Untouchable
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Luke olhou para Thalia. Ela parecia à beira do desespero. Estava encostada na poltrona, as mãos no rosto e paralisada demais para conseguir chorar. Annabeth tinha ido até ela e dizia coisas em seu ouvido que pareciam acalmá-la.
Luke olhou para Quíron.
– Venha aqui – Quíron apontou para a cadeira que Annabeth estava sentada.
Luke se sentou e olhou para Thalia. Droga, era tudo culpa dele.
– Não pense que é o culpado – disse Quíron – Porque os culpados de toda essa história são os próprios deuses.
Luke assentiu, incapaz de falar qualquer coisa.
– Depois da sua morte, foi difícil para Thalia – ele continuou – Ela pediu um tempo para Ártemis e ficou aqui no Acampamento. Ela passava a maioria do tempo sozinha, pensando. E então, de repente, você está aqui. Ela surtou. Não sabia o que fazer. Era forte demais para saber que tinha que ficar longe de você, mas fraca demais para conseguir fazer isso. E eu sei que você sente o mesmo.
Luke levantou o olhar para Thalia novamente. Ela estava mais calma e Annabeth estava sentada na poltrona de Luke, segurando suas mãos e ainda dizendo algumas palavras.
No canto de seu olho esquerdo, escorreu a primeira e tímida lágrima, que logo foi secada por suas mãos.
– Eu não queria que tivesse sido assim – Luke disse.
– Eu sei que não – Quíron deu um sorriso fraco – Mas agora a decisão está nas mãos de Thalia.
Quíron deu um tempo para Thalia pensar e ela pediu que Annabeth fosse junto com ela. Para Luke, Quíron deixou que ele ficasse em seu chalé, que a essa hora estaria vazio.
Luke andou pelo Acampamento lentamente a caminho do chalé. Guardou cada detalhe em sua mente caso Thalia se negasse. Ele não a culpava, de modo algum. Só queria que ela estivesse bem com qualquer que fosse a escolha dela.
Observou os sátiros colhendo morangos, alguns campistas desajeitados na parede de escalada, filhos de Ares lutando ferozmente na arena e o pinheiro. O velocino brilhava fortemente e o dragão estava deitado.
Ao chegar à porta do chalé, a abriu lentamente. O chalé estava completamente vazio, o que o fez agradecer mentalmente.
Caminhou até a sua cama e se deitou lá, encarando o teto.
Eu não queria que isso acontecesse, ele pensou, não mesmo. Poderia ter sido tudo tão mais fácil... eu poderia ainda estar morto, todos já tinham se acostumado. Então de repente eu volto. E nem eu mesmo sei exatamente como ou por quê. Foi completamente torturante ver Thalia daquele jeito. Eu sei que não é culpa minha, mas eu me sinto culpado.
Thalia deve saber o que fazer, afinal, ela está com Annabeth. Annabeth é uma filha de Atena, eles sempre sabem o que fazer.
Me desculpe, disse uma voz conhecida em sua mente, eu não queria fazê-lo passar por isso.
Mas já que fez, podia resolver, Luke pensou impaciente.
A voz não respondeu, como nas outras vezes, o que deixava Luke realmente irritado. E dessa vez, irritado demais para não conseguir pensar a mais nada.
Luke apenas fechou os olhos lentamente. Talvez dormir o ajudasse um pouco agora.
***
– Luke? – Alguém o chamava.
Ele abriu os olhos e se deparou com olhos cinza o encarando.
– Annabeth? – Ele se levantou.
– Sim, você dormiu por umas três horas, tempo suficiente para Thalia tomar sua decisão.
Luke entreabriu os lábios, mas logo os fechou. Annabeth percebeu sua preocupação, porque logo se antecipou.
– Thalia não quis me dizer sua escolha, mas eu sei que seja qual tenha sido, vai ser a mais sábia – ela disse com uma mão no ombro de Luke – Eu confio nela, e você também devia confiar. Agora vamos, ela e Quíron já estão esperando.
Luke seguiu Annabeth nunca lenta caminhada até o já conhecido escritório de Quíron. Antes de abrir a porta, Annabeth olhou para Luke, que assentiu. A loira abriu a porta e Luke entrou depois dela, se surpreendendo com a presença de Ártemis.
Estava como sempre, o cabelo castanho caia em ondas sobre o vestido grego. Uma fita de prata marcava sua cintura e em sua cabeça havia uma tiara da mesma cor. Tinha um ar superior e lançou um olhar de desdém para Luke.
Havia mais uma poltrona ao lado das duas que Luke e Thalia tinham se sentado mais cedo a qual Ártemis se ocupou. Luke se sentou na do centro e olhou para Thalia sentada ao seu outro lado.
Eles se olharam por um tempo, tempo suficiente para Luke conseguir decifrar a escolha de Thalia.
– Agradeço pela presença de todos, principalmente a sua, lady Ártemis – Quíron fez uma leve reverência – Mas agora temos decisões importantes a tomar.
Todos assentiram ao mesmo tempo.
– Alguém deseja falar algo antes da decisão? – Quíron perguntou.
– Eu desejo – Ártemis disse.
Luke e Thalia a olharam atentamente.
– Quero dizer que se você, Thalia, fizer a decisão de abandonar a caçada, eu estarei completamente decepcionada com você – ela disse olhando Thalia nos olhos.
– Eu tenho certeza que a minha decisão vai ser a mais sábia possível – Thalia respondeu, ainda olhando para Ártemis.
Ártemis assentiu e voltou a olhar para Quíron. Quíron direcionou o olhar para Thalia.
– Quando estiver pronta – ele disse.
Thalia suspirou.
– Eu nunca pensei que você fosse voltar, Luke. Nunca. Quando eu vi você na mesa de Hermes ao chegar no Acampamento, foi como uma facada. Eu não fazia ideia de como reagir ou do que falar. Eu me senti perdida. Eu conversei com Quíron, e nem ele fazia ideia de como você tinha vindo parar aqui. De como você tinha conseguido sair do Mundo Inferior, ou se você não tinha fugido. Tentei ao máximo me manter afastada de você, mas você sempre dava um jeito de vir falar comigo ou de fazer com que eu fosse falar com você.
Ela se ajeitou na poltrona, colocando uma mecha azul atrás da orelha.
– Eu não faço ideia de como esse sentimento estranho surgiu em mim ou se ele realmente nunca tinha ido embora, mas você mexe comigo.Mas eu sou uma caçadora, eu não posso sentir isso!
Thalia fechou os olhos e respirou fundo. Ao abri-los novamente, olhou diretamente para Ártemis.
– E talvez agora eu possa, porque a minha escolha é que eu renuncio à caçada.
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