Untouchable
1 Prólogo
Notas iniciais
- Lorde Hades – um de seus criados fez uma reverência – Lorde Hermes mandou que eu lhe entregasse essa carta.
O criado estendeu e Hades a pegou bruscamente.
- Saia. – Hades ordenou e o criado saiu fazendo mais uma reverência.
Hades sentou em seu trono e abriu o papel, curioso. Hermes não é de mandar cartas, ele pensou, geralmente, ele vem pessoalmente. Começou a ler atentamente a primeira frase.
Querido tio – ou Lorde Hades, como preferir –, venho por meio desta, fazer-lhe um pedido e peço que pense nele: peço que marque uma reunião. Eu e você, apenas. No lugar que desejar, tenho um assunto importantíssimo para tratar com você. Espero que entenda a urgência com que escrevo isso. Agradecido, Hermes.
Hades dobrou o papel, olhando eretamente para a frente, pensativo.
***
- Agradeço que tenha marcado essa reunião – Hermes disse logo após ter aparecido em uma fumaça branca que agora já se dissipava.
Hermes havia estado poucas vezes na Sala do Trono do Mundo Inferior e era realmente assustador. O trono se localizava no centro e as paredes eram de rocha negra. Havia fogo em vez de luz e duas tochas se localizavam aos lados do trono. Alguns ossos estavam jogados no chão e um cão infernal estava preso numa coleira, dormindo.
- Espero que seja realmente importante – bufou Hades – Estou realmente entulhado de obrigações. Não aguento mais ter que ouvir Zeus reclamar sobre como algumas pessoas têm morrido tão de repente. Como se ele fosse páreo para questionar o Deus da Morte! Por favor!
Hermes olhou o tio. Ele era extremamente pálido devido à falta de luz do Sol e seu cabelo negro era comprido, como sua barba. Hades respirou fundo, se recompondo.
- Sente-se, sobrinho – ele apontou para uma cadeira estrategicamente posta de frente para o seu trono, onde ele se sentou. – De que assunto vamos tratar?
- Eu sei que é contrário a todas as regras olimpianas, mas eu preciso lhe pedir algo – disse Hermes de uma vez.
Hades sorriu, incrédulo. Ele não estava pedindo algo para o Deus da Morte sem pretender dar nada em troca, estava?
- Mas fique tranquilo, eu tenho uma recompensa – Hermes viu seu tio mudar de posição em seu trono, um pouco mais interessado – Mas, antes, eu quero dizer o que quero.
- Então diga – Hades parecia impaciente.
- Quero que Luke, meu filho, possa ter mais uma chance e viver como qualquer outro semideus normal – disse Hermes e Hades engasgou com a própria saliva.
- Você quer O QUÊ? – Hades exclamou.
- Que Luke tenha mais uma chance – Hermes disse pausadamente.
- Você tem noção do que está me pedindo? – Hades estava pasmo – Por Zeus, você está louco! Seu filho está em ótima posição, ele está nos Campos Elíseos!
- Eu... eu sei, tio – disse Hermes – Mas, tente me entender: Luke morreu como um herói. Ele deu a própria vida para que o Olimpo fosse salvo e que Cronos fosse mandado para o fundo do Tártaro. No final das contas, ele entendeu que estava errado e deu sua vida para de desculpar. – Hermes suspirou ao ver o tio rir – Aliás, eu teria uma recompensa.
Hades o olhou minuciosamente. Recompensas?, Hades pensou, Eu gosto de recompensas.
- E que recompensa seria essa? – Hades perguntou tentando parecer o menos interessado possível.
- Eu tenho uma dívida com Afrodite. Eu a ajudei há um tempo com algo que tinha a ver com Zeus. Afrodite havia colocado uma ‘poção do desejo’ no vinho de Zeus a mando de Hera, mas ele descobriu e quis diminuir seus poderes divinos, como tirar seu poder como deusa do Amor. Foi quando eu o convenci a ser mais sensato, e ele realmente foi: apenas fez com que Afrodite ficasse sem os seus poderes por um mês. Afrodite disse que me retribuiria com qualquer desejo e a qualquer hora e eu estou disposto a usar essa dívida com você – explicou Hermes.
Hades pareceu pensativo. Levantou-se de seu trono e andou pela Sala. Ora coçava a cabeça, ora passava uma mão pelo rosto. A cena pareceu ter durado uma eternidade quando Hades voltou a sentar em seu trono.
- Eu aceito – ele disse por fim.
E foi quando Hermes sorriu, satisfeito.
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