Unknown Channel

4 Tetos Desconhecidos


Daniele, o único vivo, foi encaminhado ao hospital mais próximo.

– Ué, que teto é esse ? — Diz Daniele, acordando no hospital, desnorteado, recebendo sangue.

– Boa Noite, Daniele

– Hãn ? Renato ? O que você tá fazendo aqui ?

– Você desmaiou Daniele, perdeu muito sangue...

– Ah...sim...Mas isso foi por caus-....PORQUE EU TÔ ALGEMADO, PORRA ?!!?!

– Você está preso por homicídios dolosos triplamente qualificados, que são tortura, por motivo torpe e ocultação de cadáveres

– O QUE VOCÊ ESTÁ DIZENDO RENATO ?!?! EU NUNCA FARIA ISSO !!!

– Você foi encontrado com a arma do crime na mão, você matou Yves com o revólver, Yves lutou com você usando a faca e feriu seu abdômen. Com Yves já morto, você executou sua família. Isso foi a dedução da cena encontrada

– RENATO, PORQUE EU MATARIA MINHA FAMÍLIA ?!?!?

– Eu não sei, vai saber o que passa nessa sua mente psicopata! Vou indo, você vai pra uma cela especial na prisão por ter ensino superior, e é bom se acostumar com ela, pois eu serei o juiz de seu caso. Adeus.

– VOLTE AQUI, RENATO! VOLTEEEEEEEE !!!!!!

– Ah caralho, o que vai ser de mim?!.... — Lamenta Daniele.

Após se recuperar, Daniele foi encaminhado a prisão federal, na sua saída do hospital, todas as pessoas olharam torto para ele, enquanto ele chorava e clamava por justiça. A mídia ficou a cargo de destruir a imagem de Daniele fazendo uma cobertura total do caso. Chegando na prisão, Daniele foi direcionado a cela especial, sem antes passar pelas celas comuns, onde estavam inúmeros criminosos que ele pôs lá. Ele podia sentir o perigo e o caos que o esperava. Daniele foi empurrado á cela especial, onde ele teria um companheiro de cela.

– Eae, branquelo!

Daniele conhecia aquele homem, ele não o pôs na prisão, mas ele já tinha o visto.

– Você.... é-é aquele traficante, né?...I...HI...HE... — Disse Daniele, amedrontado

– Hilário Carlos dos Santos, muito prazer, senhor Delegado. Fica com medo não que eu não mordo, só trafico haha. Então, o que tu tá fazeno aqui?

– Fui acusado injustamente de Homicídio Doloso.

– HaHa! "Injustamente", sei. Cê vai se surpreender com o tanto de nego "injustiçado" aqui dentro. Eu, por exemplo, fui "injustamente" acusado de tráfico de drogas, quando eu apenas estava repassando produtos como talco, farinha e balas hahahaha!

– Eu vou morrer!

– Aí depende mermão! Se tu ficar na paz, ninguém mexe, mas se tu já tiver treta com alguém aqui, tu tá fudido porque mesmo nois sendo de cela especial, nois almoça com o barra pesada daqui. Mas no momento, tu relaxa, cara porque aqui é de boas!

Daniele estava com medo do que pudesse acontecer com ele. Aquele homem confiante tinha morrido a alguns dias atrás.

Chegou a temida hora do almoço, Daniele saiu correndo da sua cela pra ser o 1º da fila pra não tretar com ninguém, e deu até certo num primeiro momento. Ele pegou a comida e saiu devorando pra não esbarrar em ninguém.

Enquanto isso, na delegacia, seguiam os processos de investigação para a autuação de Daniele, ninguém conseguia acreditar que ele era o homem por trás do Unknown Channel, muitos questionavam as ações de Renato.

Voltando a cadeia, Daniele foi bem sucedido no seu plano. Foi o primeiro a terminar e simplesmente saiu do refeitório. Ele só não esperava que sofresse uma emboscada. 4 criminosos que ele pôs lá, se reuniram pra pegar ele. Daniele tentou conversar mas foi completamente em vão. Foi surrado até o momento em que o carcereiro percebeu o que estava acontecendo e foi separar, mas o estrago já estava feito: 6 dentes extraídos, 4 costelas quebradas, 1 testículo amassado e os 2 olhos completamente inchados. Depois de um pequeno tratamento médico, ele voltou pra cela.

– CARALHO MALUCO, tu já tretou com os cara ?!?! — Perguntou Hilário, vendo a situação do homem.

– Me emboscaram....

– Porra mano, eu disse pra tu ficar de boa...

– MAS EU FIQUEI!... Me deixa descansar!

– Deita aê no colchão, parça, porque tua situação tá foda!

Daniele tenta descansar, mas ele se lembra da família que perdeu, dos amigos que perdeu, de tudo o que o caso do Unknown Channel acarretou e começou a chorar demais.

– Ei! Tu tá chorano?

– Eu...só queria...estar com...a minha...família....

– Porra, cara, eu queria também. Eu batalhei pra caralho pra entrar numa facul, estudei tudo o que não tinha estudado na minha vida inteira pra entrar lá, tá ligado? Peguei administração e fechei o curso com mó nota foda. Pensei que pegaria fácil um trampo firme pra sustentar meus 3 filho, minha mulhé, minha mãe que tá doente pra caralho, mas nada vinha. Mandava currículo e negavam, aí apareceu o tráfico, fiquei com o pé atrás, mas eu já tava desempregado a mó tempão e essa foi a chance que me apareceu e eu me dei bem no momento, era um trabalho seguro na medida do possível e a grana vinha. Então, como a grana tava vindo fácil, eu me mantive no bagulho, pode não ser legalizado, mas botava comida na mesa lá de casa, aí acabei ficando, ficando até que fizero uma operação aê e me pegaro. Todo dia eu sinto falta da minha família, muleque. Mas vou vivendo dia após dia porque sei que daqui, um dia eu saio, aí vô ver meus muleque grandão, trabalhano honestamente pois vô dizer pra eles a merda que é tá aqui, pra ele não seguir o memo caminho do pai, um até tá fazeno curso de direito. Tenho certeza que pra tu vai ser a mema coisa, parça. Daqui alguns anos, tu vai sair e vai ensinar teu muleque a seguir o caminho do bem. Agora dorme e relaxa mano, amanhã é um novo dia...

Daniele ficou um pouco feliz com a história de Hilário mas lembrou, que não importava o tempo que ele passe na prisão, ele nunca mais iria ver a sua família...

Enquanto isso, o advogado da família Rossi, Cláudio Novaes, buscava meios para salvar seu cliente, mas estava num caso que nunca esteve antes: Caso de um assassino em série. Ele não sabia como proceder pois era especializado em casos de direito trabalhista e tributário.

– Merda! O que vou fazer? O que devo fazer? — Indagou a si mesmo.

– Bem, você poderia pedir um Habeas Corpus, pra ele pelo menos responder o processo em liberdade. — Disse seu assistente, Elenilson Marcos dos Santos, que era um estagiário do escritório de advocacia de Cláudio.

– Mas a imprensa vai cair matando em cima do cara, quero ao menos preservar a integridade moral dele...

– Bem, não custa tentar né?

– Tu pode fazer isso por mim, Elenilson? Você tá se formando na área de direito penal e civil mesmo.

– De boa, Claudião.

Elenilson se pôs em frente ao computador e mostrou ser um digitador maravilhoso, que a saía digitando e tabulando com destreza. Após terminar o requerimento de Habeas Corpus, Elenilson já aproveitou pra ir ao Juiz do caso para ter o Habeas Corpus de seu cliente aceito.

Então, Elenilson teve que ver Renato, ambos já se conheciam pois Elenilson já tinha passado um tempo na delegacia pra ter a experiência de como é trabalhar lá dentro.

– Seu Renato!

– Oh, boa noite Elenilson, entre! Diga o que queres.

– Seu Renato, como sabes, eu sou o assistente do advogado de defesa do Daniele, então vim requerer o Habeas Corpus do meu cliente.

– OK Elenilson, se você trazer esse papel assinado pelo Daniele, eu concedo o Habeas Corpus... Mas, cá entre nós, você acredita mesmo que ele é inocente??

– Todos são inocentes, Renato, até que se prove o contrário!

– Admiro sua confiança, mesmo num caso que já está praticamente definido....Bem, como já está muito tarde, sugiro que vá amanhã de manhã lá na prisão.

– OK, Renatão, amanhã o Habeas Corpus vem!

Elenilson volta ao escritório e conta a boa notícia á Claúdio:

– Claudião, agora eu só preciso da assinatura do Cliente e o Habeas Corpus sai!

– Sério?! Parabéns, Elenilson, mas agora temos que pensar de como livrar a cara do Daniele.

– Relaxa, que eu tenho provas que garantem que ele não é o culpado.

– Duvido!

– Aposto uma torre de cerveja que eu tenho provas, seu beberrão!

– Fechado!!

– Lembra que eu "trabalhei" por uma semana na Delegacia de Homicídios né? Então acabei tomando conhecimento do caso. No dia em que o cara foi pego, eu fui na míuda pra lá, pra ver como era uma cena de crime. Como tava uma baderna aquilo lá, eu enganei o polícia que tava guardando a área com a identificação que ganhei na delegacia e entrei na cena do crime pra mexer nos corpos lá, pra ver se achava alguma evidência interessante.

– CALMA LÁ!! Você invadiu a cena do crime?!?!? Tu poderia estar preso agora mesmo!!

– Mas não estou, é isso que importa!

– OK, Sr. "Sumo na neblina e ninguém me vê". Mas cadê as tais provas?

– Então, eu achei uma luva que continha fio de cabelo de Karen, Marie e Alberto na cena do crime. Eu levei pra um laboratório pra ele verificarem os materias genéticos que passaram por ela e levei um pedaço de cabelo de cada um na cena do crime para analisarem. Foi encontrado material genético de todos menos o do Daniele. E antes que você diga que ele pode ter lavado a luva, eu pedi para verificarem a parte de dentro dela, e foi encontrado um pêlo do dedo do usuário da luva e o material genético encontrado era compatível com só uma pessoa, que era o material genético do Yves. E TEM MAIS, essa luva era a mesma luva usada pelo cara que fazia os vídeos...

Cláudio ficou impressionado com a capacidade de Elenilson:

– Puts, parece que fui superado por um estagiário...

– É...Agora só vou querer aquela torre de cerveja haha! Mas pode deixar pra amanhã, que vai ser um grande dia.