Untouchable
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Ártemis parecia ter levado um soco no estômago. Olhava incrédula para Thalia.
– O quê? – Ela disse num fio de voz.
Thalia olhou para Luke e sorriu. Luke não poderia estar mais feliz.
– Em milênios, você é a terceira caçadora que renuncia. E o destino de uma delas não foi muito bom – disse Ártemis – A maioria delas têm medo da consequência.
– Eu não tenho medo da consequência – Thalia encarava Ártemis.
– Amanhã faremos o ritual – Ártemis se levantou – Na frente de todos – e saiu do escritório.
– Ritual? – Luke perguntou.
Thalia mordeu o lábio inferior.
– É – ela disse – A maioria das pessoas pensam que para renunciar à caçada é simplesmente dizer à Ártemis que você quer renunciar à caçada. Mas não é assim.
– E como é? – Ele perguntou novamente.
Quíron e Annabeth se entreolharam, provavelmente eles já sabiam como era.
– Dói – foi tudo o que Thalia disse.
Luke abriu a boca para protestar algo, mas logo Quíron o interrompeu.
– É melhor vocês irem dar continuidade nas suas atividades antes que o Sr. D perceba que vocês sumiram.
Luke e Thalia se levantaram, saindo do escritório de Quíron com Annabeth logo atrás.
– Como assim dói? – Luke perguntou.
– Doendo – Thalia riu.
– Eu estou falando sério – ele a parou, com as mãos em seus ombros. Luke estava sério, mas havia preocupação em seu rosto.
Annabeth resolveu deixá-los sozinhos.
– Dói, Luke! – Ela levantou as sobrancelhas – Eu não sei explicar. Eu só ouvi umas lendas.
– E que lendas eram essas?
– Lendas das outras únicas duas que renunciaram – os olhos azuis elétricos de Thalia estavam mais escuros – Uma delas sentiu tanta dor, que não aguentou.
– Foi isso o que Ártemis quis dizer quando o destino de uma delas não foi bom? – Luke perguntou.
– Foi – Thalia abaixou a cabeça.
Luke não sabia o que fazer, então simplesmente a abraçou. Mas não foi um abraço como antes, com culpa. Foi um abraço natural. Thalia envolveu seu tronco com seus braços e Luke os seus ombros, acariciando seu cabelo com uma mão.
Luke não queria dizer nada que fosse magoá-la, mas achou a escolha dela estúpida. Ela podia morrer! E se ela morresse seria tudo culpa dele!
E Luke não sabia o que faria se ela morresse. Ele teria voltado dos mortos à toa? A única coisa que o manteve com vontade de viver foi Thalia. Se ela morresse no ritual, Luke não saberia o que fazer.
– Você está bem? – Thalia perguntou, se separando.
Luke não respondeu. Ele não estava bem, mas não queria falar isso para ela, assim como não queria mentir dizendo que estava.
Thalia disse que ia se encontrar com as caçadoras para dar a notícia e Luke foi para a arena descontar um pouco tudo o que estava sentindo.
Luke estrangulava os bonecos com tanta força que alguns campistas que estavam treinando na arena saíram com medo. Eles não estava ligando, na verdade. Só queria entender porque Thalia fez aquela escolha.
Luke já tinha quase certeza do que sentia por Thalia, mas não fazia ideia do que ela sentia por ele. Essa era a dúvida mais constante na cabeça de Luke.
Depois de um tempo estrangulando os bonecos com sua espada, a trombeta soou ao fundo, indicando a hora do jantar. Luke nem percebeu que o tempo estava escurecendo.
Embainhou novamente a sua espada e passou o braço na testa, tirando um pouco do suor. Seguiu para o pavilhão e no caminho encontrou Amy.
– Fiquei sabendo o que está acontecendo – ela comentou – Não vou dizer que sinto muito, porque odeio que as pessoas sintam pena de mim.
– Obrigado – Luke agradeceu. Ele também odiava que as pessoas sentissem pena dele.
Perto da entrada do pavilhão, Luke se surpreendeu com uma cena. Thalia estava conversando com Nico, animada. Eles riam e Nico a entregou um pacote. Thalia pareceu agradecer e deu um abraço no filho de Hades, entrando no pavilhão logo em seguida. Nico desapareceu em uma sombra.
Luke e Amy se sentaram na mesa de Hermes próximos aos Stoll, que jogavam bolinhas de papel babadas com um canudo na mesa de Atena. Eles tiveram o azar de acertar uma na testa de Annabeth e tiveram que correr muito, pois agora uma filha de Atena com raiva estava correndo atrás deles.
Luke olhou para Percy sozinho na mesa de Poseidon. Se fosse ele, estaria se sentindo sozinho, mas Percy parecia animado, conversando com algumas pessoas das mesas ao lado. Nico não estava no pavilhão, o que deixou Luke estranhamente feliz.
Thalia tinha acabado de chegar e se sentou à mesa de Ártemis. Esse seria o seu último dia como caçadora, depois ela teria que se sentar à mesa de Zeus. Luke sorriu para Thalia, que retribuiu.
A mesa de Hermes foi a primeira a se levantar para ir até a fogueira.
– Acho melhor ela sair dessa viva – sussurrou Luke com a intenção de Hermes ouvir, jogando o seu melhor pedaço de frango.
Depois de conversar com Amy e de comer o seu jantar, todos se reuniram em volta da fogueira, cantando as típicas músicas do Acampamento e assando alguns marshmallows.
O Sr. D, como sempre, bebia uma garrafa de vinho e revirava os olhos a cada segundo. Quíron estava na sua forma de centauro e sorria. Thalia cantava junto com os filhos de Apolo, que eram os melhores. Por um minuto, Luke se esqueceu de suas preocupações.
Ele estava feliz, cantando, rindo e comendo marshmallows queimados, mas parecia que Zeus queria uma despedida. Ao fundo, Luke ouviu o sibilo de várias cobras. Ninguém parecia ter ouvido, pois continuavam a cantar. Luke olhou para trás, procurando de onde vinha o barulho.
Colocou as mãos em sua espada embainhada, preparado para erguê-la quando viu. A mulher tinha a pele esverdeada e seu cabelo era formado por várias cobras. Quando Luke percebeu que era a Medusa, desviou o olhar rapidamente de seu rosto.
Alguns campistas gritaram e correram, mas Quíron, Thalia e Annabeth ficaram atrás de Luke, que agora já estava de pé e com os olhos fixos na calda do monstro.
– Então é assim que isso acontece? – Luke ouviu Annabeth perguntar para Quíron.
– Infelizmente, sim – Quíron respondeu.
Com uma rapidez que Luke desconhecia, Medusa se posicionou atrás de Thalia. As cobras de seu cabelo davam pegadas mordidas em seu rosto.
– Então você renunciou – disse Medusa, passando as mãos pelo cabelo de Thalia.
Thalia estava imóvel, não adiantaria ela tentar ferir Medusa, ela não conseguiria. Luke não sabia o que fazer. Não sabia como atacar, pois ele poderia ferir Thalia.
– O que você fez o seu cabelo? – Medusa perguntou, pegando algumas mechas azuis em sua mão – Acho que eu prefiro ter minhas belas filhinhas a ter um cabelo desses – e ela puxou a mecha, fazendo a cabeça de Thalia ir para trás – Mas seria uma pena se você também não tivesse.
Antes que Medusa pudesse fazer qualquer coisa, Luke viu Thalia desembainhar uma faca em sua calça e delicadamente posicionar nas costas do monstro. Luke estava preparado para pegar Thalia caso ela fosse expelida, mas ela simplesmente enfiou a faca na Medusa e caiu de joelhos ao ver o pó dourado.
– Thalia! – Luke correu até ela e se abaixou a segurando.
– É claro! – Annabeth gritou, provavelmente entendendo o que tinha acabado de acontecer – Qualquer pessoa que não fosse Luke seria expelida se atacasse o monstro, mas você, Thalia, tem uma conexão muito forte com Luke. Você atacou por trás, sem que a Medusa percebesse, e isso a ajudou a conseguir detê-la!
Luke olhou para Thalia. Ela parecia bem, apenas fraca.
– Vamos, eu te levo para o chalé – Luke disse calmamente.
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