Elenilson acordou cedo, estava muito animado pois esse seria seu primeiro caso, e logo caso que estava mais destacado pela mídia, então tomou um bom banho e já se vestiu a caráter para o dia que teria!

– Quem diria que você teria um terno pra usar, me surpreendeu! — Brincou Cláudio.

– Peguei do meu pai mesmo, ele não tá em casa.

– Pois bem, boa sorte rapaz, só toma cautela porque um engravatado usando uma bicicleta pra ir numa prisão não é uma cena tão comum assim hehehe.

– Beleza, Claudião. Quando voltar, você verá o "Grande Advogado Elenilson" e o seu cliente neste escritório.

E assim, Elenilson pôs sebo nas canelas e vai em disparada até a prisão na sua velha magrela. Chegando lá ele pede para entrar pra um agente penitenciário:

– Bom Dia, campeão. Vim visitar meu cliente.

– Quem seria o seu cliente?

– Daniele Rossi.

– O assassino em série? HAHAHAHAHA, nem fodendo que tu visita ele.

– Cara, na real nem preciso visitar ele, só preciso da assinatura pro Habeas Corpus. Se você não estiver confiando na minha palavra, você pode me levar até a cela dele, já que é só uma assinatura então não preciso que levem ele para uma sala separada.

– É só uma assinatura mesmo?

– Sim.

– OK, documentos e a carteira da OAB.

– OK!

O agente confere seus documentos e logo após, revista Elenilson.

– É, você tá limpo. Vou te acompanhar até a cela dele.

Enquanto isso, na cela especial nº 12, Hilário acorda.

– Ahhhh, que sono merda hahahaha, puta chão duro...Ae branquelo, tu dormiu bem? — Hilário olha para o colchão — Ué, cadê tu?

Hilário vira sua cabeça e...

– WAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!, PUTA QUE PARIU!!!!

O grito foi ouvido pelos agentes da ala especial.

– O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI, PORRA?!
Eles olham para dentro de cela e se assustam com a cena. Hilario está espremido contra a parede, assustadíssimo, pelo fato que Daniele, estava pendurado, com um cabo de arame em volta do pescoço, morto.

– FOI VOCÊ QUE FEZ ISSO, SEU MERDA?!

– NÃO, CACETE!! EU TAVA DORMINDO E ACORDO COM O CARA PENDURADO NA MINHA FRENTE!!

– ENTÃO QUEM FOI?!?!

– Ele deve ter se suicidado, deve ter achado o arame que eu uso pra desentupir a pia, botou em volta do pescoço e se matou. Bem que eu tava achando ele depressivo pra caralho...Porra, o homem parecia ser do bem...Sabia que ele não ia guentar a pressão disso daqui...Caralho... — Responde Hilário, muito triste com a situação.

– Mas e agora?! O cara tava com o processo trafegando... — Diz um dos agents

Nisso, Elenilson chega na ala especial.

– Valeu, cara. Daqui eu vou sozinho.

– Ele tá na cela 12, onde estão aqueles agentes ali.

– OK.

Elenilson se aproxima da cela, todo confiante, sabendo que iria começar o caso mais importante de sua vida até o momento. Quando vê o ocorrido dentro da cela, seu mundo desaba.

– O...que...aconteceu?

Olhando mais fundo na cela, ele reconhece uma pessoa:

– P-Pai..., foi você que fez isso...? — Diz Elenilson com a voz embargada

– NÃO ELENILSON, CÊ SABE QUE EU NÃO FAÇO ISSO !! Posso ser traficante, mas matador, NUNCA! O homem se matou...

– O cara era inocente... Eu vim aqui...tirar ele da prisão...Era o meu 1º caso,... pai....

– Eu juro que não fiz nada, Elenilson, ele não aguentou a pressão e se enforcou!

– Eu...tô ligado, pai. Eu tô triste pelo homem aí...O cara tinha uma vida tão boa...e em alguns dias, ela desmoronou completamente. Acho que ele queria se libertar do mundo de horror que vivia. Nós 2 já estamos mais acostumados com essas tragédias, vivemos numa favela perigosa. Esse homem não... Ao menos, agora, ele pôde se libertar...

***

Elenilson sai cabisbaixo da prisão, Cláudio pergunta sobre o ocorrido mas Elenilson não diz nada, nem a Torre de cerveja levantou o ânimo do rapaz. O ambiente na prisão fica sepulcral, não se fala do ocorrido mas a mente de Hilário fica transtornada, pois foi a 1ª vez que ele viu alguém se suicidando, ele mesmo tentou o suicídio após a depressão que o acometeu, mas foi impedido pelos agentes penitenciários. E Daniele, foi enterrado alguns dias depois e, depois de 2 meses, foi comprovado que ele não tinha sido o autor dos assassinatos do Unknown Channel o que gerou um sentimento de culpa imenso em Renato, que desprezou aquele homem que tanto o havia ajudado.

Notas finais
Esse é o fim, espero que tenham gostado
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!