Upside Down

11 XI — Florescência de sentimentos


Notas iniciais
Não vou nem me desculpar mais, está virando uma caracteristica minha já. Mas, perdão! Demorei muito. T_T Bom. quero agradecer ás minhas duas novas recomendações lindas que estão lá. Lady Rawn e Thaty, muito obrigada mesmo. Suas recomendações foram incríveis, e cada uma delas me deixou com lágrimas nos olhos por não imaginar que tantas pessoas gostassem de UD como hoje, obrigada mesmo. Vocês son los amores di mi vitta. Bom... Agora. *OPA* Annie: Oi? Como assim fui citada na recomendação nova de UD? MEU DEUS, EU JÁ TAVA ESQUECIDA QUE ERA CO-AUTORA AQUI, POR QUE NINGUÉM LEMBRA DE MIM ~le drama extremamente dramático. Muito obrigada, Thaty Mikaelson. Eu amei de coração suas palavras e tenho certeza de que a Kati também! Mas olha, eu só beto, não faço muita coisa não, mesmo eu zuando às vezes. Minha amiga que escreve essa história maravilhosa e, ela tem melhorado tanto, que ultimamente nem vejo muita coisa para consertar nos capítulos! Então, ela é a diva que deixou vocês apaixonados por UD, e eu me sinto feliz só de ajudar e saber mais que vocês. MHUAUAUUAUA, CHUPEM PLEBEUS! 3:) Enfim *cof cof* É isso. Vou continuar por aqui no camarim só esperando a hora de brilhar... Okay, Annie. Para que tá feio e-e Amo vocês... Kati: ¬_¬ Depois de uma interrupção básica.... KKKKKKKKKK Pessoas do meu core, vamos ao capítulo? Sim, né? Até ás notas finais /o Edição: Ok.

"A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam tentar sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidasClarice Lispector

***

XI — Florescência de sentimentos

Conversar com o Natsu. Incrivelmente seria uma tarefa que não hesitaria em fazer novamente. Sorrio internamente enquanto Lisanna me puxa ainda mais pela mão.

— Por favor! Pare de me puxar! — Ela desacelerou o passo e suspirei aliviada. — Obrigada.

Erza disse que iria conversar um pouco com Jellal e Lisanna meteu na cabeça que queria porque queria me mostrar todos os prédios, locais, salas, refeitório, quadra de esportes e até mesmo a sala do faxineiro.

Ajeitei o vestido branco, não poderia ter combinado menos comigo. E tenho de admitir que as meninas ficaram surpresas. Erza perguntou se eu era outra pessoa e Lisanna me disse que eu ficava muito bem com os olhos marcados. Sempre gostei dos meus olhos marcados, é a parte do corpo que mais gosto em mim.

E ao olhar para Natsu me deu uma enorme vontade de gargalhar, talvez porque estivesse me encarando meio pasmo, ou porque eu estava ficando sem ar. Aquela camisa verde musgo deixava seus olhos ainda mais verdes e brilhantes, mesmo de longe era capaz de ver o quanto eles eram intensos.

— Lucy, Lucy. Você está gostando dele, não é? — Só então notei que tinha parado e Lisanna teve de voltar uns metros de sua caminhada.

— Não viaja, somos amigos. — Dei nos ombros enquanto ela assumia uma expressão descrente. — E você não foi sincera comigo!

— Quando? — Nesse pouco tempo que convivo com ela, sempre que ouço dizer sobre amizade, ela preza a lealdade ao máximo. E eu agradeço por ela e Erza não terem tocado no assunto de ontem à noite.

— Quando me disse que gostava de um tal de Rogue, eu sei que não é verdade. — Ela levantou o dedo em sinal descrente, abriu e fechou a boca e corou como uma pimenta. — Você gosta do Sting.

— Como é que é? — Sua voz ficou descrente, seus olhos arregalaram quase que imediatamente.

— Sim, e é uma via de mão dupla. — Dei nos ombros. A interrompi antes que ela falasse alguma coisa: — Nem adianta negar, toda vez que eu falava com ele eu via em seus olhos. Você ficava com ciúmes. E apenas de olhar na direção dele você cora e, além do mais... Eu vejo a forma intensa com a qual me encara quando falo dele. Não negue, mas quero deixar claro que eu não o quero nesses preceitos. Ele é meu amigo, e só.

Ela continuou me encarando em busca de alguma resposta.

— Como você descobriu? Nem a Erza percebeu.

— Eu me prendo a detalhes, Lisanna. Tudo bem que eu não sirva para julgar, mas percebo todos os detalhes. — Dei nos ombros. — E pode ficar tranquila, não vou falar com ele durante um bom tempo depois do que ele fez a Maya. — Suspirei cansada. — Mas eu vou perdoar, preciso de um tempo. E quem saiba não ajudo vocês a ficarem juntos, hein?

Dessa vez ela corou ainda mais e roeu a unha do indicador nervosamente, enquanto ajeitava seu cabelo curto com a outra mão. Percebi seu vestido azul marinho, deixava seus olhos ainda mais claros e posso arriscar que só azul por causa da cor dos olhos de Sting. Ela pensa que eu não sei.

— Poderia fazer isso? — Parei no caminho e encarei o nada com as sobrancelhas arqueadas e em seguida encarei-a. Sua expressão estava nervosa. Sorri em sua direção.

— Mas é claro que sim, Lisanna! — Seu sorriso me contagiou ainda mais. — O que eu não faço por você?

— Eu sei que sou demais, meus amigos me amam! — Ver Lisanna se vangloriando é engraçado.

— Certo. — Revirei os olhos vendo que estávamos indo em direção ao prédio maior do canto. — Onde estamos indo?

— Aqui é o nosso prédio! Temos que falar com a Mira e ver em qual sala estaremos. — Andamos um tanto rápido até o prédio. Notei que como sempre tudo é em ordem e extremamente arrumado, alinhado e clínico. Isso me passa segurança.

Andamos por muitos corredores enquanto pessoas me encaravam. Eu aprendi com Mavis á liberar um pouco da energia, se não todos pensariam que fosse morta. Lógico que, não liberei nem 1/3 da energia por completo. Não quero intimidar ninguém.

Assim que chegamos a um lance de escadas respirei fundo, odeio escadas. Mas, tudo bem, subimos por ela e em seguida em outra e seguida por mais outra. Acho que quando estávamos no quarto – e último – andar, Lisanna pôs a mão na minha frente me impedindo de andar, e apontou para uma porta á minha direita, escrita: “Mirajane Strauss, organizadora/diretora” Gostei do “barra” e entrei pela porta sorrindo.

Senti meu rosto cada vez mais vermelho à medida que olhava a cena. Lisanna encarava os pés e mexia as mãos nervosamente, forcei uma tossida e eles se separaram nervosos. Segurei minhas bochechas com as mãos evitando que ficassem ainda mais vermelhas.

— Ah, Lucy... Lisa... Lisanna. — Mira estava ofegante e seu rosto estava vermelho, a boca inchada também. Ela ajeitou a camisa enquanto Laxus fez cara de pouco caso e se sentou num pequeno sofá ao lado da mesa dela.

— Deviam ter batido na porta. — Ele murmurou mal humorado. Sorri ironicamente e revirei os olhos.

— Deveríamos mesmo, mas... Creio eu que não é permitido que se agarrem em uma escola, estou certa? — Laxus arqueou as duas sobrancelhas num comum conjunto antes de dar nos ombros. — Eu vim aqui para saber como ficarão as minhas aulas.

A garganta de Mira coçou quando ela inclinou perante a mesa e me entregou um pequeno papel.

— Você vai até uma sala no final do corredor, lá é onde você poderá escolher as disciplinas e matérias que você quer colocar em sua grade. — Assenti ainda me sentindo um pouco constrangida quando Mira se virou para Lisanna. — Preciso falar com você, Lis.

— Bom, eu vou até essa sala aqui e nos vemos depois, Lisanna. — Seus olhos me advertiram e eu segurei um sorriso antes de passar pela porta abandonando Lisanna lá com a irmã dela.

[...]

— Senhora Porlyusica? — O nome dela era tão peculiar quanto sua aparência. Seu cabelo era rosa e haviam rugas envolta de seus olhos, sua aparência era um pouco envelhecida, mas eu pude notar sua essência jovem, o que era um pouco inusitado.

Seu olhar veio até mim me analisando enquanto ela parava de ler seu livro. Eu fiquei com medo de morrer no exato momento que seus olhos pararam em meus olhos.

— O que você quer, peste? — Encolhi devagar com sua voz severa. — Me dê esse papel, anda, anda! — Me aproximei do balcão entregando o papel em suas mãos. — Aqui. — Ela me entregou alguns papéis. — Pelo o que posso ver aqui, você está no nível avançado.

— Não tem como eu ficar no médio? — Minha voz pareceu tê-la perturbado, eu conseguia escutar suas narinas inflando com o ar. — Não tem problema, fico na aula que você quiser.

— Nível avançado. — Resmungando, ela pegou os papéis e leu em voz alta. — Como disciplinas obrigatórias você terá matemática, abrindo para as subdivisões que são: álgebra, geometria, cálculo e estatística. — Segurei uma careta. Toda minha vida eu fui uma excelente aluna na escola, talvez por sempre querer me mostrar melhor para mim mesma. Mas números não eram a minha área. — Você também terá inglês: Literatura, humanismo e linguagem oral; ciências: Química, física e biologia; história, geografia e economia. Educação física, você pode optar pelas aulas gerais ou então a escolha de um esporte. A Fairy Tail tem disponível basquete, futebol americano e vôlei. E você pode escolher uma língua estrangeira dentre essas aqui.

O papel que ela me entregou foi apontado pela mesma. Havia uma lista com esportes e línguas.

Francês, italiano, alemão, latim e espanhol.

— Alemão. — Ela me olhou duvidosa enquanto separava alguns papéis.

— Você sabe alemão? — Assenti enquanto lia as permissões que ela me entregava. Tinha uma para cada matéria que ela havia dito. Quando voltei á olhá-la, ela ainda me encarava.

— O que foi?

— Não tem quase nenhum aluno de alemão na aula da senhorita Milkovich, não é uma matéria muito procurada. — Assenti. Sempre soube disso. Todas as aulas que fiz, eram sempre com poucas pessoas.

— Minha mãe tem descendência alemã. — Dei nos ombros.

Desde pequena, eu sempre fiz muitas línguas diferentes. Talvez por obrigação da minha mãe. Mas de todas que eu estudei, o alemão foi a que mais me encantou e foi a única que eu quis continuar estudando. E inclusive sei falar de modo fluente.

— Preciso que assine aqui. — Ela me entregou um grosso papel e uma caneta. Assinei ali e então peguei o amontoado de papéis, juntamente com alguns dos livros que eram necessários para as aulas.

— Obrigada, senhora.

— Amanhã venha buscar o resto dos livros, boa sorte Lucy. — Por algum motivo, eu senti que ela realmente me desejava sorte. Eu tenho sentimentos ruins quanto á isso. Aulas avançadas nem sempre são legais.

Peguei o papel que ela me entregou e lá estavam distribuídos algumas matérias em cada horário. Procurei a permissão para aula de cálculo III e reparei a sala. Eu estava perdida no prédio. Tentei me encontrar e depois de alguns minutos eu achei a sala. Havia uma professora do lado de fora. Seus cabelos eram brancos e ela segurava muitos livros. Segurei um deles antes que caísse no chão. Ela sorriu para mim.

— Cálculo III? — Ela assentiu entusiasmada. — Acho que essa é a minha sala então.

— Angel. — Minhas sobrancelhas arquearam quando ela entrou na sala. Respirei fundo e entrei na mesma. Haviam poucos alunos, numa taxa de quinze. Eu não conhecia nenhum deles. Nem os tinha visto por aí. Suspirei quando Angel pegava o papel em minhas e lia o mesmo. — Lucy. Seja bem-vinda ás aulas de cálculo. Sente-se ali, com a Levy. — Uma menina baixinha levantou a mão.

Em seu pequeno nariz estava apoiado um óculos de leitura pesado. As lentes pareciam grossas e deixavam seus olhos pequenos. Mas dava um charme em toda sua aparência. Em geral, ela era bem fofinha. Virei em direção á menina ao meu lado e ela sorriu de modo tímido para mim.

— Prazer, sou a Levy. — Apertei sua mão que se encontrava estendida para mim.

— Lucy. — Murmurei enquanto pegava um dos cadernos de dentro da mochila e o livro que indicava cálculo.

— Lucy. Como você é a única aluna nova, não irei estender muito as apresentações. Mas quero avaliar o nível que você se encontra. — O sorriso fofo que ela me direcionou quase me fez sorrir.

— Tudo bem. — Disse de modo um pouco incerto enquanto eu via Levy rir de forma contida. Porque eu sinto que isso não vai ser nem um pouco legal?

[...]

Essa professora é um demônio.

Eu bati minha cabeça na mesa pela quinta vez enquanto ela recolhia os materiais da mesa e os organizava. Guardei o meu próprio na mochila e saí pela soleira da porta quase que gritando um aleluia. Foi quando escutei meu nome sendo chamado.

— Eu gostaria que você fizesse os exercícios do livro desde o início até a página que estudamos, quero ver seu nível. — Fechei os olhos recitando todos os palavrões possíveis em minha mente. — Para segunda-feira que vem. — Abri um enorme sorriso na direção dela, eu estava com vontade de pular em seu pescoço.

Eu consegui fantasiar com minhas unhas arrancando seus olhos, mas fui interrompida por um barulho de caneta caindo em sua mesa. Suspirei e assenti.

— Sim, senhora. — Apertei a alça da mochila enquanto ia até o corredor.

— A professora gostou de você — Levy estava me esperando na porta. — Relaxa, ela é assim com todos, com o tempo você se acostuma.

— Eu espero. Se até lá ela não conseguir arrancar meus dedos enquanto eu escrevo. — Seu riso me fez rir também. Fui na direção do meu armário e descobri que o dela era ao meu lado.

— Você está avançada em todas essas aulas? — Anui negativamente.

— Estou em todas as aulas. As únicas que não estou é a de língua estrangeira se ainda não decidi as aulas opcionais.

— Então estaremos juntas em praticamente todas as aulas. — Sorri em sua direção. — Eu faço espanhol, e você?

— Alemão. — Sua expressão de nojo quase me fez rir. — Não me ofenda. Eu sou descendente alemã.

— Sério? — Assenti enquanto guardava parte dos livros ali dentro. Quando me virei para Levy, seu rosto estava contorcido numa careta de medo, segui seu olhar e segurei o riso enquanto observei Natsu e Sting no fim do corredor. Ela se encolheu perto dos armários, quase entrando dentro de um deles.

Quanto mais ele se aproximava, mais minha marca brilhava.

— Fala sério. Eles são medonhos. — Uma de minhas sobrancelhas arqueou quando ela se pronunciou. — Descendentes. Tenho medo do que eles podem fazer.

— Você estava aqui no dia das apresentações? — Ela anuiu negativamente. Tava explicado. Ela não sabia que eu era uma descendente. Ri enquanto pegava o livro da próxima aula.

— Porque? — Sua voz sussurrava, mas eu tinha certeza que todo mundo escutava.

— Sou Lucy. — Sussurrei em seu ouvido. — Descendente de Anjos. — Sua expressão descrente me fez rir alto dessa vez. — Eu não mordo.

— Mas ela dá umas respostas inteligentes que valem como um tapa. — Revirei os olhos enquanto virava o livro que estava em uma de minhas mãos em seus braços. Ele se encolheu com as sobrancelhas arqueadas.

— Cala a boca, Natsu. — Fingi que não notava sua mão em minha cintura. — Essa é a Levy que mais quer correr daqui porque você é um amor de pessoa que carboniza todo mundo. — Me virei para a azulada que estava um pouco pálida e seus olhos estavam arregalados. — E Levy, esse é o Natsu. Apesar de já achar que você conheça ele.

— Eu não carbonizo todo mundo. — Sua voz me fez rir. Reparei em Sting perto dele, mas ele estava falando com um garoto um pouco afastado da gente.

— Só quase todo mundo. — Fechei a porta do armário. Eu nem havia reparado que algumas pessoas sussurravam e olhavam para gente. Eles claramente não eram sutis.

— Prazer, Levy. — Natsu se direcionou para a menina que ainda me encarava de modo estático. — Ela está bem? — Dessa vez foi direcionando á mim.

— Acho que sim. — Sorri para o nada enquanto me soltei de seu braço em minha cintura. — Agora tenho que ir para a aula de Física III

— Você está nas aulas avançadas? — Assenti de modo confuso. — Minha namorada é um gênio.

Eu juro que escutei as pessoas prendendo a respiração. Que horror.

— Sua, o quê? — Me virei para ele, só reparando no quanto estava perto agora. — Amiga, Natsu. Sua amiga.

— Isso. — Foi a vez dele revirar os olhos. Me afastei e dei um beijo em sua bochecha.

— Até depois, algodão doce. — Quase gargalhei quando ele tentou pegar meu braço, mas eu escapei. Puxei Levy pelo braço enquanto seguia pelo corredor notando as expressões de choque presentes no rosto de todos no corredor. Eles estavam em choque apenas por ver Natsu interagindo com alguém.

Qual imagem que eles tem dele?

[...]

Me encontrava novamente sentada numa mesa resolvendo alguns exercícios que o professor havia escrito no quadro. Quase chorei quando notei que nenhum dos professores que tive até agora estalaram o chicote em cima de mim, como Angel fez.

Ele apenas disse que eu era bem-vinda e seguiu com a aula.

O choque inicial de Levy passou e sussurrando ela me perguntava algumas curiosidades sobre minha raça. Ela nem ao menos tocou no assunto Natsu. O que era admirável, já que eu conseguia ver a curiosidade em seu olhar. Mas eu ia esperar ela sucumbir á mesma e me perguntar.

Depois de resolver tudo que tinha para fazer, inclinei minha cabeça sobre meus braços. Eu estou um pouco dormente. Quase cansada. Consigo sentir meus olhos se fechando.

Levantei a cabeça, não sei se vão achar que estava dormindo. Tamborilei meus dedos na mesa olhando para o professor que estava concentrada em alguns papéis, mas ele parecia perdido e isso me levou a pensar e ficar tentando entender os motivos que as pessoas tem para escolher profissões.

Esse sempre foi meu dilema.

Diferente das outras meninas, eu nunca fui considerada sonhadora. Nunca quis ser princesa para que um príncipe me resgatasse num castelo montado em seu cavalo branco. A vida, definitivamente, não é assim. Duvido bastante que haja um príncipe a cada esquina. E esse amor todo que eles sentem um pelo outro acaba, sempre acaba. Ou então, quem sabe, esse príncipe que bateu a sua porta não seja um estuprador? A vida é triste e completamente não clichê. Eu penso assim, mas eu sou romântica. Mas as circunstâncias me forçaram a crer que o amor não existe. Bem. Meu corpo age contrário aos meus pensamentos e no fim não sei a quem seguir. Ás vezes eu fico me perguntando como seria minha vida se eu tivesse pais diferentes. Será que eu estaria agora sentada na mesa conversando animadamente com minha mãe amorosa? Ou então estaria socando meu irmão mais novo? Ou até mesmo numa clínica para pessoas com problemas mentais?

É difícil saber. E no que eu acredito e como eu sou sortuda, estaria num sanatório recebendo tranquilizantes.

E como não penso nas mesmas coisas que garotas da minha idade pensam, eu não sei o que quero fazer quando me tornar adulta. Eu sempre quis as profissões menos escolhidas pelos outros.

Aos dez anos eu quis ser demonóloga. Que criança, aos dez anos de idade, sonha em ser demonóloga? Meu pai tentou tirar isso da minha cabeça e até que conseguiu quando me fez assistir documentários. Só de ver uma pessoa amarrada numa cama com os olhos revirando e murmurando coisas inaudíveis, eu desisti quase que na mesma hora dessa profissão.

Em seguida, quis ser treinadora de rãs. Eu devia ter onze anos, mais ou menos. Até ter meu primeiro encontro com uma linda e nojenta rãzinha. Odeio coisas gosmentas, eca. Desisti.

E então... Engatei numa de ser faxineira de zoológico. Meu santo Deus, eu devia ter o quê? Uns quinze anos? E fiquei nessa por um ano, até fiz um pequeno treinamento varrendo o chão da sala de minha casa. Mas, quando vi que o os faxineiros faziam de verdade desisti. Não nasci para limpar cocô de bichos.

No momento estou sem nenhuma profissão estranha em vista.

Essa é a questão toda, eu nunca pensei em ser médica, advogada, jornalista e, Deus me livre, psicóloga, sou problemática demais para resolver os problemas dos outros.

Nem se quer cogitei a ideia de seguir uma carreira comum. E ainda tenho dúvidas se irei fazer faculdade. Mas de uma coisa eu tenho certeza, nunca serei apicultora. Odeio abelhas. Quer me matar do coração? Ponha-me num lugar fechado com apenas uma abelha. Eu entro em pânico. E só de pensar em abelhas, estou tremendo e suando frio.

Quase pulo da minha cadeira quando escuto o sinal soando em meus ouvidos fazendo com que até meu cérebro trema.

— Podem me entregar, okay? — As pessoas aos poucos se levantavam e eu fiquei esperando por Levy. Quando a sala estava quase que vazia, ela se levantou e me puxou pelo braço.

O professor disse alguma coisa sobre minha raça, mas não escutei direito o que ele pronunciou pois Levy estava me puxando. Já era horário de almoço.

Quando chegamos perto da porta, ela apenas me soltou rapidamente, como se estivesse se lembrando de alguma coisa.

— Eu tenho que ajudar a Laki na biblioteca hoje, tem problema se eu não almoçar com você? — Anui de modo negativo.

— Claro que não. Pode ir. — Ela sorriu para mim e foi na direção contrária.

Agora eis a questão: Para onde eu vou?

— Bom, posso te levar até o refeitório. — Quase pulei com a voz de Natsu ao meu lado.

Ele estava encostado na parede ao lado da porta da sala com as mãos no bolso da calça e cabelo bagunçado. E, como sempre, exibia um perfeito sorriso de lado. Sorri em sua direção e inclinei minha cabeça para a direita.

— Se não se incomodar. — Disse eu dando nos ombros, começamos a andar. — Eu ia te perguntar ontem, como é o nome do garoto que fica na sua cabana, além de Sting? Acho que é Garel ou Pastel. — Eu disse meio pensativa e fui interrompida pela risada do Natsu. Agora eu entendo quando falam que, o som é música para os ouvidos.

— O Gajeel vai amar o novo apelidinho, Pastel. — Sorri.

— Não sou boa com nomes novos, e cá entre nós, o nome dele é tão comum quanto chuva ácida no Alasca. — Mexi na orelha que estava coçando. — Vem cá, porque saiu tão tarde da cabana?

— Porque é legal conversar com você. — Ele disse com uma cara normal e eu sentia meu rosto meio quente.

— Hum. — Foi a única coisa que disse, não quero falar idiotices, porque, se eu continuar falando com certeza falaria alguma merda. Com certeza acharia um motivo para ter motivos de ser idiota ou então lerda, por isso, ficar calada. Essa é minha meta.

— Lucy.

— Oi? — O encarei por um momento.

— Aquela ideia de eu voltar a falar com a Lisanna, vai me ajudar?

— Claro! — Disse um pouco animada, eu estava querendo desconstruir essa imagem que todos tem dele. Natsu poderia ter alguns excessos de raiva, mas quem não tem? Todo mundo nessa escola pensa que ele é um monstro quando na realidade ele nem se parece com um.

Muito pelo contrário, o pouco que tive contato com ele até agora, Natsu se mostrou muito agradável comigo. “Minha namorada” a frase que ele disse no corredor brotou na minha cabeça do nada.

Engraçado que eu gostei desse título. Que inferno.

— Lucy. — Balancei a cabeça em sinal que estava escutando. — Quando você conversa consigo mesma, eu escuto... — Só então parei para pensar. Que. Merda.

— Que coisa chata. — Choraminguei, e quando o encarei ele estava sorrindo. — Não ria, seu idiota. — Murmurei. — Pare com isso!

— Não consigo evitar, Lucy. Eu só escuto. — Seu sorriso pareceu alargar e ele me puxou pelo cotovelo evitando que eu trombasse com uma menina que estava correndo no corredor. — E eu não veria problema em te tratar por esse título. Já que você gosta.

Meu rosto corou em três tons de vermelho diferentes. Eu tenho que controlar meus pensamentos quando estou perto dele. Isso está ficando perigoso demais.

Dei um tapa leve em seu ombro.

— Você gosta de me deixar sem graça?

— Talvez. — Ele me encarou por mais um tempo e depois mudou de assunto. — Então, vai me ajudar?

— Claro que sim. — Sorri e dei nos ombros. — Mas em troca quero que me ajude com uma coisa.

— Que seria?

— Aproximar Lisanna do Sting. — Suas sobrancelhas elevaram. — Não conta para ninguém, mas ela gosta dele.

— E ele gosta dela. — Parei um segundo no corredor.

— Isso vai ser mais fácil que tirar doce de criança então.

— Eu não disse que ia ajudar. — Cruzei os braços enquanto ele ria da minha expressão.

— Você vai me ajudar. Na verdade, você vai ajudar seu amigo e a sua ex-amiga que em breve vai se tornar atual.

— E o que eu ganho com isso?

— Eu vou te ajudar com a Lisanna. Tirar esse temor que ela tem de você. — Observei-o pensando no assunto.

— Eu ainda vou sair em desvantagem. — Sua voz estava pingando ironia.

— Então eu fico te devendo uma, que tal? — Seu sorriso quase me fez querer capturar as palavras que saíram de minha boca.

— Pode deixar que eu vou cobrar.

[...]

— Sente-se aqui. — Lisanna bateu no banco ao seu lado. Havia apenas uma menina do outro. — Essa é Lucy. Lucy, essa é a Lira.

— Oi. — Sua voz era acanhada e tímida. Seus cabelos eram negros, quase azuis e seus olhos marrons num tom de café.

— Prazer, Lira. — Sorri em sua direção me sentando ao lado de Lisanna. Encarei Natsu, ele estava falando alguma coisa com Sting e ambos olharam para nós.

— Lucy! — Quase pulei do banco. — Como foi a aula?

Pisquei meio atordoada. Odeio quando gritam perto do meu ouvido.

— Não grita no meu ouvido, droga. — Murmurei baixo. — Foi normal, eu acho.

—Você está em quais aulas?

— Infelizmente eu faço parte de todas as aulas avançadas.

— Lis, eu tenho que ir para a mesa dos lobos. Foi um prazer, Lucy. — E então a menina saiu, que estranho.

— Avançada? Não sabia que você era uma rata de livros. — Quase ri da expressão. Nunca tinha ouvido antes.

— Rata de livros? Assim me sinto ofendida, Lis. — Prendi meu cabelo num coque desarrumado enquanto ajeitava a postura na mesa. — Eu só passava o dia todo estudando em casa, nunca fui a menina mais sociável, então sempre gostei de estudar.

— Está brincando, não é? — Sorri olhando até um canto em que algumas pessoas pegavam uma bandeja com o almoço.

— Quando você não tem muito o que fazer, você pensa bastante no futuro. Vamos pegar o almoço? Estou morrendo de fome.

Ela assentiu e se levantou vindo até o meu lado.

— Cadê Erza?

— Não sei. Não a vejo desde de manhã. Eu vim com o Natsu. — Ver sua expressão assustada foi tão engraçada que até sorri. — Ele não é um monstro que vai te comer!

— Mas pode te queimar. — Revirei os olhos.

— Se ele me matar, morre também. Acho pouco provável ele me machucar e te machucar, vocês são amigos... Pelo amor de Deus. Ele não irá te machucar. — Revirei os olhos perante sua expressão ainda temerosa.

— Ele não vai machucar você. — Suspirei contrariada. — Além do mais, acho que nenhum garoto com o mínimo cérebro te machucaria, na verdade nunca tinha visto tantos garotos olhando para uma mesma garota.

Arqueei minhas sobrancelhas olhando para o resto do refeitório. Eu nem tinha percebido pessoas me olhando. Muitas, a ponto de me deixar com vergonha e com raiva. Senti ciúmes de mim mesma? É isso mesmo? Não. Esses sentimentos não são meus, exatamente.

Quando olhei para Natsu. Bem, ele... Estava quase espumando de raiva.

Como posso fazê-los pararem de me olhar? Fechei os olhos andando bem devagar para não me deixar cair. Vamos, um pouquinho só. Me senti meio energizada e quando abri os olhos ninguém mais me encarava e Lisanna estava tensa.

— Dá para parar com isso? Sua energia me intimida. — Sorri e dei nos ombros.

— Era o único jeito, meu bem. — Assim ficamos na fila por um tempo e eu peguei uma bandeja com um pote de iogurte, um prato de salada e suco de uva.

— Só isso? Está de dieta?

— Não. Nunca falei que era vegetariana? — Ela me encarou assustada e enquanto eu pegava um pote que continha um pedaço de pudim e ela terminava de compor seu prato que só havia carne. Me controlei para não sentir vontade de vomitar.

— Sério? Não sabia disso. — E então andamos até a mesa para nos sentarmos.

— Sabe, devia tentar comer coisas mais saudáveis. — Eu via em seu prato um pedaço de carne, batata frita e uma lata de refrigerante.

— Eu não, muito obrigada. — Ela sorriu tomando um gole do seu refrigerante. — Sempre achei vegetarianos chatos demais, eles não comem nada. — Arregalei os olhos e pus minhas mãos no peito ofendida. — Não leve a mal.

— Como não vou levar a mal? Você acabou de falar que sou chata bem na minha cara.

— Você é uma... Exceção.

— Obrigada. — Sorri ironicamente comendo um pouco da salada e bebendo o suco. — Eu como sim, só não como carne. Não consigo pensar no porque de comer carne. Os animais não imaginam que vão morrer antes de serem encabeçados a morte. Sabia que eles tinham famílias?

— Ótimo. Agora estou com remorso de comer carne. — Ela encarou o prato. — Passou. — E comeu um grande pedaço de bife. — Está bom.

Revirei os olhos.

— Batata frita. Bem, isso eu como. Posso? — Perguntei olhando para seu prato, ela assentiu e eu peguei uma.

— Achei vocês! — Erza gritou assim que chegou perto da mesa, ao lado do meu ouvido.

— Não grite no meu ouvido, porcaria. — Resmunguei.

Ela riu e se sentou ao nosso lado com uma bandeja que tinha apenas um copo de “refrigerante”. Aquilo com certeza não era refrigerante.

— Como foi a aula de vocês? — Lisanna deu nos ombros enquanto comia mais um enorme pedaço de bife. Quase me sinto nauseada vendo-a comer desse jeito.

— A Lucy é uma aluna avançada. — Pronunciou com a boca ainda cheia. Tive que limpar um pouco de carne que voou no meu rosto, fiz um careta. — Perdão Lucy. — Desdenhei com as mãos.

— Que mérito estarmos na mesa de uma aluna nota dez. — Ri da voz de Erza.

— Eu tenho uma professora de cálculo que é um demônio. O nome dela é Angel. — Pude ver Lisanna e Erza tremerem.

— Ela é minha prima. — Arregalei os olhos para Lisanna. — Pois é. Ela é um demônio normalmente.

— Qual a raça dela?

— Ela é, literalmente, uma bruxa. — Dando uma golada no sangue, Erza me respondeu. Tive que rir.

— Ela pareceu gostar muito de mim. Me pediu um monte de coisas para a semana que vem.

— Ah, boa sorte. Quando ela cisma com um aluno, costuma permanecer com isso até o fim do ano.

— Estou ferrada.

[...]

Antes do intervalo para o almoço terminar, pedi licença e me dirigi até a enorme área para estudantes do lado de fora, era arborizada e calma. Não havia absolutamente ninguém ali. O pessoal gostava de ficar nas quadras na área de trás. Segundo Lisanna, estava tendo treino do time de futebol americano masculino.

Nunca gostei tanto da sensação de me sentar na grama. Respirei fundo o ar puro que estava ali. Quase consegui sorrir.

Algumas meninas passaram por mim e notei que me olhavam para, em seguida, passar reto até, o que imagino, ser a quadra. Não estou com disposição de ver os meninos correndo atrás de uma bola.

Apoiei a testa em meus próprios joelhos pensando em tudo. Meus pensamentos foram para minha mãe e eu senti meu coração apertando. Sentia saudades dela. Por mais ausente que ela seja. Ainda sinto falta de como ela era quando eu era criança.

Porque sim, ela era bem mais carinhosa durante minha fase infantil. Mas, por algum motivo, ela simplesmente deixou de ser assim quando eu cresci.

Senti algumas lágrimas em meus olhos. Estou sensível ultimamente.

Sempre odiei essa minha mania de chorar por tudo. Não suporto nada, não consigo aguentar sem chorar. Como eu sempre falo. Sou um barranco desgovernado com emoções.

Não sei nem por que estou chorando. Só sinto uma tristeza muito grande. A única parte da minha vida que nunca entra nos eixos, é a parte da minha mãe. É incrível como quando eu acho que estamos bem, nós brigamos do nada. Senti meus pulmões se comprimirem num soluço forte.

Será que isso era culpa minha? Meu temperamento? Ou então o meu jeito não é como ela queria que sua filha fosse? Por vezes eu penso nisso.

Será que se eu agisse de uma maneira diferente, ela seria uma mãe melhor?

Eu sempre provoco tudo, geralmente as brigas sempre são causadas por algo que eu disse ou então por algo que eu fiz, e nunca é a minha verdadeira intenção fazer isso. E quase toda vez meu temperamento estraga! Não consigo mudar e isso só me dá frustração.

Nunca fui uma menina muito simpática com todos. Não é todo mundo que consegue suportar meu temperamento, sempre selecionava muito bem minhas amizades, quer dizer, quase. Eu nunca fui muito boa com processos seletivos.

Suspirei pesarosamente enquanto afundava minha cabeça em meus joelhos e tentava, mesmo que falhando na tarefa, me concentrar em parar de chorar e pouco me importando com o pouquinho de dor que sentia em minha cabeça.

— Ficar se batendo não vai adiantar. — Mesmo antes de escutar sua voz, o senti perto de mim. Natsu se sentou ao meu lado. O mais estranho era que, mesmo antes dele falar eu já sabia que era ele. Talvez por uma sensação de paz e proteção. Não sei, só sei que essa sensação era muito boa.

— Não estou me batendo. — Não queria olhar em sua direção.

— Hum. Está chateada? — Suspirei e levantei os olhos encarando grandes mares verdes á minha frente.

— Sério, você tinha toda uma fama de cara durão que batia até em mulheres. — Franzi minhas sobrancelhas até com certa raiva e sarcasmo no olhar, as lágrimas evaporaram eu franzi os lábios. — Cadê?

— Está aqui, Lucy. — Ele pareceu suspirar inconformado. — Só não quero ser um idiota estúpido com você, não como eu sou com todos os outros.

Senti na mesma hora minha expressão amolecer e meus olhos se permitiram cair mais lágrimas.

— Tudo bem, me desculpe. Só estou pensando em algumas coisas desagradáveis, como a minha mãe. — Mordi o lábio inferior em apreensão. Ele parecia me analisar como uma águia. — Estou melhor.

— Tem certeza? — Assenti ainda olhando para minhas sapatilhas e sentindo meu cabelo cair no rosto. — Então. Não acho que seja nada de errado nós irmos a um lugar, não é?

— Lugar? Que lugar? — Ele se levantou batendo na calça e tirando pó. — Estamos no horário de aulas, não acho que podemos sair.

— Venha, Lucy. — Ele ergueu a mão em minha direção, e mesmo temerosa segurei-a firme sentindo espasmos pelo meu corpo assim que levantei. Ele pareceu bem satisfeito por eu ter aceitado sua ajuda. — Quero te tirar um pouco daqui.

— Por...? — A frase morreu no ar e ele deu nos ombros.

— Estou achando que você precisa se distrair um pouco. — E então ele me deu um sorriso enorme que fez com que minhas pernas bambeassem.

— Mas... Isso vai nos encrencar. — Seu sorriso travesso quase me contagiou.

— O que seria a vida sem quebrar um pouco as regras? — Começamos a andar em direção aos enormes portões da entrada dos prédios. E depois olhei para a trilha com medo.

— Sairemos do internato? — Forcei minhas pernas para segui-lo. Nunca foi da minha índole quebrar regras, quase sempre fui meio ‘certinha’.

— Hum-hum. — Ele balançou a cabeça afirmamente e segurou minha mão forte. Quase podia sentir meus dedos pinicando pela falta de sangue, mas eu me sentia bem. Sentia-me completamente segura. — Vamos, ande mais rápido. Você confia em mim?

Mordi novamente o lábio e controlei a vontade de coçar meu joelho, coisa que só faço quando estou nervosa. Inclinei a cabeça para a direita piscando de uma maneira lenta.

— Acho que sim. — Fiz uma enorme careta. — Só não sei se você é uma boa influência para mim.

— Com certeza, não. — Seu sorriso me fez arrepiar. Mas, alguma coisa me dizia para sempre seguir ao lado dele, mesmo que essa coisa fosse muito errada. Só não consegui pensar direito se isso me traria consequências negativas ou catastróficas.

— Então, acho que deveríamos voltar. — Ele apertou minha mão e continuou andando rapidamente.

— Acho melhor não. Pode haver um incêndio completamente acidental na sua cabana.

— Sou imune ao seu fogo, palhaço. — Fiz um bico. — Além do mais, você não seria capaz de fazer isso.

— Como você sabe? — Sua voz estava descrente.

— Eu sinto. — Dei nos ombros. — Sempre confiei em minha intuição. E ela está falando nesse momento que você é extremamente confiável, acha mesmo que estaria saindo da escola em pleno momento de aulas, sem confiar em você?

— Você sempre diz que não sabe fazer amizades.

— Não sei mesmo. — Sorri abertamente. — Mas talvez você não seja considerado apenas um amigo. Pelo menos, eu acho que não. — Sorri enquanto sentia meus olhos encherem de lágrimas acumuladas, eu realmente estou instável.

Eu sei que isso foi estúpido. E sim, foi imprudente. Não sei porque disse aquilo, só me deu vontade e eu falei. E só de ver o sorriso que se formou no rosto dele, me deu toda a recompensa por ter me passado por boba. Mas esse sorriso foi substituído por uma expressão séria. Arqueei minhas sobrancelhas.

— O que... — Seu rosto se voltou para o meu, então ele se aproximou. Dei um passo para trás assustada, meus olhos se arregalaram em alarde. — Natsu... O que...

— Eu gosto do seu cheiro. — Seu nariz estava muito próximo do meu pescoço. E então ele cheirou, meu rosto adquiriu uma ardência imediata, mas não de vergonha. Minha pele inteira se arrepiou como se eu sentisse um calor incontrolável. Seu rosto ficou na mesma altura que eu meu. As lágrimas que antes estavam acumuladas em meus olhos desceram por minhas bochechas, senti as gotas ficarem quentes devido á temperatura do meu rosto.

As pupilas de Natsu acompanharam as lágrimas até elas descerem perto da minha boca, e então ele se aproximou ainda mais.

Por mais que eu quisesse me mexer e sair correndo, não fiz isso. Permaneci calada.

— Seu cheiro é muito bom. — Sua voz transmitia uma seriedade nunca vista por mim antes. Seus lábios se aproximaram e então senti algo quente em minha bochecha, ele estava lambendo a última lágrimas que estava perto do canto da minha boca. Arregalei ainda mais os olhos quando ele se afastou com um sorriso de canto, minha pele inteira estava arrepiada. — Deliciosa.

Observei Natsu virando para frente e então, num passe de mágica, sorrir para mim.

— Vamos? — Assenti de forma robótica enquanto tentava acalmar as batidas de meu coração que estavam quase sendo sentidas pelo lado de fora.

O que diabos acabou de acontecer aqui? Consigo sentir meu coração se divertindo em minha caixa torácica. Suspirei encarando suas costas.

Por que tudo que se trata de Natsu faz com que meu coração fique disparado? Eu queria muito culpar a marca e dizer que nada disso era sentido de maneira real por mim, mas no fundo eu sei que não é apenas isso.

Continua

Notas finais
Acharam que ia ter 'bijinho' né? *cof* AINDA NÃO. ~Pegadinha. KKKKKKKKKKKKKKKKK' Sou tosca. Bom, espero que tenham gostado Nós esperamos comentários, pessoas que são acompanhamentos virem favoritos e que todos se sintam á vontade para dar suas opiniões... E claro, que novos leitores apareçam. Por isso, por favor, divulguem. :) Annie: Meus fãs, aqui me vou para ficar longe um tempo. Estarei em meu sono de beleza no camarim, bata antes de entrar. Beijos u3u Kati: Então... Ahn, depois dessa... Até depois, beijinhos. Kati & Annie