Upside Down

4 IV — Coisas estranhas sempre acontecem


Notas iniciais
Vim exatamente na data prevista, não me atrasei! ~Faz dancinha! Bom dia, boa tarde ou boa noite gente linda que me faz viver! Vou deixar os agradecimentos para as notas finais... Leiam lá, por favor? Bem, boa leitura á quem lê aqui... São poucos! ;) Até as notas finais! :3 Edição: Ok

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"Nada é permanente nesse mundo cruel. Nem mesmo os nossos problemas. -- Charles Chaplin"

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IV — Coisas estranhas sempre acontecem

Olhei para o homem que estava quase que dentro da mata. Não teria como eu confundir sua voz, sempre me imaginei a escutando falar "Estou de volta".

— Solta ela, Natsu.

Meu pai se aproximou. Ele estava exatamente como eu me lembrava, com uma aparência parecida com a que eu o vi saindo de casa. Meus olhos ficaram rasos. Natsu me soltou ainda numa pose defensiva.

— Tudo bem, querida? — Ele perguntou calmo.

— Não, não está tudo bem. — Ele tentou encostar, mas me afastei. — Sai de perto de mim, não me toque. — Sequei bruscamente o que queria cair de meus olhos.

— Quero falar com você, querida.

Sua voz era a mesma, a mesma que me cobria todas as noites e a mesma voz que me disse, "Eu venho te visitar". Coisa que ele não cumpriu.

— Lucy. Meu nome é Lucy. E eu não tenho nada para conversar com você.

— Não seja teimosa, querida.

Seu sorriso era para me deixar calma, como sempre. Mas não dessa vez. Agora me passava apreensão e medo, nenhum carinho que sentia antes.

— Não estou sendo teimosa, estou sendo realista. Só não se aproxime, okay? Estou abalada demais para o senhor vir e me prometer algo que não irá cumprir. Pode não falar comigo? Esquece que me conhece, esquece que é meu pai, certo?

Andei o mais rápido que pude para bem longe dali. Meus olhos estão ardendo de tanta vontade de explodir, não literalmente, mas estou com uma imensa vontade de gritar a plenos pulmões. Foi tudo tão rápido e automático que nem sentia meus músculos e nem percebi quando comecei a correr desesperadamente. Não quero que nada disso se repita, só quero permanecer sem ver meu pai, com minha mãe me chamando na porta e eu fazendo carinho em Maya. Será que isso é tão difícil?

De repente tombo com alguém. Essa pessoa segura meu braço impedindo que minhas costas venham de encontro ao chão. Minha pela fica fria, e percebo que é Erza.

— Você não vê por onde anda, não? — Ela estava com raiva. Funguei tentando parar de chorar tenho consciência de que meu rosto está um verdadeiro caos.

— Desculpe. — Olhei para o chão e voltei a andar.

— Devia olhar para onde anda e... — Ela se interrompeu assim que focalizou em meu rosto. — Estava chorando?

Apenas limpei meu rosto bruscamente. Não quero falar com ela, não quero.

— Nã... Não. Eu estou bem.

— Lucy? — Vi meu pai correndo atrás de mim. As lágrimas voltam quando ele chega mais perto. — Quero falar com você, meu amor.

— Para. Para! Que inferno. Para de agir como se importasse comigo quando não dá a mínima, não liga. Sentimentalismo não é uma palavra que existe no seu vocabulário, então saía de perto de mim. Não quero ter contato com você, não preciso de você. Precisava, mas posso muito bem lidar com tudo que você deixou em mim, que não foram coisas boas. Vazio foi uma delas! Então, "papai", não fale comigo, não quero explicações, não tem como explicar deixar a filha e a mulher sozinhas precisando de você e nunca mais dar as caras.

Eu estava gritando e despejando tudo em cima dele, sei que tem uma explicação lógica, mas no momento não me importo se as pessoas estão vendo e o que estão achando.

Sempre fui uma pessoa muito calma, mas sabe de uma coisa? Todos explodem um dia e eu estava no meu limite.

— Lucy! Não fala assim comigo, sou seu pai.

Sua expressão era muito carrancuda, como se eu tivesse ferido seu ego. Mas não estou fazendo nada a mais que falar a verdade. Ele sempre foi um exemplo de homem para mim, mas desde o momento que cruzou a porta da minha casa e nunca mais entrou em contato, nunca mais quero ouvi-lo, nem falar com ele. Porque, ele para mim não existe mais.

— Não te devo respeito, a única pessoa a quem devo respeito é minha mãe. O senhor perdeu esse direito no dia que atravessou a porta da minha casa. Esqueça que tem filha que eu, com certeza, vou esquecer que tenho pai, certo? Agora, se me dão licença, vou morrer de tanto chorar na minha cabana.

Saí correndo novamente. Erza estava olhando para mim perplexa e só então percebi que Natsu estava atrás do meu pai, que estava me olhando com um misto de culpa e raiva. No momento ele não pode me culpar por tratá-lo assim. Ele procurou isso.

Enquanto corria notei que deixei meu chinelo no rio, e quando cheguei a varanda percebi o quanto minhas pernas estavam dormentes e minhas mãos trêmulas. Entrei rapidamente em meu quarto e vi que Maya dormia num dos cantos. Joguei-me na cama desmoronando de vez. A porta estava fechada, então não me preocupei em chorar baixo. Chorei alto, como chorei quando minha avó morreu.

Para mim, meu pai morreu, assim como a vovó. Aquele ali parece com meu pai, mas não é, é um homem contrário, completamente diferente daquele que me pegou no colo quando era criança... Esse é mais frio, não tem sentimentos e agora, não tem mais filha para se preocupar.

Maya subiu na cama e deitou ao meu lado, pondo a cabeça em minhas costas. Continuei a chorar. Só quero que essa dor que se instalou no meu peito passe o mais rápido possível.

[...]

Depois de pelo menos dez minutos com a cara enterrada no colchão, eu não conseguia parar de chorar, por mais que minha mãe tenha feito tudo aquilo eu ainda quero um abraço bem apertado dela, sempre vou sentir falta de sua companhia, mesmo que nos últimos meses eu não tenha dado muita bola.

— Lucy? — A voz saiu abafada por causa da porta, mas tenho certeza que é Lissana querendo me consolar.

Mas eu não quero ser consolada por ninguém, quero apenas chorar antes que eu exploda, dessa vez literalmente, com vísceras espalhadas para todos os lados e o cérebro em cima da cama e meu coração ao lado. Maya que me olhava não entendendo as caretas que eu estava fazendo.

— Vai para o inferno. — Minha voz estava nasalizada e abafada pelo colchão. Estou sem força para levantar até o pescoço.

— É a Mira. Lucy, abra a porta.

Bufo.

— Não quero falar com ninguém. — Gemi e choraminguei sentindo mais lágrimas surgirem. — Mira, pode ir embora, por favor?

— Lucy, eu não vou embora enquanto não falar com você, vamos! Estou esperando aqui na sala.

Bufei mais uma vez contra o colchão, me levantando da cama. Me olhei no pequeno espelho ao lado do meu guarda-roupa. Meu rosto está vermelho, meus olhos inchados e meu nariz dobrou de tamanho junto com minha cara toda. Saí pisando forte do quarto e encontrei Mira sentada no sofá junto com Lissana.

— Okay, o que aconteceu? — Elas me olharam com expressões assustadas.

— Toma. — Erza me entregou um copo de água, olhei para o líquido transparente meio desconfiada. — Não tem veneno, sua idiota.

— Eu não sou idiota. — Fiz um bico e tomei um gole da água.

— Lucy, porque seu rosto esta assim?

— Porque eu estava chorando. — Arqueei uma sobrancelha. — Sempre fica assim.

— Sua voz está esquisita. — Lissana continuou a falar.

— Eu sei, não preciso de alguém para me avisar.

— Sem mau humor, Lucy. — Mira me repreendeu, e eu revirei meus olhos. — O que aconteceu?

— Eu nasci. — Sorri. — Ou então meu pai nasceu, mas se ele não nascesse eu não nascia, então, as duas coisas.

O sorriso sarcástico se transformou em uma careta. Erza estava me observando minuciosamente, Lisanna estava segurando o riso e Mira me olhava perplexa.

— Sem sarcasmo, Lucy. — Conseguiu dizer.

— Estou falando sério. — Ergui as duas sobrancelhas. — Não estou sendo sarcástica.

— Percebi. — Ela revirou os olhos.

— Agora você está sendo sarcástica. — Apontei em sua direção me apoiando na parede gelada.

— Lucy, não mude de assunto. O que aconteceu? — Mira insistiu.

Carambolas. Pergunte ao meu precioso, maravilhoso, perfeito e esplêndido, "papai" ele vai lhe explicar. Certamente na versão dele, mas no momento estou pouco me lixando para o que ele diz ou deixa de dizer, para mim ele virou um estranho. — Me encostei na parede da sala com mais força e Mira suspirou.

— Lucy, sem ironias. Estou falando sério. — Ela ficou séria. — Estou preocupada com você. Disse que iria vir até a cabana se matar. — Olhei assustada e sorrindo em sua direção.

—... De tanto chorar. — Revirei meus olhos. E ela me encarou. — Eu disse que ia vir até a cabana "me matar de tanto chorar" não que eu fosse me matar, ninguém sabe o que significa força de expressão, não? Quem disse a você?

— Isso não importa. Eu soube e ponto final. Agora, não falaram o resto. — Ela ficou confusa. — Okay, mas o que aconteceu?

— Mira. Posso conversar sobre isso depois, por obséquio? Quero me distrair desse assunto. — Suspirei. — Só quero parar de chorar, bater minha cabeça no chão com força e desmaiar. Acordar na semana que vem e saber que, tudo isso, toda essa coisa de "sobrenaturais" "descendentes de anjos" "vampiros" etc, existem apenas nos livros e ficções, e que eu estava meio "maconhada" que eu "cheirei cola", ou coisa parecida, para sonhar com uma coisa tão absurda dessas. Até porque, eu não estou com vontade de expelir purpurina pelas mãos.

Bufei e Lisanna junto com Erza caíram dos assentos numa intensa gargalhada.

— Lucy, eu disse sem ironias. — Mira revirou os olhos e sorriu. — Sinceramente? Purpurina? Da onde você tira essas coisas? Lisanna e Erza, parem de rir.

— Sei lá, surge do nada na minha cabeça. — Dei nos ombros e me sentei no mesmo sofá que Mira. Lisanna e Erza estavam tentando se recuperar da recente crise de risos, seus olhos estavam lacrimejando. Qual é, não foi tão engraçado assim, foi? — Então, Mavis me falou um pouco sobre esses "poderes" sobrenaturais que eu posso ter. Sabia que eu posso ter asas?

— De certa forma, sim. — Mira ponderou.

— Espera, aquelas asas enormes, brancas? — Assenti na direção de Erza.

— Como na mitologia? — Lisanna estava com os olhos arregalados. — Que. Legal!

— Ela disse qual o seu tipo? — Mira me encarou.

— Não. Vamos ver isso amanhã...

[...]

Certo, eu não imaginava que conseguiria conversar um "i" com Erza. Mas descobri que ela pode ser bem agradável quando ela quer, e não só agradável, mas muito legal mesmo. Tipo, daquelas pessoas que você passa horas falando e não se cansa de conversar. Sinceramente? Ficar nesse lugar para malucos está me parecendo uma boa ideia agora.

— Certo, você toma sangue direto da pessoa? Ela vira vampiro também?

— Olha, eu nunca tomei direto da pessoa. Sempre fazemos uma espécie de transfusão, como quando você doa sangue. Mas tem alguns vampiros que tem o prazer de tomar sangue direto da pessoa e só se vira um vampiro se ele te morder. Sim, toda vez que um vampiro toma sua "bebida" direto da "fonte", a pessoa vira um vampiro também. — Ela suspirou.

Eu estava sentada na mesa da cozinha e Lissana estava de frente para o fogão fazendo macarronada com queijo. Eu sou um verdadeiro desastre quando se trata de cozinhar.

— E você, quem te mordeu?

— Eu não fui mordida, muitos dos vampiros nascem com o vírus, que é ativado depois que entra em contato com outros vampiros. — Ela deu nos ombros e isso atiçou ainda mais minha curiosidade.

— Você é imortal? — Meus olhos brilharam, essa é a primeira coisa que me vem a mente quando penso em vampiro. Sempre li romances sobrenaturais, principalmente vampirescos e sempre achei tão... Fascinante. Tenho tantas perguntas!

— Não. Isso é tudo obra de pessoas com imaginação demais. Vivemos mais que a maioria da população? Sim. Mas não somos imortais e muito menos brilhamos no sol. Vivemos em torno de 150 a 200 anos. Temos uns problemas com sol, mas basta um bom protetor solar e está tudo resolvido, esse negócio de imortalidade vampiresca é ridículo. Eu mesma conheço uma velhinha, ela é bruxa e deve ter pelo menos um 700 anos.

— Você sente frio? — Ela me olhou com confusão. — Quer dizer, você é toda fria, sente frio? — Ela não pareceu ofendida.

— Não. Me acostumei, mas no início eu só andava agasalhada devido a um frio crescente. — Ela suspirou. — Você gosta de fazer perguntas, ein?

— Sou um tanto curiosa. — Sorri animada, eu sou super-hiper-curiosa.

— Eu posso te fazer algumas perguntas?

— Eu também quero, você não me deu oportunidade. — Dei nos ombros quando Lisanna concordou com Erza.

— Eu primeiro. — Erza disse se endireitando na cadeira. — Você, estava sozinha na floresta com o Natsu. Não estava? — Me engasguei com o ar.

— Como?

— Como? — Lisanna repetiu a pergunta um tanto assustada.

— Tenho uma boa audição, antes de me "encontrar" com você, eu escutei uma briga entre você e ele. Coisa como "Me devolve, minha blusa" — Ela tentou imitar minha voz, Lisanna parou o que estava fazendo e se virou para nós.

— Bem... — Suspirei. — Depois que Lisanna desapareceu sem levar a toalha o senhor "unicórnio feliz" apareceu. Ele veio me perguntando o que estava fazendo, e coisas que só um verdadeiro asno é capaz de perguntar. Bem, ele pegou minha blusa e eu disse para me devolver, mas ele não fez, e ainda tentou me carbonizar! Vê se isso pode!? Mas o fogo não queimou.

— Caraca. — Erza respirou fundo. — Eu sabia que o Natsu era cabeça quente, mas não sabia que ele teria a capacidade de fazer isso, que absurdo. — Erza suspirou. — Da próxima vez que ele tentar te queimar grite por mim que eu vou chutar o traseiro dele.

Sorri.

— Pode deixar.

— Espera, não queimou? — Lisanna disse depois de alguns minutos. — Como assim não queimou?

— Sei lá, só sei que quando o vi estava tentando me queimar e o fogo se espalhou pelo meu braço. Então não queimou, nem deixou marca. — Ergui o braço direito.

— Que estranho. — Lisanna disse e Erza concordou.

— Sim, eu também achei. O mais estranho disso tudo é que minha marca de nascença estava vermelha e queimando, deve ser por isso. — Dei nos ombros. — Será que eu sou imune as magias dele?

— Provavelmente. — Elas ponderaram. Abri um enorme sorriso.

— Que interessante. — Minha voz saiu um tanto conspiradora.

[...]

O sol está se pondo no horizonte e eu estou tão... Desanimada.

Maya pôs a cabeça em minha perna, eu estava sentada nas escadas da varanda. De repente escutei a porta sendo aberta e então vi Lisanna saindo.

— Lucy, você já disse “eu te amo”, não em relação familiar e sim amorosa? — Arqueei minhas sobrancelhas.

— Não. — Ela me olhou surpresa. — Porque da pergunta?

— Não sei. Eu apenas fiquei nessa dúvida. — Ela sentou ao meu lado.

— Olha, está com problemas amorosos? — Seus olhos ficaram surpresos. — Eu nunca disse "Eu te amo" porque, pelos menos para mim, é uma coisa muito especial.

— Como assim?

— Eu li uma vez um poema ou uma citação assim: "Poucos sabem, mas a palavra ‘amor’ é derivada da palavra ‘morte’. Quando você diz a uma pessoa “eu te amo”, é como dizer: Eu morreria por você!" — Suspirei. — Eu nunca encontrei uma pessoa que merecesse que eu morresse por ela, então... Não. Nunca disse eu te amo. Por quê? A não ser nossos pais, ai é outra história.

— Eu fui burra. — Ela suspirou. — Eu disse uma vez, para uma pessoa...

— E...?

— E a pessoa nem me deu atenção.

— Quantos anos você tinha?

— 5 anos. — Quase caí na gargalhada.

— Lissana. — Minha voz saiu como um sermão. — Com cinco anos, se fala "eu te amo" até para uma flor.

— Eu gostava do Marcus. — Ela suspirou de novo.

— Não devemos dar apenas para uma pessoa. Olhe, eu acho que encontramos mais pessoas que deveríamos durante a vida. Mas uma é mais especial e essa pessoa dará a devida atenção ao "eu te amo".

— Entendo. — Ela refletiu. — Então eu posso dizer novamente?

— Claro. — Sorri. — Tem alguém em mente?

— Hum... Não. — Sua voz vacilou. — Quer dizer, quase.

— Tudo certo, se não quiser me falar agora, tudo bem. — Passei a mão na cabeça de Maya. — Não somos tão próximas. Sou bem compreensiva.

— Ele é lobisomem. — Ela disse e eu concordei. — Eu sinto que devo te contar.

— Conta. — Sorri.

— O nome dele é Rogue. — Ela pôs a mão no queixo pensando. — Ele é muito calado, nos conhecemos há um ano, mais ou menos.

— Hum.

— Ele nunca chegou a falar comigo direito, ele é muito tímido. — Ela sorriu e suas bochechas coraram. — Ele é muito lindo. Tanto na forma humana, quanto transformado.

— Imagino, você merece. — Seu sorriso me contagiou. E então ficamos em silêncio.

Eu me lembro do dia em que li essa frase e a transformei em meu lema de vida.

Quer dizer, eu tinha começado a namorar com ele e ele sempre disse que gostava muito de mim. Me lembro de estar sentada no sofá sem nada para faze,r conversando com a mulher que eu julgava ser minha amiga. Eu li num livro. Fiquei tão animada.

Poucos sabem, mas a palavra ‘amor’ é derivada da palavra ‘morte’. Quando você diz a uma pessoa “eu te amo”, é como dizer: Eu morreria por você!"

Que brega! Lembro ela dizer pelo telefone.

Não é brega nada, eu gosto. Eu disse e ela bufou.

Então quer dizer que se eu dizer "eu te amo" para alguém estou disposta a morrer pela pessoa?

... É. Suspirei. É verdade. Nunca devemos dizer isso por banalidades.

Eu disse isso para o menino do 1º ano e ele gostou, eu não estou disposta a morrer por ele. Ela gargalhou, sua risada fina provocou arrepios e eu apenas bufei”

Tínhamos pensamentos diferentes, conceitos completamente distintos. Não que eu não tentasse me aproximar verdadeiramente dela. Eu tentava. Mas ela se mostrava ser tão falsa comigo, que preferi não me manifestar verdadeiramente. E no fim das contas eu estava completamente correta quanto a ela, pois ela revelou-se ser "imperfeita"... Vamos dizer assim.

— Lucy, você já amou?

— Está perguntando demais! — Sorri. — Mais ou menos. Já gostei de uma pessoa. Mas esse assunto... Prefiro não comentar, okay? Talvez um dia eu fale, quem sabe?

Ela assentiu e eu me levantei. Erza disse que ia até uma cerimônia promovida pelos vampiros e voltava não muito tarde. Será que está cedo para dormir? Estou com uma dor sucinta nas costas, não sei se é coluna ou se bati em algum lugar, mas está começando a doer mesmo.

— Lis, eu vou me deitar, okay? Vai ficar bem sozinha?

Quando ela fez que sim coma cabeça eu entrei na cabana. Nossa, como está calor. Peguei uma das toalhas no guarda roupas e segui para o banheiro.

Depois de um banho frio, vesti a roupa íntima e uma camiseta larga com um short curto. Maya estava comendo em sua vasilha e quando terminou se deitou ao lado da cama. Pelo menos ela não cisma em dormir comigo, e isso é bom, já que tenho certeza que ela ocuparia a cama toda e eu teria que optar por dormir no chão.

Com um travesseiro entre meus braços fechei meus olhos. E deixei o sono e cansaço se apoderarem de mim.

[...]

Estou suando frio.

Acordei com os olhos arregalados, eu não estava conseguindo respirar. Olhei para o relógio de cabeceira e eram 02h00min da manhã. Minha garganta está em brasa, eu não consigo falar nem respirar. Senti minhas costas latejarem como ardentemente, como se minha pele estivesse entrando em erupção.

Caí da cama num baque surdo, não conseguia mover minhas pernas nem meus braços.

Puxei o ar, mas era como se milhares de facas extremamente amoladas atravessassem minha traquéia; Tentei gritar, mas minha voz estava fina e frágil.

— Socorro. — Meus olhos marejaram. Maya se aproximou de mim e tentou me erguer, falhando no processo. Ainda estava muito calor e eu estava suando devido ao esforço físico. — Socorro. — Ninguém poderia me ouvir. Comecei a me arrastar em direção a porta dando graças a Deus por ela estar encostada apenas. Ergui meu corpo me apoiando nas paredes.

Minhas pernas estão bambas e minha respiração está entrecortada. O ar parecia arder meu pulmão cada vez que eu respirava, então deixava isso para de vez em quando. Maya me cercava como se para impedir que eu caísse.

— Socorro. — Minha voz estava mais alta, porém ainda frágil. — Maya. — Ela me olhou com seus olhos chocolates. — Late! — Consegui pronunciar com num sussurro, ela pareceu não entender, porque inclinou a cabeça para a direta. — Late, querida! — Então um imponente latido ecoou pela cabana, seguido de outro. Sorri, ela sempre está cuidando de mim.

Escutei a porta de um dos quartos se abrir, enquanto meus pulmões se comprimiram ainda mais, meu corpo amoleceu e me senti caindo no chão num baque. Uma pessoa se aproximou de mim e encostou na minha testa.

— Erza! — Era Lisanna. A ruiva pareceu ter aparecido. — Temos que levar ela até a Mira, ela parou de respirar!

Sua voz estava em pânico. Meu corpo foi movido do chão e só então minha visão ficou turva e negra. E foi quando senti braços me segurando forte, braços gelados, talvez os de Erza. Minhas pálpebras ficaram pesadas e me senti parar de respirar por completo, comecei a ficar em pânico quando uma fina parte de ar invadiu meus pulmões, mas parecia que a cada vez que eu tentava era se agulhas penetrassem minha pele. Fechei meus olhos, cansada de tentar.

[...]

Meus pulmões latejaram. Ofeguei e percebi que ainda doía. Abri meus olhos rapidamente e dei de cara com uma pessoa me olhando. Pus a mão no peito, não consigo respirar.

— Droga. — Mira se pronunciou. Olhei em sua direção. — O que está acontecendo, Lucy? — Me virei para as pessoas no quarto e não consegui identificar nenhum dos rostos, mas tinham três.

— Ah. Ah. — Tentei falar, mas minha voz saiu entrecortada. Não ia conseguir falar, então pus a mão na garganta.

— Ela não está conseguindo falar. Meu Deus. — Ouvi uma voz dizer.

— Erza, corra vá até Mavis, ela deve saber o que está acontecendo. — Senti minhas costas arquearem. — Corre! — E então escutei passos. — Onde dói, Lucy? — Apontei para meu peito e para minhas costas.

Me concentrei por um momento na tarefa de respirar, mas acho que levou mais tempo que o necessário.

— Mira... O que está acontecendo? — Uma voz conhecida se pronunciou. Olhei para a porta e Mavis estava em pé no batente. — Lucy? — Ela se aproximou rapidamente da cama. — Consegue respirar? — Assenti negativamente. — Onde dói? — Apontei para meus pulmões e para minhas costas. Minha pele estava ardendo e latejando. — Menino, não olhe. — Olhei para o quarto de novo, e então concluí que tinha alguém do sexo oposto no quarto.

Mavis puxou minha blusa com certa violência, só escutei um barulho de algo sendo rasgado e então uma exclamação de espanto em todos.

— Mira, preciso de água quente! — A voz de Mavis estava calma, mas eu sentia o terror. — Querida, deite-se de costas. — Fiz o que me foi mandado, ainda estava suando. — Parece que você é uma de purificação.

Não entendi ao certo. Quando ela tocou minhas costas foi como se cravasse uma espada no local. Chorei de dor.

— Está machucando ela! — Uma voz masculina surgiu. Espera... É a voz do Sting?

— Não estou não. Se as asas crescerem para dentro, vai comprimir os órgãos e então ela vai morrer. — Ela suspirou. Chorei mais uma vez só que dessa vez saiu um soluço. Senti um pano com água quente em minhas costas, era como um relaxante, mas ainda era uma dor lasciva.

— Dói. — Minha voz saiu rouca. — Muito.

— Eu sei, querida. — Ouvi um suspiro. — Lisanna, tem poderes de cura? — A resposta não foi ouvida por mim. — Ótimo, tente amenizar a dor dela. Mas não cure exatamente, se curá-la completamente ela morre, entendeu? — Escutei um "não" — Ela pode ter uma parada cardíaca pela dor. — Mavis estava calma demais para o meu gosto, enquanto eu sentia um pânico crescente.

Uma mão quente tocou minhas costas e então a dor parou por alguns minutos. Mas ainda doía e doeu mais ainda quando a mão foi retirada.

— Ótimo, agora preciso de um... Bisturi. — Me contorci na cama e soltei um grito intenso. — Não se mexa, Lucy. Quero ajudar você.

— Não. Vai. Cortar. Nada. Saí. — Ofeguei. — Saí. Saí. — Só conseguia repetir isso.

— Tenho que tirar. — Mesmo com a dor me virei, meus olhos lacrimejaram.

— Tem nada. — Me virei para o quarto e constatei que Sting estava ali, assim como Erza, Lisanna e Mira. — Bisturi porcaria nenhuma.

— Você quer morrer? — Assenti negativamente. — Ótimo, deite de bruços e morda o travesseiro, que isso vai doer. — Mesmo a contra gosto, fiz o que ela mandou. Senti meus ossos se comprimirem, como se alguém estivesse sentado sobre mim. — Não grite. — E então uma dor abrasante tomou meus músculos.

— Acho que eu vou vomitar. — Pude escutar Lisanna dizendo, eu gritava contra o colchão. Dói demais.

Gritei mais uma vez. E então senti sangue escorrendo pelas minhas costas e ensopando o colchão.

— Achei. — E então algo foi puxado, aliviou a pressão em minhas costas, mas ainda doía para caraca. — Que lindas. — Ofeguei contra o colchão, não conseguia olhar.

Respirei fundo e suspirei novamente tentando controlar minha dor, senti alguma coisa envolvendo meu corpo, era macio, parecido com penas.

— Ótimo. Lisanna agora pode curar-la. — E então a dor passou. Completamente, meus olhos pesaram, mas a curiosidade me tomou e eu levantei os olhos.

— O que é isso? Saiu um alien de dentro de mim? — Mavis sorriu e apontou. Quando olhei me surpreendi quando vi asas brancas envolvendo minhas costas. Assim que as olhei, elas se moveram e se ergueram, era quase o dobro do meu tamanho e eu podia sentir o peso. — Meu Deus

— Nossa. — Lisanna disse.

— Caramba. — Erza estava sentada ao meu lado. Notei que eu estava deitada numa poça de sangue. Não consegui erguer meu copo porque essas porcarias pesam.

— Como os vampiros que são ativados por um vampiro que chega perto, com descendentes de purificação é a mesma coisa, a única diferença é que em vez de suas presas crescerem e você ter sede por sangue, sua asas aparecem. — Mavis sorriu e eu pressionei minha cabeça contra o colchão. — Não imaginava que ocorreria tão rápido. — Ela ponderou.

— Como eu escondo... Isso. Quer dizer, não posso chegar para minha mãe e falar que brotou um par de asas nas minhas costas, isso aqui não é João e o pé de feijão. — Revirei meus olhos. — Estou com sono.

— Durma. — Mavis ordenou.

— Está muito cansada, Lucy. — Dessa vez foi a voz de Mira. — Você está no meu quarto.

Senti meus olhos pesarem e então tudo ficou escuro por um momento, quando abri meus olhos eu estava numa cama com lençóis limpos e meu rosto estava afundado no colchão. Não havia ninguém no quarto, notei que Maya dormia calmamente ao pé da cama. Ainda estava de noite? Olhei para um relógio na parede e eram 6 da manhã.

Uma pessoa irrompeu a porta do quarto. Notei que era Mira acompanhada de Mavis.

— Bom dia, flor do dia. — Mavis cantarolou sorrindo. — Dormiu por três dias.

— Três dias? — Minha voz estava sonolenta. — Meu Deus.

— É comum para o processo de formação e cicatrização das suas asas. Á propósito, elas são lindas. — Olhei para trás e elas estavam lá, pomposas e brancas. Não pesavam a mesma coisa, pareciam ter diminuído pelo menos três vezes o peso.

— Oh. — Minha boca soltou algumas exclamações.

— Descobrimos que você é uma descendente de purificação, seu pai veio visitar-lhe. — Minha expressão ficou carrancuda.

— Eu perdi as aulas? — Quero apenas mudar de assunto.

— As aulas são só na semana que vem. Adiamos, alguns problemas com professores. — Mira sorriu tristemente. — A boa notícia é que você não perdeu nenhuma aula, sua mãe ligou duas vezes e eu disse que você estava participando de algumas atividades extracurriculares, como trilha. Olha, ela ficou feliz.

— Que ótimo. — Minha voz representava um puro sarcasmo. — Posso me levantar? — Elas assentiram. Assim que levantei desequilibrei um pouco. Mas me recusei a ceder e firmei meus pés no chão. Maya latiu para minhas asas, elas se mexiam de um lado para o outro. Elas se batiam e depois voltavam.

— Imagine elas voltando para dentro das suas costas, você sentirá um pequeno incômodo. — Apenas desejei que elas voltassem ao normal e então uma dormência tomou conta do meu corpo. Senti o peso entrar para minhas costas e aliviar o desequilíbrio gravitacional que eu estava sentindo.

— Lucy, vista essa blusa. — Mira me jogou uma regata, percebi que eu estava apenas de sutiã. Corei e vesti-me. Lembrei que Sting estava no quarto, na hora que Mavis rasgou minha blusa. Oh, meu Deus. Ele me viu de sutiã? Quase nua?

Deus meu! Meu rosto ficou quente.

— Acho melhor você ir até sua cabana tomar um banho e depois nós conversamos, okay? Seus poderes já estão parcialmente desenvolvidos por causa das asas. — Mavis me disse, com um sorriso caridoso. — Lisanna e Erza estão lá. Nos vemos perto do refeitório... — Assenti, ainda estou meio zonza.

Maya me acompanhou, sempre ao meu lado. Não sei ao certo onde é minha cabana, Maya estava me empurrando. Cheguei em frente á cabana 9ª. Acho que é essa a minha, não é?

Entrando dentro do cômodo me joguei no sofá. Não havia ninguém, e Maya se deitou no meio do sofá. Eu estou morrendo de sono, é como se alguns milhares de caminhões Tivessem passado por cima do meu corpo. Detalhe: Esses caminhões estavam carregados com alguns milhares de bigornas.

— Lucy! — Lisanna se pronunciou. — Você acordou!

— Não... Esse aqui é meu espírito de corpo presente. Acho que acordei sim. — Sorri.

— Que mau humor! — Ela fez careta. — Estava ficando preocupada com você! Faz três dias que você não acordava, estava uma pilha de nervos!

— Desculpe. — Sorri envergonhada. — Estou bem sim. Como está? Cadê a Erza?

— Estou bem. Erza foi para a sua "cerimônia matinal" — Ela fez careta. — Acho esse negócio de sangue nojento... — Ela sentou ao meu lado.

— Não acho. Sangue é uma coisa normal, todo ser humano tem sangue correndo nas veias e os vampiros necessitam dele para viver! — Revirei meus olhos.

— Isso mesmo. — Erza estava na porta.

— Mas continua sendo nojento.

— Eu não falo que lasanha é nojento.

— Porque lasanha é deliciosa. — Lisanna fez bico.

— Não é não. Tem gosto de pneu de caminhão queimado. — Arqueei minhas sobrancelhas.

— Claro que não. Sangue tem gosto de metal.

— Olha, vou te despedaçar. — Suspirei enquanto Erza atravessava a sala. — Tipo, um braço para um lado, cabeça e pernas para o outro.

— E eu faço com que nunca mais possa andar na sua vida.

— Não ousaria! — Erza praticamente rosnou.

— Claro que ousaria. Sua vampira chupadora de sangue.

— Com muito orgulho se quer saber.

— Eu estou com raiva de você.

— Não diga! — Erza revirou os olhos. — Quero nesse momento, te matar e não estou reclamando.

— Fala com a minha mão. — Lisanna ergueu a palma de sua mão na direção de Erza, que revirou os olhos mais dramaticamente do que antes.

— Que criança!

— Não sou criança.

— É sim.

— Não sou não.

— Parem de brigar! Que inferno! — Eu disse me levantando do sofá e seguindo até o banheiro, minha cabeça dói. Não quero saber de brigas. Não quero gritaria, quero paz e silêncio.

A água caia tranquilamente em minhas costas e eu sentia meus músculos relaxados. Maya estava dentro do banheiro deitada na porta. Sorri, ela não saí mesmo do meu lado.

Assim que saí do banheiro Lisanna e Erza ainda estavam discutindo.

— Lucy. — Erza parou de brigar. — Mira está organizando um sistema para que as pessoas possam se conhecer, ela quer que todas nós participemos. — Ela disse num sorriso de canto. Bufei e suspirei ao mesmo tempo, eu só queria dormir um pouco, não quero saber mais da vida de ninguém, a minha já está muito conturbada para eu ficar sabendo da dos outros... — Ela vai sortear duas pessoas para que, assim, possam se conhecer melhor e ter ciência da sua sobrenaturalidade. — Suspirei.

— Tudo bem. Onde?

— Eu vou daqui a pouco com a "senhorita leite azedo"; Se você quiser, pode vir conosco. — Lisanna resmungou algo como "imprestável." e eu sorri assentindo.

Seja o que Deus quiser.

** Continua... **

Notas finais
E então...? Espero que tenham gostado, de verdade. Agora... Posso surtar um pouquinho? AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH ~Grita que nem louca. Estávamos com 29 acompanhamentos; 9 comentários e 5 favoritos... Cara, pulamos desse tanto para exatamente: 44 acompanhamentos; 19 comentários e 6 favoritos... Pirei. Obrigada á você que está acompanhando, Você quem favoritou e você que é um lindo ou linda que comenta suas opiniões... Isso é muito importante para mim. Quando postei essa história achei que ninguém iria ler... Mas... Estou realmente muito realizada. Nos vemos nos comentários? Irei amar responder á todos! Próximo capítulo previsto para 23/12... Quero postar antes do natal... Mas não prometo nada... Então, se postar depois..: Feliz natal para vocês lindos e lindas do meu coração. Beijinhos, K.