Unschuldig

4 Capítulo 4 - Relógios Adiantados


Notas iniciais
E cá estou eu novamente... Eu iria postar antes esse capítulo, mas acabei me distraindo assistindo alguns animes... Hehe. xD Bem, sem mais delongas e boa leitura. Espero que gostem!

Capítulo 04 – Relógios adiantados


Nami pousou a mão na testa. Estava deitada em sua cama, relembrando todos os fatos que ocorreram no dia anterior. Lantis aparecendo subitamente na biblioteca, a sua quase morte e... Depois disso, ela não sabia exatamente o que havia acontecido. Na noite passada tentou inutilmente ter uma tranqüila noite de sono. Queria se recuperar daquele dia exaustivo e traumatizante, mas uma terrível insônia lhe acometeu. Passou a maior parte da noite rolando na cama, esperando o sono vim. Infelizmente ele parecia não querer aparecer. Vez ou outra achava ter ouvido a voz arrastada de Lantis chamando-a. Certamente não podia ficar mais assustador. – Quando será que esquecerei isso? – Ela pensava meio apreensiva.

Quando o sono por fim veio, ela teve horríveis pesadelos e mal dormiu duas horas. Agora o dia já estava bem claro. Dava para perceber isso só de olhar a porta da sacada entreaberta. Direcionou um olhar indisposto para seu relógio no criado-mudo, o qual marcava nove horas, e levantou-se. – Não posso passar o dia todo na cama... Bellemere vai começar a suspeitar de que algo aconteceu... Isso se já não tiver percebido – Pensou um pouco desanimada.

Entrou no banheiro e encarou o seu reflexo no espelho.

– Nami, Nami... Você está um caco! – A garota examinava as olheiras que se encontravam bastante notórias embaixo de seus olhos – Ah... Talvez um pouco de maquiagem resolva...

Sua expressão demonstrava seu cansaço e em seu pescoço manchas roxas, com o exato formato das mãos do seu agressor, a marcavam. Ainda se perguntava como havia conseguido passar para seu quarto na noite anterior, sem deixar que Nojiko e Bellemere sequer suspeitassem de nada. Talvez seu cabelo longo tenha sido de alguma ajuda afinal.

– Bem, ainda tem coisas que pretendo resolver... Então vou logo tomar banho. – Falava para si mesma enquanto retirava o pijama.

Adentrou o box do chuveiro e deixou a água fria relaxar seus músculos tensos. Enquanto se acalmava com o contato da água em sua pele, as palavras ditas pelo jovem médico vieram-lhe a mente.

Você esta na enfermaria. Luffy-san a trouxe aqui. Olhou preocupado para ela Não conheço os detalhes, mas parece que alguém tentou sufocá-la...”

Assim que o médico dissera que Luffy tinha levado ela até a enfermaria, algo em sua mente lhe dizia que Lantis com certeza não sairia impune. Era apenas por isso que decidira pedir para que Chopper esquecesse aquele fato, pois caso o diretor descobrisse seria o fim. No mínimo, Lantis e Luffy acabariam expulsos. Não que ela se preocupasse com o que aconteceria com o garoto repulsivo, mas... Ela não queria que seu amigo tivesse a mesma conseqüência por tentar ajudá-la. O diretor repudiava toda e qualquer briga que acontecesse nos limites da escola. Mesmo que os acusados dissessem que havia justificativas, de nada adiantaria.

– Quero saber o que aconteceu durante meu desmaio... Mas acho que por mais que pergunte para Luffy, ele não vai me dizer... – Concluiu após lembrar-se da personalidade do moreno. Ele não costumava se gabar de assuntos como esses, além de não gostar de relatá-los – Bem, acho que vou ter que perguntar ao cúmplice...

Enxugou-se com uma toalha estampada e em seguida cobriu-se com ela. Abriu o guarda-roupa, retirou uma saia jeans de pregas e uma camiseta simples para usar. Amenizou com maquiagem as olheiras e as marcas em seu pescoço da melhor maneira que conseguiu. E para que não houvesse chances que alguém visse ocasionalmente as marcas em seu pescoço, colocou uma gargantilha preta. Deu mais uma olhada em seu visual na frente do espelho, pegou seu celular e desceu para a cozinha.

– Bom dia, Nami. Estava começando a achar que você havia entrado em estado de hibernação... – Nojiko riu um pouco.

– Não, não. Ela devia estar em seu sono ritual de beleza... – Bellemere acompanhou a risada da garota de cabelo azul.

– Deixem de ser estranhas... Eu só estava com preguiça. – Olhou a tela do celular – E nem é tão tarde assim, ainda falta quinze minutos para as dez!

– Para alguém que costuma acordar de sete horas e abrir logo todas as janelas da casa... – A mulher de estranho corte de cabelo lavava algumas panelas.

– Só abro as janelas para que a casa fique arejada, oras...

Bellemere sorriu. Embora não fosse mãe biológica daquelas garotas, sentia que realmente formavam uma família.

– Oh! Você esta usando a gargantilha que eu lhe dei! – A garota de cabelos azulados parecia emocionada – Você nunca tinha usado!

– Pois é. Existe uma primeira vez para tudo... – Pegou uma laranja e uma maçã de uma cesta na mesa e se dirigiu para a sala – Vou dar uma saidinha! Volto para o almoço.

– Está certo.

Na rua algumas pessoas passeavam casualmente. Nami olhou para cima e viu algumas nuvens cinzentas começarem a nublar o céu. – Vai chover de tarde... – Pensou convicta – Pelo menos hoje é sábado.

Não demorou muito para chegar em frente ao condomínio onde morava um de seus amigos. O porteiro já estava acostumado com as visitas da ruiva e sorriu simpático para ela. Retribuiu o sorriso enquanto seguia para o elevador. Assim que chegou ao quarto andar, andou direto para a porta 201 e apertou a campainha. Depois de alguns minutos a porta se abriu, revelando um garoto de aparência sonolenta encarando-a malignamente.

– Bom dia, meu querido devedor preferido! – Ela sorriu abertamente.

– O que você quer, bruxa. – Falou totalmente hostil.

– Calma aí! Por que está tão mal humorado?

– Você me acorda de madrugada e ainda quer que eu a receba sorridente?!

Nami se lembrava de ter falado algo semelhante no início do ano a um certo garoto de cabelos negro. Zoro olhou-a confuso quando ela começou a rir.

– Do que está rindo?

– Já são dez horas da manhã! – A garota conseguiu dizer em meio as risadas.

– Você esta delirando? Ainda deve ser seis horas...

A garota ruiva encarou-o perplexa. Ele não confiava nem um pouquinho nela? Levantou o pulso no qual estava o relógio e mostrou a ele os ponteiros que marcavam dez e cinco.

– Seu relógio esta algumas horas adiantado.

Nami sentiu uma veia se exaltar em sua testa. Aquilo estava ficando ridículo. Empurrou o garoto para dentro do apartamento e em seguida entrou. Depois de ter fechado a porta devidamente, examinou o ambiente inteiro com apenas algumas olhadelas e por fim de pronunciou.

– Tem algum relógio nesse lugar? – Ela perguntou batendo o pé nervosamente.

– Tenho um no meu quarto.

– Você só tem um?

– Eu moro sozinho, oras. Para que eu precisaria de mais?

– Só você mesmo... Enfim, vou pegá-lo.

Como ela conhecia todos os cômodos dali, andou diretamente para o quarto. Avistou rapidamente um pequeno despertador preto em uma mesinha ao lado da cama, que por sinal estava uma bagunça só, e o pegou.

– Ei, ei! Quem te deu o direito de invadir o meu quarto?! – Zoro reclamou irritado escorado no vão da porta.

– Quieto. E olhe isso. – Ela mostrou-lhe o despertador.

O garoto de cabelos esverdeados olhou e sorriu.

– Viu. Eu disse que era seis horas!

– Do que esta falando? – Virou o despertador para si e viu os ponteiros – Seis horas?!

– Heh. Eu sabia!

– Epa! Peraí. Está sem pilha... – Falou ao reparar que o local onde deveria haver uma pilha estava vazio.

– O quê?! – Zoro falou ao parar de se gabar – Mas eu troquei a pilha quarta... – Ele parecia ter se lembrado de algo e deu um tapa na própria testa – SANJI AQUELE MALDITO!

– Sanji? O que ele fez? – Nami olhava sem entender.

– Aquela criatura loira veio aqui ontem para pegar um jogo emprestado e deve ter entrado no meu quarto enquanto eu estava distraído! Maldito! Aposto que ele queria que eu chegasse atrasado na aula segunda!

A ruiva só ria diante os gestos de raiva do outro.

– Enfim. – Nami começou a falar quando por fim parou de rir – Eu queria te perguntar uma coisa...

Zoro andou até a sua cama e se deitou de maneira bem relaxada.

– Você quer saber o que aconteceu com aquele ruivo estranho? – Ele lançou-lhe um olhar sugestivo.

Ela assentiu.

– Quero saber a história toda.

– Bem, coincidentemente ontem eu estava próximo a biblioteca quando ouvi um grito. Naturalmente segui a voz e me deparei com Luffy entrando na biblioteca com alguns livros. – Ele narrava de forma preguiçosa – Assim que entramos ouvimos barulhos estranhos e acabamos encontrando vocês.

– Ainda bem que vocês chegaram a tempo... – Ela disse ao imitar o gesto do garoto e se deitar ao lado dele.

– Consegui imobilizá-lo e Luffy a levou até a enfermaria... Depois de ouvir de Chopper que você estava realmente bem, levamos aquele garoto para um canto mais... “Reservado”.

Nami olhou-o de soslaio.

– Na verdade, nem precisei fazer nada. Luffy ensinou uma lição a ele, sozinho... Mas depois de um tempo, tive que segurar Luffy para que ele não matasse o ruivo. Digamos que ele se descontrolou um pouco.

– Hm. – A garota puxou levemente a gargantilha. Ato que foi percebido facilmente por Zoro – Obrigada por ter me ajudado.

– Tire essa coisa. – Ele apontou para a gargantilha – Esta incomodando, não é?

Como realmente estava incomodando, ela retirou. Colocar algo em cima de uma área dolorida não era uma boa ideia.

– Tsc. – Zoro fechou os olhos e voltou a deitar a cabeça – Luffy já viu isso?

– Não. Esta muito aparente?

– Com certeza! Até um cego veria isso.

– Exagerado. – Revirou os olhos e em seguida se levantou – Vou jogar.

O garoto nem se incomodou em reclamar, apenas murmurou um “Ta.” e se virou para o lado afim dormir. Nami caminhou até a sala e ligou os devidos eletrônicos. Uma das coisas que geralmente a incentivava a ir visitar Zoro, era na verdade o Nintendo Wii que ele possuía. Quando o jogo estava começando a ficar emocionante, ouviu a campainha tocar. Como o garoto de cabelos verdes ainda devia estar dormindo, saltitou até a porta com a intenção de atendê-la. Mas antes de abrir a porta, Zoro a chamou.

– O que foi? – Ela perguntou ao se virar para ele.

– Você tem certeza que vai deixar essas marcas à mostra?

Subitamente Nami se lembrou que havia retirado a gargantilha. Se alguém visse aquilo, começariam uma sessão de perguntas intermináveis. Correu até o quarto do garoto, pois acabara deixando a gargantilha por lá. Enquanto a ajeitava devidamente em seu pescoço, vozes familiares foram ouvidas do outro cômodo. Deu uma rápida olhada no espelho do guarda-roupa e saiu.

– Oe Nami! O que faz aqui? – Usopp perguntou um pouco surpreso ao vê-la ali.

– Nami-swaaaan!! – Sanji rodopiou até o lado dela – Que linda surpresa e... – Ele se virou para Zoro, irritado – O QUE DIABOS NAMI-SAN ESTAVA FAZENDO EM SEU QUARTO, MARIMO DE MERDA?!

– Do que está falando, sobrancelha enrolada.

– Nami-san, ele se aproveitou de você? – Perguntou deixando de prestar atenção no esverdeado – Pode me dizer! Irei vingá-la!

Antes que Nami dissesse algo, rapidamente os dois estavam se engalfinhando no chão.

– Aqui é sempre tão animado... – Usopp comentou sentado no sofá, enquanto tomava uma latinha de refrigerante que tinha vindo sabe-se lá de onde.

Com o objetivo de apartar aquela briga sem sentido, a ruiva acertou os dois com socos na cabeça.

– Deixem de idiotices! Eu só fui lá procurar alguns jogos. – Ela tentou ser convincente. Afinal, se dissesse que tinha ido lá para pegar uma gargantilha... Seria muito mais complicado inventar um motivo para explicar o porquê de ter tirado ela.

– Ah... – Sanji olhou-a com uma expressão de “faz sentido” – E então. Vamos começar nossa reunião de jogos!

– Hey! Desde quando minha casa virou local de encontro de marmanjos? – Zoro parecia revoltado.

– Bem, você é o único que mora sozinho... Então, é o mais lógico. – Usopp fez cara de obviedade.

– Vou preparar algo para comermos. – Logo Sanji já se encontrava na cozinha – Esta quase na hora do almoço...

Ao ouvir isso, Nami lembrou-se que Bellemere provavelmente a mataria se resolvesse chegar atrasada.

– Hey, galera. Preciso ir! Até depois! – Ela gritou já pegando o celular ao lado da TV e indo em direção a saída.

– Não vai ficar para jogar com a gente? – Usopp perguntou em tom choroso – Eu pretendia ganhar de você...

– Haha. Tente da próxima vez! – Sorriu e acenou para eles.

– Ah. Acabei de me lembrar de algo... SANJI, SEU MALDITO! FOI VOCÊ QUE TIROU A PILHA DO MEU DESPERTADOR, NÃO FOI?! – Nami pôde ouvir os gritos de um Zoro muito irritado antes de sair.

Fechou a porta e caminhou até o elevador. Assim que este se abriu, um garoto de aparência familiar saiu.

– Ah! – Nami surpreendeu-se – Oi, Luffy! Os garotos já chegaram...

Luffy também parecia um pouco surpreso. Primeiramente sorriu em resposta e depois lançou um olhar inquisitivo para a região do pescoço. Antes que ele proferisse qualquer pergunta que fosse, ela se enfiou no elevador e apertou o botão para o térreo. Suspirou aliviada quando finalmente saiu do prédio e partiu em direção a sua casa. Conversaria com ele depois.


Notas finais
mereço reviews? o.õ