Untouchable
4 Capítulo 03
Luke acordou com o forte som de uma trombeta. Abriu os olhos lentamente, sentando-se na cama e olhando o chalé: todos faziam o mesmo. Amy era a única que parecia acordada há mais tempo e logo foi até Luke.
– Bom dia – ela sorriu, lhe entregando uma toalha e outra camisa do Acampamento – Os banheiros são logo depois dos chalés – ela apontou para o norte – Você pode ir tomar o seu banho.
– Obrigado – Luke agradeceu, pegando a toalha e a camisa, descendo da cama e indo para o banheiro com a sua mochila.
Luke tentou não demorar muito no banho, devido à quantidade de pessoas que deveriam querer tomar banho. Olhou-se no espelho. Parecia bem menos cansado. Passou a mão no cabelo, o ajeitando. Vestiu a camisa e a calça jeans e tênis que já estava usando. Saiu do banheiro e viu que Amy o esperava.
– Vamos tomar o café da manhã – ela sorriu – E, ah, é melhor que pegue a sua espada, talvez precisemos usá-la – Luke voltou no chalé e embainhou a sua espada e eles foram para o pavilhão.
O Acampamento parecia bem mais bonito de manhã. Havia vários campistas saindo de seus chalés e eram todos muito diferentes. Do chalé rosa saiam principalmente meninas e elas eram incrivelmente bonitas e bem arrumadas. Do dourado saíram pessoas descoladas e bronzeadas, com arcos e flechas nas costas. De um chalé que havia uma coruja estampada na porta, saiam campistas que mais pareciam nerds e eram de maioria loiros.
Havia um homem com uma camisa havaiana e uma garrafa de vinho na mão gritando com alguns campistas.
– Esse é o Sr. D, ele é o diretor do Acampamento – Amy disse.
– Ele parece bêbado – Luke comentou.
– Ele sempre está bêbado – Amy riu.
Enquanto andavam, Amy dizia de que deus era cada chalé, o que facilitou para Luke entender as personalidades diferentes.
– Esse é o pavilhão de jantar – disse Amy apontando para um lugar com muitas mesas concentradas. As mesas eram cobertas por toalhas brancas de franjas roxas – Cada chalé tem a sua mesa e é proibido se sentar na mesa de outro chalé – ela deu ênfase no ‘proibido’.
Amy o guiou para a mesa de Hermes, onde eles sentaram lado a lado. Havia um prato vazio na frente de Luke.
– Você só precisa pensar no que quer comer – ela sorriu e Luke pensou em panquecas com mel, que apareceram na hora em seu prato.
– Incrível – ele riu.
Agora, mais do que na noite passada, as pessoas o encaravam. Luke tentou ignorar enquanto comia e observava mais o Acampamento e ele notou uma fogueira no centro do pavilhão.
– O que é aquela fogueira? – Luke perguntou para Amy depois de uma garfada de sua panqueca.
– Ah, ela é acesa apenas nos jantares – ela explicou – Cada chalé se reveza subindo para o fogo e jogando uma parte de sua melhor comida como uma oferta para os deuses. Héstia, que é também deusa do lar, recebe uma porção de cada oferta.
– Interessante – ele disse entre garfadas. Ele estava realmente com fome.
Luke viu Quíron acenar para ele enquanto se posicionava em um lugar em que todos pudessem vê-lo.
– Semideuses – ele disse em um tom alto, chamando a atenção de todos – Primeiramente, bom dia a todos. A primeira coisa que quero falar é que Luke Castellan está de volta – ele deu uma pausa para que as pessoas pudessem reagir, e a maioria delas cochichava com alguma outra pessoa – Não será possível revelar como e por que isso aconteceu agora, mas apenas lhe deem as boas-vindas. O segundo aviso, é que Ártemis e suas caçadoras virão passar uma temporada no Acampamento. Ártemis dará palestras às meninas (e são obrigatórias!) – Quíron deu ênfase no ‘obrigatórias’, fazendo as filhas de Afrodite revirarem os olhos – E para os meninos, é melhor que deixem as caçadoras em paz. Elas chegam no jantar – Quíron acenou com a cabeça e se retirou.
– Caçadoras? — Luke olhou para Amy.
– Elas são as companheiras de Ártemis – disse Amy – Uma vez que juram lealdade à Ártemis, a deusa da Lua e da caça, tornam-se imortais, a menos que caiam em batalha (o que é praticamente impossível) ou que quebrem seu voto de renunciar ao amor romântico para sempre, de nunca crescer, nunca se casar – Amy deu uma golada em seu suco – Toda uma coisa de “donzelas para sempre” – ela riu.
– Deve ser realmente estranho – Luke riu junto.
– Uma delas é a única filha de Zeus – ela disse – Deve ter sido uma decepção para o pai dela.
– Filha de Zeus? – Ele perguntou, como se algo em sua mente soubesse de alguma coisa sobre isso, mas ele não conseguia se lembrar.
– É, Thalia – ela disse o seu nome, o que fez o coração de Luke parar por um segundo.
– Thalia... – ele pensou no nome.
Amy o olhava, atenta.
– Você a conhece? – Ela perguntou.
– Não sei... – Luke foi sincero.
Amy apenas ergueu uma sobrancelha, terminando sua refeição.
Logo ela e Luke estavam andando pelo Acampamento e ela lhe mostrava tudo. Passaram pela enfermaria, pelos estábulos onde ficavam os pegasus, o arsenal de armas e a forja onde os filhos de Hefesto trabalham. Mas os dois pararam na arena, onde vários campistas treinavam esgrima.
– Dizem que você era – ela parou por um tempo – Desculpe, é – ela mudou a conjunção do verbo – o melhor esgrimista de todo o Acampamento.
– Sério? – Luke parecia realmente incrédulo.
– Vamos ver se você é mesmo – ela desembainhou a sua espada e Luke fez o mesmo.
Eles ergueram a espada um para o outro e Amy foi a primeira a atacar. Luke segurou sua espada com a sua própria, levantando-a e correu para trás de Amy, fazendo sua espada cair no chão e a sua ficar em seu pescoço.
– Ok – Amy parecia assustada – Você é realmente bom.
– Obrigado – Luke a livrou, e ela pegou sua espada do chão.
– Ainda bem que você voltou, porque quando as caçadoras nos visitam, nós jogamos Caça à Bandeira – ela disse – São as caçadoras contra os campistas que quiserem participar. E elas têm ganhado 56 vezes seguidas.
Amy lhe explicou como a Caça à Bandeira funcionava. O Acampamento era dividido em dois grupos e os dois grupos tinham as suas bandeiras. Quem conseguisse pegar a bandeira do outro grupo e passar pela linha que divide os campos primeiro, ganhava.
– Eu duvido que dessa vez elas ganhem – Luke sorriu.
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