Unschuldig
3 Fight like a girl
Notas iniciais
Uma lágrima deslizou pela bochecha da garota de cabelos alaranjados. Aquilo devia ser um pesadelo. Sim, isso mesmo. Mas... Se era um pesadelo, porque ainda não tinha acordado? Seu corpo era prensado contra o chão pelo corpo pesado de Bellamy. Ele era mais forte do que ela, e por mais que tentasse não conseguia se desvencilhar dele. Em momento algum de sua vida Nami se sentiu tão fraca como estava se sentindo naquele momento.
— Eu sei que você sempre esperou por isso... – o garoto de cabelos amarelos sorria sardônico. – Eu sei que foi aquele tal de Luffy que disse para você se afastar de mim. Ele sempre teve inveja do nosso amor.
Nami desesperou-se diante o olhar ensandecido de Bellamy. Queria gritar, mas sua voz era abafada pela mão grande do garoto. Com a mão esquerda ele puxou bruscamente a camisa dela, rasgando-a na frente. O busto coberto com um sutiã rosa era a única coisa que impedia sua nudez frontal. O desespero da garota, que já era grande, triplicou depois disso.
— Mas eu estava de olho em você esse tempo todo e percebi que vocês haviam se afastado. Depois disso só precisei de um pouco de paciência e esperei que aqueles seus amigos chatos largassem do seu pé. – falou enquanto passava a mão pela barriga da ruiva, deliciando-se com o toque na pele macia. – Finalmente nossa tão esperada chance apareceu e eu aproveitei!
Nami não podia estar sentindo maior repulsa. Quando percebeu que a mão dele se aproximava de seus seios, começou a se debater com toda a sua força numa tentativa de evitar que ele prosseguisse com aquele contato. O som dos pingos da chuva se chocando contra o vidro da janela reverberava por toda a biblioteca, abafando o ato alarmante que ali acontecia.
— Nami, querida. Não sabe o quanto eu desejei esse momento! Quando percebi que estávamos destinados a estar sempre juntos... Ai, ai. Você não sabe como é desejada por vários garotos da escola... – deslizou a língua na bochecha dela. O cheiro de álcool pareceu grudar na pele de Nami e ela sentiu o estômago revirar em ânsia. – Nami, a garota mais cobiçada do segundo ano, está em minhas mãos!
Começou a deslizar lentamente a mão livre pelos contornos da ruiva. Levantou levemente o tecido da saia dela e praticamente salivou como um animal no cio.
— Agora eu vou tirar a mão da sua boca, mas não grite. – os olhos de Bellamy passeavam libidinosos pelo corpo seminu da garota. – Quero experimentá-la!
É óbvio que ela não lhe obedeceu e gritou por ajuda a plenos pulmões quando tão logo a mão libertou sua boca. Bellamy surpreendeu-se por um momento, pois não esperava aquele grito tão alto, mas logo voltou a si e deu-lhe um forte tapa no rosto, sem nem pensar em medir a força usada.
— Maldita! – ele praticamente rosnava de ódio. Estava perceptivelmente alterado. – Eu disse para não gritar! Se bem que não adianta de nada, já que não tem mais ninguém por essa parte da escola... Só quebrou o nosso clima.
Sua bochecha queimou de dor e segundos depois sentiu aquele gosto férrico tão conhecido de sangue em sua boca. Bellamy sorriu maldoso diante a expressão de choque de Nami.
— Não sei por que você está agindo assim... Eu sei que você sempre quis que eu lhe tirasse a virgindade, por isso me seduziu! – dizia enquanto acariciava o rosto dela, mesmo que Nami tentasse se afastar do toque a qualquer custo.
Ao ouvir esta última frase, embora ainda chorasse, ela riu. Por mais que a situação fosse triste e desesperadora, ela não se conteve e riu zombando dele.
— Tenho pena de você. Muita pena mesmo. Deve ser muito bom viver em seu próprio mundinho desse jeito... – isso fez ele dar um olhar confuso para Nami, e ela alargou seu sorriso zombeteiro. Quando voltou a falar fez questão de aparentar estar menos amedrontada do que estava realmente. O corpo tremia de leve, mas a expressão que fez era digna de nota. – Não sei em que mundo alternativo você estava vivendo até agora, mas neste mundo aqui eu não sou virgem há muito tempo.
O garoto de cabelos amarelo-sol ficou sem reação por alguns minutos. Nami já estava começando a achar que, talvez com um pouquinho de sorte, ele tivesse entrado em estado catatônico. Entretanto ele voltou a se mexer subitamente e seu rosto foi dominado por uma expressão de esgar bem acentuado.
— Como você ousou se entregar a outro?! – em sua voz havia um misto de fúria e angústia absurdo. Nami havia conseguido lhe irritar além do limite. – Vadia!
Tomado por uma raiva sem tamanho, Bellamy começou a lhe apertar o pescoço fortemente, ignorando todos os gritos desesperados que Nami soltava. Não havia muito o que ela pudesse fazer além de tentar gritar e se debater para se livrar do agarre. Não que isso tenha adiantado muito, pois Bellamy estava completamente enlouquecido e parecia estar com uma força além do normal.
Nami começou a sentir o ar faltar em seus pulmões e suas forças se esvaindo enquanto os dedos continuavam firmes ao redor de seu pescoço. Os braços ficaram pesados demais para que os mantivesse erguidos tentando afastar seu algoz. Até seus olhos ficaram ligeiramente vagos à medida que a inconsciência se aproximava mais e mais. Contudo, nesse momento que seus braços cederam, caindo para os lados sem força, ela sentiu os dedos tocarem algum objeto estranho. Ele tinha o corpo cilíndrico e a espessura de seu dedo mindinho. Com o resquício de consciência que lhe restava ela conseguiu identificar que se tratava de uma caneta, provavelmente esquecida por algum estudante. Num impulso regado de adrenalina, Nami agarrou-a do modo mais firme que conseguiu e usou toda sua força de vontade para enfiá-la no braço de Bellamy. Em seguida arrastou verticalmente a ponta da caneta com mesma força, causando um ferimento do qual ela não conseguiu se preocupar.
Um urro de dor foi liberado pelo garoto, que soltando o pescoço alheio, focou-se na própria lesão não acreditando no que estava vendo. Aproveitando a distração do outro, ainda movida pela adrenalina que percorria todas as suas veias, Nami o empurrou enquanto tossia e lhe deu um chute forte nas partes baixas dele. Bellamy se curvou no chão com uma das mãos no ombro ferido e a outra segurando entre as suas pernas.
Nami mal podia crer que tinha conseguido se livrar de um sufocamento certo, inclusive ainda podia sentir a sensação de aperto na região a cada respirada dolorida que dava. Com o instinto de sobrevivência ainda repercutindo por cada célula sua, se arrastou até apoiar as costas numa parede. Olhou pras próprias mãos que tremiam muito, percebendo que ainda segurava a caneta que usara como arma. E havia sangue nela.
Ela teve a impressão de ter ouvido alguém chamando seu nome, mas não conseguiu dar atenção a isso. Tudo que ela via era o sangue escorrendo da caneta e tingindo sua mão.
*
Luffy e Zoro entraram na biblioteca conversando amenidades enquanto procuravam a amiga de fios alaranjados. Iam chamá-la para irem num karaokê quando Zoro percebeu que havia algo estranho ar. Aquilo era cheiro de álcool? Bem, e também havia o som de gemidos de dor vindo de alguma parte dentre as fileiras de estantes com livros. Um estranho sentimento de urgência atingiu ambos os garotos e eles foram apressados, olhando fileira por fileira, até avistarem Nami sentada num canto parecendo em choque.
Havia livros no chão e uma segunda presença caída mais à frente, mas este último somente Zoro percebeu pois Luffy só tinha olhos para Nami. Dando apenas uma olhada ao redor o Roronoa intuiu mais ou menos o que tinha acontecido ali.
— Nami! – Luffy arregalou os olhos se aproximando da garota. Segurou-a pelo ombro, sacudindo-a um pouco, mas nada da menina dar sinal de reação. – Zoro! Ela não responde!
Zoro, que até então estava mantendo o agressor de Nami imobilizado (mesmo que esse apenas gemesse de dor), franziu o cenho virando o rosto na direção deles.
— Ela está em choque. Vamos levá-la para a enfermaria! – olhou preocupado para a amiga paralisada. – Chopper deve saber o que fazer.
Luffy assentiu com a cabeça e levantou Nami em seus braços.
— Vamos logo! – seguia em direção a porta, quando virou-se parecendo só então se dar conta do outro garoto presente no lugar. – E quem é esse aí? – indagou apontando para o loiro.
— Faço a menor ideia, mas podemos perguntar a ele mesmo quando conseguir parar de ficar só gemendo.
O olhar que Luffy lançou sobre Bellamy foi instintivamente de antipatia. Não sabia quem ele era, mas já não gostava dele. Segurando firmemente o corpo da ruiva contra si, Luffy apressou o passo para enfermaria, sendo seguido de perto por Zoro. Quando finalmente chegaram em frente ao local destinado, o moreno abriu rapidamente a porta surpreendendo o enfermeiro ali presente.
Chopper, o enfermeiro da escola, abriu a boca para reclamar sobre os ausentes modos deles, mas logo a fechou após perceber que o garoto segurava uma Nami extremamente pálida e de olhar opaco. E quando viu o estado da blusa dela, ficou novamente surpreendido.
— O que aconteceu com ela?! – perguntou, ajudando a colocá-la numa das camas.
— Um garoto tentou força-la a algo. – foi Zoro quem acabou respondendo à pergunta, pois Luffy apenas conseguia falar palavras desconexas.
O enfermeiro pareceu assustado por um instante, mas logo começou a examiná-la. Depois de alguns minutos, ele suspirou aliviado e voltou sua atenção para os outros dois jovens no local. Luffy dentro da sala e Zoro espiando da porta, como se segurasse algo do lado de fora.
— Ela vai ficar bem. – essa resposta pareceu aliviar bastante o garoto de cabelos negros, que liberou a respiração que nem tinha percebido que tinha prendido. – Ela passou por algo muito estressante, mas fora as marcas no pescoço ela parece estar bem. Talvez fique com os hematomas por algum tempo, mas nada a mais que isso. Vou esperar um pouco para ver se ela sai desse estado de transe.
— Ainda bem... – suspirou aliviado e depois assumiu novamente sua expressão séria, que era bem rara nele, por assim dizer. – Se ela perguntar por mim, diga que eu volto logo.
— Claro. Não se preocupe com isso. Mas... Você poderia me contar o que aconteceu exatamente?
— Não sei os detalhes, já a encontramos assim. – ele respondeu rapidamente, já seguindo para a porta. – Voltou daqui a pouco.
— E-espera! – Chopper ainda tentou chamá-lo, mas o garoto já tinha saído da sala.
Luffy deu uns passos no corredor, encontrando Zoro que já o esperava do lado de fora segurando o garoto loiro, que tentava se livrar do agarre soltando vários xingamentos.
— Vamos.
*
Chopper voltou a se concentrar nas suas fórmulas experimentais novamente. Vez ou outra lançava um olhar na direção da ruiva só para verificar se estava tudo bem. Já havia se passado cerca de vinte minutos desde a saída de Luffy quando Nami começou a recuperar os sentidos.
— Onde... Estou? – ela piscou os olhos repetidas vezes. – Chopper...? – Nami disse ao notar o enfermeiro de pele morena e cabelo castanho-escuro que a observava atentamente.
— Você está se sentindo bem?
— Bem, acho que s... – Antes que terminasse de responder começou a tossir compulsivamente. A sua garganta queimava de dor. As lembranças voltaram todas de uma só vez e ela olhou para as próprias mãos procurando qualquer sinal do sangue que vira antes.
— Calma, eu já limpei suas mãos e aproveitei para lhe vestir uma jaqueta que tinha por aqui.
Ele aproximou-se da ruiva e ajudou-a a se sentar. Nami agora vestia uma jaqueta azul com branco de educação física.
— Você está na enfermaria. Luffy a trouxe aqui. – lançou um olhar preocupado para ela. – Não conheço os detalhes, mas parece que alguém tentou sufocá-la... E... fazer outras coisas, talvez.
A ruiva lembrava claramente do terror que presenciara pouco tempo atrás. E provavelmente passaria um bom tempo lembrando daquilo, por mais que não quisesse. Mais tarde, quando estivesse mais calma, se perguntaria como tinha conseguido reagir daquela forma, visto que só a ideia de causar um ferimento a outra pessoa já lhe causava enjoo. Seu pescoço latejava de dor e de alguma forma ainda sentia como se a mão de Bellamy passeasse por seu corpo. Tremeu horrorizada.
— E-eu vou para casa... – tentou se levantar, mas Chopper a impediu de modo gentil, colocando as mãos em seus ombros e lhe dedicando um olhar compreensivo.
— Não se apresse, suas mãos ainda estão tremendo. – informou cuidadoso. – Descanse um pouco antes de ir embora. E seus amigos provavelmente vão passar aqui outra vez antes de saírem.
Nami apertou a saia amassada, subitamente achando-a muito curta. Internamente ela se perguntou se isso contribuiu para uma possível “aparência” de vadia. Não queria se deixar influenciar pelo o que Bellamy tinha dito, mas era meio difícil não se abalar com um acontecimento daquele nível.
— Quando me acharam – ela engoliu em seco. – tinha mais alguém comigo?
Voltando a se sentar na sua cadeira, Chopper suspirou.
— Não sei te informar, infelizmente. Mas achei ter ouvido resmungos do corredor quando eles estavam aqui.
Nami murmurou apenas um “hm” em resposta e ficou quieta perdida em pensamentos. Afinal, o que acontecera enquanto estava fora do ar? A última coisa que ela se lembrava era de estar segurando firme a caneta suja de sangue.
— Quer conversar sobre o que aconteceu? – o enfermeiro estava agora sentado ao seu lado na cama, usando um tom de voz especialmente calmo e que de forma alguma parecia estar forçando-a para adquirir informações. – Pode não parecer, mas eu também tenho especialização em psicanálise, portanto, sei ouvir bem.
Olhando-o boquiaberta, Nami tentou imaginar como ele podia ser especialista em tantas coisas sendo tão novo como parecia ser. Já tinha ouvido falar que além dele ser enfermeiro, também tinha o diploma de medicina e passou uns anos como pediatra num hospital no centro da cidade. Ou será que ele era muito mais velho do que aparentava? Mas antes que pudesse abrir a boca para comentar, a porta da enfermaria se abriu em um baque.
— Nami! – Luffy sorriu ao ver a garota com um pouco da cor recuperada e sem a expressão vazia de minutos atrás. – Você está se sentindo bem?
O garoto correu até ela e a segurou pelos ombros, adquirindo feições preocupadíssimas.
— Sim, estou bem, mas... – contraiu as sobrancelhas ao dar uma olhada de relance para as mãos dele. – O que houve com a sua mão?!
Só então Luffy pareceu perceber que seus dedos sangravam. Ou melhor, não dava para saber se aquilo era realmente sangue, pois tinha uma estranha tonalidade. Afinal, havia alguns pequenos cortes em seus dedos, mas nada que sangrasse muito.
— Ah... – ele olhou para os próprios dedos e em seguida disse na maior cara de pau. – Eu caí.
Nami olhou estupefata. Não tinha como alguém machucar os dedos daquela forma numa queda. Parecia mais que ele estava socando uma parede espinhosa. Como então aquilo tinha acontecido?
— Me deixe ver isso! – Chopper exclamou e se aproximou de Luffy com um amontoado de gazes na mão e soro na outra. – Como você conseguiu cair desse jeito?! Tenha mais cuidado ao andar para não tropeçar!
Luffy começou a rir e a ruiva olhou chocada para o enfermeiro. Ou ele era realmente inocente ou um completo idiota para cair naquela mentira.
— Ah, a secretária do diretor disse para você passar na sala dela depois que sair daqui. – informou, recebendo um rápido olhar confuso de Chopper, que logo deu lugar a um de compreensão.
Depois que Chopper pôs alguns curativos na mão dele, Luffy se levantou e, junto com Nami, despediram-se do jovem enfermeiro. Seguiram em silêncio pelos corredores da escola até que se viram na entrada completamente vazia de alunos. Zoro se encontrava sentado ao lado do portão da escola, os esperando.
— Finalmente, hein? – sorriu ao vê-los se aproximar, já se levantando. – Achei que teria que esperar até amanhã...
— Ah, deixa de ser chato, Zoro! – Luffy estirou a língua para ele. – E você só está nos esperando por que vai acabar se perdendo se tentar ir embora sozinho.
— Isso não é verdade! – Zoro bufou irritado, sentindo uma veia sobressair-se em sua testa de irritação. – Eu só esperei vocês por que os caminhos parecem não gostar de mudar quando um grupo de pessoas vai pela mesma direção.
— Então, sorte sua que você mora uma rua depois da gente. – Nami tentou segurar o riso para não forçar muito sua garganta, que ainda incomodava bastante por sinal. – Acho que vou te dar uma bússola no seu aniversário!
Os dois garotos sorriram para a amiga, parecendo satisfeitos de terem conseguido fazer com que ela risse. Nami percebeu isso e colocando as mãos no bolso da jaqueta emprestada, ela dedicou-lhes uma expressão amável.
— Acho que preciso agradecê-los. – Zoro revirou os olhos e Luffy inclinou a cabeça confuso. – Aliás o que aconteceu com Bellamy? – indagou lançando um olhar suspeito para a mão agora enfaixadas do jovem de cabelos escuros.
O Roronoa deu de ombros.
— O levamos pro diretor, mas ele nem estava lá. Quem estava era a secretária, mas pelo olhar dela, creio que vai ser tão ruim quanto o próprio diretor. – Luffy ao seu lado se remexeu, sentindo um calafrio cruzar sua coluna ao lembrar da expressão fria dada pela secretária de fios lisos e loiros. Kalifa certamente era uma mulher assustadora quando queria. – Mas o incrível foi Luffy topar nos próprios pés e acabar socando um cacto que tinha na mesa dela.
Nami piscou confusa.
— Quê?
— E depois que se afastou num pulo do cacto, tropeçou de novo e acabou metendo a mão dentro de uma lata de tinta vermelha meio transparente que tinha por lá. Kalifa que já não estava de bom humor, ficou possessa.
Luffy riu, colocando ambas as mãos atrás da cabeça e rindo como se a poucos instantes não tivesse sofrido calafrios por causa dessa mesma mulher loira.
— Ela até deixou os óculos caírem. – Luffy comentou descontraído. – Acho que ela não gostou muito de você, Zoro.
Zoro deu uma tapa na própria testa. Como que Luffy conseguia concluir coisas tão absurdas daquele jeito?
— Deixe de falar bobagens e vamos embora logo! – o de cabelos verdes como a grama começou a andar em direção a rua, impaciente, e quando saiu dos domínios da escola, virou para a esquerda, seguindo com uma confiança invejável.
— Err. Podemos ir embora, mas tenho a leve impressão de que você está indo para o lado errado.
Zoro parou de andar e olhou para as coisas ao redor. Logo após bufou e voltou para perto dos amigos.
— É claro que eu sabia. – ele corou levemente constrangido, embora pouco se percebesse por causa do seu tom de pele. – Só estava testando vocês.
Luffy gargalhou.
— Zoro, você é engraçado! – comentou risonho. O que acabou lhe rendendo um soco, vindo de Zoro, em sua cabeça.
— Quieto!
Nami sorriu ao olhar seus amigos agindo normalmente. Com certeza eles tinham percebido que ela não queria comentar nada sobre o ocorrido. Pelo menos, não agora. E como sempre, eles a divertiam com suas maneiras únicas de agir. No momento não se preocuparia com o que poderia ter acontecido com Bellamy, apesar de saber que em algum momento precisaria conversar sobre isso. A única coisa que se preocuparia agora seria preparar um bom e relaxante banho assim que chegasse em sua casa para afastar a sensação que ainda persistia estar sobre sua pele.
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