Upside Down

5 V — Um ‘elo’ de ligação do destino


Notas iniciais
Olá povo! Eu sei que prometi postar dia 23, mas... Estou aqui em pleno dia de natal para dar-lhes um capítulo de presente, não é bom minha gente? ~Nem me acho. Okay, você tem ideia do quão feliz estou? Tenho muitos agradecimentos, mas um em especial... Anika, não tenho palavras para você á não ser um imenso muito obrigada pela linda recomendação, quase surtei quando vi que UD havia sido recomendada, isso me deixou plenamente feliz! Obrigada por todas as suas palavras, me senti muito feliz lendo cada pedacinho de sua recomendação, e acredite, foram muitas vezes! Um muito obrigada não será necessário... Porque não é o suficiente! Mas... Agradeço muito, você é linda! Obrigada á você que adicionou aos seus favoritos e aos seus acompanhamentos, e obrigada á você quem comentou! Cada um de vocês me deixa completa á cada dia! Esse capítulo é dedicado em especial á Anika, mas também é para todos vocês. Feliz natal, meus amores, tudo de bom para cada um de vocês! Boa leitura, até as notas finais! Edição: Ok

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Não existe cedo ou tarde, não existe tempo certo ou errado. As coisas acontecem quando tem que acontecer. —- Desconhecido

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V — Um ‘elo’ de ligação do destino

Ignorância.

É engraçado o quanto o som dessa palavra soa bem aos meus ouvidos, como música. Cá entre nós, ninguém gosta de ficar na ignorância, mas o que eu daria para permanecer imersa nessa palavra! Mas como sempre, meus sonhos quase nunca se realizam.

Mesmo que inconscientemente minha mãe me dilacera e me despedaça. Eu não sei o que fiz de errado, apenas fiquei triste e num estado deprimente que era capaz de contaminar a todos com a minha dor depois daquele maldito ter feito aquilo comigo? De acordo. Tenho plena consciência de que eu me isolei e isso contribuiu para que eu e minha mãe nos separássemos mais.

Mas depois que meu pai foi embora, eu conseguia enxergar tão claramente como água.

Toda vez que ela me olhava, ficava me encarando. Em seu olhar eu via emoção, dor e acima de tudo carinho. Mas eu via muita tristeza, como se eu tivesse decepcionando-a de alguma forma.

Quando meu pai se foi – para mim, o homem que me criou se foi, não é o mesmo que me abandonou. – eu tentei ficar ao seu lado, mesmo magoada e completamente desolada tentei erguer minha mãe junto comigo. Mas ela simplesmente me abandonou, assim como meu pai. Ela me deixou em casa enquanto viajava a negócios.

Eu fiquei triste, na verdade decepcionada. Sabe quando você põe todas suas fichas numa pessoa e ela joga tudo para o ar fazendo com que aquela confiança se dilacerasse? Imagina, eu nunca iria esperar isso da minha mãe, jamais.

Nós sempre fomos próximas. Eu admito que se eu fosse escolher entre ela e meu pai para sair para algum lugar, me buscar em festas e coisas assim... Eu sempre o escolhia. Mas eu sempre disse que a amava.

E eu acreditava que isso era recíproco. Sabe quando você sente sempre que aquilo é dito por obrigação? Bem, não que toda vez que ela me dizia que gostava de mim não fosse verdadeiro. Mas era como se ela me odiasse ou então me desprezasse.

Até que chegou um tempo que preferi me isolar. Falsidade é uma das coisas mais desprezíveis que considero em minha vida. Isso e pena. Apesar de ela ser minha mãe, era como se eu sentisse sua pena e por isso me tratava bem vez em quando, mas na maior parte do tempo era... Desprezo.

Mas, mesmo depois de tudo isso, não consigo odiá-la. Tudo leva ao fato de que tem alguma coisa terrivelmente errada. Sem dúvidas, uma coisa muito... Grave.

Mas eu achava que estávamos bem, e então... Bum! Ela me joga aqui nesse lugar e eu descubro de uma hora para outra que sou sobrenatural e que as coisas nem sempre são o que parecem ser.

Mas mesmo assim, eu a perdoo. Eu sou uma idiota, não consigo guardar rancor e mágoa, ainda mais de minha mãe. Mas dela, eu tenho a incrível capacidade de guardar uma mágoa que me machuca... Às vezes, eu só queria entender porque ela não pode me amar incondicionalmente como todas as mães que conheço.

Enquanto eu andava ao lado de Erza e Lisanna, olhava para o meu ao redor e suspirava. Só queria me deitar e dormir, minhas costas estão mais pesadas que antes e meu corpo está cansado.

— Eu posso voltar e dormir? — Choraminguei. — Sinceramente? Minhas costas estão doendo muito.

— Cruz credo. Está parecendo uma velha! — Lissana fez careta. E logo em seguida sorriu. Dei um leve empurrão em seu ombro e ela soltou uma exclamação.

— Tente carregar um par de asas pesadas. — Suspirei. — Estão pesando minhas costas. — Consegui calar sua boca e então seguimos pelo caminho, era um pouco longe, andava cerca de dez quilômetros.

— Lucy. — Erza se virou para mim. — Você já teve uma decepção amorosa? — A encarei com as sobrancelhas arqueadas.

— Sim. — Resolvi por ser sincera. — Porque da pergunta?

— Por que... — Ela pensou. — Estava curiosa, ora bolas! — Lissana caiu na gargalhada e nós duas olhamos em sua direção, ela estava quase roxa de tanto rir.

— "Ora bolas"? Jura, Erza? — A ruiva arqueou duas sobrancelhas juntas e seus olhos ficaram confusos. — Nem minha avó fala isso! — Erza revirou os olhos.

— Cala a boca. — Sua voz saiu fria. — Eu estava falando com a Lucy, não com você. — Juro que quase falei um "ai", mas não quero colocar lenha na fogueira.

— Grande coisa, mas eu estou aqui e estou escutando tudo!

— Parem de brigar, já! — Elas me olharam. — Isso é chato, vocês brigam por bobeiras, são amigas e ponto final. Não interessa se ela tem nojo de sangue. — Apontei na direção de Lissana. — Ou se ela está conversando comigo ou não. — Apontei para Erza. — Vocês conseguem se dar bem, mas quando engatam numa briga... Não param. E isso enche o saco! Tratem de se dar bem! — Saí marchando.

Nem me preocupei em olhar para trás para notar que elas encaravam minhas costas, não quero que elas continuem brigando, é muito desconfortável. E agora estou ciente de mais um fato: Eu estou perdida.

— Que maravilha! — Olhei para os lados, com três caminhos diferentes... E definitivamente perdida. Não tenho a mínima noção de para onde ir e qual o caminho correto. — Será que se eu voltar... — Não. Eu não vou voltar. Encarei os caminhos na minha frente. — Uni duni tê. — Apontei o dedo para os caminhos.

— Assim não é a melhor maneira. — Olhei para trás encontrando um par de olhos azuis me encarando.

— Bom, eu sei. — Ponderei. — Mas acho que, mais perdida que eu estou... Impossível.

— Entendo. — Ele sorriu, realmente um sorriso lindo. — Cadê seu cachorro?

— Maya ficou na cabana, duvido muito que eu possa transitar com ela por aqui. — Suspirei, queria mesmo ter trago ela.

— Posso te acompanhar? — Arqueei minhas sobrancelhas. — Quer dizer, você está perdida e eu poderia ajudar você a encontrar o caminho.

— Eu ficaria agradecida. — Sorri. Ele se pôs ao meu lado e seguimos pelo caminho da direita, eu ia pelo da esquerda, lá poderia estar ainda mais perdida. — Você estava no quarto da Mira quando eu... Passei mal. Não é?

— Sim. Estava conversando com ela. — Ele deu nos ombros, notei que seus ombros eram largos sob a camisa pólo laranja. Uma cor incomum, mas nele parece... Perfeita. A calça jeans escura combina com um par de tênis vans que ele usa. Seu cabelo estava despenteado, e eu me peguei observando ele e num momento súbito, Sting percebe também e dá um sorriso.

Com minhas bochechas quentes me viro para frente e olho o caminho. Esse momento foi completamente desnecessário. Tudo bem que, é raro ver eu alguém assim. Eu, particularmente, quase nunca tinha visto um menino tão... Bonito assim. Mas cá entre nós, quem não iria reparar e ficar olhando para ele? Acho que até uma cega olharia.

— Aliás, suas asas são bonitas. — Parei para divagar em quantos olhares ele já deve ter recebido, quer dizer, será que ele recusa muitos pedidos de mulheres? Ele me encarou esperando uma resposta. Espera, o que ele perguntou? Ah.

— Obrigada. — Sorri. — Eu não parei para olhá-las, mas acho que pesam demais.

— As minhas também. — Parei no meio do caminho olhando-o com as sobrancelhas arqueadas.

— Você tem asas?

— Sim. Descendentes de anjos, apenas uma espécie tem asas, já os dos demônios não. Todos têm asas. — Sorri.

— O que você faz? — Ele ergueu a mão e um feixe de luz complemente branco envolveu-o. — Que legal! Também controlo luz. Mas Mavis me disse que era dourada.

— Existem tipo de luzes, a minha queima. — Olhei-o surpresa. — A sua deve ter algum outro tipo.

— Oh, entendo. — Sim, eu admito, me sinto atraída por ele. Mas é uma coisa mínima, quase não dá para notar, a não ser que eu dê uma de idiota e fique encarando-o igual quando ele chegou. Não que eu fosse capaz de agarrá-lo. — Como é esse negócio de apresentações?

[...]

— Lucy. — Me virei para Erza e Lissana, elas estavam lado a lado. — Conversamos e chegamos a um comum acordo.

— Hum... — Sting continuava ao meu lado desde que chegamos até á enorme clareira. — Falem.

— Não vamos brigar na sua frente. — Erza disse.

— Apenas quando não estiver olhando nem ouvindo. — Lissana completou.

— Para mim, parece ótimo. — Sorri. — Só não se matem. Não quero escolher entre nenhuma de vocês duas e muito menos recolher pedaços de corpos pelo tapete da sala. — Sting nos olhava como se fôssemos loucas. Ah, meu bem. É o único jeito. Todos nós sorrimos.

— Afinal de contas, o que está fazendo aqui? — Erza perguntou.

— Acompanhando a Lucy, eu acho. — Sorri.

— Eu ia ficar perdida se ele não me mostrasse o caminho. Então, o Sting se mostrou solidário comigo e me trouxe até aqui, já que, vocês nem ao menos me chamaram. Eu podia ser morta por um animal, grandes amigas vocês são. — Suspirei melodramaticamente. Erza sorriu e Lissana revirou os olhos.

— Nossa, Lucy, você quem saiu correndo batendo o pé! — Lis retrucou.

— Lógico, vocês estavam lá... Quase que gritando como malucas!

— Somos malucas? — Erza se perguntou e Lissana sacudiu a cabeça negativamente. Sorri.

— Bem, colocando em vista que, vocês brigam por nada, suponho que sejam no mínimo alienadas... — Elas riram. — Isso, definitivamente, não é um elogio.

— Meu nome é... — Somos atraídas por uma voz aveludada e forte que vem de frente ao grupo que estamos, noto que Erza cora desde a raiz dos cabelos e seu olhar brilha, o homem que pegou a fala era o azulado que quase a estava comendo com os olhos. — Meu nome é Jellal Fernandes, sou o organizador sorteado do semestre para comunicar os pares que serão selecionados. Boa sorte a todos.

Como é um grupo, praticamente enorme, demora um milênio até que cada um seja sorteado. Lissana saí com um garoto que parece vampiro de tão branco, eu diria que ele até parece um pouco atraente. Erza saiu bufando ao lado de um menino de aproximadamente cinco anos de idade, e olha que eu estava chutando para cima, bem para cima. O garoto tarado não tirava os olhos dos seios da ruiva que seguiu emburrada pelo caminho.

— Certo, então será que se eu voltar para a cabana de fininho alguém nota?

— Lucy. — Suspiro pesarosamente enquanto olho para o homem que tem um sorriso misterioso nos lábios. Juro que, se eu não estivesse tão desgastada iria até ele lhe daria um bom soco de direita para aprender a não debochar da cara dos outros, me esqueci que todos aqui são super’s e podem ouvir uma mosca assoviando. — E... — Ele enfiou sua maldita mão dentro daquele inferno de caixinha. Pelo amor de Deus, vai logo meu filho. Com os braços cruzados em frente ao corpo arqueio minhas sobrancelhas esperando ele parar com toda a encenação de merda que está fazendo. — Wendy Marvel.

Franzo minhas sobrancelhas, acho que essa eu não conheço. Varri o local com os olhos, mas não havia ninguém. Até que uma menina apareceu, ela corria e sorriu para mim. Acho que ela veio no ônibus comigo, ela é uma fada, se não me engano.

— Olá. — Ela sorriu amigavelmente. — Aonde vamos?

— Não sei. — Nos afastamos do grupo de pessoas e começamos a andar por uma das trilhas. — Conhece algum lugar por aqui? — Ela andava com ambas as mãos atrás das costas e se balançava.

— Acho que não. Mas tem uma... Clareira aqui perto.

— Como você sabe? — Arqueei minhas sobrancelhas.

— Eu sou uma fada, posso sentir a energia das coisas. Não sei se é mesmo uma clareira, mas um lugar com bastantes plantas e animais. — Assenti. — Você está achando tudo isso estranho?

— Mais ou menos. — Parei para pensar. — Na verdade, sim, eu acho isso tudo uma paranóia. — Ela sorriu na minha direção. Estou começando a achar que sorrir é característica das fadas. — Quantos anos você tem?

— 15 e meio. — Ela sorriu, de novo. — Sei que não aparento essa idade.

— Realmente, não. Eu tenho 17.

— É a mesma idade da minha irmã. Ela é legal. — Pela primeira vez Wendy falou sem sorrir. Como se estivessem forçando ela a dizer isso, mas logo um sorriso tomou conta de sua face outra vez. — Ela é sobrenatural como minha mãe e meu pai, eles são fadas, ou faes. Certo, eles não quiseram contar pessoalmente para mim com medo de eu “rejeitar” a magia. Mas fala sério, isso tudo é fantástico e maravilhoso.

— Como é o nome da sua irmã?

— Juvia. Juvia Marvel. — Ela sorriu. Dessa vez ela sorriu ao falar da irmã.

— Ela estuda aqui, não é?

— Como você sabe? — Ela se virou para mim e arqueou uma das sobrancelhas.

— Ouvi falar.

— Sei. — Sua voz soou desconfiada, mas ela emendou numa gargalhada que me fez sorrir. — Você tem um cachorro não têm? — Ela me perguntou, sorri quando pude ver seus olhos grandes me encarando com uma expressão alegre. Assenti. — Que legal! — Sua voz estava animada. — Posso ver depois? Amo animais.

— Claro. Maya vai adorar você.

— Me fale de você, te contei quase minha vida toda e você não me falou quase nada.

Chegamos a tal clareira, e não é que esse espaço é maravilhoso, a brisa que bate em meu rosto faz com que eu sinta uma paz interior imensa. Como se um anjo acariciasse meu rosto. Nossa, que ironia. Metáfora imbecil.

— Fale. — Fui desperta por Wendy que estava sentada na grama verde. Me sentei ao seu lado e apoiei meus cotovelos nos joelhos ficando numa posição ereta. — Relaxe.

— Como assim?

— Ou você é muito bem educada, ou então está tensa. Olha como está se sentando. — Olhei para minha posição e em seguida para Wendy, ela estava sentada arqueada e com os braços jogados.

— Eu me sento assim. Não estou tensa. — Inclinei minha cabeça para o lado. — Não é normal?

— É... Acho que sim. Na verdade você bem que parece um anjo mesmo, fala toda certa e com palavras difíceis, sua aparência é linda, você é toda delicada. Talvez seja isso mesmo. — Sorri. — Até seu sorriso é bonito.

— Obrigada, eu acho. Você também é linda. — Reparei em sua aparência, ela tinha cabelos longos até a cintura, numa tonalidade inebriante de azul. Suas feições eram fofas, mas bem maduras. Seus olhos eram num tom de castanho, quase que avelã. Em volta dos mesmos existia uma pequena raia rosa... Uma mistura perfeita.

Pude ver seu rosto adquirir uma tonalidade incrível de vermelho.

— Sou nada, sou normal, você tem que conhecer minha irmã. Eu me pareço com meu pai e ela com a mamãe. Juvia é linda.

— Você também é. — Ela sorriu menos corada. — Aprendi que nunca devemos nos achar mais feias que os outros. Se nós mesmos não nos valorizarmos, quem vai, não é mesmo? — Assentindo, ela praticamente se deitou na grama.

— Como é a sua mãe?

— Normal, na medida das mães. — Dei nos ombros.

— Ah, você não gosta muito de falar, não é mesmo? — Assenti positivamente.

— Mais ou menos, posso dizer que não sou muito... Comunicativa. — Ela assentiu... Sorrindo novamente.

— Percebi. Eu falo muito. Mas, posso te fazer perguntas e você responde?

— Acho que pode. — Eu não sei, tenho uma sensação ruim. Como se estivesse acontecendo uma coisa muito ruim e eu não tivesse ciência, como uma mentira.

— Seus pais? — Encarei os seus olhos castanhos, pensativa.

— Separados. Minha mãe é colunista num jornal e meu pai... Dá aulas aqui. Pelo o que eu fiquei sabendo. — Ela anuiu positivamente. — E os seus?

— Eles são sobrenaturais. Minha mãe é florista e meu pai é arquiteto, morávamos todos juntos até a Juvia vir para cá, e depois eu vim também.

— Eles moram juntos? — Ela assentiu. Acho que vou mudar de assunto, não me sinto confortável pensando no quanto a família dos outros é perfeita enquanto a minha é despedaçada. — Como é a sua magia?

[...]

Depois de mais de trinta minutos conversando com Wendy, nós voltamos para a trilha das cabanas. Não que eu estivesse querendo ir logo para casa, mas depois de conversar com ela durante bastante tempo, a maioria das coisas me soou falsa demais... Perfeita demais.

Não que eu ache a vida dela mentira por ser perfeita, mas eu pude sentir e ver por detrás do sorriso e do olhar dela, nada do que ela me falou pareceu verdadeiro. E por mais que eu quisesse pensar o contrário, nada me tirava da cabeça que havia uma coisa muito errada em tudo isso. Não pelo fato da vida dela ser quase que um conto de fadas, mas pelo modo como ela falou... Parecia decorado.

A única vez em que vi ela agir verdadeiramente foi quando sua voz vacilou e seu sorriso murchou ao falar da irmã, eu realmente tenho que conhecer essa Juvia. Primeiro Lissana me diz que ela quase foi enforcada e carbonizada por Natsu e agora tem tudo isso em relação a Wendy.

— Lucy? — Me virei para a menina mais baixa que eu me chamando, parei de devagar e encarei seus olhos. — Posso ver seu cachorro?

Uma dúvida tomou conta do meu corpo e meu peito ardeu, mau sinal.

— Bom... — Não deve haver nada de mal, não é? — Acho que não tem problema.

E então direcionamos até a trilha da minha cabana, Erza e Lisanna devem estar em sua caminhada ainda, não acho que seja perigoso eu ficar numa cabana sozinha com uma garota de 15 anos não é? Mas ela é sobrenatural, meu subconsciente me alertou. Suspirei, eu também sou, afinal.

Maya saltou por cima de mim num pulo gigante me levando de encontro a parede.

— Maya! — Ela começou á lamber meu rosto num sinal de afeto. Quando estava pronta desceu e ficou se esfregando à minha perna como um gato e então sua atenção se voltou para Wendy. Tive a impressão de escutá-la rosnar. Mas ela não se dá bem com as fadas? Com Mira e Lissana ela se dava bem, pelo menos.

— Que linda. — A azulada se pronunciou chegando mais perto com a mão esticada. Maya se encolheu em minha perna. — Ela tem medo?

— Não. — Arqueei minhas sobrancelhas. — Seja amigável, Maya. — Ela pareceu me obedecer e se esgueirou até a mão de Wendy, tive a impressão de ver seu corpo tremer, mas acho que foi só impressão.

Maya pareceu ficar bem melhor em questões de comportamento, pois, se sentou ao lado dela recebendo carinho.

— Quer alguma coisa, Wendy? — Ela me encarou. — Água, suco...?

— Quero água, por favor. — Assenti, me dirigindo até a cozinha.

Voltei para a sala e vi que Maya estava de barriga para cima enquanto Wendy ainda fazia carinho nela. Sorri entregando-lhe o copo com água.

— Ela é linda.

— Sim, a tenho há mais de dois anos. — Sorri. — Tem algum animal de estimação? — Suas feições ficaram tristes.

— Tinha. — Pude ver lágrimas brilhando em seus olhos. — A Charles morreu no ano passado, era uma gata. Eu fiquei muito mal, e meus pais resolveram que eu não podia ter mais animais de estimação. euer dizer, eles vão morrer algum dia, mas isso não impede que eu fique triste, entende?

— Claro. É normal você ficar triste, animais de estimação são mais que família, tem uma ligação de sangue e até espiritual. — Sorri para tentar confortar sua expressão de tristeza. — Mas... Se isso serve de consolo, pode vir visitar Maya quando quiser.

— Sério? — Dessa vez seus olhos brilharam de entusiasmo. — Claro.

— Sim, sério. — Sorri. — Ela parece ter gostado de você. — Olhei para Maya que estava deitada de barriga para cima com a língua para fora e contente.

— Você é legal. — Ela pareceu concluir. — Gostei de você. — Seu sorriso me contagiou.

— Também gostei de você. — Por mais que algumas coisas tenham soado falsas demais, meu subconsciente completou. Mas, logicamente, eu não iria dizer nada. Ela me pareceu legal, mas não consigo confiar plenamente em uma pessoa.

Estou cansada de confiar e depois quebrar minha cara dando uma topada num muro.

— Lu. — Ela pareceu refletir. Sua fala me recordou momentos que preferiria esquecer. Não gosto desse apelido, senti uma pontada no peito. Eu posso perdoar e não guardar mágoa, mas isso não significa que não doa quando me lembro de tudo que passei. — Posso te chamar assim?

Fiquei encarando-a por bastante tempo, pelo menos mais que o normal. Suspirei e expirei. Ela me chamar assim não significa que me tratará como eles, certo?

— Claro. — Ela sorriu, estou começando a ficar acostumada com seu sorriso. — Bem, agora eu tenho que ir. Estou meio atrasada, tenho que me encontrar com Mira. — Ela sorriu e se levantou, eu já estava de pé apoiada no batente da porta da cozinha.

Chegando perto, ela me abraçou.

Certo, eu não fiquei meramente desconfortável, foi algo que não pude controlar. O que será que essa garota tem?

E então eu senti uma sonolência tremenda, como se estivessem me dando socos imaginários e meus músculos estivessem dormente devido a dor forçando-me á dormir.

— Até depois, Lu.

— Tchau, Wendy. — Ela saiu pela porta e só então me dei conta de que estava caída no chão.

Respirei com certa dificuldade e Maya se pôs ao meu lado. Aos poucos me senti bem melhor. Como se ela estivesse me revitalizando. Mas mesmo assim minhas pernas tremiam. Fiquei no chão por bastante tempo.

— Lucy? — Ergui meu rosto para a porta e dei de cara com Erza. Ela se moveu como um borrão e me ajudou a levantar. Estou me acostumando com seu toque gelado.

Seus olhos estão puxados num tom vermelho assustador.

— Quem fez isso com você?

— Ninguém. Me senti fraca de repente. — Minha voz não passava de um sussurro. Minha cabeça latejou e meus músculos também. Como se eu realmente estivesse levando socos.

— Lucy? — A voz dela soava como um sussurro distante. Encarei o nada com meus olhos perdendo o foco. Uma dor lasciva tomou conta de todos meus músculos. Eu pareço estar sendo apanhanda para fantasmas. — Lucy? — Sua mão encostou em minha testa e ela logo se afastou, abanando em seguida. — Está queimando.

— Erza. Está difícil respirar. — Sentindo uma sensação de cansaço enorme eu fechei meus olhos por um segundo sentindo moleza. Uma enorme vontade de desmaiar tomou meu corpo. Maya se pôs ao meu lado novamente e apoiou a cabeça em minha perna. Senti um conforto, mas nada que fizesse essa dor passar.

Tenho a sensação de proteção, mas proteger quem?

— Lissana. Tenta curar ela. — Não sei em qual momento Lissana entrou na cabana. Mas ela se pôs em minha frente e encostou a mão em minha pele, repetindo o processo que Erza fez ao encostar em mim. Ainda abanando as mãos ela se pôs ainda mais perto de mim.

— Isso não é uma febre comum. — A sensação de proteção assolou-me ainda mais forte e eu tive uma enorme vontade de sair correndo para algum lugar.

— Chame a Mira. — A voz de Erza estava aflita, mas minha respiração me impedia de focalizar a visão, meus sentidos estavam confusos.

— Não dá. A Mira está resolvendo um problema. — Ela pôs a mão em minha testa fazendo uma careta e de repente uma sensação de paz me tomou, mas não substituiu a dor que estava aumentando a cada minuto.

Um barulho alto tomou conta de meus ouvidos e meu coração apertou.

— O que é isso? — Erza se levantou indo para fora da cabana. — O QUE ESTÃO FAZENDO?

A voz dela estava alterada. Mandando eu não sair do lugar, Lissana andou até lá fora.

Minhas pernas se moveram sozinhas. Quando vi estava me segurando no batente da porta. Me concentrei em focalizar minha visão.

Tinham muitas pessoas afastadas da cabana encarando uma briga. Erza segurava Sting, ele estava coberto por uma luz que seria capaz de me deixar cega e vi Natsu complemente em chamas. Ambos pareciam completamente afetados.

Minha marca de nascença doía. Não sei ao certo que está acontecendo. Retirei minhas mãos do batente e dei um passo em direção a varanda. Mas minha visão embaçou de novo e me senti cair. Braços me envolveram. É Jellal... Eu acho.

— Ela está fervendo. — Ele disse tirando a mão da minha testa.

— Eu disse para ficar lá dentro, sua cabeça dura. — Maya rosnou para Jellal. Estou sem forças para mandá-la parar. Lissana fez um esforço e continuou com a mão em minha testa, talvez tentando me curar. Ela fez uma cara frustrada.

— PAREM! PORQUE ESTÃO BRIGANDO? — A voz da Erza estava como um raio, direta e forte. Não consegui ouvir uma resposta. Estão todos olhando para mim, não consigo me concentrar num ponto, estou pouco me importando se estão me encarando. Jellal continua me segurando. Tenho que agradecer a ele depois.

— Alguém vá chamar a Mira. — Alguém se prontificou e saiu andando, ou melhor, correndo, mas me pareceu um borrão. — Jellal, me ajude a levá-la até lá dentro. — Ele me levantou e passou o braço pela minha cintura.

— PAREM DE BRIGAR! — Escutei Erza dizendo. Não tive forças para olhar para trás. E nem queria, alguma coisa naquela cena era angustiante.

— Lucy. Deita. — Localizei-me no sofá. Encostei minha cabeça no braço do mesmo e respirei fundo.

— Oh, meu Deus. — Me virei e vi Mavis em pé no batente da porta.

— Cadê a Mira? — Jellal perguntou.

— Está a caminho, vim mais rápido. — Ela se ajoelhou ao meu lado e pôs a mão em minha testa. Ela parou por um tempo encarando minha marca. — Interessante. Rapaz, vá ajudar a Erza a conter aqueles dois. — Jellal se levantou e saiu.

— Eu tentei curá-la... Mas não consigo. — Lissana disse chorando.

— Calma. — Consegui dizer num sopro de voz.

— Não sei o porque dela estar assim. — Ficando pensativa, Mavis me ergueu como se eu fosse uma pluma. — Ponha as asas para fora. — Fiquei confusa.

— Não consigo. — Dessa vez eu senti um calor absurdo. Mas quando estamos com febre não sentimos frio?

— Pense em coisas boas e se concentre nos pensamentos de que elas são sua salvação. — Não entendi muito bem, mas fiz o que me foi instruído. Uma sensação de dormência foi a única coisa que senti em minhas costas.

— Nossa. — Acho que foi Lissana. Olhei, e, lá estavam elas, pomposas e brancas. Enormes e lindas. Por um momento pude sorrir. Notei que eu estava a uns centímetros do chão e Maya estava sentada perto da porta como uma guarda.

— Não tem nada de errado com elas. — Mavis passava a mão sobre as asas e apertava-as levemente.

— Lucy! — Mira estava na porta. Estou sem forças. Caí sentada no chão mesmo. — O que ela tem, Mavis?

— Não sei, não tem nada de errado com as asas, mas ela está ardendo. — Ela continuava a encarar minha marca, de repente ela encostou na mesma e me senti ainda mais tonta. — Desde quando tem essa marca?

— Desde que nasci. — Suspirei e encostei minha cabeça no sofá. Parece que tudo de ruim só acontece comigo.

— Erza já parou a briga lá fora. — Mira suspirou. — Como sempre, o Natsu se metendo em confusões.

— Lucy. Vou te colocar na água gelada, quem sabe não é uma febre comum?

[...]

Sem as asas é como se eu estivesse... Nua.

Mas na verdade estou com todas as minhas roupas em baixo do chuveiro com água gelada. Na verdade, parece que tem gelo na água. Mas o estranho é que, parece que tudo passou. Porém, eu ainda sinto dor. E estou com a pele quente, mas não fervente como antes.

Quem está no banheiro? Mira, Erza, Lisanna. Mavis está me ajudando a ficar em pé. Como cabiam tantas pessoas dentro de um banheiro?

— Acho que já está bom. — Me puxando de dentro do boxe ela me cobriu com uma toalha e saímos todos de dentro do banheiro. Me sentei no sofá ainda molhada. — Está melhor?

— Acho que sim, só estou com os músculos doendo. — Me remexi um pouco no sofá.

— Isso é estranho, nunca tinha visto sintomas parecidos. — Ela pareceu pensar e então pôs a mão em minha marca. Senti uma ardência e puxei o ombro. — Só se... Não.

— O que, Mavis?

— Nada. Vou pesquisar um pouco. — Se levantou e puxou Mira consigo, ela sabe de alguma coisa e não quer me contar.

— Lucy, qualquer coisa me chame que venho correndo, está bem? — Assenti.

Elas saíram e eu suspirei. Erza se sentou de um lado e Lissana do outro.

— A maior barra isso, ein? — Lisanna disse. Suspirei e sequei um pouco da água do meu cabelo.

— Eu quem o diga. Mas que isso está estranho, está!

— De fato, está bem estranho. Você passou mal do nada. — Erza passou a mão por meu ombro. — Mas vai ficar tudo bem. — Sorri com seu sorriso.

— Que tal um filme? — Sorri animada junto com Erza. É, parece que ficar aqui não vai ser tão ruim quanto eu imaginava.

[...] – Pov’s Autora On.

— Tem certeza? — A albina encarou a loira a sua frente, toda aquela história era o mais completo absurdo.

— Mais ou menos. Mas aqueles sintomas, definitivamente, não são comuns. Dor de cabeça, febre. Mira, aquela febre estava muito acima de cinquenta graus, como se...

—... Estivesse pegando fogo. — Mira murmurou consigo mesma e se jogou na cadeira.

— Exatamente.

— Mas mesmo assim, não é possível. Pode me explicar de novo? — Mavis suspirou.

— Bom, descendentes tem uma forma diferente de amor. Eles nascem predestinados a essa pessoa. Ela pode ser uma humana ou sobrenatural. E então o descendente passa a vida toda a procura dessa pessoa. Muitos falham. Mas dependendo da ligação, eles tem que perpetuar na outra vida para achar essa pessoa novamente, caso não encontre nessa e por eventualidade morra. Está seguindo a linha de raciocínio? — Mira assentiu quase que como um robô. — Bem, então... Essa ligação é uma espécie de transmissão de pensamentos, sentimentos e dores. Um sente o que o outro sente, como espelhos. Se um está triste o outro também... Se um está feliz, o outro também, lógico, dependendo do tanto que eles são ligados.

Mira estava espantada. Esse era o resultado de não ter muitos descendentes em seu acampamento, não sabia quase nada dessa espécie e ás vezes era necessário que Mavis a guiasse para que não ficasse completamente no escuro. Perdida como cego em tiroteio.

—... Bom. Quando essa ligação é entre dois descendentes de raças diferentes, eu não sei ao certo... Mas essa ligação é quase que 100% mais forte. E um fica protegido da magia do outro.

— Espera. Então quer dizer que um é complemento do outro? — Mavis assentiu. E pôs a mão no queixo, como se estivesse pensando numa coisa.

— Bem, a maior representatividade dessa ligação é uma marca. — Mavis ficou confusa por um momento dando continuidade a explicação: — Ambos tem essa marca, eu acho. E, a Lucy tem essa marca. É aquela em seu ombro.

— Então o motivo dela ter todos aqueles sintomas é porque está ligada á alguém? — Mavis assentiu novamente.

— E os sintomas foram tão fortes que ela está ligada a outro descendente, quando encostei em sua marca ela reagiu me queimando. — Mavis ergueu a palma da mão, a mesma estava vermelha e coberta por uma bolha — Bom, ela sente quando tocam porque só a pessoa que criou a marca pode encostar, como se ela fosse a dona, e note que assim que se iniciou a briga ela começou a passar mal. Eles estavam brigando, logo, ela sentiu seu corpo mole, era como se estivesse levando uma grande surra. Porque eles estavam se batendo. — Mavis sentou-se no sofá fofo que ficava ao lado da porta.

— Mas... Nós só temos dois descendentes aqui... Então...? — A voz de Mira morreu e seus olhos azuis se arregalaram quando Mavis assentiu.

— Eu não sei ao certo qual dos dois, eles estavam brigando entre si. Por tanto, não sei. E como ela estava com o corpo parecendo em chamas, logo ligaríamos a Natsu, mas a luz de Sting queima. — Mira suspirou exasperada.

— Então... Tudo que um sentir o outro sente também? — Mavis assentiu. — Isso perigoso não é? — Ela assentiu novamente. — Então, o que vamos fazer em relação a esse ‘elo’?

— Não sei, tenho que me certificar qual dos dois. Não quero que minha única aluna esteja em perigo. — As sobrancelhas albinas se arquearam. — Eu falei, não falei? — Mira negou. — Se um morrer...

O outro morre junto.

A expressão de Mira estava congelada pavorosamente. Como iria resolver isso?

** Continua... **

Notas finais
Então? O que acharam? Agradeço se você chegou aqui, feliz natal á cada um. Que o espírito de natal recaia sobre você e toda a sua família! Obrigada á sua recomendação Anika, e obrigada cada um dos comentários, favoritos e acompanhamentos, todos vocês me deixam muito feliz. Terei vossa presença nos comentários? Espero que sim, ein? Até mais, boa noite ou boa madrugada de natal! Que tudo de bom ocorra com você! Até o próximo, Beijinhos, K.