Untouchable
5 Capítulo 04
Depois de treinar um pouco de esgrima com Amy – ganhando sempre – Luke viu Quíron se aproximar e chamá-lo para conversar.
– Pelo visto Amy já lhe mostrou todo o Acampamento – Quíron disse enquanto andavam.
– Bom, parte – disse Luke – Ela ainda disse que tem que me mostrar o riacho e a parede de escalada.
– Eu te mostraria agora, mas preciso ter uma conversa com você – Quíron olhava ao longe.
Luke assentiu, enquanto Quíron abria a boca para falar.
– Eu realmente não faço ideia de como você ressuscitou – ele começou – Hermes apenas me contatou que você voltaria. Mas você está aqui, e você tem direito de saber do seu passado, já que voltou sem a sua memória.
Quíron parou um pouco, para ver a reação de Luke, que foi apenas balançar a cabeça para que Quíron prosseguisse.
– Você tinha se revoltado contra os deuses. Achava horrível a ideia de alguns dos deuses deixarem seus filhos pelo mundo, sem reclamá-los, podendo ser atacados por monstros a qualquer minuto. Odiava o fato dos deuses serem tão descuidados com os filhos. Mas foi quando você ganhou essa cicatriz que você realmente despertou um grande ódio pelos deuses. Você tinha falhado na missão e a falta de consideração de Hermes por você ter pelo menos sobrevivido o deixou com muito ódio. E foi quando Cronos, o titã que quase destruiu o mundo, o escolheu como aliado e hospedeiro. Você aceitou, mas quando percebeu que tinha feito uma burrada, sabia que o único jeito de reverter a situação era se matando, que foi o que você fez, já que você tinha a maldição de Aquiles e era o único que sabia o seu ponto fraco.
Luke parou. Ele não tinha feito aquilo, tinha? Sabia que tinha. Era por isso que as pessoas o olhavam de um jeito tão estranho. Algumas ainda o culpavam. Luke se sentiu um lixo enquanto conversava com Quíron. Mas ele mudou, certo? Ele havia percebido que era um erro, ele mudou.
– Não se culpe – Quíron pareceu ler a sua mente – Você não é mais aquele Luke e tudo isso já acabou.
– Eu vou tentar – disse Luke.
Quando Luke encontrou Amy novamente, Quíron disse que tinha que ir para a Casa Grande resolver algumas coisas.
– Conversaram muito? – Amy perguntou.
– Mais ou menos – Luke respondeu – Ele só me contou do meu passado obscuro.
Amy abriu a boca, formando um “ah”.
– Você não está se culpando, está?
Luke deu de ombros.
– Parte de mim sim, mas outra parte não – ele suspirou.
– Então fique com a parte que não – Amy sorriu.
Logo os dois ouviram a trombeta novamente, indicando que era a hora do almoço. Luke mal percebera o tempo passar.
O almoço correu normalmente – talvez não tão normal assim – como o café da manhã. Logo Amy já estava mostrando o riacho, que dividia a floresta em dois. Amy disse que era ali que a Caça à Bandeira era jogada. A parede de escalada ficava mais distante, mas era enorme e amedrontadora. Havia lava escorrendo por ela e alguns campistas tentavam escalá-la.
Amy e Luke ficaram andando pelo Acampamento e quando estavam próximo à Casa Grande, Luke pôde ver os filhos de Apolo jogando vôlei na quadra.
– Os filhos de Apolo são bem atléticos – Luke comentou.
– São sim – e Amy parecia ter os olhos fixos em um dos filhos de Apolo que tinha o cabelo loiro escuro, olhos azuis e o corpo bronzeado musculoso.
Luke revirou os olhos, o que fez Amy rir.
– Aposto que nunca esteve apaixonado – ela riu.
Luke pensou. Talvez fosse verdade. Mas algo lhe dizia que não era. Que já amou uma garota e que provavelmente ainda amaria se tivesse sua memória.
– Você está pensativo demais – Amy notou – No que está pensando?
– Estava pensando sobre isso – ele disse – Eu não sei se já me apaixonei ou não – ele suspirou – Queria a minha memória.
Amy não o olhou, provavelmente imaginando o quão difícil devia ser para Luke.
– Se a sua memória não voltar, eu tenho certeza de que você vai conseguir se lembrar das coisas mais importantes – Amy tentou o reconfortar, o que funcionou um pouco.
– Talvez – ele ainda observava os filhos de Apolo jogaram.
– Vem – Amy o pegou pelo braço – Vamos ver o lago de canoagem.
Amy levou Luke para um grande lago verde, onde alguns campistas treinavam em suas canoas. Havia uma dupla atrapalhada, o que fez Luke rir.
– São Connor e Travis Stoll – Amy sorriu – Nossos meios-irmãos.
Eles acenaram para Amy e Luke e os dois acenaram de volta.
– Eles são umas pestes – Amy riu.
– Imagino – Luke sorriu.
– O que quer fazer agora? – Amy perguntou.
– Eu não faço a menor ideia – Luke deu de ombros.
– As caçadoras devem chegar daqui a pouco – Amy disse – Já está quase na hora do jantar.
– E como são as caçadoras?
– Elas são bem competitivas – Amy explicou – Elas não costumam perder e é bom você nem se aproximar delas, já que não é uma menina.
– E em que chalé elas ficam?
– No de Ártemis, o 8. Aquele prateado com desenhos de lanças e animais – disse Amy – Uma vez elas colocaram fogo nele, disseram que foi um desespero.
– Nossa, elas são violentas – Luke riu.
– Oh, são – Amy riu junto.
E logo ouviram a trombeta novamente.
Luke seguiu Amy até o pavilhão de jantar, onde se sentou à mesa do chalé 11. Luke pensou em um belo bife frito e batatas fritas. A fogueira estava acesa e os campistas começavam a chegar, desejando seus jantares e se revezando para ir até a fogueira. Na hora do chalé de Hermes, Amy foi na frente de Luke e Luke jogou o seu melhor pedaço de bife, que queimou em uma fumaça roxa.
Luke e Amy voltaram para a mesa, onde comeram tranquilamente. Os olhares já não estavam mais tanto em Luke, o que ele achou bom.
Quíron apareceu e chamou a atenção de todos.
– Quero avisar que Ártemis e as caçadoras já estão no Acampamento – ele disse – Deem as boas-vindas a elas!
Quando Quíron terminou de falar, uma mulher incrivelmente bonita entrou no pavilhão vestindo um daqueles vestidos gregos brancos com uma fita de prata em sua cintura. Seu cabelo era castanho e ondulado e ela carregava um arco e flecha prateado. Atrás dela, estavam as caçadoras. Todas tinham a postura incrivelmente correta e lançavam olhares superiores. Elas vestiam roupas de caça e tinham arcos e flechas nas mãos, com a exceção de uma, que carregava uma lança prateada. Foi quando Luke percebeu que ela o olhava. Ela tinha o cabelo preto com algumas mexas azuis e seus olhos eram de azuis elétricos. Luke a conhecia, ele sabia que a conhecia. A menina aparentava quinze anos de idade e o olhava assustada, talvez incrédula.
– Essa é Thalia – disse Amy, vendo que Luke a olhava – A filha de Zeus.
Luke não conseguiu dizer nada, vidrado por Thalia.
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