... Sua magia de cura é diferente. Você é uma fada normal? — Wendy me encarou.

— Não. Mavis sabe o que eu sou. — A mulher ainda estava agarrada em mim.

— Ela é uma de suas protetoras, Lucy. — Olhei em sua direção com extrema confusão. — Tem coisas que eu ainda não te expliquei, posso dizer depois? — Assenti.

— Você vai curar a Maya? — Perguntei a Wendy.

— Ela não precisa ser curada, é apenas um selo. — E então Maya se levantou com um pique invejável. Nunca estive tão aliviada em minha vida. Olhei ao meu redor vendo a destruição. Juvia estava ainda sendo amarrada pelo homem, olhei novamente e vi que meu pai estava deitado no chão, assim como muitas pessoas.

Me levantei a andei rapidamente até ele. Vi que estava com os olhos abertos. Maya vinha logo atrás de mim. Mas não se aproximou do meu pai.

— Papai. — Seus olhos viraram para mim. — Tudo bem com você?

— Sim, querida. — Ele se sentou resmungando um pouco. Seu olhar caiu no homem que agora falava com Sting e Laxus, quem é ele? Acho que já o vi em algum lugar. Nunca havia visto os olhos de meu pai adquirirem tanto pânico como agora. — Preciso conversar com você.

— Sobre o que? — Respirei com força.

— Tem coisas que nem sua mãe te falou. — Que conversa estranha.

— Podemos nos falar depois? — Dei um abraço bem apertado em seu tronco. Pude escutar seu sorriso e então ele acariciou minha cabeça. — Isso tudo é culpa minha, não é?

— Claro que não, querida.

— Muitas pessoas se machucaram, olha o estrago! — Realmente, não só minha cabana, eram pelo menos umas cinco. — Além do mais, pessoas se machucaram!

— Não é sua culpa, as pessoas brigaram por que quiseram. É sinal que conquistou amigos, Lucy. — Dei um sorriso pequeno.

— Certo, você viu o Natsu? — Ele apenas assentiu negativamente.

— Bem, como pode perceber, eu estava imóvel no chão. Então, não, não o vi. — Ri com isso.

— Okay, vai ficar bem? — Ele assentiu enquanto o ajudei á ficar de pé e então se apoiou em meus ombros. Vi Mira e Lisanna trabalhando para curar umas pessoas. — Pelo visto não, vou te levar até a Mira para que ela te cure. — Ele fez menção em discordar, mas eu neguei com a cabeça. — Não, o senhor vai sim. — Apoiou com mais força em meu ombro e então ajudei-o a andar mais um pouco até Mira. — Mira, pode curar ele, por favor?

— Claro. Senta, Jude. — E então meu pai sentou meio contrariado.

— Viu o Natsu, Mira? — Ela anuiu negativamente.

— A última vez que o vi ele tinha saído quase que arrastado pelo senhor Igneel. Ele não estava com uma expressão boa. — Fiz uma careta.

Natsu e eu decidimos não falar para o pai dele que éramos parceiros por enquanto, mas, pelo visto, ele descobriu. Suspirei e então tentei limpar minha mente. Juvia estava, deitada no chão, quase vi seu peito tremendo. Acho que ela está chorando, mas isso é apenas uma suposição.

Grande coisa”. Não sou eu quem pensei isso. Espera, é o Natsu? Lembro uma vez em que Mavis me disse que poderíamos conversar por pensamentos... Será que dá?

É... Um, dois, três... Testando?” Que coisa mais idiota de se dizer, admito. Mas... Foi a coisa mais lógica que consegui pensar. Meu Deus, não acredito. Se ele não me escutar... Estarei falando sozinha?

E cá estou Lucy Heartphlia, sentado perto de uma pedra, observando a grande destruição causada por mim ou pela Juvia que estava atrás de mim. Então, no fim, a culpa é minha.

“Lucy?” Parei de pensar por um tempo enquanto sentia minha mente parada. Ele respondeu! Quase dei um pulo.

Não, gênio. É o coelhinho da páscoa. Está tudo bem ai? A propósito, porque você saiu e onde está?”

“Meu pai me arrastou, ele está gritando um pouquinho. Estou bem sim, senhorita sarcasmo. Você está bem?”

Sua preocupação me fez sorrir “Estou bem sim. Pode me dizer quem é o homem loiro que está conversando com Sting e com o Laxus? Ele, acho, que apertou o pescoço da Juvia?”

“Ah, é o pai deles.” Que simples, rápido e objetivo. “Vou discutir um pouco com meu pai, daqui á pouco vou ai ver você, princesa.” E então tudo ficou em silêncio.

Princesa. Sorri internamente. Gostei disso.

Ótimo, agora não tenho nada para fazer. Nem casa para dormir eu tenho mais.

— Como você está? — Erza se sentou ao meu lado, brotando do nada. Quase pulei devido ao susto, mas consegui suspirar e assentir sutilmente.

— Bem, mal... São relativos. Estou mais ou menos. E você, isso está feio! — Olhei para o ombro, estava com uma ferida enorme. — Oh, meu Deus. Fique parada.

— O que... — Pus minhas mãos por cima de seu machucado e então ele se fechou. — Como...?

— Trouxe Maya de volta á vida, curar seu machucado é mole. — Disse sorrindo.

— Então... Obrigada. — Erza sorriu brevemente. — E então, como é a sensação de ter alguém querendo te matar? — Sua voz estava divertida.

— Oh, incrível! — Digo numa falsa animação. — Quer dizer, imagina só! Eu estava lá, sem nada para fazer... Completamente entediada e vem uma psicopata e diz que nasceu para me matar, hoje foi um dos melhores dias da minha vida! — Dessa vez a ruiva estava rindo abertamente.

— Imagino como foi, deve ter sido maravilhosa a sensação. — Ri de sua voz.

— A pior parte foi não poder lutar. — Fechei os olhos com força. Me lembro do que Mavis disse.

“— Você não pode lutar! — Ela disse me segurando pelo braço. — Sua luz protege, salva e não queima você ainda não aprendeu á se defender, será suicídio! Deixe Natsu cuidar disso, assim como os outros.”

Basicamente, ela me disse que eu não servia de nada.

Sendo que o fogo de Natsu era tão eficiente quanto minha habilidade cozinhar.

“Eu estou escutando, Lucy.”

Quase pulei devido pensamento. Como ele ouvia tão longe?

Escuto quando está pensando em mim.”

Fiquei vermelha e então tentei não pensar nele. Que constrangedor.

— Uma hora você descobrirá uma forma de conseguir se defender. Tenho certeza que você tem uma talento extraordinário. — Meus pensamentos foram interrompidos por Erza. Sorri. Erza elogiando? Eita. Vamos ter um terremoto.

— Obrigada, eu acho. — Disse com a voz um tanto incerta. Senti uma energia devastadora, esmagadora me assolar. Me remexi desconfortável e fui quase que obrigada á liberar toda a minha energia, senti-me revitalizada.

— Para. Está me dando dor de cabeça. — Erza resmungou ao meu lado. Eu ainda estava muito desconfortável.

— É que... Tem uma energia me incomodando. — Senti-me observada e levantei os olhos. Por cima dos cílios notei que pai de Sting me observava, certo, eu o conheço de algum lugar, mas de onde?

“— Quem é ele, mamãe? — Um homem sorriu docemente em minha direção.

— Um amigo muito importante, querida.”

Como? Bateu uma dor de cabeça tão forte que tive que me apoiar em Erza.

— Lucy, o que foi? — Sua voz estava preocupada.

— Não, tudo bem... Foi só... Dor de cabeça. Ai. — Gemi de dor por uns instantes e apertei minhas têmporas.

— Porque o pai do Sting está olhando para cá? — Erza estava realmente confusa.

— E eu sei lá. — Vi de longe Juvia se remexer, apurando meus ouvidos eu quase conseguia escutar seus soluços. Ela tava chorando mesmo. — Vamos até ali, Erza? Quero algumas respostas. — Ela assentiu sorrindo um tanto quanto maligna.

— Humhum. — Juvia murmurava algumas coisas e então abriu completamente os olhos quando nos aproximamos. Me agachei ao seu lado e ela me encarou. Inclinei minha cabeça para a direita.

— Por que? — Não precisava dizer nada.

— Porque eu nasci para isso, já disse. — Ela tentou se sentar, mas não conseguiu, então e a ajudei. Seu olhar para minha mão tocando seu ombro quase me fez rir. — Agora eu que pergunto o porquê, eu tentei te matar!

— É, também não entendi. — Erza disse atrás de mim.

— Okay, tentou me matar... Mas, acho que tem um motivo... Então pergunto de novo, Juvia, por que?

— Eu nasci com isso. — Ela ergueu o pescoço. Perto da orelha havia um par de asas, parecida com as minhas e ao contrário. — Eu tinha a missão, desde pequena para te matar, Lucy. As vozes me orientavam. Eu treinei para isso, me exercitei para me tornar imune tanto aos seus poderes, tanto para os poderes do Natsu. — Ela suspirou e virou os olhos azuis para mim. Vozes? O que diabos? — Eu realmente tinha e tenho que te matar. Para iniciar tinha que exterminar todos os seus guardiões. E, olha, eu descobri que tinha uma só e Maya não era tão difícil de matar.

Olhava pasma em sua direção, sentei no chão e vi que Wendy se prostrou atrás de mim.

— Não, Juvia. — Sua voz parecia realmente bem mais madura. — Maya, era sim sua guardiã, mas enviada por mim. — Olhei apavorada para a azulada. — É complicado, Lucy. Eu nasci para te defender enquanto Juvia nasceu para te matar, assim como Natsu. Eu tenho que proteger os dois. Mas... Maya sempre foi muito eficaz, não é?

— Quantos anos você tem? — Ela me olhou misteriosamente, como se sentisse que falavam dela, Maya se embolou em minha perna lambendo minha mão.

— Bem mais do que você imagina. — Certo, estou muito confusa.

— Mas... Minha irmã... Eu tenho que te matar, Wendy? — Juvia murmurou.

— Se for cumprir sua missão, sim. — Ela suspirou pesarosamente. — Eu não achei que fosse tão longe.

— Mas... Você me ajudou... E... — Juvia só sabia murmurar.

— Eu sempre ajudei a acabar. Você me mandou matar Maya, e eu apenas a desmaiei com um selo. Você mandou eu acabar com a Lucy no dia que conversamos, mas eu não fiz isso... Eu não posso. — As irmãs se encaravam. — Se ela morrer, meu nascimento terá sido em vão. Tenho que proteger a luz, Juvia. — Luz? Eu não sou uma luz.

— Espera, espera. Isso está confuso. — Eu disse, estava muito embolado.

— Eu explico. — Mavis se intrometeu. — Os anjos, entraram em guerra á muito tempo, uma guerra contra os demônios. Os anjos purificadores não queriam guerra, por isso resolveram ligar anjos e demônios pela forma mais pura de ligação, o amor. — Ela suspirou. — Conforme o passar do tempo, eles descobriram que assim que seus parceiros morriam, eles morriam juntos. Isso causou pavor e posteriormente o fim da guerra. Os demônios não aceitaram de jeito nenhum essa marca, tentando de toda a forma retirar. Mas era impossível, alguns desses demônios eram ligados á humanos, assim como os anjos.

Parecia que á cada dia tinha alguma coisa diferente. Quase consigo me sentir tonta, eu tive mais informação no tempo que vim para cá, do que tive durante toda minha formação no fundamental.

— E essa ligação migrou para os descendentes. Os demônios viram que era impossível terminar com a marca, então criaram as fadas da morte, para matar os descendentes dos anjos e até mesmo seus próprios descendentes, por isso os descendentes são tão raros, eles acreditavam que, exterminando todos os “marcados” a marca não iria aparecer em mais nenhum ser. Os anjos, vendo o massacre armado, criaram os protetores. Porque, descentes de anjos, pelo menos os de purificação, são frágeis e gentis. Sua forma de defesa é complexa.

— E ai eu entro. — Wendy se pronunciou. — Eu te observava desde bebê, fiquei ao seu lado, sempre. — Ela suspirou. — Sei dos seus maiores segredos, eu sei de tudo. — Tremi. — E então a melhor forma de me manter ainda mais perto foi te enviando Maya, graças á ela você não morreu naquele dia, eu estava perto, mas impossibilitada de agir. — Fechei os olhos com força tentando evitar lágrimas. — Ele foi enviado pela Juvia. — Agora sim eu arregalei os olhos e encarei Juvia com intensidade.

— Sim, eu o enviei. Foi minha missão, Lucy. Eu tinha que te matar, mas parece que Wendy impediu. — Balancei a cabeça negativamente.

— Você não pôde evitar tudo isso? — Me surpreendi pela minha voz ter saído chorosa enquanto olhava para ela, minha voz estava embarga. Estava começando á relembrar daquele dia e isso me faz querer vomitar.

— Não, não podia. — Wendy fechou os olhos em sinal de desgosto. — É mais complicado do que parece.

— Eu... Eu... — Tentei formular alguma coisa coerente, mas estava difícil.

— Então... Quer dizer que tudo foi culpa dela? — Agora eu sentia ira e meu corpo estava ardendo. A marca estava pinicando, ele sempre chega nas piores horas.

— Está tudo bem, Natsu. — Encarei seu olhar.

— Não, não está Lucy. — Mordi meu lábio. — É tudo culpa dela, afinal.

— Não é! Ele tinha que matá-la e não espancar! — Arregalei os olhos enquanto notei todos arregalarem os olhos. Meu pai, Mira, Mavis, Laxus, o homem que eu não sabia o nome, as fadas que estavam curando os feridos. Ela falou alto demais. — Isso foi por parte do Zeref, não minha. — Tremi diante do nome dele.

— Cala a boca, Juvia. — Apertei a têmpora.

— Ele quem foi responsável! Não eu! Era para a faca ter penetrado sua veia principal, mas não perfurou. Não tenho culpa. — Sua voz estava sarcástica. Estava tudo num silêncio mortal. Inconscientemente levei minha mão até a marca no alto da minha coxa, estranhamente ela parecia latejar e arder.

— Por favor... Só... Fica quieta. — Lembranças estavam tomando minha mente. Ninguém sabe, ninguém nunca entendeu o quanto foi doloroso. Escuto Natsu me chamar, mas só vem lembranças. A dor, o sentimento de fraqueza, nojo de mim mesma, solidão, desprezo, decepção... E eu estou chorando desesperadamente tremendo feito uma vara verde.

Ao longe eu via que ela falava palavras ofensivas á mim. Como se aquilo fosse divertido. Me ver relembrar. Me ver chorar. Ela era assim, me dei conta de que Juvia era má. Ela não tinha um propósito, apenas era divertido para ela.

— Não tenho culpa que ele ficou com tanta raiva, pelo visto ele odiava o fato de você sempre bancar a difícil, quem sabe se não tivesse se resguardado tanto ele não teria nem se quer te batido, e sim só matado... — Meu estômago revirou.

— Só... Eu preciso... Cala a boca. Quero sair daqui. — Sussurrei. Alguém me abraçou. Acho que foi Lisanna. Erza tentava fazer Juvia calar a boca, mas ela continuava falando diante do silêncio que estava ali. Eu tentei me levantar do chão, na intenção de fugir. Como eu sempre faço. Mas me mantinham sentada com o abraço.

— Está tudo bem, para de chorar, está tudo bem... — Era isso que sussurravam em meus ouvidos enquanto os tapavam, mas eu ainda conseguia escutar, conseguia sentir tudo que Juvia estava falando, por que ela continuava á falar? Já tinha passado, não adiantava, ela estava usando isso como uma diversão sadista? Lisanna me apertou ainda mais.

— Cala a porcaria da sua boca! — Pronto, agora quem explodiu? Me surpreendi ao ver Mavis de pé. — Sinceramente? Fica quieta, garota. Para com isso! — A voz dela estava desdenhosa.

— Eu irei morrer, assim que terminar minha missão. — Ela sorriu. — Terror psicológico é eficaz.

— Eficaz? — Me separei da pessoa que me abraçava, não era só Lisanna, não era apenas ela, pude reparar que Natsu segurava minha mão. — Você acha que foi legal, é? Porque não manda aquele filho da puta te espancar á sangue frio e depois empurrar uma faca o seu pescoço e abrir um buraco na sua perna? Te garanto que não foi nada divertido e muito menos legal. Ainda mais com um princípio de estupro, garanto que não faria nada parecido com ninguém, se soubesse da dor. — Uma luz tomou meu corpo e ficava mais intensa á cada vez que eu falava. — Reviver isso á cada noite é um pesadelo, eu nunca vou conseguir curar, nunca vou ser como era antes. Por causa daquele filho da puta. Agora descobri que graças á você também. Então, muito obrigada por me tornar traumatizada. — Agora a luz estava indo até ela. — Você tem uma incrível sorte que essa luz não te queima, mas eu quero tanto, queria tanto que você pudesse sentir toda a dor, todo o desprezo, todo o nojo que eu senti naquele dia... — Encostei em seu braço. — Fria. — Murmurei. — Porque essa luz não te prejudica, droga?

E então ela caiu desacordada. Segurei ainda com mais intensidade seu braço escutando seus gritos, fechei os olhos me concentrando, não fazia ideia do que estava fazendo. Só sei que senti um fluxo de magia passando de mim para ela. De alguma forma eu senti que poderia passar o que queria, então apenas passei o que senti naquele dia, por mais que fosse doloroso, fiz questão de me lembrar de cada detalhe. Cada soco no rosto, cada tapa, cada corte.

— Para, Lucy! — Mavis me puxou e eu desconectei a mão se seu braço. Vi que Juvia estava sangrando, toda roxa, com um corte imenso na perna, hematomas pelo rosto, o nariz quebrado e o braço lotado de escoriações e cortes feitos á faca. Virei o rosto porque isso me lembrava de como fiquei, meu estado era exatamente igual. — Você... Ficou... Assim? — Ela gaguejou. Eu me levantei e recuava tentando na pretensão de sair dali. Eu estava sentindo uma sensação de claustrofobia. Como se o ar estivesse fugindo de meus pulmões aos poucos.

Era como uma crise de pânico.

— Mira, por favor, tente curar ela... Eu... Eu... Eu não queria. — Chorei ainda mais. Me surpreendi quando Lisanna se aproximou dela para curá-la.

Meus nervos estavam em frangalhos. Não sabia o que estava acontecendo. Eu me sentia acuada de todos os lados possíveis.

Natsu ainda estava do meu lado, ele sabia, agora ele tinha visto tudo. Mas não estava me importando mais, aquilo era parte de mim, ninguém pode apagar minhas memórias.

Mas eu estava com nojo, nojo de mim mesma. Naquele dia eu temi, temi que fosse morrer. Mas o mais estranho, foi que um pouco antes dele tentar me dar o golpe final, eu vi uma coisa em seus olhos, como um lampejo de lucidez e então ele tentou.

Ele tentou me fazer ficar sob sua mercê. Mesmo sangrando, ele tentou me estuprar. Se não fosse por Maya, eu teria sido violada e morta.

Mas eu preferia mil vezes que ele tivesse me matado. Eu quase o senti dentro de mim. Ele chegou tão perto que consigo sentir um arrepio de nojo e tenho que lutar contra a vontade de me inclinar e vomitar. Eu estou muito enjoada.

Meu pai me olhava. Todos me olhavam. Todos estavam esperando a minha reação.

Quando encarei os olhos de Natsu, via que estava chocado. Ele sabia que havia acontecido algo comigo, mas ele não tinha noção da gravidade e do que ele tentou fazer. Mesmo sem concretizar, eu ainda me sinto violada.

Olhei para uma das trilhas e apenas forcei minhas pernas, que antes estavam moles, á correr.

Ouvi alguma coisa me chamando. Ou alguém, não sei ao certo. Mas eu apenas corri.

Meus pensamentos trabalhavam á todo vapor quando os galhos da floresta batiam meu rosto. Ferindo-me.

Eu me encontrava em outra trilha de cabanas.Já havia corrido muito. Observei alguém lendo encostada na varanda. Á luz do começo da noite, eu não conseguia ver muito bem.

Quando me aproximei, reconheci-a. Era Levy.

— Lucy? — Sua expressão estava surpresa. — O que você está fazendo aqui? Porque você está desse jeito? — Pelo visto ela não havia escutado nada. Ótimo. Eu não queria que ninguém me olhasse com pena.

Eu estava tremendo. Sentia como se fosse explodir. Fazia tempo que não sentia uma crise de pânico. Levy veio em minha direção.

— Venha. Entre, você quer uma água? — Anui positivamente enquanto ela me guiou para dentro. Minha cabeça trabalhava á todo vapor quando senti novamente o enjôo.

— Eu... — Eu estava soluçando tanto que duvidava ser capaz de pronunciar as palavras corretamente. — Banheiro? — Ela me olhou confusa e apontou para uma das portas. Eu corri, mesmo com as pernas bambas, e me inclinei na privada pondo tudo que tinha comido para fora.

Enquanto as recordações do gosto de sua boca asquerosa na minha, de suas mãos em meu corpo. Meu estômago protestava. Eu já estava vomitando o que não tinha. Mas a ânsias ainda vinham com força.

Quando não saia mais nada de dentro de mim. Eu pude me sentar no chão do banheiro e fechar a tampa da privada. Levy estava me encarando confusa assustada até. Seus braços estavam cruzados enquanto ela entrou no banheiro.

— Você está tendo uma crise nervosa. Preciso que se acalme, seja lá o que você esteja pensando, por favor. Bloqueie. — Respirei fundo enquanto observei que havia ligado o chuveiro. Aos poucos o vapor tomou conta do ambiente.

As mãos dela me puxaram e então eu me encontrei debaixo da água de roupa e tudo.

Mesmo ainda sentindo vontade de me esconder sob a tábua do teto, eu conseguia sentir aos poucos minha respiração voltar ao normal e meus músculos pararem de tremer. Pressionei minha cabeça contra o azulejo.

Eu me sentia exausta. Como se um caminhão tivesse passado por meus músculos. Quando interrompi o contato da água com meus músculos, eu quase conseguia ver minha pele vermelha.

— Eu vou deixá-la terminar o banho e vou fazer um chá. — Ela disse antes de encostar a porta. Agradeci milhares de vezes mentalmente.

Ela não fizera perguntas. Apenas me ajudava, eu estava admirando isso.

Quando terminei de quase me esfolar no boxe. Me dei conta que não tinha roupas. Foi quando olhei para o balcão e ali tinha uma toalha e um enorme moletom. Não deveria ser dela, pois era masculinizado e ela para uma pessoa verdadeiramente grande. Arqueei as sobrancelhas. Ela tinha um namorado ou algo parecido?

Ignorando os pensamentos. Eu percebi que iria ficar nua por debaixo do moletom. Eu não queria colocar as roupas anteriores. Além de quase se assimilarem á trapos e sujas, estavam molhadas. Suspirei.

A calça cabia, mas ainda ficava larga. Tive que dar várias voltas na cintura para conseguir enxergar meus pés. Dobrei as mangas do casaco e então consegui me enxergar.

Olhei-me pelo espelho. Eu estava um caco. Meu rosto inchado. Achei um pente sobre a bancada e penteei meu cabelo tentando deixá-lo organizado. Vi um enxaguante bucal. Peguei um pouco e bochechei, na intenção de tirar o gosto amargo em minha boca.

Quando saí do banheiro, um cheiro forte de ervas tomou meu olfato. Não tinha reparado, mas a casa toda tem um cheiro gostoso e calmante de ervas. Fui até a cozinha, Levy estava picando alguma coisa.

— Vou fazer um chá de calêndula e rosas brancas para você, Lucy. — Arqueei as sobrancelhas. Nunca tinha ouvido falar desse tipo de chá. Sentei-me ao redor da mesa observando ela se movimentar. — Eu sou uma bruxa, Lucy. Sei muito do poder das ervas. Posso não ser muito poderosa, mas as ervas me ajudam. — Seus ombros caíram e eu consegui sorri minimamente.

— Obrigada, Levy. — Seus olhos escuros me avaliaram. — Sabe, por estar me ajudando e não perguntar nada.

— Sei como é ter uma crise nervosa, não adiantaria eu ficar perguntando. Além do mais, não é da minha conta. Caso quisesse me contar, você teria contado. Ou então se sentirá confortável á fazer isso depois. — Os ombros dela subiram e desceram.

— Então, obrigada. Eu precisava disso. — Ela sorriu e bateu uma continência.

— Ás ordens capitã. — Ri disso. — Sou apenas uma bruxa sedenta por informações. — Depois que me contou que era descendente, eu pesquisei sobre sua raça. — Isso despertou minha curiosidade, então perguntei uma coisa que estava rodeando minha mente:

— Se uma pessoa é filha de um lobisomem, há alguma forma dela ser descendente de anjos? — Levy me olhou de uma forma desconfiada.

— Acho que não. Há casos raros em que filhos de raças diferentes herdam os poderes dos antepassados. Mas... Descendentes são mais complicados. Ainda mais porque sua mãe é humana, não acho que tenha como. Há não ser que tenha recebido a benção dos anjos, mas... Isso não ocorre tem uns milhões de anos.

— Então...?

— Isso significa que alguém está mentindo muito feio nessa história toda.

Uma xícara foi colocada á minha frente e então analisei o líquido ali. Espantei o que ela havia dito para o fundo da minha mente, pensaria nisso depois.

O chá tinha uma cor alaranjada forte. Arqueei as sobrancelhas. Aquilo cheirava maravilhosamente bem. Ingeri uma pequena golada sentindo o líquido aquecer minha garganta. Quase gemi em agrado. Aquilo era tão bom.

Ficamos num silêncio. Por incrível que pareça, era um silêncio muito confortável. Admirei a capacidade dela não exigir uma explicação nem ao menos me perguntar.

Quando o chá estava no fim, eu me sentia meio sonolenta. Levy me guiou até o sofá e me sentou ali.

— O chá era um calmante. Descanse um pouco, Lucy. Você está precisando. — Meus olhos se fecharam de modo pesado e meu corpo flutuou enquanto me entregava ao sono.

Senti meu corpo sendo sacolejado e gemi em protesto. Me deixe dormir!

Me aconcheguei no calor que estava sentindo. E meus braços estavam balançando no ar. Abri os olhos rapidamente quando notei que eu estava sendo carregada. Era Natsu.

— Mas... O que? — Acho que só agora ele reparou que eu havia acordado. Estávamos do lado de fora da cabana. Eu via o céu escuro e as estrelas. Apertei os olhos. Onde ele estava me levando?

— Estou te levando para a minha cabana. As meninas estão lá esperando. Como a cabana de vocês foi destruída, Mira me pediu para acolher vocês por lá. — Anui de modo positivo. — Porque você está com o cheiro do Gajeel? — Arqueei as sobrancelhas.

— Ãhn, eu nem o vi. — Como um farejador, Natsu cheirou minha roupa. — O moletom é da Levy, ela me emprestou depois que tomei banho.

— O cheiro vem da roupa. — Crispei os lábios. Ela tinha alguma coisa com Gajeel? Ignorei enquanto Natsu continuava me carregando.

— Você podia me colocar no chão sabe, eu posso andar. — Pude ver o fantasma de um sorriso em sua face enquanto me apertava.

— Mas assim não teria graça. — Revirei os olhos sorrindo. — Você não deveria ter corrido, Lucy. Eu estava lá. Poderia ter te ajudado.

— Eu tive uma crise de pânico. Eu não consegui olhar para ninguém. Eu sei o que você viu. Eu... Só não queria encarar todos os olhares piedosos que encarei naquele dia. Inclusive o da minha mãe. — Suspirei e fechei os olhos. Senti algo em minha testa. Ele havia beijado ali.

— Eu entendo. Não gosto, mas entendo. Eu não olharia você com piedade, Lucy. Nunca. — O encarei com certa dúvida. — Eu estava com raiva. Com raiva de tudo. Com raiva desse homem, com raiva da vida, com raiva disso tudo ter acontecido com você. Eu só queria conseguir ajudar, mas não posso apagar sua memória, me sinto inútil por isso.

— Ei, não se sinta assim. Você me ajuda todos os dias, Natsu. Eu posso não lidar muito bem. Mas com você eu consigo me sentir viva e eu consigo enxergar uma esperança. De que eu consigo ser feliz. — Minha voz não era nada mais que um sussurro. Mas eu sei que ele consegue escutar, pois o sorriso que ele abre após eu concluir a frase, é genuíno.

— Tudo bem então, vou continuar com o que estou fazendo.

— Faça isso. — E então fui posta no chão. Tive que puxar a calça para evitar que ela saísse do lugar. Foi quando escutei algumas vozes, discussões. Abri a porta e encontrei Lisanna discutindo com Sting. Gajeel rindo feito uma hiena e Erza bebendo calmamente alguma coisa do copo. Arqueei as sobrancelhas para aquela situação. Ninguém pareceu ter me notado.

— Larga de ser prepotente, Sting. Não seja melodramático. Ele tentou me beijar sim, e daí? Eu não correspondi. Isso que importa.

— Você foi! Você não deveria te mexido as pernas na direção daquele imbecil. — A voz dele me deu certo medo. — Se você não tivesse ido, nada disso teria acontecido.

— E você vai me culpar até quando? Vai ficar como uma criança de cinco anos fingindo que eu não existo? — Tossi suavemente para ser notada por todos. Erza parou de beber e foi a primeira á correr em minha direção. Me avaliou, me encarou e depois abraçou meus ombros. Quase gemi de dor. Ela me apertou demais.

— Você está bem? — Gemi de dor e então ela me largou um pouco.

— Estou sim. Só... Aí Erza. Não me aperte tanto. — Ela me soltou encarando-me de modo culpado. Desdenhei com uma das mãos.

— Onde você está, Lu? Estávamos preocupadas, você saiu correndo. — Lisanna pareceu ter esquecido a presença de Sting, pois me encarava com olhos avaliativos. Tenho certeza que olhava minha aura á procura da verdade. Mas eu estranhamente me sinto bem.

— Eu corri e depois achei a cabana da Levy. Depois de vomitar meu pâncreas, ela me ajudou á tomar banho e me deu um chá, eu peguei no sono e acordei com Natsu me carregando. — Procurei-o com o olhar e agora ele estava sentado ao lado de Gajeel. — Porque você é tão grande? — O moreno me encarou confuso. — A Levy me emprestou um moletom, mas ele é largo demais. — Para finalizar minha frase, segurei a calça em minha cintura e eu quase pude vê-lo corar. Eu acho que não era para ter falado. Agora já era.

— Você tem alguma coisa com aquela baixinha, cara? — Sting estava virado na direção dele. Eu quase ri. Mas estava pedindo desculpas com o olhar. Ele me olhava como se quisesse me matar. Crispei os lábios na tentativa de conter uma risada, mas falhei no processo.

— Você me paga, Cabeça de Gema. — Parei de rir na mesma hora, agora eu via Sting rindo. Sendo acompanhado por quase todos ali. Eu vi que Natsu queria rir, mas eu admirava a capacidade dele tentar se manter calado. Meus olhos se tornavam miúdos para Gajeel.

— Por falar a verdade? Não tenho culpa se você age como seu nome. Como é mesmo? — Pus a mão no queixo como se estivesse pensando. — Ah é mesmo, Pastel, não é?

Segurei a calça novamente enquanto bufava indo pra qualquer lugar longe dali. Eu sabia qual era o quarto do Natsu. Era o que tinha o cheiro dele. Era impossível não identificar. Abri a porta sendo recepcionada por Maya pulando em mim. Seu nariz gelado encostou em meu rosto e eu ri acariciando sua cabeça.

— Oi amor. Como você tá? — Ela latiu em resposta. Sorri com isso.

Observei que Natsu tinha uma cama enorme no quarto. Ótimo, dá para mim. Sentei ali e então encostei minha cabeça no travesseiro. Vi que Maya estava deitada em um mini colchão de cachorros. Era rosa. Sorri com isso, mas era estranho. Da onde tinha vindo aquilo?

Virei-me de lado, antes que Natsu viesse atrás de mim, conseguia escutar seus pensamentos se direcionando até mim e senti o sono tomar conta de meu corpo.

[...]

“— O que você está fazendo aqui? Eu já disse que não quero ver você nunca mais! — Quase berrei em seu rosto. De longe eu sentia um cheiro de bebida forte que fez com que meu estômago revirasse, Maya latiu, ela estava presa á uma corrente porque estava fazendo bagunça e minha mãe ordenou que eu á deixasse presa durante o fim de semana como castigo.

— Vim te visitar, Lucyzinha, não está com saudades? — Seu bafo me fez sentir minha bile na garganta, salgada e me deu vontade inclinar e vomitar em seus sapatos.

— Vai embora, agora! — Gritei empurrando a porta, ele apenas empurrou sem o mínimo de esforço e entrou em minha casa. Tentei sair correndo, mas ele segurou meu braço e me empurrou contra a parede, eu estava zonza devido a pancada na cabeça.

— Nananinanão. Você é uma putinha muito difícil, sabia? Agora, eu vou te castigar. — Ele segurou minha bochecha me fazendo ver estrelas.

— Me solta! — Comecei á chorar enquanto Maya tentava se soltar da coleira.

— Não. Tenho certeza que você vai amar ser castigada.”

Abri os olhos rapidamente. Estava ofegando, tive um pesadelo.

Puxei minhas pernas de encontro ao meu corpo sentindo lágrimas intensas em meus olhos. Mas... Tem alguém do meu lado?

— Está tudo bem, Lucy. — Me senti calma apenas em escutar sua voz. Seus braços me envolveram num abraço. Me senti inteiramente protegida e só com isso consegui me sentir em segurança.

Ignorei todos os pensamentos em minha cabeça e tentei mudar de assunto fazendo minha voz parecer mais firme do que estava na verdade.

— Como foi a conversa com seu pai? — Soltei uma risada nasalada perante sua careta.

— O engraçado é que ele sempre prezou e rezou para eu encontrar minha parceira, e agora ele põe a culpa em mim por você ser descendente de anjos. — Olhei-o com descrença. Ele pareceu ter entendido minha tentativa de mudar de assunto, pois apenas seguiu o fluxo. Deve ter escutado meus pensamentos, provavelmente.

— Sério? Que coisa antiquada.

— Eu sei, falei isso com ele. Mas: “Não devemos misturar raças que ancestralmente são inimigas.” Ele disse que gosta de você, gosta do seu pai... Mas, a sua raça atrapalha.

— Hum, e o que ele disse depois?

— Que não era para eu me aproximar muito de você para não ativar a marca. — Olhei irônica em sua direção. — E ele ficou realmente possesso quando soube que ela já tinha sido ativada.

— Ele... Brigou muito?

— Bem, não tanto. Ficou praguejando tudo. Pelo menos ele entendeu que eu não tenho culpa disso. E me disse á muito contragosto para ficar perto de você, mas ele quer falar contigo. — Resmunguei alguma coisa e enterrei minha cabeça no travesseiro. — Ele não vai te matar.

— Não ria da minha cara, seu idiota! — Minha voz saiu abafada por conta do travesseiro no qual meu rosto estava enterrado.

— Não estou rindo da sua cara. — Ele estava rindo sim. Mas resolvi não retrucar.

Tirei a cabeça do travesseiro e o encarei. Natsu pôs ambas as mãos atrás da nuca e ficou fitando o teto e depois me olhou, bem no fundo dos meus olhos. Encarou-me com tanta intensidade que eu fiquei incomodada.

— O que foi? — Arqueei minhas sobrancelhas.

— Eu quero te fazer uma pergunta. — Fiz careta confusa.

— Então faz. — Tentei penetrar em sua mente, mas não deu. Seus pensamentos estavam muito densos.

— Estou com medo de fazer. — Inclinei a cabeça para a direita, meu tique nervoso sempre se faz presente em horas menos apropriadas.

— Fala logo, Natsu. — Disse impaciente.

— Bom, eu estou disposto á estar do seu lado, isso você entende não é? — Assenti desconfiada. — Você está disposta á estar do meu lado? — Fui surpreendida. Mas abri um dos meus melhores sorrisos, um sorriso enorme.

— Claro que sim, você é importante para mim, seu idiota! Sempre estarei do seu lado, assim como você sempre estará do meu lado. — Ele sorriu abertamente com isso. Estávamos de lado e eu tinha a perfeita visão de seu rosto.

— Então não acho que você se importaria em ser minha namorada. — Fiquei um pouco em choque.

— Eu acabei de acordar, devo estar com a cara todo amassada e você faz essa pergunta assim? Não foi nada romântico. — Ele riu e então assentiu.

— Gosto de ser inesperado. — Anui negativamente.

— Eu disse que ia me permitir tentar, Natsu. Eu estava falando sério. Estarei ignorando muitas das coisas que acredito aceitando, mas tudo bem. Já achava que estávamos namorando mesmo.

Ele riu e então, num movimento rápido, ele me puxou pela cintura conectando nossos corpos.

— Você não vai se arrepender, Lucy. — Sorri de sua voz infantil. Era uma promessa que eu realmente esperava que ele cumprisse e de alguma forma, eu sabia que era verdade. Eu sentia como se meu futuro fosse com Natsu. Tudo parecia muito certo. — Também parece-me estar tudo na linha. — Acariciei seu rosto. Eu não sabia se queria dizer isso, não sabia se era a hora certa, se era o correto, se eu sentia isso de verdade, mas eu apenas tive vontade de dizer, então, ao invés de reprimir-me, como faço sempre. Revolvi ser sincera comigo mesma.

— Natsu. — Seus olhos se fixaram nos meus. — Eu... Eu acho que amo você, o quanto isso pode ser perigoso? — Pareci ter pegado-o de surpresa, pois o choque em seu rosto quase me fez rir.

Em minha cabeça, diversas coisas se passavam. Eu ponderava as consequências. Mas quando se tratava de Natsu, todos os meus problemas e preocupações, simplesmente iam pelos ares.

— Ah, isso pode ser bem perigoso. — Sua voz ficou quase sombria e arqueei as sobrancelhas ao notar que os pêlos do meu braço eriçaram. — Você sabe o que acontece quando se brinca com o fogo, princesa? — Eu estava hipnotizada por sua voz quando seus lábios apenas tocaram os meus, como se estivesse me provocando. — Você se queima.

— Eu quero me queimar, Natsu. — Ele riu e toda a tensão estranha que tinha se formado se dissipou. Acompanhei sua risada, essa atmosfera que se formava do nada era muito estranha, era como um ar sexual.

— Eu sei. Mas acho que o fogo não vai te queimar. — Seus braços apertavam minha cintura protetoramente.

— Não custa tentar. — Os lábios dele cobriram meu rosto de beijos e eu ri disso.

— Ah e, por mais que eu ache que isso seja óbvio e que não precise ser dito, eu também amo você. — Minha expressão assumiu a mais plena felicidade.

Eu me sentia tão completa. Como se tudo, pela primeira vez, estivesse nos eixos em minha vida.

Porque eu tinha a sensação de que isso seria temporário?

Continua

Notas finais
Hello, peoples! Se você leu até aqui, te aviso que já leu o equivalente á um livro do John Green, é muita coisa e só agora eles se resolveram de uma vez Olhem, á partir de agora que vai começar o romance de verdade e o desenvolvimento dos poderes, porque para o poder se desenvolver, eles tinham que estar de bem. Enfim, obrigada por ler e desculpa qualquer errinho, foi de coração, se quiserem apontar os mesmos eu terei o prazer de consertar. ;) Até os comentários? Espero que sim OBs.: Obrigada novamente á linda autora da minha recomendação s2 Até mais, amores. Essa semana mesmo, vou tentar. Beijinhos :-*