Untouchable
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Luke levou Thalia até o chalé, que parecia melhor. Os dois subiram até a varanda do chalé de Ártemis.
– Você tem certeza de que vai renunciar? – Luke perguntou.
– Tenho – ela deu um sorriso fraco – Não se preocupa.
– Você está me pedindo algo impossível, você sabe, não é? – Luke riu.
– Eu sei – Luke acariciou o rosto de Thalia com as costas da mão.
Thalia olhou para baixo, sentindo seu rosto corar levemente, o que fez Luke sorrir. Estava preocupado demais com o ritual que Ártemis falou, mas ao mesmo tempo estava feliz, pois agora poderia tê-la.
Na verdade, Luke não sabia se poderia tê-la. Não fazia ideia do que Thalia sentia por ele. Se ela só o considerava seu melhor amigo ou se apenas se sentia atraída. A única coisa que Luke acabou de ter certeza é que ele a amava.
***
Era segunda-feira, o dia que as caçadoras iriam embora. Bem, não mais. Agora Ártemis e as caçadoras tinham Thalia para se preocupar.
Luke tinha ouvido Ártemis conversando com Quíron e ela disse que o ritual seria feito à noite, depois do jantar. Quíron apenas assentiu receoso, Luke sabia que eles tinham o mesmo nível de preocupação.
No café da manhã, Luke se sentou na mesa de Hermes como sempre. Amy tentou tranquilizá-lo um pouco, mas nada que tivesse funcionado. Os Stoll haviam tentado fazer algumas piadas e pegadinhas com ele, mas Luke apenas ignorava.
Na verdade, Luke só se acalmou quando viu Thalia entrando no pavilhão. Eles se cumprimentaram com um sorriso.
Depois do café, Luke resolveu levar Thalia para a praia. O sol estava quente e os dois andavam próximos à água, de modo que às vezes ela alcançava seus pés.
– Como você está? – Luke perguntou.
– Bem – ela sorriu – De verdade.
Luke envolveu a cintura de Thalia com o seu braço. Ela não se afastou, apenas aceitou e também passou o seu braço na de Luke.
Ele não queria que esse momento acabasse nunca. Os dois estavam tranquilos e o silêncio estava confortável. A água não estava tão fria, o que também era confortável.
– Vamos apostar uma corrida até aquele coqueiro? – Thalia olhou para Luke.
– Você sabe que vai perder – Luke se desvencilhou de Thalia, correndo.
– Ei, isso não é justo! – Ele a ouviu gritar atrás de si e olhou para trás, vendo que Thalia agora corria.
Luke estava na frente, mas como era rápido demais, resolveu diminuir a velocidade para que Thalia pudesse alcançá-lo. Não que ele fosse deixá-la ganhar.
Quando Thalia o alcançou, ela o empurrou para o lado rindo, mas Luke conseguiu se reequilibrar e continuou a correr.
Thalia estava ligeiramente à sua frente e estava quase no coqueiro. Luke correu atrás de Thalia e a pegou pela cintura, virando-se na direção contrária e a colocando no chão para logo em seguida correr para o coqueiro e tocar nele.
– Ganhei! – Ele riu.
– Isso não vale! – Thalia cruzou os braços, emburrada.
– Você não disse que tinha regras!
– É claro, você nem sequer me deixou terminar de falar – ela fez bico.
Luke se aproximou de Thalia, colocando suas mãos em sua cintura fina. Thalia colocou suas mãos na nunca de Luke e eles encostaram suas testas. Luke sabia que ela ainda era uma caçadora e que se ele fizesse algo a mais ela recusaria.
Na verdade, Luke foi pego de surpresa quando Thalia se aproximou e encostou seus lábios, dando um longo selinho. A sensação de ter os lábios de Thalia nos seus causou arrepios em Luke e ele aproveitou o máximo que pôde antes que Thalia parasse.
– Desculpa – ela pediu, olhando para a areia.
Luke riu e a abraçou.
– Não precisa se desculpar – ele sussurrou, ainda a abraçando.
Ela sorriu.
– Tenho que ir – Thalia suspirou – Combinei com as caçadoras que ia passar a tarde com elas.
– Tudo bem – Luke deu um beijo em sua bochecha antes de vê-la correr de volta ao Acampamento.
Luke aproveitou a tarde para conversar com Amy. Às vezes, ela era a única que o entendia.
– Aconteceu alguma coisa? Vi Thalia correndo até o chalé de Ártemis – ela perguntou enquanto andavam.
– Ah, mais ou menos – Luke não conteve o sorriso.
Amy o encarou, também sorrindo.
– Não vai me dizer que...
– É – Luke riu.
– Amém! – Amy riu, empurrando Luke para o lado com o quadril.
– Mas e você e o filho de Apolo?
– Bem, nós temos conversado bastante.
– Bastante quanto? – Luke riu.
– Bastante – Amy riu junto.
Os dois andaram em silêncio por um tempo. Luke estava feliz por Amy, tudo o que mais queria é que a relação entre ela e Ryan desse certo.
– Preocupado com o que pode acontecer hoje à noite? – Amy perguntou.
– Com certeza – ele suspirou.
Amy passou os braços em volta dos ombros de Luke.
– Thalia é forte e ela te ama. Ela vai ficar bem.
Luke apenas assentiu com a cabeça.
Já estava escurecendo, o que lembrava Luke de que daqui a pouco era a hora do jantar e que na mesma hora seria a hora de decidir o destino de Thalia.
Luke tentava não demonstrar o quão apavorado estava, mas parecia estar estampado em sua testa. Todos que passavam por ele lhe lançavam sorrisos de “sinto muito” ou de “vai dar tudo certo”, mas ele sabia que não seria tão fácil.
A trombeta interrompeu seus pensamentos e em pouco tempo Luke já estava na mesa de Hermes.
Luke não conseguiu comer nada, mesmo com Amy insistindo a cada segundo. Luke apenas deu uma garfada em sua carne e bebeu o seu suco. Ele pôde perceber que na mesa de Ártemis, Thalia não estava diferente.
E, na verdade, era isso que o deixava mais nervoso, porque mesmo que Thalia não demonstrasse de forma alguma, ela estava muito mais nervosa que Luke.
O jantar passou rápido demais, o que deixou Luke chateado. Todos se reuniram na fogueira, mas dessa vez não para cantar, mas sim para presenciar o destino de Thalia.
Ártemis já estava de pé, próxima à fogueira. Quíron e o Sr. D estavam ao lado da deusa e as caçadoras estavam de pé do outro lado de Ártemis.
Todos os campistas se sentaram nos troncos posicionados em volta da fogueira, assim como Luke. Thalia estava sentada ao seu lado, mas ele sabia que ela não ficaria ali por muito tempo, então apenas segurou a sua mão.
– Queridos campistas – Ártemis disse – Vocês estão aqui para presenciar a renúncia de Thalia Grace à caçada.
Todos permaneceram em silêncio.
– Thalia? – Ártemis a olhou, pedindo que ela se levantasse e se posicionasse à sua frente.
Thalia obedeceu e Ártemis colocou uma mão sobre o seu ombro.
– Você tem certeza de que é isso que quer? – A deusa perguntou.
– Sim – Thalia não hesitou.
– Então eu quero que você repita algumas palavras comigo.
Thalia assentiu.
– Eu, Thalia Grace, filha de Zeus...
– Eu, Thalia Grace, filha de Zeus.
– Renuncio por minha própria vontade a minha imortalidade...
– Renuncio por minha própria vontade a minha imortalidade.
– Renuncio às minhas habilidades sob a luz da Lua...
– Renuncio às minhas habilidades sob a luz da Lua.
– E a todas as recompensas de uma caçadora de Ártemis...
– E a todas as recompensas de uma caçadora de Ártemis.
– Eu, Thalia Grace, não sou mais uma caçadora de Ártemis...
– Eu, Thalia Grace, não sou mais uma caçadora de Ártemis.
Ao final da pronúncia de Thalia, uma luz prateada envolveu todo o seu corpo, fazendo-a levitar dentro da luz. A luz parecia esmagar Thalia, fazendo movimentos de torção e a apertando. Não demorou muito até um grito de Thalia ecoar pelo Acampamento.
Thalia caiu deitada no chão. Ela estava visivelmente inconsciente e parecia estar mais velha. Ela estava em sua idade normal, dezenove.
Luke correu até ela, e pegou sua mão. Thalia estava pálida e seu corpo estava mole. Olhou para Quíron em busca de ajuda. Ártemis não estava mais lá, assim como as caçadoras.
Os filhos de Apolo foram rápidos, colocando o corpo de Thalia sobre uma maca e a levando às pressas até a enfermaria, onde proibiram qualquer um que não fosse filho de Apolo de entrar.
A única coisa que Luke podia fazer agora era rezar aos deuses pela vida de Thalia.
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