Unknown Channel
5 Liberdade
Elenilson acordou cedo, estava muito animado pois esse seria seu primeiro caso, e logo caso que estava mais destacado pela mídia, então tomou um bom banho e já se vestiu a caráter para o dia que teria!
– Quem diria que você teria um terno pra usar, me surpreendeu! — Brincou Cláudio.
– Peguei do meu pai mesmo, ele não tá em casa.
– Pois bem, boa sorte rapaz, só toma cautela porque um engravatado usando uma bicicleta pra ir numa prisão não é uma cena tão comum assim hehehe.
– Beleza, Claudião. Quando voltar, você verá o "Grande Advogado Elenilson" e o seu cliente neste escritório.
E assim, Elenilson pôs sebo nas canelas e vai em disparada até a prisão na sua velha magrela. Chegando lá ele pede para entrar pra um agente penitenciário:
– Bom Dia, campeão. Vim visitar meu cliente.
– Quem seria o seu cliente?
– Daniele Rossi.
– O assassino em série? HAHAHAHAHA, nem fodendo que tu visita ele.
– Cara, na real nem preciso visitar ele, só preciso da assinatura pro Habeas Corpus. Se você não estiver confiando na minha palavra, você pode me levar até a cela dele, já que é só uma assinatura então não preciso que levem ele para uma sala separada.
– É só uma assinatura mesmo?
– Sim.
– OK, documentos e a carteira da OAB.
– OK!
O agente confere seus documentos e logo após, revista Elenilson.
– É, você tá limpo. Vou te acompanhar até a cela dele.
Enquanto isso, na cela especial nº 12, Hilário acorda.
– Ahhhh, que sono merda hahahaha, puta chão duro...Ae branquelo, tu dormiu bem? — Hilário olha para o colchão — Ué, cadê tu?
Hilário vira sua cabeça e...
– WAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!, PUTA QUE PARIU!!!!
O grito foi ouvido pelos agentes da ala especial.
– O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI, PORRA?!
Eles olham para dentro de cela e se assustam com a cena. Hilario está espremido contra a parede, assustadíssimo, pelo fato que Daniele, estava pendurado, com um cabo de arame em volta do pescoço, morto.
– FOI VOCÊ QUE FEZ ISSO, SEU MERDA?!
– NÃO, CACETE!! EU TAVA DORMINDO E ACORDO COM O CARA PENDURADO NA MINHA FRENTE!!
– ENTÃO QUEM FOI?!?!
– Ele deve ter se suicidado, deve ter achado o arame que eu uso pra desentupir a pia, botou em volta do pescoço e se matou. Bem que eu tava achando ele depressivo pra caralho...Porra, o homem parecia ser do bem...Sabia que ele não ia guentar a pressão disso daqui...Caralho... — Responde Hilário, muito triste com a situação.
– Mas e agora?! O cara tava com o processo trafegando... — Diz um dos agents
Nisso, Elenilson chega na ala especial.
– Valeu, cara. Daqui eu vou sozinho.
– Ele tá na cela 12, onde estão aqueles agentes ali.
– OK.
Elenilson se aproxima da cela, todo confiante, sabendo que iria começar o caso mais importante de sua vida até o momento. Quando vê o ocorrido dentro da cela, seu mundo desaba.
– O...que...aconteceu?
Olhando mais fundo na cela, ele reconhece uma pessoa:
– P-Pai..., foi você que fez isso...? — Diz Elenilson com a voz embargada
– NÃO ELENILSON, CÊ SABE QUE EU NÃO FAÇO ISSO !! Posso ser traficante, mas matador, NUNCA! O homem se matou...
– O cara era inocente... Eu vim aqui...tirar ele da prisão...Era o meu 1º caso,... pai....
– Eu juro que não fiz nada, Elenilson, ele não aguentou a pressão e se enforcou!
– Eu...tô ligado, pai. Eu tô triste pelo homem aí...O cara tinha uma vida tão boa...e em alguns dias, ela desmoronou completamente. Acho que ele queria se libertar do mundo de horror que vivia. Nós 2 já estamos mais acostumados com essas tragédias, vivemos numa favela perigosa. Esse homem não... Ao menos, agora, ele pôde se libertar...
***
Elenilson sai cabisbaixo da prisão, Cláudio pergunta sobre o ocorrido mas Elenilson não diz nada, nem a Torre de cerveja levantou o ânimo do rapaz. O ambiente na prisão fica sepulcral, não se fala do ocorrido mas a mente de Hilário fica transtornada, pois foi a 1ª vez que ele viu alguém se suicidando, ele mesmo tentou o suicídio após a depressão que o acometeu, mas foi impedido pelos agentes penitenciários. E Daniele, foi enterrado alguns dias depois e, depois de 2 meses, foi comprovado que ele não tinha sido o autor dos assassinatos do Unknown Channel o que gerou um sentimento de culpa imenso em Renato, que desprezou aquele homem que tanto o havia ajudado.
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