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1 I open my eyes


Notas iniciais
1º capítulo, espero que gostem.
Gostaria que vocês se imaginassem sendo a Sara, estando no lugar dela.

Convivo com o HIV à 10 anos, muitos acharam que eu não iria ao menos chegar aos 20, mas já estou quase nos 30.

Meus pais me expulsaram de casa assim que souberam que eu estava com essa doença, ficaram com medo de contraí-la convivendo comigo.

Já meus avós me aceitaram de braços abertos na casa deles, onde vivo até hoje.

- Bom Sara, de acordos com seus exames o resfriado já se curou completamente e você pode voltar para casa quando quiser.

- Ai que bom Doutor Sérgio, não aguentava mais ficar deitada o dia inteiro. Eu disse sorridente.

- Seus avós vem buscar você?

- Não, eles estão viajando, vou sozinha mesmo.

- Quer que eu peça alguém da clínica para levar você?

- Ei, eu já melhorei, estou ótima, chamo um táxi, obrigada.

É sempre assim, é só eu ficar resfriada que tenho que tomar chá de cama na clínica do doutor Sérgio, mas não posso dizer que é de todo ruim, todas as pessoas que trabalham aqui são maravilhosas.

Quando cheguei em casa, tinha um bilhete dos meus avós em cima da escrivaninha

\'\'Sara meu anjo, desculpe por não podemos estar em casa para te recepcionar, voltamos no próximo final de semana.

Deixamos tudo o que você precisa ai.

Não faça grandes esforços, te amamos.

Miriam e Paulo.\'\'

Meus avós são as pessoas mais doces que eu conheço, sempre me trataram muito bem, até demais eu diria, mas não posse negar, adoro ser paparicada por eles, me sinto tão querida, tão amada.

Fui preparar um lanche para mim, estava cansada, mas morta de fome. Fiz batatas fritas, com bastante ketchup, saudades de comer minha comida preferida.

Comi e fui dormir, já eram quase 11 da noite, incrível como a hora aqui passa voando.

A casa dos meus avós fica dentro de uma chácara bem grande afastada da cidade. Isso aqui me passa um clima tão bom, clima de tranquilidade, de paz. Aqui tem vários animais de estimação, mas meus preferidos são os pássaros, tem um viveiro incrível aqui, passos horas lá, quando estou lá é como se eu tivesse asas como eles.

Meus irmãos vem aqui quase todo final de semana, Kelly e Matheus também adoram aqui, eles são gêmeos e tem 16 anos.

Meus pais só veem quando eu não estou, eles ainda não entendem que AIDS não é tão facíl de se pegar como uma gripe seria engraçado se não fosse triste.

Trabalhar ajudando pessoas como eu foi essencial para me aceitar e aceitar as limitações e falhas dos outros também.

Ajudo meus avós aqui na chácara durante 3 dias da semana e trabalho na clínica do doutor Sérgio com pacientes em estado paliativo da AIDS nos outros 2 dias.

Contraí o HIV à 10 anos atrás do meu ex namorado, Breno, iríamos nos casar, nem ele mesmo sabia que tinha AIDS, quando ele descobriu, já estava morrendo.

Demorei muito para aceitar que eu sou soro positivo e que eu tenho que me tratar. Hoje convivo normalmente com isso, sei que sou uma entre milhões de pessoas no mundo que sofre com isso.

Acordei bem cedinho para preparar o café para meus avós, eles chegam hoje da viajem que estavam fazendo para a terra natal deles.

Fiz torradas, panquecas, bolo de chocolate que eu avô adora, café com leite bem quentinho e pães.

Notas finais
O que acharam?
Deixem reviews.