Until the very great end

22 You're my end and my beginning


Notas iniciais
Músicas: Home - Philip Philips All Of Me - John Legend

Todas vezes que Augusto tinha ido para a casa do casal, ele tinha dormido na sala, o colchão era grande o suficiente, mas Henrique sabia que uma cama era melhor, por isso sugeriu que o menino passasse a primeira noite na cama de Leonardo. Izabelly não falou muita coisa a favor, mas também não falou nada contra. Ela foi imparcial, deixando Henrique com as rédeas da situação, porque ela achava que se ouvisse o nome de Leo mais uma vez, era capaz de deixar sua saudade escorrer pelos seus olhos em lágrimas. E toda vez que Henrique percebia a situação mais a fundo, ele tinha certeza de que Izabelly tinha sido o seu começo. Ele começou a viver com ela, por ela, e junto dela. Era tão louco pensar na situação como um todo, que em alguns momentos, ele até mesmo se esquecia de respirar. Ela era o seu começo e o seu fim. Mesmo quando estava perdendo, estava ganhando, e ele era tão, mas tão fodidamente sortudo por isso, que todos os dias agradecia a todos os santos e não santos, por isso. Aos ventos, a quem quer que fosse.

O dia do festival de outono chegou e Augusto se arrumou como um príncipe. Ele vestia um terno que ele mesmo havia escolhido na loja, e não largou o seu Panda nem por um minuto. Algumas pessoas, na orquestra, acharam estranho a criança estar carregando uma pelúcia, mas ninguém se incomodou a ponto de falar algo. Até porque, crianças e brinquedos são coisas que normalmente se conectam.

— Como está se sentindo?— Henrique perguntou. Augusto estava tomando banho, se preparando para sair. Izabelly já estava pronta. Ela vestia um terninho feminino, e uma maquiagem que realçava seus olhos e um batom vermelho que fazia sua pele esbranquecer. Ela estava linda. Ela sempre estava.. E Henrique era sortudo, sortudo pra caralho.

— Ótima. — Por incrível que pareça, não havia soado como uma mentira. Izabelly era confiante. Pelo menos, no que fazia quando estava com seus instrumentos em mãos. Ela podia estar uma bagunça por fora, mas se tivesse música, de alguma forma, sua vida entraria no eixo em questões de segundos. Ela nunca se deixaria a submeter a uma loucura total, enquanto pudesse ser capaz de ouvir o que tanto amava:

O som suave do seu instrumento favorito.

Além de Henrique, claro, a música tinha sido um grande fator de não tê-la deixado sucumbir pela dor. Ajudou mais do que qualquer antidepressivo ajudaria. E por falar neles, tinha se surpreendido ao ver que desde que perdera uma grande parte de seu coração, ela não tinha sido receitada com nenhum remédio de tarja preta. Tinha sido sempre Henrique, música, e uma leve vontade de continuar.

— Estou vendo —Henrique quase que suspirou aliviado —E você não sabe o quão feliz fico em saber disso.

— Me sinto da mesma forma sobre você — Belly completou, com um lindo sorriso. Ela estava feliz. Ela sentia seu coração leve, não apertado como antes. Era uma sensação tão libertadora, que ela chegava ter vontade de viver. — O que está pensando? Um dolár para saber o que está acontecendo na tua cabeça mágica.

Henrique mordeu os lábios... Era ridículo apenas dizer que estava feliz? Ele tinha a impressão que pareceria como uma criança feliz por um brinquedo novo.

— Só um dólar? — Henrique brincou, fazendo um beiço. — Achei que valia mais. Afinal, magias estão faltando nesse mundo, não é mesmo?

— Você tem um ponto, — Belly riu — Mas só um.

— Só um né? — Henrique riu também enquanto reparava em Belly. Ela estava deslumbrante. Os olhos pareciam ter ganhado certo brilho que haviam se perdido nos últimos meses. Eles ainda podiam chorar de saudade, mas era diferente. Augusto tinha transformado tanto ela, que se sentiu tão estúpida por pensar que poderia se quer substituir Leo com ele. A questão é que cada pessoa tem seu grau de importância e impacto na vida da outra. E impactar vidas, deveria ser o ponto mais alto de todos. Fosse do modo que fosse. Seria idiota não dizer que Augusto não teve uma parcela de culpa nessa felicidade, porque ele teve, e muito.

Henrique então fez o que estava com vontade de fazer e beijou sua mulher... e era tão bom pensar assim. Sua mulher. Sua companheira. A pessoa com quem tinha escolhido passar o resto dos seus dias. Ele a beijou de forma intensa. Izabelly quase reclamou de sujar a maquiagem, mas não podia se importar. Ela retocaria depois. No momento os lábios do seu marido em cima dos seus estavam acabando com qualquer sanidade que ela fingia ter e quase se esqueceram do pequeno menino que se aprontava no banheiro dos dois. Só se deram conta quando não ouviram mais o barulho do chuveiro sendo desligado.

Henrique ajudou Augusto a terminar de se arrumar, enquanto Belly ia ver se setava tudo certo com a maquiagem, e depois de conferir, tinha sido o tempo o suficiente de esperar alguns minutos e encontrar com os homens de sua vida lhe esperando para irem juntos ao evento que ela havia planejado com tanto afinco nos últimos meses, apesar de todos os apesares.

Walter também compareceu ao festival, estava todo orgulhoso, ao lado de sua esposa. Eles poderiam não demonstrar muito, mas estavam com a paz de espírito renovada ao ver que a decisão de deixar Augusto naquela família tinha sido a mais correta que aquele juiz poderia ter feito. Qualquer outra, qualquer outro pensamento poderia ter mudado tudo. Poderia ter desandado meses de uma jornada que parecia, na pele, ter levado anos.

Aquele festival, tinha sido a coisa mais bonita que Henrique já tinha visto. Claro, ele já tinha visto a esposa tocar em outras vezes, mas não com tanta paixão como naquela noite. Ela tocava como se estivesse agradecendo por algo, e Henrique sabia que não precisava perguntar sobre o que era, porque ele sentia o mesmo, sentia o mesmo quando tocava e em cada decisão que tomava em sua vida.

Quando chegaram em casa, estavam exaustos, mas a noite ainda não havia acabado. Henrique colocou Augusto para dormir na cama deles, que era bem grande e confortável. A cama de Leo estava pequena para Augusto e eles teriam que trocá-la em breve. O garoto acordava sempre reclamando de dor nas costas e aquilo não era algo que eles diziam para Andrea, quando ela vinha visitá-los para ver se tudo estava em ordem, porque ainda havia algumas regras de segurança dentro da casa, que eles tinham que seguir a risca, principalmente porque, apesar de tudo, eles estavam em uma fase de adaptação com Augusto dentro daquela casa. No entanto, até então, tudo parecia correr bem.

—Vamos, — Henrique disse com cautela que fez Izabelly franzir a sobrancelha, — Eu tenho uma surpresa pra você.

Ela o encarou confusa. Mas concordou em segui-lo para o escritório depois que saíram do quarto dos dois, deixando um Augusto adormecido para trás. Izabelly não entendeu menos ainda quando entraram no cômodo e Henrique acendeu a luz, dando a visão da mesa de trabalho, que estava vazia, exceto por um mapa, onde em cima, havia vários papéis recortados, e duas canetas.

— Qual é a surpresa? — Belly perguntou ainda, completamente confusa — Um mapa e vários papéis? Eu achava que a gente precisava resolver a cama de Augusto.

Henrique riu.

—Ah, e nós vamos fazer isso. Parece meio irreal, mas quero que você coloque possíveis destinos pra gente, anote um em cada papel. Dobre, e coloque em cima do mapa que sortearemos. E então, esse lugar será onde moraremos.

— E com que dinheiro o senhor pensa que vamos comprar uma casa lá? — Sim, a ideia parecia absurda, mas ela tinha gostado tanto, que nem se quer se importou com o quanto aquilo sonhava meio impossível, se o resultado fosse para algum país fora dos Estados Unidos.

— Eu tenho um emprego, você vai ganhar agora por causa do Festival, e temos a quantia e apoio dos meus pais. Não precisamos de muita coisa a mais, precisamos?

— Uma casa com dois quartos, e um cachorro chamado Rex? —Quando ouviu a brincadeira da esposa, Henrique sorriu abertamente porque ela já tinha concordado. Era engraçado, que com aquela conversa besta, o tatuado ainda se sentia como se ambos estivessem mostrando seus corações. Era algo que nem ele conseguia entender, mas se ele sentia, então era válido.

— A gente pode ter um gato, o que acha?

Henrique sorriu, sabendo que aquela proposta tinha um tom de brincadeira, mas ela estava falando sério. Belly sempre havia sido apaixonada por felinos e ele tinha uma queda pelas bolas de pelo também, apesar de ainda achar que Panda sempre seria seu animal favorito no mundo, era impossível ter um no quintal de casa. Eles cuidadosamente, escreveram os nomes das cidades desejadas nos pedaços de papéis. Um não mostrou para o outro, mesmo que depois, soubessem quem havia escolhido. Na hora da brincadeira, era uma questão de ser silencioso e cauteloso com seus desejos internos sobre onde queriam morar. Deixariam os pensamentos sérios para depois. Para tudo tinha seu tempo.

Depois de tudo escrito, os dois misturaram os papéis. E segundos depois de um beijo trocado, e alguns segundos de mínima tensão, Izabelly agarrou a mão do marido.

— Quem pega o papel?

— Você — Henrique disse com firmeza. — Mesmo quando era eu que tentava te guiar, no fundo, você me guiava também. Por isso quero que pegue. Eu irei com você para onde quer que esse maldito papel dizer que nós devemos ir. Eu te amo. Você me ama. E se nos sentimos assim, o resto não deveria importar. Mas, como importa, eu quero que você o tire, porque é você a pessoa mais importante pra mim.

—Tudo bem. — Ela tremeu um pouco, era tanta responsabilidade, apesar de saber que não poderia haver erros ou acertos em um sorteio idiota, mas cheio de significados. Izabelly respirou fundo. Esticou a mão livre, fechou os olhos, e pegou um papel. Sentiu alguns vindo juntos, e os soltou ficando só com um agarrado entre seus dedos. E pensou por um minuto em como ela seria sem as palavras e atitudes inteligentes de Henrique. Ela poderia ser muita coisa, porque por si só era forte, linda e brava, mas era tão melhor dividir e acrescentar tudo isso com alguém, que ela mal podia descrever com palavras, mesmo que fosse apenas para si mesma.

— Abre os olhos — Henrique pediu, tomando o papel de sua mão. — Estou aqui com você.

Aquilo foi o suficiente para ela o fazer. E quando o fez, não esperaria encontrar Henrique sorrindo, e com o papel aberto para que ela pudesse ler a mesma coisa que ele.

San Fransico, California.

Deus!, Como assim?. Izabelly pensou, razoavelmente assustada. Aquilo tinha funcionado. E funcionado pra caramba, ela quase conseguia ver uma casa que era ótima para todos dividirem, viverem como uma família deveria e merecia viver. Izabelly conseguia visualizar os três morando lá e as histórias que teria pra contar que seriam escritas naquele novo lugar que seu peito praticamente começou a implorar para conhecer, a partir do momento que ela leu o papel. Ela, Henrique e Augusto, e talvez, quem sabe, mais alguém com eles:

— Acho que um Panda faria mais sentido do que um gato, ou um cachorro chamado Rex. — Os dois riram da fala da musicista, porque a brincadeira tinha sido realmente engraçada.

E tinha sido sobre eles, algo que ninguém de fora poderia entender tamanho significado apenas com essas palavras. Henrique riu. Belly também. Os lábios se conectaram quase que imediatamente. Era uma vontade de ter um ao outro que Henrique não sabia como inferno isso um dia poderia acabar e a conclusão que ele chegava, era que não acabaria. Algo tão bom não poderia se dissipar em questão de segundos, ou fosse o tempo que fosse. Algo bom tinha que ser duradouro. Ele precisava acreditar que era para poder viver com paz de espírito. Eles ainda riam e sorriam durante o beijo. Era algo que só poderia ser compartilhado entre eles e mais ninguém.. algo que eles agradeceriam por ser apenas deles. Henrique amava todas as curvas da mulher a sua frente e Izabelly poderia falar o mesmo disso para ele. Amava cada detalhe do tatuado. E por algum motivo imbecil, não conseguiam parar de rir, porque apenas isso sobraram para fazerem.

— Vamos, — Rique falou baixinho, quando se separaram, mas em seu sorriso, ainda demonstrava o resquício de um riso. — Eu vou fazer desse lugar nossa casa.

Não é maravilhoso quando contamos uma piada interna para um melhor amigo e só ele sabe? Apesar de não parecer tão piada assim para as pessoas de fora, porque elas simplesmente não entendem? Quando é com você o contador da piada, você se sente incluso, fazendo parte de algo importante. E era assim que eles se sentiam, e vinham se sentindo com tudo até agora porque era uma história de amor que era sobre eles, por eles, e que iria com eles: Até o fim.