Upside Down

6 VI — Tempestade


Notas iniciais
Como estão? Então... Vim antes de 2015 dar-lhes um presente de ano novo... Okay, eu posso dizer que duas pessoas me presentearam maravilhosamente no natal. Eu, tipo, pirei! Vamos agradecer á uma de cada vez, primeiramente... Priscila, o que eu posso dizer para você que não tenha dito nas respostas aos seus comentários? Sua recomendação apareceu em pleno dia de natal, sinceramente... Foi um presente que quase me fez surtar. Queria te agradecer imensamente por estar me acompanhando, acompanhando UD... E por comentar, uma leitora maravilhosa! Muito obrigada! MayaHyuuga, meu Deus. Não veio no dia de natal, mas me foi um presente maravilhoso! Jesus, suas palavras foram maravilhosas. Agradeço cada um dos elogios, você foi perfeita em cada palavra, sei nem como agradecer... Mas, obrigada! Puxa, eu não imaginava, veio de surpresa, por tanto, muito obrigada! Foram duas recomendações maravilhosas que eu nem sei como suportei sem ter um ataque do coração. Obrigada imenso, pessoas leem minha história, pessoas comentam, e isso me deixa tão feliz... Vocês não tem noção. Nunca imaginei que UD atingiria mais de 20 acompanhamentos... E atingiu! Os favoritos, tudo! Obrigada á cada um! Bem, vou deixar de amolar. Esse capítulo é dedicado em especial ás duas autoras das minhas mais novíssimas recomendações, e não só elas, mas para todos vocês. Priscila e Maya, muito obrigada, novamente! Boa leitura. Edição: Ok

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“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com toques suaves da alma.”— Cora Coralina.

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VI — Tempestade

— Onde estou?

Olhei para todos os lados, procurando uma resposta para minha pergunta retórica. A última coisa de que me lembro era de estar na minha cama me preparando para dormir. Isso é um sonho?

O lugar era muito aberto, bem maior que uma clareira, era como cinco campos de futebol. Arqueei ambas as sobrancelhas quando vi que realmente não tinha nada naquele lugar.

Lucy...

Me virei e a única coisa que eu vi foi uma luz completamente resplandecente bem de frente a mim, a menos de um metro de distância. A voz masculina era imponente e senti uma enorme calma e compreensão. Deveria sentir medo, afinal de contas, aquilo mais parecia um conjunto de luzes que nem ao menos formavam um rosto.

— Quem é você? — Eu estava sentada na grama, e dessa percepção, o homem, eu acho, era bem mais alto que eu. — O que é isso? — Tenho a forte sensação de que estou sonhando. Mas quando estamos nesse estado, não devemos lembrar que estamos sonhando, não é?

— Sou uma pessoa próxima. — Arqueei as sobrancelhas em confusão.

— Pessoa? — Inclinei a cabeça para o lado. — Você parece uma luz. — Escutei uma gargalhada fraca.

— Sim, Lucy. Isso aqui é só uma luz, não sou realmente eu.

— Então, quem é você? Ou melhor, o que você é?

— No momento isso não é tão importante.

Suspirei e dei nos ombros, achei que sabia de tudo... E descobrir que alguém sabe algo importante demais para você mesmo e não saber disso é, no mínimo, frustrante.

— Tenho que te avisar... Você corre perigo.

— Perigo? — Meus olhos se arregalaram. — Que tipo de perigo?

— Um perigo que pode causar sua morte. — Fechei meus olhos por um segundo, até que morrer não seria má ideia.

— Mas... O que? Quem? — Focalizei tentando encontrar um rosto em meio aquela luz, a única coisa que encontrei foram olhos que me observavam atentamente. Mas não conseguia nem ao menos enxergar a cor. Porém, eu via sentimentos muito intensos.

— Não posso dizer. — Ele pareceu consternado. — Por favor, se proteja!

Tudo ficou turvo.

— Espera, quem você é?

— Em breve você vai saber... — E então ele sumiu. Pisquei e quando abri meus olhos eu estava encarando o teto do meu quarto.

Sentei-me, assustada. Esse sonho foi real demais. Notei que Maya dormia em meu pé e eu estava suando. Suspirei e coloquei minhas pernas para fora da cama. Ergui meus braços espreguiçando-me e forcei meus músculos a levantar.

Olhei-me no pequeno espelho e quase tive um infarto. Tinha suor por toda a minha testa, minha franja estava colada em minha testa juntamente com suor seco e meus olhos estavam inchados e completamente vermelhos... Como se eu tivesse fumado alguma coisa.

Além disso, meu cabelo estava completamente para o alto. Se me falassem que eu tinha levado um choque de 100 volts, eu acreditaria. Tentei desgrudar uma mecha do meu cabelo que estava grudado a bochecha. Acho que com baba.

Encarei horrorizada minha imagem no espelho e rapidamente cacei uma toalha seguindo como num raio para o banheiro. Deus me livre, se alguém me ver assim é capaz de dizer que está tendo invasão por zumbis na terra.

Apesar de que, depois de tudo o que eu descobri nesses últimos dias, zumbis seriam os menores de meus problemas.

Tomei uma rápida ducha e fiz a higiene cotidiana pela manhã, e vesti-me com um short jeans e uma blusa florida solta. Enrolei meu cabelo na toalha e segui novamente ao quarto, onde Maya encontrava-se num estado de total descanso esparramada em minha cama.

Sequei o cabelo rapidamente na toalha e saí do quarto. As lembranças do sonho ecoavam pela minha mente. O que diabos foi aquilo? Aquela sensação de paz causada por aquela... Coisa que se dizia uma pessoa?

E a resposta. “Em breve você saberá”... Uma pinóia! Antes de chegar aqui, só recebia essa resposta e isso me enche a paciência. Quero que ele pegue essa resposta e enfie no...

— Bom dia! — Lisanna saiu do quarto interrompendo minha linha de raciocínio.

Sério, como alguém consegue acordar com o cabelo alinhado, o rosto impecável e ainda com um sorriso no rosto? Eu não fico de mau humor pela manhã, pelo menos não sempre, mas não com esse otimismo todo, que só ela é capaz de emitir.

— Bom dia. — Se dirigiu até o banheiro. Sentei-me no sofá ligando a televisão. Mortes, mortes, assasinatos, homicídios, mortes, estupros, mortes. Passei por todos os canais recitando tais palavras. Porque hoje em dia só se tem isso pela televisão? É um horror!

Quando me dei conta de um rosto conhecido voltei alguns canais.

Estamos aqui com a colunista Layla Heartphlia. — O apresentador deu uma pausa e algumas pessoas da plateia aplaudiram. Suspirei e larguei o controle no sofá. — Você recentemente tem publicado colunas em diversos jornais sobre o paranormal. Como consegue conciliar tudo com a família?

Soltei uma resignação. Famíla, tsc. Para ela isso não existe.

A propósito, meu nome é Layla Reys, recentemente me separei de meu marido. — Ela sorriu e eu revirei os olhos. — Eu não tenho muitos membros da família. Minha mãe morreu há alguns meses e eu não cheguei a conhecer meu pai. Minha única família é minha filha. — Ela deu um sorriso.

Você tem uma filha? Onde ela está? Como é o nome dela?

Lucy. Ela está numa... Instituição acadêmica que melhorará seu futuro, como viajo muito, optei por isso. — Senti meus olhos nadando em lágrimas.

Bom, há boatos de que a cidade está infestada de seres sobrenaturais... Muitos cidadães estão assustados. Dizem ver... — Desliguei a tevê e joguei o controle no sofá.

Afundei minha cara numa almofada e soltei um grito.

Esfregando ambas as mãos em meu rosto segui até a cozinha começando a fazer alguma coisa para comer. Não posso deixar que mesmo de longe minha mãe afete minha vida desse jeito.

— O que houve, Lucy? Sua aura está vermelha. — Lisanna disse sentando-se numa das cadeiras e apoiando os braços na mesa.

— Estou com raiva. — Uma coisa débil. Já que, Lisanna já tinha me explicado sobre esse negócio de auras, e quando alguém está com a aura avermelhada, está com raiva. Mas foi a primeira coisa que me veio à mente nesse momento.

— Não diga, gênio. — Mesmo de costas, pude senti-la revirando os olhos. — O que te deixou assim?

— Minha mãe, para variar. Ela apareceu na tevê; e bem, como se fosse uma boa samaritana, disse um monte de coisa.

Eu estava exagerando, eu sei. Mas o que seria a vida sem um pouco de melodrama?

— Hoje é sábado. — Ela disse como se descobrisse a América. Virei-me em sua direção meio confusa. — Dia de visita. — Acho que deixei um copo cair. Minha mãe vai vir aqui? Rapidamente segurei o copo antes que se espatifasse no chão.

— Merda. Eu não quero ver minha mãe. — Minha mente entrou em completo estado de aflição.

Os olhos de Lisanna adquiriram compreensão.

— Posso dizer que está doente, se quiser. — Anuo negativamente.

— Vai ser melhor eu falar com ela, se minha mãe vier não é mesmo? Ela está tão ocupada com seu “trabalho” que quem me garante que ela tem cinco minutos para a filha dela? — Acho que a ironia estava irradiando por todos os meus poros.

Lisanna apenas concordou e me ajudou a terminar uma jarra de suco de laranja. Erza saiu marchando do quarto. Se eu estava como um zumbi... Nem sei com o que ela se parece.

— Bom dia, Erza! — A albina disse sorrindo, como sempre.

— Não enche.

Lisanna é que acorda de bom humor, sempre sorridente e irradiando felicidade; Erza acorda estressada, sem humor nenhum e dá fora até na própria sombra, parece que sempre está com essa carranca profunda. Já eu, bem, me encontro nesse meio termo. Posso dar bom dia, e conversar normalmente, mas não vou sair dando “patadas” em todos e muito menos sorrindo e desejando bom dia até para as flores. (A primeira vez que vi Lisanna fazendo isso... Fiquei bem assustada. Quer dizer, quem me garantia que ela não era esquizofrênica?)

— Que bom humor, logo de manhã! — Revirando os olhos, Lis continuou pondo biscoitos e a jarra de suco acompanhada de torradas e geléia na mesa.

— Que bom humor, hã? Hoje meu pai vai vir aqui, e ele cisma que eu sou drogada. Já fiz exame de urina, de sangue e ele não se convence que não sou drogada e ainda acha que tenho problemas com bebida. Eu nem gosto de cerveja, tem gosto de xixi de guaxinim. — Por um momento me fiquei perguntando como ela sabia o gosto de xixi de guaxinim. — Toda vez que nos encontramos ele me manda andar em linha reta para garantir que não estou “na paz” — Ela fez aspas com os dedos. — E isso me enche o saco!

Por mais que isso não seja engraçado juro que balancei a cabeça negativamente quase sorrindo, mas não vou me divertir ás custas da desgraça alheia.

Erza se jogou do seu jeito deplorável na cadeira e permaneceu lá.

— Se mandar uma de vocês falarem que eu me suicidei, será que ele acredita? — Sorri com sua piada, mas quando focalizei em seus olhos meu sorriso morreu. Ela realmente estava pensando nisso?

— Erza! — Lisanna a repreendeu. — Para de falar besteira. Sabia que quando falamos coisas negativas atraímos para nós mesmos? — A ruiva deu nos ombros e enfiou a testa na mesa causando um barulho intenso que fez a minha testa doer.

— Ah, tô nem ai. Se for para morrer, que eu morra antes de encontrar meus pais. Pelo menos vou morrer feliz! — Ela pareceu refletir e quando levantou a cabeça sua expressão tinha um ódio tremendo. — Será que a maldita da minha irmã vai vir? — Como alguém fala da própria irmã assim? Sentei-me á mesa e tomei um gole do suco que tinha posto em meu copo, Lisanna comia uma torrada calmamente. Se eu escutasse alguém falando assim da família um mês atrás, eu estaria mortificada, mas agora... Não.

— O que sua irmã fez? — Apenas suspirei passando geléia na torrada.

— Merda. Como sempre! — Ela revirou os olhos. — Ela sempre foi “a” problemática, foi presa mais de cinco vezes, usou drogas. Toda droga possível, maconha, cocaína, crack, a porra toda, se duvidar até sal ela cheirou. Embebedava-se todos os dias e eu era a “exemplo”, mas como ela é a irmã caçula, toda a atenção era para ela. — Ela suspirou, ou melhor, bufou. — E quando eu descobri que era vampira... A única coisa que fazia era sair á noite, eu voltava uma hora depois do horário imposto por eles e minha “querida” irmãzinha chegava no dia seguinte. Eu sempre tinha que ser a “do mal”, meu pai colocou na cabeça que eu chegava “uma hora mais tarde porque estava cedendo ás drogas e aos vícios.” Tsc. — Ela terminou sua torrada e pareceu ter terminado o monólogo, mas quando fui abrir minha boca ela me cortou. — E então eles me mandaram para cá enquanto a senhorita “sou a caçula mimada” ficou lá em casa, gozando do dinheiro deles e dando para todo mundo como cadela no cio. — Suspirei e esperei um instante até ela parar de falar, e me pareceu que tinha.

— Então, você não se dá bem com seus pais porque tem, hã, ciúmes da sua irmã? — Ela me encarou e sua expressão ficou descrente.

— Claro que não. Ela tem tudo enquanto eu... — Ela parou se falar e eu inclinei minha cabeça para o lado.

— Ela tem razão, Erza. Isso é cúmes. — Lisanna concordou comigo.

— Pare com isso. Tenho certeza que seus pais se importam com você. Diferentemente dos meus que me abandonaram, eles te colocaram aqui acreditando que era para o seu bem.

— E diferente da minha mãe, que morreu. E meu pai está ocupado demais para ajudar a filha ajudando outros sobrenaturais. — Lisanna revirou os olhos.

Erza parou para refletir e calou a boca, pelo menos nós estávamos certas.

— Sim, vocês têm razão. Mas eu não quero que ele me chame de drogada.

Cocei minha nuca, não tinha nada para falar em relação aquilo.

— Certo Erza. — Lisanna se pronunciou.

Logo mudamos de assunto, não que eu queira continuar falando de família, isso só iria me fazer chorar.

[...]

Olhei a multidão de pais entrarem pelo “galpão” que serve como lanchonete/salão de festa para nós.

Lisanna ficou do meu lado e segurou em minha mão. Erza se dirigiu até um homem de idade média, ele tinha cabelos grisalhos e estava ao lado de uma mulher ruiva com um sorriso caloroso no rosto, creio que é a mãe dela.

O rosto de Erza estava com uma expressão rancorosa, quando abraçou uma menina igual á ela. Com um ar mais jovial, e aquilo no rosto dela era um sorriso cínico?

Sim, era o sorriso mais cínico que eu já tinha visto em minha vida, e eu dei razão á Erza. Só de olhar para a menina tive vontade de bater e socar sua cara.

— A irmã da Erza está com um sorriso cínico. — Eu disse fazendo uma careta.

Lisanna seguiu meu olhar e assentiu.

— Não sei você, mas estou com vontade de socar ela. — Eu e a albina ficamos balançando a cabeça positivamente igual a duas retardadas.

— Seu pai vai vir? — Encarei os olhos azuis de minha “amiga”.

— Não sei, acho que não. Ele nunca vem. — Suspirando, ela sorriu forçada.

— Tudo bem. — Apertei sua mão e ela sorriu. Observei o resto do pessoal.

Notei que Wendy estava ao lado de um casal, a mulher estava passando a mão no cabelo de uma jovem azulada e o pai abraçando a pequena azulzinha. Sorri, pelo menos vendo assim, eles não parecem totalmente falsos.

Notei que Sting estava ao lado de um homem alto e loiro, ele me dava medo.

Natsu... Corri meus olhos pelo local e não o encontrei. Lembro que Lisanna havia dito que sua mãe tinha morrido e seu pai era muito rígido. Tive uma pequena pena dele. Mas logo descartei, odeio que sintam pena de mim, porque vou sentir pena dele?

Virei minha cabeça para a direita e me deparei com minha mãe. Ela estava ao lado... De um cara.

Respira, Lucy.

Meu subconsciente me alertava, nem havia percebido que o ar havia fugido de meus pulmões. Eu não acredito... Será que ele é um amigo? Ri de mim mesma.

É claro que não.

— Lucy, aquela é sua mãe? — Assenti quando Lissana perguntou.

Ela estava com um vestido até acima do joelho florido e com uma fenda ao lado direito, seu cabelo estava solto e seu sorriso me fazia revirar os olhos. Uma novidade: Agora seus cabelos estavam num corte acima do ombro com pontas viradas para dentro.

Remexi incomodada na cadeira que estava sentada e arrumei meu rabo de cavalo completamente desleixado.

— Lis têm capa da invisibilidade ai? — Minha voz não passou de um resmungo e Lisanna apertou minha mão.

— Vai ficar tudo bem. — Minha mãe correu os olhos pelo salão e me encontrou. Andando em minha direção, eu via muitas coisas em seus olhos. Mas a mesma mágoa se fazia presente, junto com rancor.

— Filha! — Meus olhos acumularam lágrimas. O homem ao seu lado tinha cabelos negros cortados em espécie militar. Suas roupas eram um tanto formais e ele tinha um mini sorriso... Macabro. Como?

Minha mãe me puxou da cadeira desconectando minha mão da de Lissana e uma sensação de desespero, medo e angústia me tomou. Só então percebi que a albina estava reprimindo tudo isso para eu não ficar aflita.

— Como você está, querida? — Fechei meus olhos por alguns segundos.

— Bem. Mãe, essa é Lisanna ela é minha companheira de cabana. Lisanna, essa é minha mãe. — Lisanna se levantou com um sorriso agradável no rosto.

— Prazer, senhora Reys. — Pelo jeito, Lisanna gravou que minha mãe não gosta de ser chamada pelo sobrenome do meu pai.

— Olá, querida. — Minha mãe deu dois beijinhos na bochecha de Lisanna e ambas sorriram. Ótimo, agora que me enfia na privada de vez. — Lucy, esse é Josh, meu novo namorado. — Forcei um sorriso, sério, até cego veria que aquele sorriso era falso.

— Olá. — Virei-me para minha mãe e ela me abraçou. Certo, não esperava por isso e muito menos que ela fosse começar a chorar. Olhei para o homem e me concentrei na energia dele, como Mavis havia me ensinado. Arregalei meus olhos quando senti uma energia devastadora que fez minha cabeça doer, ele é sobrenatural.

— O... Quê... Está fazendo, mãe? — Passei minha mão por suas costas e ela continuou a chorar. Lógico que eu fiquei assustada.

— Estava com saudades de você. — Ela me segurou pelos ombros e examinou-me.

— Bom, eu vou até Mira, okay? Até mais tarde Lucy. — Lissana andou pela multidão atrás de sua irmã.

Eu não estava confortável com aquele homem me encarando.

— Estava com medo de nos afastamos quando você entrou aqui. — Mais? Acho que é impossível! Zombei de mim mesma. Resolvi agir de jeito que achava certo, sendo falsa se eu disser tudo que está entalado em minha garganta, é capaz de eu nunca mais falar com a minha mãe.

— Também fiquei com medo, mãe. — Odeio falsidade, odeio mentiras. Mas isso não quer dizer que não saiba mentir. A emoção em minha mãe era quase que comovente. — Eu vi a senhora na televisão.

— Oh, viu? — Seu sorriso fez-me sorrir também. — Gostou?

— Ãham. — Era o máximo que podia dizer. Na verdade eu tinha odiado, mas não ia dizer isso a ela.

— Como está a vida por aqui? — Sentamo-nos numa mesa. Esse homem está me incomodando.

— Hum... Bem melhor que eu esperava. — Abri um pequeno sorriso. — Então... Josh, o que faz da vida?

— Sou jornalista, como a sua mãe. — Descobri que sua voz tende a ser bem mais assustadora que sua cara.

— Que legal. — Eu quero largar a ironia e o sarcasmo, mas eles não querem ir embora.

— Querida, está tudo bem para você? — Arqueei minhas sobrancelhas, acho que não entendi. — Eu estar namorando?

— Éhr... Cla... Claro. Porque não estaria? — Mentir sobre isso é praticamente impossível. — Se está feliz também estou, mãe. — É o máximo que consigo dizer, não é de toda mentira.

— Layla? — Merda, merda, merda.

Meu pai tinha que aparecer aqui? Passei a mão na testa respirando fundo quando minha mãe se levantou bruscamente da cadeira. Eu podia ver raiva, mágoa e desprezo em seu olhar.

— O que você está fazendo aqui? — Massageei minhas têmporas e fechei meus olhos com força.

— Eu dou... Aula aqui. — Balancei a cabeça negativamente. Ele tinha que estragar tudo? Fiquei de olhos fechados, nem quero ver.

— Você não me falou nada, Lucy? — A voz dela estava raivosa. Estávamos indo bem. Porque tudo tem que acontecer comigo? Todo mundo estava me olhando. Já disse que odeio isso?

— O que eu ia falar mãe? “Não venha porque meu pai dá aulas aqui?” — Encarei seus olhos. — Não achava que isso era importante. — Murmurei.

— Não era importante?! — Porque diabos ela estava gritando?

— Mãe, não grita. — Meu pai estava parado encarando a mini discussão que eu desenvolvia com minha mãe. O homem “namorado” dela, segurava sua cintura como se ela fosse avançar em mim.

— Não me mande falar baixo, você podia ter me avisado! — Fechei meus olhos e balancei a cabeça negativamente. Eu não quero falar. — Me responda Lucy!

Eles brigavam na minha frente, achei que nunca teria que presenciar isso novamente. Todo mundo estava me olhando.

— E você! Porque nunca... — Me desliguei, não quero escutar nada. Minha cabeça está latejando, de repente o homem coberto por luz apareceu em meus pensamentos. Fiquei imersa nessa imagem por muito tempo.

De uns dias para cá, tenho sonhado muito com ele. “Lucy, saia daí”. Não sei se era meu subconsciente me alertando ou então ele falando comigo. Levantei-me de fininho, certo, minha mãe não iria me perceber saindo, não é? Errado.

— Onde você pensa que vai, Lucy? — Senti a mão dela apertando meu braço, o engraçado é que eu não sentia nada, nem dor pela força.

— Hum, acho que sair daqui. — Minha mente está enchendo.

— Você não vai a lugar algum até me dizer por que não me contou. — Fechei meus olhos. Não quero que lágrimas apareçam, vou falar coisas que com certeza me arrependerei depois. — Estou decepcionada com você! — Passei a mão pelo rosto e forcei meu braço para baixo. Um sorriso, na verdade uma gargalhada, de nervoso ecoou pela minha garganta enquanto eu era vencida pelas lágrimas. Essa foi a gota d’água.

— Decepcionada? Jura? — Balançando a cabeça negativamente, cerrei meus olhos até eles ficarem miúdos. — Não força. Por favor. Decepção? Porque meu inconsciente queria que minha mãe viesse me visitar? Por favor, se eu falasse que ele estava aqui, você viria? Lógico que não. Então não me venha dizer que está decepcionada comigo. Porque, querendo ou não, ele é meu pai e pelo amor de Deus, ele me abandonou? Sim, ele foi embora. Mas você, mesmo morando na mesma casa que eu, convivendo comigo, eu te sentia longe. — Cheguei um pouco para trás. — Certo, se você está decepcionada comigo? Paciência. A minha vida toda tenho me decepcionado com você.

Sair correndo não foi uma atitude muito prudente, chegando até a infantilidade. Certo, mas se ser criança significa sair de perto dessa confusão completa... Prefiro ser uma completa criança.

Não sentia meus músculos, eu apenas corri. Não sei em qual direção e muito menos para onde.

Quando dei por mim estava no meio da floresta. Sentei-me num tronco e segurei minhas pernas.

— Porque tudo isso tem que acontecer comigo? Ele tinha que aparecer? — Não conseguia refletir no que estava acontecendo.

Eu só quero ficar aqui, em silêncio sem dizer nada.

Poxa, eles não se cansam de brigar? Achei que como meu pai saiu de casa, eu não teria que presenciá-los brigando daquele jeito.

Encostei minha cabeça na árvore.

O que eu vou fazer? Espero que Mira consiga parar minha mãe. Nunca tive muitos exemplos da minha mãe possessa de raiva, mas em todos os episódios... Ela sempre ficava descontrolada.

O que leva ela a pensar que pode me mandar o que fazer? Certo, ela pode. Ela é minha mãe? Correto. Mas eu não sou uma boneca de pano e muito menos um cachorro no qual ela possa mandar e desmandar como se eu não fosse dona do meu próprio nariz. Tenho certeza que ela se acha a “líder” da família. Não que eu me considere parte da família.

Eu apenas queria me dar bem com ela, mas não dá. Seja por meus comentários irônicos – que ela odeia – ou então quando a ignoro e bufo ou até mesmo meu modo de falar. Minha mãe me despreza.

A pior parte foi pensar que ela só estava agindo dessa forma toda carinhosa e comunicativa hoje por causa daquele maldito namorado novo dela. Certo que, ela tem que me tratar daquele jeito todos os dias e mesmo que ela me tratasse mal eu deveria agir da mesma forma que ajo toda vez... Mas, vou ser castigada por querer ter uma conversa entre amigas com minha mãe?

Porque, minha melhor amiga sempre foi a mim mesma.

Queria tanto que Maya estivesse aqui... Mas deixei-a dormindo dentro da cabana, e tenho certeza que ela está bem, não é?

Bufo e enterro minha cabeça entre os joelhos. Eu apenas queria ter o poder de voltar toda a fita da minha vida e ver o que fiz de errado para tudo se tornar uma catástrofe.

Lembro-me bem que aquelas pessoas que eu considerava amigas falavam que minha vida era apelidada como “drama da Lucy”. Sim, eles fizeram graça com tudo que contava contribuiu ainda mais para que eu me tornasse distante deles próprios.

E eu sou uma completa babaca. Posso sofrer, bater de cara no muro umas mil vezes. Mas todas essas mil vezes eu me levanto e confio novamente. E isso é ser babaca. Eu não consigo ficar sem confiar... Eu conheço a pessoa e já confio, e se essa pessoa me decepcionar, sinto a mesma coisa que se a conhecesse há anos e anos.

A pior parte é que, eu pareço um ímã para pessoas assim. Desde pequena não cultivei nenhuma amizade verdadeira, todas jogavam minhas expectativas para os ares e que se dane, que se ferre, o que a Lucy pensa e sente, ela é só um objeto não é?

Sinto meus olhos marejados e rasos. Logo espanto tais lágrimas, já chorei demais devido a minha babaquice e isso não vai me curar, só vai me tornar mais trouxa e desperdiçadora de água terrestre, cuja, está se esgotando a cada dia.

Tenho vontade de rir de mim mesma.

— Lucy? — Escuto uma voz, e levanto minha cabeça que estava até então presa entre os joelhos. Me espanto ao ver Sting na minha frente.

— Hum, oi? — Esfrego meus olhos rapidamente, devo estar parecendo um peru de natal, toda inchada. — Você não estava com seu pai? — Minha voz estava fraca e tremida devido ao choro.

— Estava. Mas ele foi embora. E na verdade, era meu tio. — Ergui os cantos da minha boca tentando formar um projeto de um sorriso. — Vim ver como você está.

— Bom... Estou bem. Eu acho. — Ergui minhas sobrancelhas. — Como me encontrou?

— Sinto seu cheiro de longe. — Ele se sentou um pouco próximo de mim.

— Hum, isso é bom? Ou eu sou fedorenta? — Minha voz demonstrava confusão.

— Bom. Se você considera cheiro de baunilha, morangos e mel uma essência ruim... — Ele deu nos ombros.

— Eu cheiro a tudo isso? — Cara, meus olhos estão quase brilhando. — Que legal! — Ele sorriu. Sou animada com “coisas poucos animáveis” para o resto. Como: “Hoje é dia da árvore! Vamos abraçar uma!” ou “Hoje é a comemoração para meu meio ano de vida!”

Eu sei. Isso é triste demais.

— Hum, porque eu não sou tão... Desenvolvida? — Certo, vamos tentar imaginar se essa pergunta tem duplo sentindo... Acho que não.

— Bem, acho que porque está em fase de adaptação. — Ele deu nos ombros. — Sua mãe é bem... Conturbada. — Fiz careta.

— Ela é trágica. É completamente diferente. E... Estou nem ai, ela pode se descabelar que estou pouco me lixando. Sei que é insensível, mas ela quem procurou isso para si própria. — Ele assentiu.

— Hum. Você não quer voltar? — Vi que seu olhar focalizou em minha marca.

— Agora não e... O que foi? — Olhei para minha marca á procura de algo incomum.

— Você nasceu com ela? — Assenti. — É bonita.

— Obrigada. — Sorri. — Bom, vou voltar quando der tempo da minha mãe voltar para casa com aquele namorado estranho dela. — Fazendo careta eu suspirei.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Acho que sim. — Encarei os olhos azuis, e... Acho que eu perdi a linha de raciocínio.

— Bem, você sente alguma coisa de estranho com a sua marca?

Arqueei minhas sobrancelhas e parei para pensar em sua pergunta meio... Bizarra.

— Que pergunta... — Meus olhos fecharam por um segundo. — Acho que não. Como o que?

— Hum, tipo... Sensações do nada, maus presságios... Mal estar...? — Sério, acho que esse sorriso torto dele é... Lindo.

— Cara, eu acho que sim ou talvez não. Como eu vou ligar o que estou sentindo á marca? — Parei mais um instante para pensar... Teve aquela vez que... — Espera, teve uma vez.

— Quando? — Sua empolgação me assustou de leve.

— Foi aqui mesmo. Um dia depois que minhas asas apareceram. — Fazendo sinal para eu continuar ele pareceu se aproximar de mim. — Houve... Um pequeno incidente.

— O que?

— Lisanna e eu fomos nadar e bem, era num rio aqui perto. E... Meio que... Ela me deixou sozinha. E eu fiquei meio paranóica. E então aquele unicórnio feliz apareceu, e...

— Espera, “unicórnio feliz”? — Em sua expressão vi que ele estava me achando louca.

— Ah, o Natsu.

— Ótimo apelido. — Ele me encarou divertido.

— Não é? — Resolvi continuar. — E... Bom. Discutimos um pouco e ele tentou me queimar... Tipo, meu corpo todo! Isso é um absurdo!

— Sério? — Ele estava meio descrente.

— Sim, não é bizarro? E ele acendeu sua mão e me encostou, foi quando minha marca ficou quente, achei estranho. E o fogo não me queimou... — Assenti para dar ênfase. — E teve a vez que você e ele estavam brigando, mas nem eu sei o que senti para te falar... Afinal, porque estavam brigando?

A expressão dele... Bom, mudou completamente depois que falei do episódio com o Natsu... Talvez fosse melhor não falar... Mas, ele perguntou. Suspirei, sempre faço alguma coisa errada.

— Ah. — Ele pareceu pensar por um instante. — Mas, o que você sentiu?

Porque ele não respondeu a minha pergunta, meu Deus?

— Não sei exatamente. Algo parecido como sensação de impotência, medo, raiva... — Dei nos ombros. — Talvez... Angústia. E uma estranha sensação de... Proteger alguém.

Ele pareceu entender e assentiu.

— Você tem irmãos? — Ele perguntou do nada.

— Não. Sou filha única. — Sorri. — E você?

— Tenho um irmão. Ele é... Vamos dizer, instrutor daqui.

Parei para pensar e, espera, aqui só temos um instrutor...

— Seu irmão é o Laxus? — Ele assentiu meio confuso. — Você se parecem.

— Todos dizem isso. — Ele revirou os olhos. — Mas temos personalidades completamente distintas. Ele é quatro anos mais velho que eu... Tenho dezoito.

— Tenho dezessete, fiz esse mês passado.

— O estranho é que, na sua família não tem nenhum... Descendente de anjo ou coisa parecida?

— Não. Meus pais não tem nada angelical, minha mãe nem sobrenatural é. — Dei nos ombros.

— Bom, deve ter alguma explicação. Até porque... Meu pai é ou era de uma raça desconhecida.

— Como assim?

— Minha mãe nunca nos contou o porquê dele ter desaparecido, ela apenas sabia que ele era sobrenatural. Sabemos que, qualquer raça, principalmente os descendentes deve ter até três filhos e meu pai teve apenas dois.

— Por quê? — Perguntei meio confusa.

— Por que... Não sei direito, talvez para manter a espécie ou porque tem que ser assim.

— Ah, entendi. — Assenti como uma retardada.

— Isso tudo é bem confuso para você, não é?

— Muito. De um dia para o outro minha vida virou de cabeça para baixo e se jogou na privada e toda hora alguém faz questão de passar e dar descarga, de novo e de novo.

— Você é bem metafórica. — Ele estava rindo de mim?

— Um pouco. — Em sua gargalhada eu senti... Algo como... Hum, não sei. Talvez compreensão? Calma? Proteção?

— Posso tentar uma coisa?

Minha cara se transformou em desconfiada quase que no mesmo instante, incrível como posso passar de um humor para o outro numa média de um segundo no máximo é uma das minhas qualidades.

— Como o que? — Meus olhos ficaram miúdos, só faço isso quando estou nervosa, e porque eu estava nervosa?

— Uma coisa... Para tirar uma prova.

— Acho que sim, você não vai me machucar vai? — Porque minha voz estava temerosa e baixa, como se eu estivesse sussurrando?

Ele riu. Isso mesmo, ele riu de mim! Isso é irritante!

— Claro que não.

— Então está bem. — Aquela luz que eu vi durante a briga apareceu em sua mão. — Espera, o que vai fazer?

— Fique parada. — E então ele chegou sua mão perto de mim, porque estou deixando ele fazer isso mesmo? Ele pode muito bem me matar aqui e ninguém ficar sabendo, mas como eu sou idiota, deixei porque eu descobri, veja só que novidade maravilhosa, confio nele.

Aquela luz parecia me hipnotizar completamente, meus olhos focaram naquela luz branca e intensa, não conseguia me concentrar em nada. Além de um medo constante do que aquilo era capaz de fazer comigo eu estava ansiosa, se ele queria tentar alguma coisa, isso era sinal que ele tinha alguma especulação importante.

Quando sua mão tocou em mim, fechei meus olhos com força esperando sentir cheiro de carne queimada e abrirem buracos em minha pele. Mas senti um conforto e uma sensação de revitalização.

Posso dizer que a sensação do seu toque era semelhante a um algodão... Ou então... Não sei ao certo.

Quando abri meus olhos, os arregalei quase que instantaneamente.

— Mas... O que?

Sting estava igualmente assustado. Foquei em seus olhos e depois desci para meu braço. Sua mão estava com aquela luz apertando levemente minha pele e para minha surpresa... A mesma estava absorvendo toda a luz.

Como isso é possível?

** Continua... **

Notas finais
Chegamos ao fim de mais um capítulo, agradeço de novo! Bem, agora começa á ficar uma coisa mais interessante... ~Aquela carinha. Fantasmas... O que acham de aparecer? E você que acompanhou, porque não favorita? Certo, não irei importunar mais... Quero que todos fiquem felizes nesse fim de ano e que as melhores coisas possíveis ocorram em suas vidas e em seus corações, muitas coisas boas! Até o ano que vem? Um bom fim de 2014 para cada um... E que paz reine em suas vidas! Até mais. Beijinhos, K.