Upside Down

3 III — Anjos?


Notas iniciais
Oi!? E ai, gente? Eu estou postando um tempo depois do prometido, mas estou ocupada e ocorreram uns contratempos, enfim, por favor perdoem-me. Bem, fases introdutórias são um pouco chatas, mas acho que esse capítulo ficou legal. Deêm suas opiniões, por favor? Boa leitura, okay? Até as notas finais. :3 Edição: Ok

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“Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.—- Charles Chaplin"

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III — Anjos?

Todos estavam me encarando com expressões variadas. A minha deve estar completamente apavorada.

— Mas você não está morta, estamos estudando seu caso. Calma, é característico de algumas raças.

— O que? Não ter energia? — Minha voz estava expressando um pânico crescente. Maya estava dormindo calmamente.

— Não. Se proteger. Isso é característico de raças com energias fortes, essas energias são sentidas por seres humanos também. — Mira suspirou. — Então essas raças se bloqueiam.

— Quais raças? — Ela ficou hesitante por um tempo. — Fala!

— Descendentes. — Respondeu apenas. Fiquei a encarando por um tempo.

— Descentes dê...?

— Descendentes de demônios e anjos. — Agora estou ainda mais assustada! Ela deve ter percebido isso, pois disse logo em seguida: — Calma.

— Eu vou ficar calma sim, acabo de descobrir que eu posso ser descendente de demônios e você acha que eu vou ficar como? Alegre?

— Não são tão ruins! — retrucou em sua defesa. — Você tem características deles.

— Como? — Eu estava ignorando a todos na sala, mas parecia que eles estavam interessados também.

— Todos os descendentes têm características parecidas, sejam eles demônios ou anjos. — Respirou fundo.

— Então...?

— Espere todos, você saberá! — Disse ela, ficando nervosa. — Perguntas?

— Eu! — Levantei a mão e ela bufou, revirando os olhos. Mas acabou concordou comigo. — Então, aquele garoto que me provocou no caminho para cá, é o que?

— Descente de demônios do fogo. — Ela suspirou.

Minha cabeça dava voltas, por isso apenas concordei e fiquei de braços cruzados. Não vou arriscar perguntar mais nada e confundir minha cabeça ainda mais.

Todos faziam as mais variadas perguntas, enquanto eu estava imersa num mundo próprio. Sempre tive essa capacidade "me desligar" do mundo exterior, e eu estava fazendo isso nesse exato momento. Não quero mais escutar nada, quero colocar minha cabeça no travesseiro e chorar até meus pulmões estourarem. Nesse exato momento eu queria que meu pai estivesse pelo menos perto de mim e então pudesse impedir minha mãe de me colocar nesse local de malucos, mas algo me diz que tudo isso é verdade.

Então fico mais confusa. Sempre trabalhei com minha mãe vendo charlatões de todas as formas, mas algumas coisas nas palavras de Mira me levaram a crer que tudo aquilo era real e que todos tinham poder. Se isso é conhecimento eu preferia ficar burra ou então sem saber a verdade.

O mundo é demasiadamente alienado. Pessoas são sustentadas por coisas irreais. Sim, não existe uma pessoa sã nessa maluquice de "vida", mas eu posso afirmar que, em quase todos os casos, as pessoas se desviam da realidade para açucarar suas vidas amargas demais num mundo cruel demais.

Isso tudo mais parece um conto irreal que nunca vai acontecer e eu estou rezando que, quando eu acordar, tudo tenha entrado nos eixos.

Minha vida nunca foi perfeita, sou capaz de admitir isso, mas antes disso tudo eu me perguntava apenas no que iria trabalhar com idade adulta, entre outras coisas. Agora eu me pergunto de que raça eu sou. E isso é muito inebriante.

— Mira. — A voz forte do homem loiro ecoou por todo o local. — Os mestres estão aqui. — Ela concordou.

— Fiquem aqui, vou reunir as fadas. Nos vemos daqui a alguns minutos.

Ela seguiu pelo salão e ficamos todos em silêncio, não estou com vontade de falar com ninguém. Maya se sentou ao lado do meu banco e lambeu minha perna coberta pelos jeans, esfregou a cabeça em minha coxa e eu acariciei o topo de sua cabeça.

— Dá para acreditar nisso tudo? — A menina de cabelos azuis disse. Seus olhos pareciam brilhar. — Eu sempre soube que existiam coisas especiais assim.

— Sim, estou ansioso para saber o que eu sou. — Disse um menino com cabelo tão negro que pareciam fios azul-marinho. Eu continuei calada.

— Eu também. — O menino de cabelo laranja se pronunciou. — Será que se transformar num lobisomem dói?

— Acho que não. — Uma menina de cabelo lilás intrometeu-se. — Espero não ser um. — Toda essa conversa está me dando dor de cabeça e parece que meu cérebro vai explodir junto com meus pulmões.

— Quantas espécies devem ter? — Uma outra menina de cabelos encaracolados perguntou.

Meus olhos encheram de lágrimas, eu só quero minha vida normal de volta, será que isso é tão difícil de entender? Ou de se realizar? Será que tudo isso é um sonho?

São tantas lágrimas em meus olhos que eles estão rasos e tudo está embaçado, respirei fundo enquanto tentava parar com essa baboseira, não posso chorar em frente de pessoas que ao menos conheço. Meus olhos doeram.

— Seus olhos estão azuis. — Olhei confusa para o garoto de cabelos laranja e em seguida olhei para qualquer lugar procurando um espelho. A menina de cabelo azul me entregou um mini-espelho. Olhei assustada para meus olhos azuis, eles estavam muito azuis, como duas safiras. Observei o menino em minha frente.

— Seu cabelo está aumentando. — Observei. Pude notar diferentes mudanças nos meus companheiros de lugar, tem alguma coisa errada.

— Com licença. — Mira disse entrando, atrás dela estava um grupo de pelo menos 100 pessoas, Lisanna estava entre eles, ela é uma fada. — Bem, sou representante das fadas, devem estar estranhando as mudanças, certo? É porque os líderes estão por perto, então as mudanças são mais evidentes. Venha Wendy. — Agora notei uma raia rosa em volta dos olhos cor de oliva da pequena. — Ótimo, temos apenas ela de fada no grupo, entrem! — Um homem de pelo menos 60 anos com cabelos brancos apareceu.

— Esse é Josh Collin, ele é líder dos bruxos e bruxas. — Atrás do senhor pelo menos 70 pessoas entraram. — Então?

— Ela. — Ele apontou para a garota de cabelo lilás. — Ele. — Apontou para o garoto de cabelo quase azul. — Só.

— Okay, vocês. Se juntem ao grupo. — Eles se juntaram. — Entrem. — Uma mulher muito bonita de pelo menos 25 anos entrou, seus cabelos eram pretos como carvão e seus olhos eram castanhos escuros. — Essa é Minerva Orland. Representante dos vampiros e vampiras. — Mira suspirou. Atrás da morena tinham pelo menos 150 pessoas, todos eram pálidos e muito bonitos.

— Ele. — Ela apontou para o garoto de cabelo laranja. — Ela. — E então apontou para a garota de cabelo cacheado. — Só. — Ela me lançou um olhar frio como o da sua discípula de cabelo vermelho que me encarava furtivamente. Maya estava tensa.

— Entrem. — Um homem muito conhecido por mim entrou pela porta. Meus olhos se arregalaram.

— Pai? — Perguntei atordoada. Todos se viraram para mim, mas nesse momento não me importo com nada. Mira pareceu bem surpresa assim com meu pai.

— Lucy? O que você está fazendo aqui? — Sua voz calma fez com que meus músculos retesassem e meus olhos enchessem de lágrimas. Encontrei o olhar de Lisanna e de Mira, o que me tranquilizou na hora. Apenas virei meu rosto para o lado.

— Esse é Jude Heartphilia. — Ela arregalou os olhos, parece que só agora ela ligou os nomes. — Éhr... Líder dos lobisomens. — Rezei para que eu não fosse para o grupo de pelo menos 50 pessoas, eu prefiro ser até descente de uma cobra. Maya rosnou assim que olhou para meu pai, agora eu entendo porque ela odiava e ainda odeia ele. — Então...?

— Não tem nenhum aqui. — Pude respirar aliviada.

— Okay. — Todos pareciam surpresos. — Entrem. — Um homem de cabelo vermelho sangue entrou, ele devia ter pelo menos uns 40 anos, seus olhos eram verdes. Como os do garoto que entrou atrás dele. — Esse é Igneel Dragneel. Ele é representante dos descendentes de demônios. — Vi o menino de cabelo rosa me olhar com um sorriso de canto e percebi que... Sting e Laxus estavam lá. Como? Apenas vi que restávamos eu e uma menina de cabelo castanho escuro.

— Ela. — Ele apontou para a menina, suspirei aliviada. Acho que não tem ninguém para entrar. Não sei se fico feliz ou triste. A menina se levantou e foi em direção ao homem que apenas acenou com a cabeça.

— Ótimo, Mavis. Entra. — Uma mulher quase que da minha altura entrou, ela tinha cabelo loiro, quase branco até a cintura, seus olhos brilhavam num intenso verde esmeralda e suas feições eram tranquilas, ela vestia um vestido branco até o joelho e calçava sapatilhas pretas. Percebi que atrás dela não havia ninguém. — Essa é Mavis Vermillion, ela é representante dos descentes de anjos.

— Mira, nunca tem... — Ela parou de falar quando me encarou. — Ah. — Ela apenas me encarou com a cabeça inclinada. — Querida. — Sua voz me acalmou e senti meus olhos doerem. — Sim, ela é.

Ouvi exclamações de praticamente todos no local. Inclinei minhas sobrancelhas. Peguei o espelho que tinha em mãos e olhei, meus olhos estavam prateados, pisquei diversas vezes e olhei para a mulher que fazia sinal para eu me juntar á ela. Levantei-me puxando Maya junto, ela andou confiante em direção a mulher, e pareceu gostar.

— Todos estão classificados, sigam seus grupos, eles lhe explicarão. Cada um será indicado a sua cabana.

Todos saíram, os únicos que ficaram foram as fadas, o meu grupo que continha a mulher chamada Mavis e eu. Notei o que o grupo do garoto de cabelo rosa chamado Natsu ficou também.

— Como é seu nome, meu amor? — Mavis perguntou. Me sentei na mesa em que ela estava.

— Lucy Heartphlia.

— Seu pai é Jude, não é? — Assenti. — Deve estar confusa, nem sempre puxamos a descendência dos pais.

— Agora eu entendo isso.

— Acredita nisso? — Inclinei minha cabeça em sinal de confusão. — Nisso tudo que está acontecendo.

— Sinceramente? Acho que ainda é um sonho. — Parei para refletir. — Ou um pesadelo, depende do ponto de vista. — Mavis sorriu.

— Entendo, é difícil na primeira vez. Como é o nome dela? — Maya estava passando a cabeça no colo da loira.

— Maya. — Sorri. — Geralmente ela não é tão sociável com...

— Sobrenaturais? — Ela sorriu e vi duas covinhas se formando em suas bochechas. — Ela se sente desconfortável com os outros, os anjos e seus descentes têm seu próprio carisma com pessoas e animais, as outras raças apenas os espantam, como são com os lobos.

— Hum. — Fiquei pensativa. — Você é descendente de anjos também?

— Não. Eu sou um anjo. — Olhei com as sobrancelhas arqueadas. — Um anjo em missão na terra. — Minha boca se abriu num perfeito "o" e então ela sorriu, na verdade gargalhou. — Sim, eu sou uma descente, um anjo caído é considerado um demônio.

— Isso realmente não tem graça nenhuma. — Contraí um bico irritado e ela sorriu. — É sério.

— Estava apenas brincando, não achei que fosse acreditar...

— Sabe, há umas horas, na verdade minutos, eu nem acreditava que criaturas "sobrenaturais" pudessem existir. — Suspirei. — O que eu posso fazer?

— Temos que ver, existe classificações. Temos os que controlam a natureza. — Fiquei confusa. — Eles controlam flores, folhagens...

— Mato? — Ela ponderou e então concordou.

— Mais ou menos isso. Eles podem entrar em sintonia com a natureza.

— Não são as fadas que fazem coisas com a natureza? — Ela apenas assentiu negativamente.

— Não. São invenções de cineastas. — Ela revirou os olhos. — Fadas...

— Elas podem voar? — Interrompi.

— Não. Deixe-me falar. Fadas são seres sensíveis e sensitivos, basicamente elas podem se comunicar com mortos, sentir energias e controlá-las. Mas não, elas não voam. Outras podem controlar água. A magia angelical é bem parecida com a magia das fadas.

— Eu poderei voar? — Logo me imaginei com um enorme par de asas brancas em minhas costas.

— Depende. — Ponderou.

— Você voa?

— Sim. São classificações. Como eu disse, além de anjos da natureza, existem os da sombra. Sim, eles são quase como demônios, mas não tão cruéis e chegam a ser mais poderosos.

— E você?

— Sou das sombras. — Ela sorriu. Contraí uma expressão assustada. — Não temos aparências.

— Oh. — Minha boca abriu em descrença.

— E tem a última classificação, são anjos mais fortes e de purificação. Eles sim, como os da sombra, podem voar. Eu não tenho asas, vôo por levitação. — Fiquei confusa. — Depois eu explico, eles têm asas e podem voar. Mas anjos purificadores são poderosos e, na maioria das vezes, não são capazes de controlar-se. Controlam luz.

— Luz?

— Sim. — Ela ergueu a mão em cima da mesa e uma esfera negra apareceu em sua palma. — Mais ou menos assim, mas é tão branco e dourado que chega a cegar.

— Quando vou poder saber? — Agora fiquei animada. — Descendentes de anjos tem força física?

— Se quiser podemos ver agora mesmo, sim. Somos todos sobrenaturais, uma das características principais é a força, meu bem. — Sorri. — Quer saber de imediato?

— Acho que não, pode ser depois? — Ela apenas assentiu. — Como sei onde posso descansar? Estou com sono e nem ao menos sei onde estão minhas malas e nem onde vão ficar e nem com que eu vou ficar.

— Calma querida. — Ela chamou Mira, a albina veio andando calmamente. — Em qual quarto ela está? — Mira ergueu um papel e passou o dedo pela superfície.

— As raças estão misturadas nos quartos, tudo bem? — Assenti. — Ala D. Cabana 9A. Você escolhe o quarto quando chegar lá.

— Como eu acho?

— Temos placas. Terá placas indicando. — Sorri e ela se voltou para o grupo me entregando uma chave.

— Olha, amanhã, após a aula vamos parar para conversar? Seu horário é até ás cinco da tarde. Atrás da cantina tem bancos e mesas, estarei amanhã lá ás cinco e meia. Okay?

— Sim. — Me levantei puxando Maya que estava dormindo. — Hum, até amanhã? — Ela sorriu e assentiu, olhei em direção ao grupo das fadas e reparei que Lisanna não estava lá, talvez ela estivesse em sua cabana?

[...]

Estou meio assustada, com quem eu vou ficar?

Posso ficar com qualquer pessoa e eu não cheguei a perguntar se homens e mulheres são juntos... Estremeci.

— Hum... — Andei por uma trilha e achei algumas placas. — Ala A. Ala B. Ala C. Ala D. Á direita.

Me virei na trilha. Quanto mais eu andava mais me aproximava de algumas cabanas. São umas 20.

— 1A; 1B; 2A; 2B — E então andei mais um metro me deparando com mais um conjunto de seis cabanas dispostas um de frente á outra. — 9A! — Suspirei quando cheguei em frente á uma construção de madeira maciça, era em mogno e as janelas eram bonitas, grandes e todas com vitrais.

Com a chave que Mira me deu abri a porta da frente me deparando com um sofá de dois lugares de frente a um de três. Um tapete escuro quase verde, uma mesa com uma televisão relativamente pequena, e uma escrivaninha com um computador. Olhei em todo o cômodo, não parece ter pessoas morando aqui.

Um corredor, interessante. Tinham quatro portas. Tem placas?

— Lisanna Strauss? — Arqueei minhas sobrancelhas, eu fiquei na mesma cabana que ela? Que legal. Com um sorriso eu me virei para a outra porta e o sorriso desmoronou; — Erza Scarlet. — Murmurei. — Que maravilha!

No fim do corredor tinha a última porta que dava para um banheiro mediano com uma ducha e depois uma cozinha espaçosa. Eu gosto de cozinhas. Em cima da mesa tinha um saco grande de ração para cachorro. Ainda bem, porque, eu realmente não trouxe dinheiro algum. Trouxe apenas cartões de crédito e se duvidar ninguém aqui aceita.

Segui até meu quarto que tinha a maldita da plaquinha.

O quarto era... Aconchegante. Tinha uma cama de solteiro, mas era para um solteiro bem gordo, porém não era de casal. Era uma cama bem grande para ser de solteiro e pequena demais para ser de casal.

Em frente à cama tinha um baú onde minha mala estava encostada, um pequeno guarda-roupa e uma mesinha de cabeceira ao lado da cama com um despertador. Eu vou precisar, já que meu celular deve está se divertindo com os pneus dos carros.

Soltei a guia de Maya e ela cheirou o cômodo se deitando em cima da minha cama com cobertas brancas. Sério que é tudo branco? Preciso de uma cor nesse quarto, a parede, o chão, as cobertas, tudo é branco demais.

— Maya, está com fome? — Ela apenas se deitou espaçosa na cama. — Acho que isso é não.

Olhei no guarda-roupa, não tinha nada. Abrindo minha mala comecei a suspirar. Isso nunca vai dar certo.

[...]

— Melhor. — Eu tinha arrumado o guarda-roupa e surpreendentemente eu trouxe cobertores roxos. Forrando a cama o quarto ficou mais a minha cara. — Quer dar um passeio meu amor? — Ela nem abriu os olhos.

Bufei e joguei na cama.

— Lucy? — Escutei uma voz feminina me chamando.

— Entra. — Lisanna entrou olhando todo o quarto. Seus olhos pararam em mim, eu estava deitada ao lado de Maya quase caindo da cama.

— Aqui tem uma energia diferente. — Ela arqueou as sobrancelhas. — Tudo bem. Então está gostando daqui? — Se sentou no baú de frente para minha cama.

— Nem visitei as imediações, mas sim, até agora me parece bem agradável. — Sorri.

— Fico feliz. Você não achou estranho? — Fiquei meio confusa. — Sobre tudo o que descobriu essa manhã?

— Não. — Abri um pequeno sorriso. — Estranhamente, não fiquei tão assustada como esperava, fiquei mais assustada pelo meu pai estar aqui. — Sorri em desanimo. — Quer dizer, ele some e só agora descubro que ele é sobrenatural e ainda por cima se transforma num cachorro? — Suspirei. — Inacreditável. Na verdade é quase irreal, será que minha mãe sabia?

— Acredito que não. — Ela disse balançando a cabeça negativamente.

— Bom, se não sabia problema é dela. Quer dizer, ela me abandonou aqui. Sinceramente? Que mãe faz isso com o filho? Não existe.

— Se te ajuda, aqui tem grandes referências.

— Eu sei, ela me disse. Mas cara, nesse momento ela preferia ficar sozinha do que comigo? Eu não me sinto muito confortável fora da minha cama.

Seus olhos ficaram compreensivos.

— Entendo seu lado. Mas verdadeiramente eu espero que você seja feliz aqui, eu gostei de você e olha que isso não acontece com grande facilidade. — Ela parou para pensar enquanto eu sorria. — Você trouxe roupa de banho?

— Trouxe, por quê? — Ela sorriu.

— Temos um rio muito perto daqui, está a fim?

— Nadar? — Sorri. Meus olhos se iluminaram. — Lógico, eu amo nadar. — Olhei para Maya. — Vai se comportar? — Ela apenas latiu e encostou a cabeça na cama. — Hum, tudo bem.

Cacei meu biquíni dentro da bolsa.

— Daqui a pouco eu volto, tudo bem? — Lisanna disse e eu assenti. Meu biquíni era simples, completamente preto. Ele amarra no pescoço e de lado da tanga tem um enfeite dourado.

Vesti um short jeans e uma regata branca, está tudo certo. Maya continuava dormindo. Saí do quarto.

— Vamos Lucy? — Lisanna perguntou. — Maya não vai?

— Não. Ela não gosta muito de nadar. Lisanna, posso te perguntar uma coisa? — Ela assentiu em resposta positiva. — Essa "Erza" do quarto do lado do meu é a mesma "Erza" que me confrontou no caminho para cá?

— Sim. A Erza é legal. Ela só não gosta de pessoas novas, aos poucos você vão ser dar bem.

Dei um sorriso irônico.

— Duvido bastante.

Caminhávamos lado a lado, o sol estava brilhando em cima de nós com força, não costuma fazer sol por aqui.

— Você arrumou problemas com o Natsu, não é? — A encarei brevemente. — Mira me contou. Não faça mais isso.

— Ele me provocou, me chamou de "loirinha" e "burra". Ainda chamou Maya de "totó" e "pulguento". Eu só rebati, não fiz nada demais.

— Eu costumava ser a melhor amiga dele, mas há uns três anos atrás ele mudou. O Natsu era legal, brincalhão e muito extrovertido. Mas agora, ele ficou frio, quase nunca sorri e parou de falar comigo.

— Por quê?

— Há boatos de que ele está á procura de alguém. — Arqueei minhas sobrancelhas. — Os descendentes, e isso inclui você também, tem parceiros para a vida toda, eles não amam além dessa pessoa.

— Sério? — Meu rosto assumiu descrença. — Sério, mesmo?

— Sim. Não sei como eles localizam, mas sei que são para a vida toda, tipo, depois que um morre o outro também, tudo que um sente o outro sente, é sinistro. — Concordei. — Então o pai dele obrigou-o a achar essa parceira e se tornar o líder dos descendentes, eles são muitos fora daqui e Igneel cobra muito dele. Parece-me que, como eu não sou essa garota, Igneel o proibiu de andar comigo, não que isso o tenha impedido de sair com algumas meninas com outras intenções.

— Nossa. Que pai é esse? — Eu já podia sentir uma tranqüilidade transmitida no rio. — Meu pai sempre foi presente e nunca cobrou nada, isso ficou ao cargo da minha mãe.

— Tio Igneel é muito rígido. — Ela suspirou. — Ás vezes eu acho que é porque ele não achou sua parceira.

— Como você sabe? E a mãe do Natsu?

— A mãe do Natsu foi como uma aventura para ele. E ela morreu faz alguns anos, todos dizem que ele ficou amargurado por não ter achado "seu verdadeiro amor". — Ela revirou os olhos.

— Oh, entendi. — Suspirei. — Mas eu não posso fazer nada se ele vier me perturbar.

— Lucy, o Natsu não tem pena e não distingue homem de mulher. Se ele estiver de cabeça quente e vier implicar com você, ignore, por favor. Ele pode te machucar sério. Ele já quase matou Juvia.

— Juvia?

— Sim. Ela é uma fada. Houve uma época que Natsu andava sempre com Gray, ele é um lobisomem e Juvia gosta dele, e ficava indo atrás, até o dia que ela falou mal de Natsu. Cara, ela pegou fogo e ficou gritando se contorcendo no chão. Ele só parou por que o Gray o impediu. Mas se deixassem Juvia estaria morta agora. — Minha expressão ficou assustada. — Ele não tem pena.

— Tudo bem. Só não sei se sou capaz de ignorar. Mavis e Mira me falaram que um descendente não gosta muito do outro.

Lisanna sorriu amarelo.

— Eu sei, mas tente se controlar ao máximo, okay? — Assenti.

A mata se abriu e demos de cara com um rio. Ele era tão fundo que não enxergávamos o chão, a água era límpida e transparente. Alguns peixes nadavam de um lado para o outro.

— Aqui é lindo. — Disse e ela abriu um sorriso.

— Eu sei, e poucas pessoas sabem desse lugar, eu e outra pessoa.

— Quem?

— Natsu. Mas acho que depois que paramos de nos falar ele nunca mais veio aqui. — Sua expressão ficou triste. — Vamos entrar? — Assenti tirando minha regata. Ela me olhou estranho. — O que é isso no seu ombro?

— Ah, é uma marca de nascença, eu acho linda. — A marca fica na parte da frente do ombro, tem uma semelhança com uma espécie de gota de chuva, mas bem maior, ela tem uma cor preta. — Minha mãe tem uma espécie de borboleta na coxa.

— Sim, é linda. — Ela sorriu. Tirei o short. Pus meus pés na água sentindo um frio crescente.

Mergulhei aos poucos sentindo deixando meu corpo se acostumar com a temperatura.

— Eu amo nadar. — Fui até a parte mais funda, sem sentir meus pés no chão e comecei a boiar. — Lisanna. — Ela emitiu um som parecido com "hum", estava boiando também. — Como é não ter uma mãe?

— Não sei. — Tenho certeza que ela está olhando para o céu. — É muito ruim. Eu não conheci minha mãe, Mira sempre representou uma, mas nunca me senti muito "feliz". Por isso, é como um frio dentro do coração.

— Hum, eu sinto mesmo pela sua mãe, ela devia ser uma pessoa incrível.

— Sim, ela era uma fada completamente adorável.

— Imagino. — Sorri. — Como ela era?

— Tinha cabelo loiro, quase branco, com pele de porcelana e olhos verdes como duas esmeraldas. — Olhei para o lado e ela estava encarando o céu sorrindo. — Ela era sensata e compreensiva.

— Como você e sua irmã. — Escutei um soluço. — Não chore, entenda uma coisa, onde ela estiver estará olhando por você e zelando pela sua segurança, lembre-se dela com carinho e emoção, nunca com tristeza. Tenho certeza que ela seria uma mãe maravilhosa para você.

Ela parou de boiar e me encarou. Fiz o mesmo.

— Obrigada Lucy. — Seu sorriso me contagiou. — Vamos passear pelo internato? — Sorri assentindo. Nadamos até a borda e eu estava escorrendo água. — Droga, esqueci uma toalha. — Ela pensou por um instante. — Espera por mim um segundo? Vou trazer toalhas para nós, certo? — Assenti meio hesitante. — Qualquer coisa grita. — Arregalei meus olhos e ela gargalhou. — Tô brincando.

Contraí um bico.

— Sua chata! — Ela colocou o vestido solto que estava e saiu correndo.

O sol estava refletindo na água do rio, como um espelho. Sentei-me em uma pedra de frente ao rio olhando para as águas, dessa perspectiva a natureza parece tão bonita e tão inocente.

As gotas escorriam do meu cabelo e eu o prendi em um coque. Senti minhas mãos geladas e um vento passou por mim. Agora estou com frio, que maravilha.

— Vamos, Lisanna. — Olhei para trás e ela não estava vindo. Será que ela corre tão devagar assim?

Suspirei, estava quase tremendo quando resolvi entrar no rio novamente. Certo, aqui dentro eu não vou sentir tanto frio. Levantei-me da pedra e segui andando meio hesitante para as águas calmas, tudo estava silencioso demais.

— Lisanna? — Nenhum barulho. Que droga, merda. — Lisanna?

Eu seria capaz de sair correndo até a água se minhas pernas não estivessem congeladas no lugar e meus ossos não estivessem parados como barras de ferro depois que escutei barulhos. Meus olhos piscam compulsivamente e meu coração está bombeando sangue mais rápido do que deveria.

Isso deve ser imaginação, não tem ninguém ali. Não tem ninguém ali. Movi-me até o rio ainda hesitante e me sentei na borda, ficando com água até a cintura. A água continuava gelada, pelo menos eu não estava mais com tanto frio, mas eu continuava com medo, estava tudo muito silencioso e a sensação de estar sendo observada tomou conta do meu ser. Eu sempre devo confiar na minha intuição, mas no momento não estou vendo nada e estou morrendo de medo. Lisanna foi fabricar as toalhas meu santo Deus?

Queria tanto que Maya estivesse aqui comigo, pelo menos ela me passa calma.

— Vamos Lucy. Não tem ninguém aqui além de você. — Eu repetia a mim mesma, porque sou tão medrosa? — Merda. — Repeti pela décima vez afundando meus pés na areia do rio, não tem ninguém na floresta. Suspirei, e comecei a canta uma música muito deprimente. — Que legal, agora estou deprimida. Que inferno! — Bufando risquei linhas na areia, eu tinha que cantar logo essa música? Não podia ser uma música legal ou então alegre? — Que vontade de me matar. — Encostando a cabeça nos joelhos continuei cantarolando a música, se é para ficar deprimida vamos entrar numa depressão profunda, não é?

— O que está fazendo aqui?

Merda. Meus músculos retesaram e minhas pálpebras demoraram encostadas sobre meus olhos.

— No momento estou sentada, mas antes eu estava nadando. — Me virei e ele estava lá, ótimo, agora quem sabe eu não morro carbonizada logo?

— Como sabe daqui? — Ele não estava muito longe encostado numa árvore bem perto das minhas roupas. Suspirei.

— Lisanna me trouxe. — Ele pareceu pensar. — Além do mais, eu te devo explicações?

— Esse lugar é secreto. Ela não devia ter trago você aqui.

— Não sabia que tinha seu nome cravado nas árvores e na água. — Dei um sorriso meio falso, não quero papo. — Ótimo. — Me levantei escorrendo água para todos os lados. Aproximei-me dele pegando minhas roupas. Que se danem as toalhas.

— O que é isso ai? — Ele apontou para meu ombro.

— Uma coisa que não é da sua conta. — Dei nos ombros enquanto vestia o short. Ele me encarou por uns segundos antes de pegar minha blusa que estava em cima do tronco. — Me devolva.

— Você é realmente corajosa. — Seu sorriso era cruel. Mas alguma coisa me impediu de ter medo, talvez o frio, mas no momento não importa.

— Devolve minha blusa! — Ergui a mão e tentei pegar a blusa, mas ele é mais alto que eu. — Sério, por favor.

— Você sabe pedir com educação, ein? — A ironia era quase palpável.

— Sei ser agradável com quem merece. — Suspirei ou bufei. — Me dá.

— Antes me fala o que é isso?

— Um besouro em forma de gota. — Revirei meus olhos. — É uma marca de nascença seu idiota. Devolve a minha blusa? — Ele pareceu pensar e não devolveu. — Beleza. — Me virei para ir embora e ele segurou meu braço.

— Onde você vai?

— Vou embora daqui, para longe de você ou então para o quinto dos infernos. Qualquer lugar é melhor que ficar aqui com a sua companhia desagradável. — Ele apertou meu braço e senti a palma de sua mão esquentar consideravelmente, mas o calor me passava uma espécie de conforto e eu fiquei arrepiada. Arregalei meus olhos tentando me soltar, antes que fosse traída por meu próprio corpo, coisa em que não tive sucesso.

— Olha como fala. — Estamos muito perto mesmo, vejo seus olhos verdes escuros flamejando. — Devia ter mais respeito.

— Cara, sinceramente? Eu não consigo ter um pingo de medo de você. Larga meu braço para que eu possa meter minha cabeça no meu travesseiro e chorar porque, acredite meu amigo, minha vida é um verdadeiro inferno, não preciso de mais um problema como você. Então, não arrume problemas comigo, pode, por favor, obedecer, acatar, escutar esse pedido meu? Esqueça que um dia falou comigo, e eu nem vou olhar na sua cara, estamos entendidos? — Ele não me soltou.

— Não está queimando? — Ele pareceu perplexo. Só então olhei para sua mão e o fogo estava cobrindo meu braço. Arregalei meus olhos soltando meu braço que continuou pegando fogo.

— Fogo. — Balancei meu braço mas não estava apagando. — Eu estou pegando fogo? — Senti meu ombro queimar, a marca estava vermelho sangue ao invés de preta. — Não queima. — Mexi minha mão, o fogo não doía, era como um calor, mas não queimava. — Que legal. — Olhei para o homem na minha frente e ele me olhava perplexado e confuso.

— Era para queimar.

— Seu psicótico, estava querendo me matar é? — Sacudi meu braço, mas não apagou. — Como eu apago essa coisa? — Ele encostou em meu braço e o fogo se dissipou levando o calor junto. — Ótimo, agora, devolva minha blusa! — Ele devolveu e eu vesti, minha marca ainda estava ardendo.

— O que você fez para não queimar?

— Nada. Nem sabia que estava queimando. — Dei nos ombros e ele agarrou meu braço de novo. — Cara, larga meu braço por favor?

— Larga ela! — Uma voz forte e imponente surgiu, olhei em direção da onde vinha a voz e me surpreendi.

Sinceramente, tem como ficar pior?

** Continua... **

Notas finais
Então... E ai? O que acharam? Espero que tenham gostado! E por favor, podem comentar? Por favor? Não temos prazo para o próximo, mas até o dia 09/12/2014 eu postarei o próximo se tudo correr sem problemas. Bom, estarei esperando pelos comentários ansiosa para responder, obrigada pelos 29 acompanhamentos, 9 comentários e 5 favoritos. Vocês são demais! De verdade. Até a próxima. Beijinhos ;) K.