Unkiss Me

21 Meeting the family


Cheguei no dia seguinte no trabalho e um monte de coisas estavam sobre a minha mesa.

– Mas o que...? — Comecei a perguntar, mas meu chefe apareceu.

– Vão dividir a investigação da NYU entre a narcóticos e a homicídios.

– Finalmente! — Falei e me joguei na minha cadeira.

– Parker, preciso que você arrume essas coisas pra eu passar pros outros.

– Outros? Eu e o Steves que cuidamos de tudo desde o início.

– Eu sei. Steves vai continuar. Mas quero você fora.

– Mas, chefe... — Isso é um absurdo! Pensei em falar. E realmente era. Não sei pra que essa frescura.

– Isso não foi uma decisão da corregedoria, se você tá pensando isso. Foi minha. Você sabe o protocolo. — Contive a vontade de revirar os olhos.

– "Não se envolver com testemunhas". — Resmunguei.

– Que bom que entendeu, Laura. Que tal férias?

– Você tá me suspendendo?

– Não. Você vai continuar com a arma e o distintivo. Mas você tá precisando de férias. Isso é inegável. — Eu sabia que eu estava com um bico gigantesco na cara, mas eu não ligava. Isso tudo é uma palhaçada! Principalmente me obrigar a tirar férias. — Já assinei te autorizando a sair de férias amanhã. Só organiza toda a sua parte pra que eu entregue pra outra pessoa. Obrigado. — Ele voltou pra sala dele e eu olhei pro Steves, que o tempo todo fingiu que não ouvia nada.

– Pode uma coisa dessas? — Falei pra ele.

– Assim... Eu achei um exagero.

– Acha mesmo que foi uma decisão dele? — Steves pareceu pensativo.

– Por que não? A corregedoria ainda tá no seu pé?

– Não falaram mais nada pra mim. Depoimento do Isaac praticamente me fodeu.

– Me ajuda por fora. — Olhei pra ele.

– Ninguém pode saber disso.

– Eu sei. Mas você ainda tá com o seu distintivo. E ninguém pode me proibir de levar tudo que eu achar pra sua casa antes de trazer pra cá. — Ri.

– Só a lei.

– Não se ninguém souber. E já chamei alguém pra testemunhar.

– Quem?

– Carly. Ela é ex- do Scoot. Vendo minha irmã se ela não souber de nada. — Dei risada de novo.

– Que eu saiba, você não tem irmã.

– Eu tenho você. — Achei meigo. Sorri.

– O cacete que você vai me vender. — Ele sorriu também.

(...)

– Oi. Vim passar esse mês aqui. To de férias. — Colin, meu irmão, olhou para as minhas malas e depois pra mim. — Não vai deixar eu entrar em casa? — Fiz drama com um biquinho e ele revirou os olhos, abrindo o restante da porta.

– Desde quando você tira férias do trabalho?

– Amo meu trabalho, mas faz três anos que trabalho direto. Mereço um descanso. — Uma leve mentirinha, mas quem liga? — Não transformou meu quarto em uma academia, né?

– Vontade não faltou.

– Dou na sua cara o dia que fizer isso.

– Senti sua falta também. — Dei um beijo na bochecha dele. — Pai e mãe não estão. Foram no mercado.

– Vai sair hoje?

– Não. Faço o sacrifício de ficar vendo filmes com você. — Sorri, apertando as bochechas dele.

– Que fofo! — Colin e eu colocamos minhas malas no meu antigo quarto. — Céus! Esse negócio ainda tá aqui? — Falei olhando pro meu poster do 'NSYNC. — Cabelo do Justin Timberlake era meio zoado, né?

– Meio?! Até hoje não esqueço da vez que a mãe me obrigou a ir no show com você.

– Ah, para. Era legal. — Ele revirou os olhos.

– Eu quase fui pisado por um monte de meninas histéricas.

– Ninguém mandou ser baixinho.

– Eu não era baixinho. Eu era uma criança ainda.

– Ai, tá, tá. Colin, acha que a mãe vai surtar um pouco se eu trouxer alguém aqui?

– Depende. É seu namorado? — Não. É o Papa. — Ok. Pergunta estúpida. Bom, se você trouxer ele aqui, ela vai achar que vocês vão casar.

– Deus! Não!

– Avisa pra ela antes.

– Ele é meu amigo. — Colin riu.

– O pai vai ficar fazendo aquela pose de "protejo minha filha", mas acho que você não precisa se preocupar com ele. Então o negócio é sério?

– Ele não é meu namorado.

– Mas também não é só amigo. Faz comida pra mim hoje?

– Querido, to de férias. E eu tenho que falar com a mãe sobre ele vir jantar aqui essa semana. Vou arrumar minhas coisas. — Dei um beijo na bochecha dele novamente e o expulsei do quarto. Peguei meu celular e digitei o número do Isaac. Equilibrei o celular entre o ouvido e o ombro e comecei a arrumar o quarto pra que eu pudesse ficar aqui durante um mês.

– Oi. — Ele falou quando me atendeu.

– Oi. Tudo bom?

– Tudo. Acho que você não tanto.

– Por quê?

– Pediram pra eu depor novamente.

– E aonde eu entro nessa história?

– Eu fui hoje de manhã. Me perguntaram se tínhamos algo, que o meu depoimento anterior deu a entender isso. Eu falei que eles estavam loucos, que somos só amigos.

– Me perguntaram também. E me deram férias. Mas não tiraram meu distintivo, pelo menos.

– O que você acha que pode acontecer?

– Eles podem me rebaixar e eu voltar para as ruas. Mas, se até agora não tiraram meu distintivo, nada vai acontecer.

– Hm... Se você tá de férias, então está em casa?

– Na verdade, eu to na casa dos meus pais. Vou ficar aqui esse mês. Se quiser, pode aparecer por aqui. Bom, você já conhece o meu irmão. Meus pais não são muito diferentes.

– Seu irmão me olhava de cima a baixo. Se seus pais não são muito diferentes, acho que to um pouco fodido. — Revirei os olhos.

– Isso é coisa da sua cabeça. Meu irmão não tá ligando pra quem eu namoro. E ele é novinho ainda. Não tem que ficar dando palpite.

– Ele não é muito mais novo que eu. E eu sou baixinho.

– Isaac, jura que você tá com medo do meu irmão? — Dei risada. De todas as coisas inimagináveis, acho que essa era a mais.

– Lógico que não.

– Aparece aqui então.

– Agora?

– Por que não?

– To saindo. Me fala o endereço. — Passei o endereço pra ele. Depois desliguei, terminei de arrumar o que faltava e fui pra sala. Deitei no sofá e apoiei a cabeça nas pernas do meu irmão.

– Vai vir gente aqui. Se comporte.

– Seu namorado? — Colin perguntou rindo.

– Ele não é meu namorado.

– Vocês já se beijaram? — Revirei os olhos. — Hm… Vocês já transaram?

– Colin!

– O que? Laura, você tem vinte e cinco anos. Vai me dizer que é virgem?

– Eu não pergunto esse tipo de coisa pra você porque não me interessa. E também não interessa a você se eu fiz ou não. Coloca em um filme.

– Depois que terminar o jogo. — Fiz bico. — Teu “amigo” vai vir que horas? — Ele falou fazendo aspas imaginárias com as mãos.

– Já saiu de casa. Mas a tia dele tem grana, né… Ela mora no Upper East Side.

– Uau! E ele tem coragem de vir em Long Island? No Queens?!

– Deixa de ser ridículo. Ele não é fresco. — Passou-se um tempo até tocarem a campainha. Levantei quase num pulo e ouvi os passos do Colin atrás de mim. — Pra que você tá indo abrir a porta também?

– Mostrar hospitalidade. — Ele deu um sorriso irônico e eu semicerrei os olhos, ainda andando. Abri a porta e vi o Isaac parado.

– Oi. — Dei um beijo na bochecha dele e abri espaço pra ele entrar.

– Por que não deu um selinho? — Colin perguntou.

– Cala a boca! — Resmunguei. Isaac apertou a mão dele.

– Ei! Você não é aquele menino da faculdade, o amigo da Laura que conheci lá? — Colin perguntou enquanto íamos pra sala.

– É ele sim. — Respondi pelo Isaac. — E ele é meu irmão de verdade. — Falei pra ele. — Me chama quando a mãe chegar. — Colin se jogou no sofá e eu levava o Isaac pro meu quarto até que ouço essa:

– Tem camisinha na gaveta do lado da minha cama. — Voltei e dei um tapão na cabeça dele.

– Você é ridículo, sabia?

– Sabia.

– Não liga pra ele. — Falei pro Isaac, que parecia envergonhado. Quando entramos no meu quarto, ele deu risada. E eu não precisava perguntar porquê. Era só lembrar do poster.

– Então quer dizer que você curte ‘NSYNC ?

– Pelo amor de Deus, eu tinha dezessete anos!

– Que eu saiba, você saiu da casa dos seus pais aos vinte, quando começou a trabalhar na polícia.

– Eu adorava 'NSYNC. O que eu posso fazer?

– Deixa eu adivinhar… Seu preferido era o Justin Timberlake?

– Mas é claro. Tenho um crush naquele cara até hoje. Todas as meninas da rua tinham inveja porque eu era a única que já tinha ido no show deles.

– Misericórdia… — Ele resmungou olhando pra cima.

– Colin foi comigo. Mas ele quase foi pisoteado, coitado. — Isaac riu de novo.

– Sabe de uma coisa? Acho que seu irmão pode ter razão.

– Tenho medo de saber em que.

– Por que não me deu um selinho quando cheguei? — Ele me puxou pela cintura e grudou os lábios no meu ouvido. — E ele deu livre acesso as camisinhas dele. — Empurrei de brincadeira seu ombro e lhe dei um selinho. Deitei na cama e ele deitou do meu lado. — Por que você quis sair de casa cedo? Digo, você não foi pra outra cidade. — Me remexi um pouco. Na verdade, eu tentava ganhar um pouco mais de tempo. Me incomodava falar sobre isso apesar de que as coisas tinham mudado bastante.

– Eu meio que quase fui expulsa de casa. — Isaac virou o rosto pra olhar pra mim.

– Você? Expulsa de casa? Aí está algo difícil de se imaginar.

– Eu e meu pai tivemos muitos problemas. Mas na época em que eu entrei na academia de polícia era pior. Começou pelo fato de eu não querer fazer faculdade. Quando eu cheguei falando que tinha passado na prova da academia, ele ficou louco. Como a gente sempre implicava um com outro por razões que não tem importância agora, foi meio pesado aquele dia. Ele foi extremamente machista. Nem preciso falar que meu sangue subiu do dedo mindinho até a cabeça em um segundo, né? Acabei saindo com alguns amigos ainda da escola aquele dia. Eu meio que trouxe um deles pra cá.

– Meio? — Isaac perguntou rindo. Só revirei os olhos rindo.

– Confesso que eu fiz de pirraça. Quando meu pai o viu aqui no quarto, as quatro da manhã, ele quase teve um ataque cardíaco de tão nervoso. Eu já estava puta pelo o que havia acontecido mais cedo. Nós discutimos, eu acabei falando que não queria mais vê-lo e fui procurar algo pra mim.

– E vocês estão bem agora?

– Sim. Algumas semanas depois conversamos. Foi aí que ele me deu todos os vinis.

– E aquele seu amigo? Quem era?

– Zac Holfman. Ele não era exatamente meu amigo. Ele era amigo de um amigo do meu amigo que chamou todo mundo pra sair. Eu o conhecia fazia alguns anos. Mas somente de vista.

– Ele era mais velho?

– Não. Ele estava no mesmo ano que eu quando estudávamos.

– E ele era gente boa? Ou tentou se aproveitar da situação? — Fiquei de lado, olhando pra ele, achando graça daquilo tudo.

– Isso é praticamente um interrogatório. Tá com ciúmes do meu passado, Isaac?

– Hm… Não. — Ele falou emburrado. — Só quero saber se você perdeu sua virgindade por uma birra com o seu pai.

– Coitado… Você achou que eu com vinte anos ainda era virgem?

– Por que não? Tem várias meninas por aí com essa idade que ainda são. — Subi em cima dele. Ele ainda estaria com um bico gigantesco na cara. Me aproximei de seu rosto e lhe dei um selinho. Isaac continuou do mesmo jeito. Aproximei meu rosto da sua orelha e disse:

– Eu não sou essas meninas. — Ele finalmente se mexeu e apertou minha bunda. Ri baixinho enquanto revirava os olhos.

– Pervertida. — Ele sussurrou. Ri de novo. Bateram na porta e ele se assustou um pouco. Voltei a ficar do lado dele e pedi pra entrarem.

– Não sabia que teríamos visita hoje. Aliás, duas visitas. — Minha mãe falou entrando no quarto. Isaac sentou na cama, dando espaço pra minha mãe me dar um beijo na testa. — Seu pai está lá na sala. E ele quer saber quem é o rapaz. — “Rapaz”. Contive minha vontade de fazer careta com a formalidade.

– Sou Isaac, senhora Parker. Conheci a Laura na faculdade. — Isaac estendeu a mão. Quando minha mãe apertou a dele, ele a pegou e beijou. Dessa vez, contive minha risada.

– Fico feliz que minha filha esteja saindo com um universitário. Quem sabe ela não fique encorajada a seguir o mesmo caminho?

– Mãe, isso de novo não, pelo amor de Deus. — Qual o problema em entender que eu quero seguir carreira na polícia?

– Você podia fazer direito. Seu trabalho seria mais fácil.

– To feliz assim. Sem contar que não nasci pra levantar tão cedo.

– Não vai querer virar sargento? — Hm… É um ponto a se pensar.

– Posso estudar em casa. Não vou precisar acordar as sete da manhã.

– Certo… — Ela deu um beijo na minha testa. — Vamos levantar. Seu pai já está na sala. E, como já é um pouco tarde, você vai me ajudar a fazer o jantar.

– Por que não o Colin? Eu trouxe visita.

– Ele não sabe nem fritar um ovo.

– Deveria. — Resmunguei e minha mãe me olhou séria. — Deveria mesmo. Só porque ele é um garoto? — E lá fomos nós. Apresentei o Isaac pro meu pai, que o olhou de cima a baixo, torceu um pouco o nariz, mas não falou nada. Eu e minha mãe fomos pra cozinha. Mas é claro que eu certifiquei que meu irmão iria ajudar também.

– Eu ajudo todos os dias! — Ele me disse enquanto lavava a salada.

– E eu faço comida sozinha todos os dias. Então não reclama.

“Carly tá aqui na delegacia”

Stevens me mandou. Perguntei se a convocaram pra depor. Ele me disse que sim.

“Ela parece desconfortável”

“Faça o que você faz de melhor. Seja amigável”

Notas finais
Oi! Eu n sei nem se vai ter alguém aqui lendo ): Eu sei que demorei um milênio pra postar. Eu estava atolada de coisas da faculdade pra fazer e n ia dar tempo de postar pq tinha que arrumar algumas coisas ainda. Mil perdões! Agora vou postar quase todos os dias. Espero n ficar mais em falta com vcs. Beijos!