Upside Down

12 XII — Fagulhas de um futuro


Notas iniciais
.... Não sei nem o que dizer pra vocês. Só: Me perdoem pela demora, minha vida está um verdadeiro caos, e a Annie demorou dois meses pra me entregar o capítulo, pra constar: A vida dela também tá um caos, por isso ela não vai aparecer dessa vez. Enfim, esse capitulo foi um dos primeiros que eu digitei, ou seja está digitado á muito tempo mesmo. Me desculpem esse atraso, estou muito muito... Caótica. Meu computador quebrou, minhas notas estão horríveis, meus sentimentos estão confusos, meu coração quebrado... Então, gente, desculpem mesmo. Dessa vez nem preguiça foi, parece que eu e a Annie estamos conectadas, quando ela fica atolada eu também SUHSUHSUHUS Perdão também a demora na resposta aos comentários. Bom, o próximo vai sair esse mês ainda, vou tentar postar o mais rápido que eu conseguir. Desculpa, mesmo! Amo vocês *-* Boa leitura, esse capítulo está simplesmente: s2 Beijinhos, K. s2 Edição: Ok.

"Então aqui está o meu coração para você segurar
Sinta a batida, sinta o fluxo de sangue quente através do meu frio
Sinta-o descongelar
Sim, eu senti medo, mas eu fiz passar
Vale tanto a pena amar você, você queria mais
E assim eu descongelei" — Sia (Freeze You Out)

***

XII — Fagulhas de um futuro

Imprudência. Idiotice!

Eram as únicas coisas que passavam pela minha cabeça naquele momento. Estávamos a alguns metros de distância do portão do internato e eu me sentia culpada. Não era do meu feitio fazer coisas que infringem alguma regra.

E a vergonha que eu estava antes por aquele momento parecia ter evaporado e dado lugar a quase que uma inquietação por estar fazendo algo tão errado.

— Como iremos ir até esse local misterioso, gênio? — Suas sobrancelhas arquearam-se numa perfeita sincronia.

— Andando. — Deu nos ombros.

— Iremos chegar lá quando? No ano que vem? — Mesmo andando cruzei meus braços em frente ao peito.

— Eu ando rápido e você também. Se não percebeu, estamos correndo bem rápido. — Notei então esse fato. Eu estava correndo, bem rápido. Aquilo se tornara tão normal para mim que eu nem percebia quando o fazia. — Eu sei voar, e você não aprendeu ainda. Eu até poderia te carregar, mas assim estragaria a surpresa.

Cruzei os braços impaciente. Quer dizer, eu iria aprender a voar hoje, mas... Nesse momento estou fugindo, e bem, isso não é bem o que eu faço. Está tudo errado!

Meus olhos desceram até meu braço que estava sendo agarrado pelas mãos fortes e pesadas de Natsu. Eu deveria estar sentindo dor, coisa que não estava acontecendo. E eu tenho certeza que mais tarde ficará uma marca imensa e arroxeada nesse local. Mas... Nesse momento, tenho que concentrar-me em controlar as batidas descompassadas do meu coração para que ele não escute. Logicamente, se ele não estiver escutando o que estou pensando.

Se você estiver escutando, juro que corto sua cabeça.

Ele sorriu. Dei um pequeno soco em seu braço.

— Foi sem querer! — Ele exclamou sorrindo. Sorri levemente e me concentrei em pensamentos.

Nunca tinha me sentido assim. E eu estou odiando essa marca. Sim, estou odiando. Porque descobri que gosto do Natsu desde a hora que desci daquele maldito ônibus e ele começou a discutir comigo.

E... Eu não acho que ele tenha se aproximado de mim por conta própria. E essa dúvida, esses pensamentos corroem minha mente e todos meus pensamentos, fazendo com que eu martele e martele até sentir vontade de me internar numa clínica psiquiátrica.

Por que... Quando não estou sendo rejeitada, ou decepcionada, penso que os outros estão comigo por pena. Esse pensamento me faz parar de repente encarando as costas de Natsu, que parou também.

— O que foi? — Encarei seus olhos verdes e então ele inclinou uma das sobrancelhas.

— Nada. — Realmente, não era nada. Apenas eu que estava pensando em milhares de possibilidades para ele ter me arrastado da escola. Me matar ele não iria, já que no momento que fazer isso, ele morre também.

Mas e se essa marca não existisse? Ele não me trataria da mesma maneira como me trata e muito menos estaria me carregando para fora do internato.

Mas apesar disso, eu confio nele.

Suspirei.

— Tem certeza?

Ergui os olhos á procura de um lugar para me sentar, localizei um tronco e me sentei por ali mesmo.

— Não. — O encarei enquanto ele se agachava no chão de frente para mim. — Eu vou seguir uma linha de raciocínio, pode, por favor, não me interromper? — Ele assentiu sutilmente. — Preciso por algumas coisas para fora.

Respirei pesado. Mexi minhas mãos nervosamente. E comecei:

— Natsu, quando eu não estou sendo rejeitada ou então decepcionada, quando tudo está bem e completamente normal... Eu caço problemas, eu caço confusões. Eu caço motivos para me magoar. Eu sei que isso soa meio masoquista demais para uma pessoa como eu. No fim, acho que mereço tudo isso. — Ele ia falar alguma coisa mais o interrompi. — Nesse exato instante estava pensando em como e no porque de você ter se aproximado de mim...

— Lucy... — Ele ergueu o dedo, mas eu tinha que continuar, era para o meu bem:

—... Só me deixe falar, por favor? Eu preciso disso. — Ele me obedeceu, mesmo aparentando estar um tanto contrariado. — Então... Eu estava pensando nessas possibilidades. A primeira é que você gostasse de mim... O que descartei quase que imediatamente. A segunda era que você estivesse tentando me levar para o mau caminho e acredite... Eu já confio tanto em você que entraria no meio de um tiroteio com os olhos vendados apenas sendo guiada por você. Eu não te conheço. E isso leva a terceira hipótese e que faz com que minha cabeça alimente mais e mais ladainhas. Quer dizer... Você se aproximou de mim por causa da marca, não é? Se não fosse por essa maldita fênix nunca teria nem sequer trocado uma palavra caridosa comigo. E por isso eu digo: não faça isso, Natsu. E... Por mais que eu pense e pense que se você não estiver por perto isso possa me matar ou então matar você – e olha que eu fico mais assustada com a segunda opção, eu odeio pena, odeio obrigações –, se for por isso que está fazendo tudo isso... Apenas... Pare. — Minha voz já estava ficando embargada. E então decidi parar de falar antes que começasse a chorar copiosamente.

Ele me encarou por bastante tempo. Parecia absorver as palavras. Olhei para o chão e fiz círculos com os pés no pequeno montinho de areia que tinha perto dos mesmos. Eu estou acostumada, mas esse sentimento de... Culpa pré-rejeição, é terrível.

— Cala a boca. — O encarei abismada, sua voz parecia estar raivosa. — Quer dizer... — Sua voz se tornou bem mais sutil, como se estivesse lidando com uma boneca de porcelana. — Não fale assim de si mesma. Não tente deduzir o que eu penso. Lucy, por mais que ache isso... Não é verdade. Eu me aproximei de você porque eu quis. Eu quero ficar ao seu lado não por pena... É porque, sim, eu gosto muito de você. Então nunca mais fale que não merece nada, pelo menos não perto de mim. E nunca duvide que eu estarei aqui. E para de tentar sempre pensar em coisas que te deixam ainda mais atormentada. Eu sei o que se passa na sua cabeça e só quero que pare com isso. E se confia tanto em mim, acredite que estou do seu lado. A marca pode ter sim nos aproximado, mas a marca não produz sentimentos, ela apenas os amplifica. Ou seja, se você me odiasse, você sentiria esse ódio de maneira triplicada, entende?

— Mas... — Agora ele quem pôs os dedos em meus lábios me impedindo de falar. Arqueei as sobrancelhas vendo que ele realmente estava chateado com o que eu disse.

— Então, posso te dizer que apesar de ter tentado te queimar e de ter te provocado quando nos encontramos, eu posso jurar que antes mesmo da marca aparecer, eu já comecei á gostar de você. E quando a marca apareceu, isso triplicou. Pode parecer estranho eu ter gostado de você em poucos dias em que te conheci. — Seus ombros se ergueram e desceram de maneira suave. — Pode ser predestinação ou o raio que o parta, mas nunca mais diga que eu estou com você por obrigação, porque não é.

Eu estava quase que com os olhos arregalados. Certo. A primeira coisa que pensei foi: Que bonitinho.

Em seguida: Que olhos lindos. É sério, conforme ele ia relatando seu pequeno texto, eu encarava seus olhos... Nesse momento estavam esverdeados... Mas eu poderia achar resquícios de dourado neles.

E o que veio a seguir fez com que meu corpo se contorcesse nervosamente e que ficasse aquecido. Foi como se milhares de agulhas bem fininhas penetrassem minha pele provocando um intenso arrepio. Seus braços me apertavam tão forte, que eu duvidava se poderia respirar ali.

— Para de pensar em coisas ruins, Lucy. — Ele sussurrou contra meu cabelo. Afundei o rosto em seu peito aspirando um cheiro forte e amadeirado. Característico. Era algo como lavanda ou limão. Era refrescante e me passava uma calma espantosa. Não sei.

— Me desculpe. Minha intenção não era te deixar chateado com o que eu disse. — Disse ainda encostada em seu peito, minha voz não passava de um sussurro. — Só estava pensando, não queria te deixar chateado.

— Não pense mais em nada assim, Lucy e não se preocupe. Não fiquei chateado — Ele se separou de mim. Percebi que ele tinha me puxado para um abraço e que eu estava de joelhos no chão, igual a ele. Segurou em meus ombros e encarou meus olhos com tanta intensidade. Como se soubesse de tudo que eu sinto por dentro. Nunca senti tanta vontade de chorar em toda minha vida apenas com um olhar.

Ele ficou me encarando por bastante tempo. Mais tempo que eu imaginava, e eu não conseguia controlar meus pensamentos. Eu não queria que ele me largasse, ao mesmo tempo em que não queria que minhas emoções tomassem conta de minhas atitudes, e isso aconteceria se ele não me soltasse.

Ele sorriu abertamente e depositou um beijo em minha testa murmurando algumas palavras que eu não consegui entender. Só sei que, essas palavras fizeram meu coração aquecer.

— Obrigada por estar aqui, Natsu. — Disse antes dele se levantar. Minha testa ainda tinha uma formigação deliciosamente quente. E isso é bom. Ele sorriu abertamente.

— Vamos? Ainda falta um bom caminho para chegarmos lá. — Ele disse me puxando pela mão. Dessa vez segui caminho sem pensar muito nas coisas que martelavam em minha cabeça. Ele conseguiu me transmitir segurança e paz com aquelas palavras.

[...]

— Meu Deus. — Perdi o ar. — Estamos subindo aqui, exatamente, para quê? — Ele me encarou divertido e apenas assentiu negativamente sem falar nada.

Bufei em desagrado.

— Natsu, é sério, eu vou morrer sem ar. — Ele apertou a minha mão que estava sendo segurada desde o momento que estávamos subindo essa colina. — Eu não estou acostumada fazer uma simulação de como se sobe até o paraíso. Eu... Vou morrer. — Murmurei pela milésima vez. — Estamos chegando?

Ele suspirou pesarosamente e parou fazendo meu corpo se chocar com o seu.

— O que...? — Ele segurou minhas pernas e me pôs em cima do seu ombro esquerdo. — Ah! — Soltei um pequeno grito enquanto ele segurava as articulações de meus joelhos com o antebraço. Fui obrigada a me segurar fortemente em sua cintura para ficar estabilizada. — Virou homem das cavernas, Natsu? — Minha voz estava fina enquanto via o caminho que passei de cabeça para baixo. — Eu estou de vestido! — Quase berrei.

— Eu sei. — Cerrei os olhos.

— Eu juro que se não morresse junto, te matava. — Notei que ele segurava também segurava meu vestido. Eu deveria agradecer... A não ser o fato de que sua mão estava, bem... Muito próxima a minha bunda.

Ele riu! Sim, ele riu! Babaca. Mil vezes babaca.

— Eu sei que não me mataria. — E então fiquei em silêncio.

Era praticamente impossível eu lutar contra seus braços para ficar em pé novamente. Então eu abracei sua cintura mais forte. Estou morrendo de medo, posso cair de cabeça no chão.

Suspirei pesado e senti o cheiro refrescante, é lavanda... Tenho certeza. Minha cabeça começava á pinicar devido ao sangue que migrava de todas as partes do meu corpo em direção ao meu cérebro.

Minha visão já estava quase que completamente preta quando ele me colocou no chão. Minhas pernas bambearam e eu tive de me apoiar em seu ombro.

— Está tonta Lucy? Gostou do passeio? — Sua voz estava divertida demais para meu gosto. Apertei os olhos em sua direção. — Eu sei que sou irresistível. Não precisa desmaiar por conta disso.

Idiota. É que minha cabeça está com mais sangue do que deveria. — Mexi um pouco em meu cabelo no intuito de o sangue em excesso descer para minhas pernas e arrumar o mesmo, que deveria estar todo bagunçado.

— Você que não ficava quieta. — Ele bufou. Notei o lugar onde estávamos. Parecia o topo da montanha. E mesmo com o sol, o ar estava um pouco frio. O vento fazia meu cabelo se mover de um lado para o outro violentamente.

Reparei em toda a paisagem. Eu via as instalações da Fairy Tail totalmente de cima agora. Via a copa das árvores de movendo com a brisa... O rio que tinha água límpida e brilhante com o contato do sol e daqui de cima, ele parece mais como um ponto azul no meio do verde. E as árvores a nossa volta conseguiam me passar paz e tranquilidade. Fechei os olhos e aspirei o cheiro de natureza.

— Obrigada, Natsu. — Eu murmurei me sentando na grama a poucos centímetros da onde eu estava. — Eu adoro natureza.

Ele sorriu.

— Eu sei. — O encarei furtivamente. — Posso escutar seus pensamentos, Lucy. — Revirei os olhos.

— Isso é muito chato, sabia? — Ele sorriu e se sentou ao meu lado. — Eu poderei escutar os seus também?

— Acho que sim. Depois que treinar, pelo menos. — Assenti fechando os olhos e absorvendo o ar puro dali. Senti minha pele se arrepiar lentamente enquanto o vento batia um pouco mais quente devido ao sol. Eu estava com vontade de ficar ali para sempre.

Senti que Natsu me olhava e constatei isso quando ele começou a falar.

— Você tem cicatrizes? — Fiz uma carranca tremenda. — Me desculpe.

— Não, tudo bem. — Respirei fundo. — Próximo ao ocorrido eu tinha algumas, mas agora... Hum. Apenas uma, eu acho. Eu tenho cicatrização rápida, mas essa foi a única que não desapareceu. — Ele me encarou por um tempo enquanto eu levantei um pouco a saia do vestido dando a ele a visão da parte lateral da minha coxa. — Aqui. — Limpei um pouco da base e revelou uma fenda avermelhada e protuberante. Lembro-me da dor lasciva.

— O que... Como conseguiu? — Fechei os olhos. É mais fácil falar assim.

— Enquanto ele... Me, ahm... Batia... Eu tentei correr e achei uma faca. Mas... Quando tentei atingi-lo, ele pegou de minha mão... E bem, aquela faca foi parar enterrada em minha coxa. Perfurou meu músculo. Em algumas situações eu sinto essa perna doer... Mas... Está tudo bem. — Suspirei cansada e abri meus olhos. Notei que Natsu ainda encarava a marca.

— É sério, se eu encontrar esse imbecil que fez isso contigo... Juro que o faço dar uma passeada nas profundezas do inferno. — Sua voz estava saindo entre dentes.

— Está tudo bem, não dói mais. — Tentei sorrir... Falhei antes mesmo de completar a tarefa.

— Lucy... Olha essa marca. — Ele pôs a ponta dos dedos na marca. Estranho, não senti incômodo como quando todos encostam. — Não tem o porquê dele ter feito isso com você, foi algo... Você não o destratou, não falou nada de errado com ele. Muito pelo contrário, isso foi ódio gratuito.

— É apenas isso, Natsu... Uma marca. Não dói mais. — Suspirei cansada e tirei sua mão gentilmente abaixando a saia do vestido. — Aqui é lindo. — Tentei mudar de assunto.

— É... Me faz lembrar da minha mãe. — O olhei curiosa, durante toda nossa conversa ele nem tocou no nome de sua mãe. — Ela me trazia aqui quando eu era criança.

— Como ela era? — Me atrevi a perguntar. Natsu me encarou por um pequeno período antes de começar a falar.

— Sabe aquelas mãe amorosas que cuidam do filho acima de tudo? — Arqueei uma sobrancelha, apesar da situação consegui sorrir de modo contido.

— Já conheci mães assim.

— Me desculpe, não queria te fazer lembrar da sua mãe. — Abri um pequeno sorriso para tranquilizá-lo. E então ele continuou: — Ela era baixinha, tinha cabelo castanho escuro, olhos verdes e pele morena. Um sorriso tranqüilizante no rosto e olhos gentis. — Ele sorriu quase que nostálgico. — Ela era humana, mas de uma força inabalável. — Sorri. — Mas... Morreu de uma doença no coração.

— Eu... Eu sinto muito, Natsu. Deve ter sido bem difícil. — Ele apenas ignorou e se apoiou nos cotovelos quase se deitando na grama.

— Eu ainda me lembro do cheiro dela. — Ele sorriu com nostalgia mais uma vez. — Era algo como baunilha, morangos e mel. — Seu olhar decaiu sobre mim. — O cheiro dela e o seu são quase iguais.

— É...? — Sorri em sua direção ficando quase na mesma posição.

— Ãham. Cheiro de lar.

Meu rosto se tornou rubro enquanto eu encarava o céu. Calei-me por um pequeno período de tempo vendo as nuvens dançando no quadro azul, formando formas nada anatômicas, mas nem por isso deixou de ser maravilhoso observá-las. Deitei completamente na grama fofa enquanto sentia o ar tomando conta de cada poro meu. Olhei de canto de olho para Natsu.

Ele me olhava. Parecia absorver cada detalhe do meu rosto, sorri levemente sendo retribuída. Eu sei que gosto dele, e eu sei que é algo bem forte.

[...]

— Lucy, sua mãe no telefone.

Já tinha se passado um mês desde o dia em que fui na montanha com o Natsu e eu não tive nenhum contato com ela. Olhei nos olhos de Lisanna.

Estávamos eu, ela e Natsu. Eles voltaram a se falar. Depois de mais de duas semanas tentando convencer ela de que Natsu não iria machucá-la, consegui com que eles conversassem e se acertassem. Levantei-me do sofá indo até Mira que estava parada no batente da porta.

Respirei fundo e coloquei o celular no ouvido.

— Oi, mãe. — Ouvi uma respiração do outro lado da linha.

— Oi, Lucy. — Fazia tempos que não ouvia a voz da minha mãe sair tão áspera. — Como está?

— Bem, e a senhora? — Será que ela se esqueceu do episódio da visita?

— Estou bem. — Ela respirou fundo. — Não quero que fiquemos assim, Lucy.

— Sempre fomos assim, mãe. — Respirei fundo. — Não adianta, não sei se é o seu jeito ou então é algo que eu fiz ou algo que acarretei em sua vida, mas, eu sei que não é a mesma coisa. Então, sempre fomos assim. — Escutei outro suspiro.

— Eu sempre decepcionei você? — Me surpreendi por sua voz ter saído embargada.

— Sim, muito. — Agora sim ela chorava.

— Me... Desculpe-me, filha. Eu... Eu não tinha a intenção... E...

— Tudo bem, mãe. — A interrompi. — Está tudo certo.

— Não, não está. — Ela respirou como se estivesse tentando recuperar do choro. — Eu irei até ai. Não essa semana, mas na outra. Tenho que conversar umas coisas muito sérias com você.

— Okay. — Me forcei a dizer, notei que todos me olhavam e eu me apoiei na parede, escutando minha mãe apenas forçar a respiração.

— Até lá, eu te amo. — Soprei o ar com força.

— Tchau, mãe. — Seu suspiro estava ressentido. E eu senti meu coração falhar uma batida.

— Tchau, querida. — E então eu desliguei entregando o celular para Mira.

— Tudo bem, Lu? — Agora todos me chamavam assim. E era bem agradável.

— Sim, sim. — Respirei. — Ela virá aqui depois da semana que vem, disse que tem coisas importantes para me dizer.

— Eu vou indo agora porque tem um aluno no meu escritório. — E então me dando um abraço, Mira saiu da cabana.

Suspirei enquanto me sentava ao lado de Natsu. Um dos braços dele foi para sob meus ombros enquanto fuçava meu cabelo. Sorri com isso e reparei que Lisanna se levantou enquanto ia até a porta.

— Onde vai Lis? — Seu rosto corou enquanto me dirigia um olhar engraçado.

— Rogue me chamou para darmos uma volta. — Arqueei as sobrancelhas na direção dela.

— Rogue? Mas... — A confusão transparente no rosto de Natsu me fez rir. Maya passou correndo por Lisanna e se deitou no sofá que antes ela estava deitada. Abusada.

— Lisanna, você não está tendo uma coisa com Sting? — Faziam alguns dias que eles estavam mais juntos que o normal.

Depois que eu ajudei-a a falar com ele sem fugir e Natsu ter conversado com Sting, eles estavam quase se acertando. Lisanna havia me contado que eles já tinham até se beijado. Por isso minha confusão.

— É só um passeio. — Olhei de modo irônico em sua direção.

— Lisanna, não é muito sensato você provocar um descendente, ainda mais de demônios. Sting pode ser uma das pessoas mais imbecis que eu conheço, mas ele gosta de você e eu não aconselho você ferir o orgulho dele. — Eu só consegui concordar com a fala de Natsu.

— Não é como se eu fosse sair beijando o menino, é só uma volta. — Após a fala dela, eu dei nos ombros.

— Você quem sabe. Só não acho uma boa ideia. — Ela me ignorou enquanto saia da sala para se encontrar com o menino.

— Porque eu acho que isso vai dar uma merda gigantesca? — Eu apenas assenti enquanto observava a porta pela qual ela tinha saído.

— Porque é o que vai acontecer. Mas ela quem vai lidar com as consequências mesmo. — Olhei para a televisão, estava passando um filme qualquer. Eu não tinha a mínima vontade de assistir aquele filme. Era algo como zumbis e sangue. Fiz uma careta para a cena quando uma cabeça voou do pescoço.

— Estou com vontade de nadar. — Virei-me pela janela, já eram por volta de quatro e meia da tarde. Eu estava cansada da porcaria da aula de cálculo com aquela professora demônio. Gemi em desagrado.

— Vamos ficar aqui, Natsu. Estou cansada. — Me ignorando completamente, fui erguida pelas mãos.

— Vamos logo, Lucy. — Suspirei e encarei Maya.

— Vem, garota. Vou pôr comida para você. — Ela latiu empolgada e eu sorri. — Vou só trocar de roupa, espere um minuto só.

— Não demora. — Revirei os olhos assentindo.

[...]

Eu já estava me arrependendo profundamente de ter saído da cabana. Me encontrava com um short colado e uma blusa que cobria quase o short todo. Não estava com a menor vontade de ficar completamente de biquíni.

Quando chegamos perto da água, eu conseguia escutar o silêncio que ali estava. Eu ia me sentar na grama quando ele me segurou pela cintura.

— Nada disso. Você vai entrar comigo. — Meus ombros caíram.

— Eu fico sentada aqui, você nada. Nós dois ficamos felizes. — Ele anuiu negativamente enquanto puxava minha camisa para fora de mim. Cruzei os braços em frente ao biquíni. — Eu te odeio.

Ele riu enquanto andei em passos firmes até a lagoa. A água estava numa temperatura ambiente. Andei até que a água batesse em minha cintura e mergulhei.

Eu não ia admitir, mas eu adorava nadar e eu adoro vir até esse local, nadar era uma atividade calmante para mim. Principalmente aqui. É como se tivesse alguma coisa diferente na água. Quase consigo me sentir energizada. Quando submergi, reparei que Natsu estava retirando a camisa.

Eu já o tinha visto sem a camisa antes, mas ainda assim era... Desconcertante.

Eu tive que mergulhar novamente para impedir os pensamentos impuros em minha mente. Porcaria de hormônios.

Ele veio em minha direção e mergulhou bem ao meu lado. Boiei e fiquei onde conseguia ficar em pé. Senti as mãos dele em um dos meus pés, me puxando para o fundo. Olhei em sua direção.

— O que está fazendo? Eu não dou pé aí — Eu já me encontrava bem longe da margem. Quase no centro da lagoa. Ou seja, a parte mais funda.

— Vamos logo Lucy. — Tentei ficar de pé, falhando no processo. Segurei nos ombros dele enquanto mexia minhas pernas para tentar me manter de respirando. — Tem um lugar aqui que eu quero te mostrar.

— Você sabe de todos os locais bonitos daqui? — Ele apenas me ignorou seguindo para perto da outra margem. Eu já conseguia ficar de pé e fui arrastada por suas mãos. — Não era mais fácil termos dado a volta pela margem?

— Já viu o tamanho desse rio? Pelo meio é bem mais rápido. — Ele deu a volta em algumas das árvores e então observei uma rachadura média perto de uma das elevações. — Eu passei quase minha vida toda aqui. Eu não ultrapassava os portões de entrada até completar dezesseis. Pelo menos não com permissão. Então enquanto andava por aqui, achei esse lugar. Pedi permissão á Mira, e ela me deixou fazer com que esse lugar fosse só meu.

Ele dissera isso enquanto me guiava para dentro da gruta. Era escuro. Não consegui enxergar absolutamente nada. Até a mão de Natsu ser encoberta por fogo e ele acender um ponto na parede. Notei que era uma tocha. Como se fosse antiga. Fiquei em silêncio enquanto ele acendia todas as tochas no local.

Não era muito grande, era um pouco maior que o meu quarto. Estava completamente iluminada pela luz amarelada do fogo. As rochas á nossa volta criavam um ambiente completamente rústico. Na parede, tinha um enorme mural. Com diversas fotos, paisagens, pessoas. Pude reconhecer Lisanna em uma das fotos com uma aparência mais jovem enquanto sorria sem um dos dentes.

— Que fotos lindas. — Virei-me para Natsu e vi que ele estava sentado sobre um divã enorme. Aquilo se assemelhava com duas da minha cama, ocupava quase que todo o lugar. Aos poucos, meus olhos estavam se acostumando com a pouca iluminação e pude notar que tinham alguns detalhes que faziam aquele lugar parecer um quarto. Tinha uma enorme estante com diversos livros e souvenires, de lugares diferentes. Reparei em uma fotografia que estava separada e tinha uma mulher segurando uma criança. Reconheci que aquela era a mãe de Natsu. Sorri e segurei o porta retrato. Natsu era praticamente uma cópia da mãe. Os olhos, o sorriso, até mesmo as expressões. — Você tira fotos, Natsu?

— É como um Hobbie. — Reparei novamente em todas aquelas fotos. Aquilo estava bem mais para uma atividade recorrente. — Venha aqui. — Com poucos passos eu já estava perto dele. — Senta, Lucy.

— Eu estou molhada. Vai... — Antes de eu terminar, fui derrubada ali. — Entendi.

— Eu já li quase todos os livros da biblioteca da escola. E sempre peço para Mira me dar uma cópia dos que eu gosto.

— Você lê?

— Sim. Tenho tempo de sobra. Não gosto muito de estudar, mas gosto de ler. É engraçado. Mas eu gosto muito de livros antigos e de lendas. — Seus olhos voltaram para uma das mesinhas ao lado do divã. — Recentemente eu achei esse livro. — Era um livro enorme. Lotado de páginas e sua aparência me dizia ser bem antigo. — Fala sobre descendentes. Principalmente sobre os angelicais. Explica muita coisa, achei que fosse gostar. — O livro agora estava em meu colo. Abri um sorriso, gosto quando se lembram de mim.

— Obrigada, Natsu. Na verdade, vai ser bem útil. — Eu abri as primeiras páginas notando a escrita antiga na qual estava escrita. Não era inglês. Eu reconhecia, era grego. — Eu não falo grego. Você fala grego? — Ele riu.

— Na verdade, você fala. — Arqueei as sobrancelhas. — É sua língua mãe. Você só não a pratica. Se você se esforçar, você consegue associar. — Olhei duvidosa em sua direção.

— Eu nunca nem disse uma única palavra em grego. — Arqueei as sobrancelhas passando os dedos pela escrita.

— Concentre-se nas letras, pense em uma palavra que associe. — Fiz o que ele mandou. Aos poucos, eu consegui compreender uma frase do livro. Olhei assustada. Era bem mais devagar que eu lia normalmente. Mas mesmo assim, era assustador eu entender o que estava escrito ali. — Com a prática, você vai conseguir até pronunciar de maneira fluente.

— Todo dia eu descubro uma coisa diferente que posso fazer.

— Descendentes não é uma raça muito conhecida, somos um “mistério” isso faz com que muita coisa fique escondida. — Fechei o livro encarando o lugar.

— Você passa muito tempo aqui? — Arrastei-me até o meio do divã para a outra parede, notando mais fotos ali. Estiquei-me para pegar uma delas que me chamou atenção. Era eu.

— Recentemente não. Mas antes eu passava quase o dia todo aqui dentro. — Reparei na foto. Eu estava dormindo. Meu cabelo estava espalhado por cima do meu próprio rosto cobrindo quase que ele todo. Eu me encontrava de lado e aquela foto estava em um super close. — Tirei essa foto tem pouco mais de duas semanas. — Virei-me para ele, agora estava bem perto.

— Você podia ter me pedido.

— As fotos que tem mais graça são assim. Espontâneas. — Virei-me para a foto novamente. Eu estava um pouco sem ação perante aquilo. Apesar de ser uma única foto, eu me sentia um pouco violada. — Me desculpe se te ofendi.

— Não, não foi ofensivo. Só estou... Surpresa. — Quando me virei novamente para ele, estávamos ainda mais perto. Ele estava bem mais perto de mim do que antes. — Quer dizer... Eu não fazia ideia que tinha uma foto minha aqui. É muito... — Parei de falar quando notei que ele estava me encarando. —... Inesperado. O que foi?

— Nada. Eu só... — Ele pareceu estar pensando bastante. Dava para ver claramente o vinco entre as sobrancelhas.

— O que se passa na sua cabeça, Natsu? — Coloquei a foto no lugar onde estava, me concentrando em sua presença ali. Infelizmente eu não podia ver o que estava pensando. Eu já havia parado de me preocupar com isso. Acabou se tornando normal para mim.

— Só estava pensando no trato que a gente fez. — Olhei confusa para ele.

— Que trato? — O lugar até que era bem agradável. Tinha cheiro de floresta misturado com fogo. Acho que devido ás pedras, estava um clima normal. Nem quente, nem frio.

— Um mês atrás. Você disse para ficarmos amigos. — Assenti encarando o rosto dele, ele não havia tocado nesse assunto depois do primeiro dia de aula. Me tratou como se eu fosse realmente uma amiga. Apesar de algumas vezes rolarem umas olhadas um pouco diferentes e ele se aproximar demais. Mas fora isso, ele fora um perfeito cavaleiro. — Eu não sei se posso cumprir esse trato.

Arregalei os olhos e me virei para as minhas próprias mãos. Eu não sabia o que aquilo significava e eu estava com medo de descobrir. Senti seus dedos em meu queixo e minha cabeça foi erguida um pouco.

— Não entenda errado. Mas eu quero mais, Lucy. — Eu sabia o que aquele “mais” significada e eu simplesmente não sabia se estava preparada para algo assim. Mas apesar de alguns pensamentos contraditórios povoarem minha mente, eu sorri.

— Suponho que você queira que firmemos algo sério? — Ele assentiu. — Sério em que nível?

Os dedos dele foram até a fênix estampada em meu ombro.

— Sério no nível dessa marca, Lucy. — Arqueei as sobrancelhas não entendendo muito o que ele queria dizer. — As marcas de descendentes tem uma particularidade, sabia? — Anui de forma negativa. — Elas transpassam como será a relação de cada casal. Muitas marcas tem a formas estranhas e bizarras, outras são enormes e sem um desenho definido, mas eu estive pensando no significado da nossa.

Eu estava atenta á todos os movimentos dele. Minha garganta estava mais seca que o comum, minhas mãos suavam um pouco e senti uma leve tremida em minhas pernas quando os dedos dele circundavam minha marca.

— Eu ainda não pensei num significado para as nossas, mas eu queria descobrir. Só que você tem que me deixar ter você. — Dessa vez engoli em seco. Os olhos dele me avaliavam, como se esperassem uma reação. Suspirei e fechei os olhos.

— Tem certeza disso? — Natsu assentiu. Uma de suas mãos foram até meu rosto e acariciaram minha bochecha. Senti minha pele esquentar e consegui sorrir sutilmente. — Eu estou com medo, Natsu.

— Eu prometo fazer o máximo para garantir que esse medo seja algo bobo. Posso não ser perfeito, Lucy. Não sou um anjo. — Quase ri com isso. — Não é á toa que sou descendente de demônios. Eu fiz e faço coisas erradas, mas eu estou tentando por você. Estou tentando mudar por você, eu sinto que tenho a capacidade de te ajudar. Eu só quero que você me deixe chegar em você.

— Tudo bem. — Disse em meio á um suspiro. — Só não faça arrepender-me disso depois, por favor.

— Eu não vou. — Era como se tudo tivesse encaixado quando as mãos dele me puxaram ainda mais perto e seu rosto foi até meu pescoço, cheirando ali. Isso já estava virando uma mania recorrente dele. Suas mãos me puxaram para bem perto e nossos narizes quase chegaram á se tocar.

Com seu olhar ligado ao meu, eu quase conseguia sentir a marca passeando por minha pele, aquecendo-me. De certa forma, me descongelando.

E quando nossos lábios se uniram, senti como se tudo estivesse onde deveria estar. Meu coração batia de modo desenfreado em meu peito e eu quase não conseguia respirar direito.

Levei minha mão até o cabelo dele e senti a maciez em meus dedos. Assim que nossos lábios se encostaram, uma dormência comandou todos os meus músculos e eu consegui quase que suspirar com essa sensação. Nunca tinha sentido nada parecido.

Meus lábios se abriram e de início foi um pouco estranho a maneira como nossos lábios se encaixaram perfeitamente. Os movimentos eram ritmados e eu conseguia sentir todas as terminações nervosas do meu corpo pedindo por mais.

As mãos de Natsu estavam se movimentando por minha cintura e algo me dizia que ele também queria mais.

E, de repente, eu fui atingida por um turbilhão de imagens e sons diferentes. Enquanto sentia sua língua quente em contato com a minha, eu consegui ouvir pensamentos. Como se fossem meus.

Eu senti como se o último laço que estava faltando para selar o que eu tinha com Natsu, acabara de ser formado.

Foi quando ele se afastou de mim e cobriu meu rosto de beijos. Sorri enquanto ele beijava meu nariz. Foi então que eu entendi perfeitamente o que eram aquelas palavras e pensamentos.

— Eu consigo ler você. — Ele parou sutilmente com minhas palavras “Mas quê?” Eu sorri animada. — Estou escutando seus pensamentos.

— Sério? — Assenti e quando ele estava bem próximo de mim novamente eu escutei um barulho semelhante á uma explosão. Nos separamos e então eu desci do divã. Só então notei que minhas pernas estavam tremendo sutilmente. As mãos de Natsu me apoiaram e escutei outra explosão.

— O que está acontecendo? — Olhei confusa para a fresta que saia uma luz.

E com uma única palavra vindo de Natsu, eu me pus a correr:

— Sting.

[...]

Quando cheguei na pequena estrada de terra que levava aos dormitórios, eu tinha sacado minha blusa e a vestira. Natsu me acompanhou enquanto eu observei um pandemônio. Sting estava possesso de raiva e socava a cara de um homem com cabelo preto. Não faço ideia de quem seja.

— Rogue. — Fechei os olhos e anui de modo negativo. Lisanna olhava pasma e gritava para Sting parar, mas ele parecia estar empenhado em tirar a vida de Rogue. O rosto do moreno já estava inchado e o chão já estava manchado de vermelho.

Uma pequena aglomeração se formou, mas ninguém ousou tentar separar.

— Natsu, faz alguma coisa. — Pedi segurando em seu braço. — Ele vai matar o menino.

— Lucy, pode não parecer, mas a luz do Sting queima. Não quero arriscar machucar você. — Suspirei e então pareceu que uma luz ascendeu em minha cabeça. Andei na direção deles dois. — O que está fazendo?

— Confie em mim. A luz do Sting não me machuca. — Natsu me encarou com os lábios franzidos, mas me deixou ir. Cheguei perto de Sting e forcei um pouco da minha luz pedindo força e então segurei seu punho. — Já chega, Sting.

Quando ele se virou para mim, eu achei que ele tivesse possuído. Seu rosto estava contorcido numa face de raiva e seus olhos estavam completamente braços. Seu outro braço se ergueu na minha direção, ele ia me bater quando vi Natsu vindo em nossa direção. Apenas anui negativamente para ele.

— Sting, você está parecendo um demônio. Está assustando a Lis. Pare, já foi o suficiente. — Ele pareceu pensar um pouco e então sua luz intensificou onde eu segurava, na intenção de me queimar. Todo mundo prendeu a respiração e eu suspirei. Como eu imaginava, minha pele estava absorvendo a luz vinda dele.

Me solte, Lucy. — Pelo menos ele não estava completamente tomado pela raiva e ainda sabia falar. Sua voz estava demoníaca, mas ainda era o Sting.

— Vamos, deixe esse menino, Sting. Ele já está desmaiado. — E então ele pareceu ter me escutado quando se levantou, mas pelo contrário do que eu pensava, ele veio em minha direção e me segurou pelos ombros. A luz dele parecia estar ainda mais forte e eu tive que fechar os olhos devido a claridade. Apesar de eu sentir sua raiva, ele não me apertava na intenção de machucar, ele só queria que eu saísse dali. Pus minha própria mão em seu ombro.

Ele tentou beijá-la. Ele segurou o rosto dela e tentou beijá-la. Você sabe o que acontece com quem encosta na parceira de um demônio, Lucy? — Engoli em seco. E em minha cabeça, eu consegui escutar Natsu respondendo a pergunta dele.

“Morte.”

Se Natsu fosse ficar parecido com Sting com raiva ou com ciúmes, eu iria fazer de tudo para que ele não se sentisse assim. Eu juro á mim mesma.

— Sting. Se acalma, isso não vai levar á nada. Lisanna não teve a intenção. Por mais que esse cara merecesse, você é bem mais que isso. Tenho certeza que ele vai estar bem dolorido amanhã e nunca mais vai encostar um dedo nela, caso isso não aconteça, ele é imbecil e então você poderá quebrar todos os ossos existentes no corpo dele, agora se acalme! Está assustando a Lisanna.

Ele finalmente pareceu ter me escutado, pois parou completamente. Seus olhos aos poucos voltaram ao normal quando ele amolecia. Natsu correu e então segurou-o antes que caísse no chão. Ele deveria estar cansado.

— Quando entramos nessa forma, demora um pouco até recobrarmos nossa consciência. — Natsu respondeu minha pergunta e eu pude escutar diversos pensamentos dele em minha cabeça. Como dúvidas sobre como a luz do Sting estava sendo absorvida por mim.

A única coisa é que, eu também não sei.

— O que aconteceu aqui? — Mira havia chegado e estava abraçando Lisanna que tremia e chorava. Laxus observou o irmão desacordado sendo carregado por Natsu e depois ele se voltou para o homem desmaiado e desfigurado no chão. Pareceu ter entendido e suspirou.

— Natsu, leve-o até a cabana de vocês. Ele precisa descansar. — Laxus se virou para mim e então arqueou as sobrancelhas. Natsu apertou meu ombro e deixou o local com Sting em seu ombro. — Você sabe quem parou ele? — Minha expressão tornou-se confusa.

— Eu. — Respondi simplesmente enquanto seguia até Lisanna. Afaguei seu cabelo. Eu disse que ia dar alguma coisa errada.

— A pele dela estava absorvendo a luz dele. Não queimou. — Lis murmurou enquanto se afastava de Mira e ela me abraçava. Sorri com isso. Lisanna sempre procurava contato humano.

— Absorvendo? — Anui positivamente.

— Nem adianta me perguntar como, eu também não sei. — Disse enquanto me separava de Lisanna.

Eu escutei um latido e quando me virei Maya corria em minha direção, sorri para ela e vi o exato momento em que minha cadela caiu e rolou pelo chão. Como uma espécie de desmaio.

— Maya! — Corri na direção dela, levando os joelhos ao chão. Sua respiração estava completamente normalizada e seus olhos abertos. Mas seus músculos aparentavam estarem congelados. Observei um vulto rápido agachar na minha direção. Era Erza.

— Ela latiu um pouco do lado de fora e quando fui ver, ela veio correndo até você. Não sei o que aconteceu, tinha uma presença lá. — Olhei confusa na direção dela enquanto sentia minha mão esquentar e eu tentei curar Maya. Mas nada adiantava. Ela estava bem, só... Congelada.

Foi quando vi uma figura surgindo. Era Wendy.

— Sinto muito, Lucy. — Olhei confusa para ela. — Preciso que saia daqui. Agora! Ela está bem, só está selada. Saia daqui. Por favor.

— O que? Por que?

Do nada começou á chover. Uma chuva gelada e espessa. Eu sentia uma coisa completamente estranha em meu corpo. Como se estivesse ficando dormente.

Chamei por Natsu em minha mente, eu consegui escutar seus pensamentos longe. Como se ele estivesse afastado. Então fiquei repetindo seu nome em minha cabeça, esperando que ele estivesse me escutando.

— Lucy Heartfilia. — Uma voz completamente arrepiante surgiu do nada. Era a irmã de Wendy. Juvia.

— Juvia? Ela não é sua irmã? — Lisanna virou-se para Wendy que estava se colocando em frente á mim. Estranhei sua posição enquanto eu apertava Maya contra meu próprio corpo na tentativa de não fazê-la sentir aquela água congelante.

— Está na hora de cumprir o que me foi mandado. Eliminar Natsu Dragneel e Lucy Heart... — Ela foi interrompida por uma rajada de fogo. Senti o calor agradável. Ele tinha chegado.

— Você fala demais. — Sua voz foi como salvação aos meus ouvidos. Depois de todo aquele fogo, ela se levantou sorrindo. Olhei assustada em sua direção e Natsu parecia tão surpreso quanto eu.

— Sou imune á sua magia, Natsu. — Ela inclinou a cabeça para a direita então a chuva intensificou. — Está na hora da morte. — Sua risada ecoou em meus ouvidos.

Essa garota é psicopata ou o que? O que diabos ela quer conosco?

Continua

Notas finais
Então? Tenso, fofo, legal? vocês viram a capa nova? Que linda *-* Agradeço por cada um de vocês, todos são especiais em meu coração; Beijinhos, lindos. Espero vocês nos comentários? Dessa vez vou responder rápido, juro. Beijinhos, lindos e lindas S2 Kati e Annie s2